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Franceses em tempos de crise

1 de Fevereiro de 2016

Se você não abre mão de um bom vinho francês, ainda há solução sem desembolsar uma fortuna. O que a gente ve de porcaria nas prateleiras de supermercados é qualquer coisa de assombroso e ainda por cima, caro !!!. Portanto, vamos nortear uma das saídas, conforme sugestões abaixo:

  • Albert Mann Riesling Tradition 2014 – R$ 80,00

Belo produtor alsaciano com vinhos bem moldados e muita tradição. Este Riesling é para você não esquecer o charme desta uva onde as inúmeras tentativas mundo afora é geralmente frustrante.

  • Frédéric Magnier Crémant de Bourgogne Extra-Brut Blanc de Noirs – R$ 90,00

Bela alternativa para um champenoise autêntico. Elaborado com Pinot Noir, tem boa estrutura para ir à mesa com pratos leves de verão.

puligny boillot

Um de seus Premier Cru

  • Jean-Marc Boillot Bourgogne Blanc 2013/14 – R$ 60,00 (1/2 gf) e R$ 135,00 (750 ml)

Este produtor sabe os segredos de um belo Puligny-Montrachet. Portanto, seu Borgonha branco básico está garantido nas opções de meia garrafa ou garrafa inteira. Elegante, bem elaborado e sem sustos.

  • Gay-Coperet Moulin-à-Vent Vieilles Vignes 2013 – R$ 90,00

A primeira dica para se comprar um bom Beaujolais, típico tinto de verão, é não estar escrito Beaujolais no rótulo. Moulin-à-Vent é a comuna de maior expressão desta apelação. As vinhas antigas garantem autenticidade e concentração.

champagne arlaux

Cuvée Especial

  • Arlaux Champagne 1º Cru Brut Grande Cuvée – R$ 220,00

Aonde você encontra hoje em dia um champagne por R$ 220,00? Já tem espumante nacional neste preço! Além do mais, trata-se de um champagne artesanal com vinhas Premier Cru. Na versão rosé, basta mais quarenta reais. Para os amantes da bebida, não há desculpa.

  • Yann Chave Crozes-Hermitage Rouge 2013/2014 – R$ 105,00 e R$ 115,00

Está cansado daqueles Shiraz pesados do Novo Mundo? Crozes-Hermitage é uma apelação onde o produtor faz a diferença. Esté Syrah é equilibrado, autêntico, e muito adequado nesta época do ano onde vinhos musculosos são enfadonhos.

Fleurie chignard

Outra bela opção em Cru du Beaujolais

Agora para os amantes de Bordeaux, sempre de boas safras.

  • Château Potensac 2005 – R$ 360,00

Tinto sempre confiável da excelente safra 2005. Já passando de seus primeiros dez anos, mostra o que um Bordeaux oferece a quem tem paciência. Tinto para pratos estruturados com excelente equilíbrio e classe.

  • Château Sociando-Mallet 2009 – R$ 400,00

Um dos mais confiáveis tintos do Médoc com jeitão de “Grand Cru Classe”. Outra bela safra com bons anos em adega pela frente. Taninos polidos, equilíbrio perfeito e longo em boca.

  • Château Meyney 2010 – R$ 240,00

Outra bela safra na região com ótimo potencial de guarda. Se for toma-lo agora, pelo menos uma hora e meia de decantação. A comuna de Saint-Estèphe costuma gerar vinhos de destacada acidez e certa austeridade quando jovens. Contudo, o tempo devolve tudo em dobro.

  • Château Haut-Bergeron Sauternes 2010/11 – R$ 120,00 (1/2 gf) e R$ 220,00 (750 ml)

Esta é por anos a fio a maior pechincha em Sauternes. Sempre muito consistente, independente da safra, traz toda a tipicidade de um Sauternes. E ainda, na opção de meia garrafa. Não corra riscos por aí.

Enfim, essas são dicas de compra neste feriado de carnaval que se aproxima. Passando por todos os tipos: espumante, champagne, brancos, tintos e vinho de sobremesa, temos franceses confiáveis. Muitos deles, com preços girando em torno de cem reais. Notem que não se trata de saldões, desovas ou coisa do gênero, tão comum nesta época.

Sem nenhum interesse e para sua facilidade, todos esses vinhos num só lugar, importadora Cellar. O expert Amauri de Faria seleciona com carinho e conhecimento há anos, opções sempre interessantes a preços justos. http://www.cellar-af.com.br

Cellar, França e Itália: 20 Anos

4 de Agosto de 2015

Vinho Sem Segredo não tem o perfil de badalação, de envolvimentos comerciais com importadoras, lojas de vinhos ou qualquer outro meio de merchandise. Simplesmente, queremos liberdade total para falarmos do que quisermos, da forma que quisermos e quando quisermos. Contudo, sempre há uma ou outra exceção, faz parte da vida. E esta exceção hoje, vai para a importadora Cellar que completa 20 anos de atividade com um catálogo muito bem elaborado pelo seu mentor, Amauri de Faria.

Amauri de Faria pode lá ter uma personalidade um tanto difícil, quase um Barolo em tenra idade, mas absolutamente sincero e preciso em suas opiniões. Profundo conhecedor de vinhos há décadas, formado em arquitetura, já projetou muitas adegas residenciais. Conhece a enogastronomia europeia como poucos e tomou uma decisão ousada e desafiadora, trabalhar somente com vinhos franceses e italianos. Para isso, escolheu e escolhe a dedo seus parceiros, produtores de altíssimo nível. A outra ponta do negócio é formar uma clientela fiel e seleta para seus produtos. E aqui entra a verdadeira fidelização. À medida que uma pessoa torna-se cliente da Cellar, pouco a pouco, a critério do próprio Amauri, vai tendo acesso a alguns mimos que só os mais antigos conhecem. Bem ao contrário da fidelização moderna de vários produtos e serviços, onde as vantagens estão só no começo da relação como armadilhas, para mais tarde apunhalar-nos com seus verdadeiros preços extorsivos.

Uma das falsas críticas que se faz à esta importadora é  sua rigidez em fornecer descontos. O brasileiro geralmente está acostumado a ser extorquido com preços inflados de muitas importadoras que para fechar as vendas costumam fornecer descontos generosos e assim, fazer um “agrado” ao cliente. Em inúmeras pesquisas de preços praticados por importadoras de vinhos ao longo de vários anos, a importadora Cellar sempre se destacou por praticar preços justos levando em conta a situação tributária de nosso país. Portanto, o que vale é o preço final pago pela garrafa, e não certos descontos “generosos” praticados no comercio selvagem.

Quanto aos produtos trazidos pela Cellar, fica difícil destacar um ou outro. Porém, quem trabalha com Aldo Conterno (Barolos de alta costura), Jermann (brancos de grande personalidade), Anne Gros (os grandes tintos de Vosne-Romanée), Clos de Tart (borgonha enigmático), Domaine Mugnier (a delicadeza de Chambolle-Musigny), Domaine Courcel (referência em Pommard), Yann Chave (Hermitages profundos) e tantos outros, não está brincando em serviço. Em suma, qualquer vinho desta importadora é no mínimo uma escolha segura, de produtores realmente sérios. Em termos de preços, nada de sustos. Naturalmente, cada vinho tem seu preço numa escala hierárquica, mas têm vários exemplares também abaixo de cem reais numa compra extremamente confiável.

Aldo Conterno: Barolos irretocáveis

Mugnier: Expressão Máxima em Chambolle-Musigny

Este texto é ao mesmo tempo uma homenagem, nem o próprio Amauri ainda sabe. Entretanto, fiz questão de mostrar aos seguidores deste blog, que ainda existem pessoas confiáveis e altamente capacitadas neste mundo dos vinhos, infelizmente recheado de aventureiros. Amauri de Faria é uma pessoa muito reservada, avesso a badalações, redes sociais e eventos de fachada. Colaborou muito com seus conhecimentos nas década de 80 e 90 para a divulgação do vinho e enogastronomia em nosso país, sendo um dos pioneiros em participações na antiga revista Gula, com ótimos conteúdos na época.

Quatro sugestões pessoais, sendo duas de cada país (França e Itália):

  • Paolo Avezza Barbera d´Asti Superiore Nizza “Sotto la Muda” DOCG 2009 – R$ 130,00

Vinho macio, de bom corpo, bem casado com a madeira. Boa sugestão para o Inverno

  • Salcheto Vino Nobile di Montepulciano 2010 (Tre Bicchieri) – R$ 135,00

          Prugnolo Gentile (nome local da Sangiovese) vinificada num estilo mais tradicional. Bela tipicidade.

  • Thibault Liger-Belair Moulin-à-Vent Vieilles Vignes 2012 – R$ 120,00

           O mais reputado Cru de Beaujolais. Um Gamay com elegância e profundidade.

  • Yann Chave Hermitage 2011 – R$ 370,00

           Um vinho de guarda para quem tem paciência. Profundidade, corpo e grande mineralidade.

http://www.cellar-af.com.br

Parabéns à Cellar, e que venham pelo menos mais 20 anos com esta mesma filosofia!

Facetas da Syrah.

2 de Fevereiro de 2015

Aproveitando o gancho da ABS-SP em explorar os vinhos do Rhône, vamos falar um pouco da uva Syrah. É muito comum as pessoas citarem certas características das principais uvas. Contudo, sabiamente o chamado Velho Mundo não trilha este caminho. Para eles, a noção de terroir, onde as castas estão inseridas, é mais importante e mais ampla. Um francês nunca falará que a Pinot Noir apresenta tais e tais características. Ele dirá: Gevrey-Chambertin é assim e Chambolle-Musigny é assado. Questão de terroir, simples assim.

Voltando à Syrah, mostraremos a seguir, alguns exemplares degustados com características particulares. Um deles é um vinho brasileiro, mais especificamente Paulista, da vinícola Guaspari. Os demais são apelações clássicas do vale do Rhône.

Syrah de cores intensas

O Syrah acima é elaborado no interior paulista, numa região serrana de Espirito Santo do Pinhal. Em sua elaboração, a maceração das cascas no processo de fermentação é intensa, cerca de vinte dias, além de várias délestages (processo que concentra  o mosto durante a fermentação). Além disso, o vinho estagia em barricas de carvalho francês por vinte e quatro meses. O resultado é um vinho de cor intensa, bastante concentrado e com boa carga de madeira. Tinto potente, bem ao estilo Novo Mundo.

Alain Graillot: Referência na apelação

Familia Chave: Hermitage de respeito

Já os dois vinhos acima são de apelações contíguas localizadas no Rhône Norte, onde a casta Syrah é protagonista para os tintos. Conforme mapa abaixo, percebemos a nobre apelação Hermitage, localizada em Tain l´Hermitage, cercada a leste, norte e sul por uma série de vinhedos sob a apelação Crozes-Hermitage. O solo de estrutura granítica e a perfeita exposição solar da colina faz de Hermitage um dos tintos franceses mais reverenciados. São vinhos densos, profundos, ricos em taninos e portanto, de grande longevidade. Evidentemente, são austeros na juventude, pedindo bons anos em adega. Apesar de escuros e densos, são vinhos elegantes, com traços minerais e muito equilibrados, sem jamais serem pesados.

Na apelação Crozes-Hermitage, o terroir é mais diverso. Dependendo da localização do vinhedo (norte, leste ou sul) e da composição dos solos, teremos variações importantes na concepção dos vinhos, sem contar com a personalidade e seriedade do produtor. Em linhas gerais, são menos densos, menos complexos e mais prontos para serem tomados jovens, em comparação com a imponente apelação Hermitage. Produtores como Alain Graillot imprimem personalidade e profundidade em seus tintos. Não são vinhos encorpados, mas guardam muito equilíbrio, aromas e sabores elegantes, e muito gastronômicos. Admitem com tranquilidade uma média guarda em adega (por volta de dez anos).

Crozes-Hermitage: Grande extensão de vinhedos

Por fim, os vinhos abaixo mostram apelações antagônicas em estilo, fruto das condições de seus respectivos terroirs. Na apelação Cornas, um pouco a sul de Hermitage, na margem oposto do rio Rhône, as vinhas encontram-se num anfiteatro muito bem orientadas com relação à insolação. A Syrah neste local experimenta um amadurecimento intenso, tornando-se num vinho poderoso e concentrado. Esta potência tira-lhe de certa forma, a classe facilmente encontrada no majestoso Hermitage. Contudo, produtores como Auguste Clape podem lapidar muito bem este diamante bruto e transforma-lo no devido tempo, em algo refinado. Com as devidas ressalvas, este estilo é o que mais se aproxima em concentração de nosso exemplar nacional, citado a pouco.

Cornas: Syrah profundo e concentrado

No vinho abaixo, sob a apelação Côte-Rôtie, localizada bem ao norte da apelação Hermitage, na outra margem do Rhône, encontramos toda a elegância da Syrah. As vinhas são cultivadas em escarpas altas, de grande declive, mas com as benesses do vento Mistral. Portanto, temos amadurecimento em sintonia com a bem-vinda amplitude térmica. Os solos diferenciam-se basicamente nas chamadas Côte Blonde (aloirado) e Côte Brune (solo mais escuro). A encosta de solo mais claro gera vinhos mais delicados e elegantes por conta de uma mistura de ardósia, calcário e micaxisto e areia. Já os solos mais escuros, ricos em ferro e com alguma proporção de argila, fornecem mais força ao vinho, digamos assim, uma certa virilidade. Apesar de um pouco fechados quando novos, envelhecem em adega com muita propriedade. É muito comum, produtores com vinhas nesses dois terroirs misturarem os vinhos formando um assemblage bem característico da apelação. Para completar a elegância desses caldos, é permitido adicionar um pouco de Viognier, casta branca famosa desta região, ao blend, gerando notas florais no conjunto, além de um frescor bem agradável.

Côte-Rôtie: A elegância da casta Syrah

O exemplar acima, já com alguns anos de evolução, mostra-se equilibrado, aromas elegantes e sabores sutis, mesclando um lado frutado com toques de evolução, incluindo especiarias e notas balsâmicas.

Enfim, sempre a França com muita sutileza nos ensinando a lidar com as peculiaridades de cada porção de terra, de cada climat, partindo de uma casta dominante e típica da região. No caso, a nobre Syrah, ora protagonista no chamado Rhône Norte, ora coadjuvante, no chamado Rhône Sul. Nos dois casos, sua presença enriquece essas apelações famosas, e serve de inspiração para as demais regiões vinícolas mundo afora.


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