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Os vinhos de 2017

1 de Dezembro de 2017

Fazendo um apanhado das várias degustações realizadas na ABS-SP em 2017, seguem algumas dicas e lembranças de vinhos nos seus mais variados estilos e preços, até já pensando nas festas de fim de ano que se aproximam. São avaliações estritamente pessoais que seguem abaixo, separadas por estilos e tipos de vinhos.

Espumantes     

Esse é o tipo de vinho que não pode faltar nesta época do ano, embora em várias oportunidades, lembramos sempre de sua versatilidade e compatibilidade gastronômica nas mais variadas situações.    

grand cru tasting 2017 geisse cuvee sofia magnum

Dos nacionais: Cave Geisse com larga vantagem. Não importa qual, um espumante de alta qualidade com informações úteis de safra e data de dégorgement. Importadora Grand Cru.

Dos Internacionais: num preço intermediário, os Cavas apresentam boas ofertas em várias importadoras. Menção especial aos Gramonas, importados pela Casa Flora.

Dos Champagnes: as opções são imensas, sobretudo se preço não for problema. Em todo caso, Deutz da Casa Flora, Jacquesson da Franco Suissa, e  Pierre Gimonnet para quem não abre mão de um delicado Blanc de Blancs, são belas opções. Este último, da importadora Premium.

Brancos leves

Aqui, fugindo totalmente daquele tipo de branco do “inho”. Levinho, gostosinho, equilibradinho, e assim vai. São brancos que possuem leveza, elegância, mas com profundidade e equilíbrio. 

Henri Bourgeois Sancerre Le MD de Bourgeois 2014 – Grand Cru

Fritz Haag Riesling Trocken 2015 – Grand Cru 

Brancos estruturados

abs tondonia blanco 2000

Lopez de Heredia Viña Tondonia Reserva 2000 – Vinci

Baseado na casta Viura ou Macabeo, este branco passa por um trabalho de barrica excepcional. Embora longamente amadurecido, a madeira se funde completamente ao vinho, protegendo-o da oxidação e enaltecendo a fruta e riqueza aromática. Pessoalmente, esta bodega elabora os melhores brancos de longa guarda de toda a Espanha. O melhor branco degustado em 2017.

Rosés

Quando se fala em rosés, fala-se em Provence. Não há nada que se compare à elegância e tipicidade desses vinhos. Portanto, qualquer compra desses rosés entre 100 e 150 reais, dificilmente não satisfará. 

antinori scalabrone

Antinori Scalabrone Rosé 2015 – Winebrands

Aqui temos uma das poucas exceções de rosés que valem a pena. Belo trabalho da Tenuta Guado al Tasso mesclando Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah, sem interferência da madeira. Um rosé de presença em boca, muito gastronômico, um pouco mais encorpado que os provençais, mas muito bem feito. Um salada de polvo com toques de ervas e especiarias é uma bela harmonização.

Tintos leves

Novamente aqui, aquela conotação de profundidade, meio de boca, embora com graça e delicadeza.

Marziano Abbona Dolcetto di Dogliani Superiore Papà Celso 2013 – Mistral

Não é um Dolcetto barato, mas está longe de ser comum. Parreiras antigas, rendimentos baixos, são fatores determinantes para um tinto de grande concentração de sabor. Tanicidade moderada, muito macio, mas com ótimo frescor. É perfeitamente comparável ao Dolcetto do Roberto Voerzio, outro grande produtor piemontês.

Antonio Saramago Risco tinto 2013 – Vinissimo

Um vinho relativamente barato e sem grande sofisticação, mas extremamente bem feito. Equilibrado, fruta bem colocada, frescor na medida certa. Vinho de destaque para o dia a dia e muito gastronômico.

Tintos estruturados

Cantine Cellaro Due Lune IGT 2013 – Casa Flora

Um italiano da Sicilia que mescla as uvas Nero d´Avola e Nerello Mascalese com muita fruta, taninos bem moldados, e bom contraponto de acidez. Bom corpo, persistente, e bem equilibrado.

Rupert & Rothschild Classique 2012 – Zahil

Para quem gosta do estilo bordalês clássico, este sul-africano tem elegância e equilíbrio. De corpo médio, é um vinho normalmente pronto para o consumo e muito gastronômico.

Clarendon Hills Bakers Gully Syrah 2009 – Vinissimo

Eta australiano bom!. Sempre com vinhos muito equilibrados, este Syrah não foge à regra. Bela fruta, taninos polidos, e muito frescor. Vinho com profundidade e persistência.

Quinta Vale Dona Maria VVV Valleys 2013 – World Wine

Um exemplo de elegância e robustez no Douro. Taninos abundantes, mas muito bem trabalhados, além do belo frescor. Bom corpo, sem ser cansativo. Um belo tinto para os assados de fim de ano.

Chateau Haura Graves 2014 – Casa Flora

Uma homenagem acima de tudo a Denis Dubourdieu, grande enologista bordalês, falecido recentemente. Muita tipicidade de Graves com seus toques terrosos e balsâmicos. Belos taninos, elegante, e muito equilibrado. Tudo que um bom cordeiro espera.

abs zambujeiro

Terra do Zambujeiro 2012 – Casa Flora

Um dos grandes tintos do Alentejo sem ter que pagar uma fortuna por isso. Blend bem balanceado com Alicante Bouschet, Trincadeira, Aragonês, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. Tem o toque na medida de barricas francesas. Grande concentração, maciez, e persistência aromática. 

Pesquera Crianza 2013 – Mistral

Para aqueles que não podem ter um Vega-Sicilia, Pesquera é muito mais que um consolo. Tempranillo elegante de escola tradicional de Ribera del Duero. Toques balsâmicos com a maestria exata da barrica. Fino, elegante, e muito consistente a qualquer safra.

grand cru tasting 2017 bodegas mauro

Bodegas Mauro 2014 – Grand Cru 

Mariano Garcia sabe dar o toque exato de modernidade num vinho que está fora da nobre denominação de Ribera del Duero, sem perder suas raízes. Longe da rusticidade taxada para este tipo de vinho, seu Tempranillo é pura elegância, profundidade, e muita personalidade. Sempre um porto seguro.

Pulenta Estate XI Gran Cabernet Franc 2013 – Grand Cru 

Este produtor argentino apresenta uma consistência impressionante em seus vinhos, desde os mais simples, até seus ícones, como este belo Cabernet Franc. Embora seus Malbecs sejam dignos de nota, uma homenagem a esta cepa sempre relegada a segundo plano. Vinho elegante, equilibrado, fugindo do lugar comum.

abs stonyridge 2008

Stonyridge Larose 2008 – Premium 662 reais

Não é um vinho barato, mas vale cada centavo. Em termos de Brasil, é difícil um autêntico Bordeaux de margem esquerda batê-lo nesta faixa de preço (seiscentos reais). Um nariz complexo, taninos muito finos, e longa persistência. Apesar da idade, tem muita vida pela frente. É imperativo decanta-lo para uma boa apreciação. Um neozelandês de peso. Sem dúvida, o vinho do ano.

Vinhos doces

abs carcavelos

Villa Oeiras Carcavelos Branco Blend 10 anos – Adega Alentejana      

Carcavelos é uma denominação nos arredores de Lisboa quase extinta. Graças a alguns visionários como Villa Oeiras, temos uma faísca de esperança em sua manutenção. O fortificado preferido de Marques de Pombal, embora sua contribuição para o Vinho do Porto seja imensa. Este 10 anos apresenta concentração, frescor, e longa persistência aromática. Lembra de certo modo alguns Madeiras.

Domaine Paul Mas Maury Mas des Mas 2011 – Decanter

Os fortificados franceses se apegam muito ao Banyuls, esquecendo de um concorrente ilustre chamado Maury, de localização mais interiorana na área de Roussillon. Também elaborado com Grenache, segue o mesmo padrão de vinificação do famoso vinho do chocolate. Com certa passagem por madeira, lembra os típicos Tawnies portugueses da linha Reserva. Bela alternativa às opções cotidianas.

Quando se vê já se passou um ano, quando se vê já se foram vinte e sete anos de ABS-SP. Agora é tarde demais para ser reprovado. Mário Quintana estava certo …

Vinhos de Lisboa e a Enogastronomia

17 de Junho de 2016

Belo evento organizado pela Tema Assessoria de Comunicação através da competente Gabriela Galvêz, promovendo vinhos portugueses da região de Lisboa. A palestra conduzida pelo simpático Vasco d´Avillez, presidente da região dos vinhos de Lisboa, foi elucidativa e ao mesmo tempo, com muita descontração.

Os vinhos desta região não têm a badalação de outras regiões como Douro e Alentejo. Entretanto, são vinhos muito versáteis em estilo e principalmente, amigos da boa mesa, ou seja, muito gastronômicos. Foi essa a ideia passada num belo jantar realizado no restaurante Parigi do grupo Fasano.

menu parigi vinhos lisboa

Menu sintonizado com o tema

A recepção foi feita com dois brancos muito interessantes, um espumante e um vinho branco dito leve. O espumante Moscatel Graúdo Reserva Seco, surpreendeu positivamente. Longe de apresentar aquele aroma típico muito intenso, além da doçura normalmente excessiva, é um espumante seco, agradavelmente perfumado, e muito equilibrado. Bom perlage, mousse consistente e um final limpo. O branco por sua vez, Sottal Leve 2014, elaborado com as castas Arinto, Moscatel, e Vital, apresenta corpo leve, aromas delicados e muito bom frescor. Não há passagem por madeira, e as uvas são colhidas precocemente, evitando assim, um teor alcoólico excessivo. O vinho tem apenas nove graus de álcool, assemelhando-se a um Vinho Verde. Aliás, uma bela alternativa sem sair de Portugal.

sottal leve lisboa

moscatel seco lisboa

os agradáveis brancos da recepção

À mesa, os vinhos foram harmonizados prato a prato. Para a entrada, Tartare de Saumon, um branco exótico elaborado com a então desconhecida casta Jampal, mais uma surpresa de Portugal. O vinho chama-se Dona Fátima Cheleiros safra 2014. Em sua elaboração, a vinificação é finalizada em barricas de carvalho francês, onde permanece por seis meses com um trabalho de bâtonnage. Branco elegante, de boa acidez e madeira bastante sutil. Seus aromas têm um lado cítrico, mesclado com fruta tropical. Casou muito bem com o prato.

tartar de salmão parigi

tartar de salmão

dona fatima jampal lisboa

branco exótico de Lisboa

Em seguido, acompanhando um saboroso Arroz de Pato, tivemos um tinto à base de Touriga Nacional chamado Grand´Arte. Faltou um pouco de corpo e estrutura ao vinho para enfrentar o prato, mas mostrou-se muito equilibrado e com grande frescor. Seus taninos bem moldados foram domados com seis meses de estágio em barricas francesas de carvalho Allier. Esta nobre casta molda-se bem a diversos terroirs de Portugal. Nesta região de Lisboa, em particular, o vinho prima mais pela delicadeza do que potência.

arroz de pato parigi

arroz de pato

touriga nacional lisboa

touriga nacional distinto

Por fim, acompanhando um Mil Folhas com Crème Pâtissière, um raro vinho Generoso, sinônimo de Fortificado, chamado Carcavelos. Enaltecido e divulgado pelo Marquês de Pombal, este vinho fez fama nos séculos dezoito e dezenove, sendo que nas últimas décadas pouco a pouco foi desaparecendo devido à especulação imobiliária nos arredores de Lisboa. Ultimamente, há uma espécie de renascimento do vinho, enriquecendo sobremaneira as opções deste gênero dentre os ótimos fortificados portugueses. Villa Oeiras é o produtor deste Carvavelos provado, assim elaborado com as uvas Ratinho, Arinto e Galego Dourado. O vinho estagia cerca de dez anos em toneis, adquirindo cores topázio e complexidade aromática. Assemelha-se de certo modo aos Madeiras, mas tem identidade própria. Belo fecho de refeição.

mil folhas parigi

mil folhas clássico

carcavelos villa oeiras

belo fortificado de Portugal

Agradecimentos à Tema Assessoria de Comunicação pelo convite, e também à costumeira fidalguia do pessoal da Região dos Vinhos de Lisboa na pessoa de Vasco d´Avillez, mostrando mais alguns segredos da Terrinha …


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