Posts Tagged ‘syrah’

Franceses na Berlinda

25 de Março de 2017

Vez por outra é bom confrontarmos grandes vinhos lado a lado, sobretudo se os mesmos têm armas à altura para uma boa briga. Foi o que ocorreu em recente almoço no restaurante DOM num desfile de belos franceses. A disputa ocorreu com várias duplas, iniciando com borgonhas brancos de tirar o fôlego.

dom leflaive e leroy

as grandes damas da Borgonha

A principio, um embate sem perdedores. Trata-se de domaines irrepreensíveis, utilizando em seus respectivos vinhedos a filosofia biodinâmica. Contudo, Madame Leroy levou fácil esta primeira disputa. Infelizmente, a garrafa do Chevalier-Montrachet estava prejudicada, mostrando uma evolução muito exagerada para sua idade. Não chegava a ser um vinho oxidado, mas os aromas de butterscotch eram bem evidentes. Na fermentação malolática, comum em Chardonnays da Borgonha fermentados em barrica, pode ocorrer esta oxidação precoce pela produção de diacetil advinda de bactérias lácteas. Voltando ao vinho, seus aromas estavam prejudicados e sua persistência aromática, bem abaixo do que se espera para um vinho deste quilate.

Vale lembrar que recentemente, comentamos um Batard-Montrachet 2005 Domaine Leflaive que estava divino, ratificando os grandes brancos desta Madame nota 10.

dom leroy corton charlemagne

isto é exclusividade

Em compensação, o Corton-Charlemagne de Madame Leroy era algo de sensacional. A concentração, a finesse, o equilíbrio, e seu final bem acabado, é qualquer coisa dos Deuses. Sua persistência em boca supera fácil os dez segundos. Além disso, um privilégio beber a garrafa nº 285 das 1845 produzidas nesta bela safra de 2009.

dom mouton e haut brion

safra acima de qualquer suspeita

Mais um embate díspar, embora tratando-se de dois Premier Grand Cru Classé. Lamentavelmente, Mouton nesta incrível safra não se deu bem. É um dos vinhos mais polêmicos, inclusive na pontuação de Mr. Parker. De fato, o vinho não tem uma concentração esperada para o Chateau e para a safra. Contudo, a garrafa estava perfeita, mostrando a incrível força dos Bordeaux em superar décadas, mesmo para safras problemáticas e pontuais para este Chateau em questão.

Do lado do Haut Brion, uma maravilha. Talvez seja o Chateau mais consistente depois do todo poderoso Latour. Tipicidade à toda prova, seus toques animais, de estrebaria, ervas finas e cedar box emblemático dos grandes Bordeaux. Para muitos, foi o vinho do almoço. De certa forma, não tem como discordar.

dom la landonne 2005dom cuvee cathelin 90

briga de gigantes

Neste embate, as coisas ficaram pau a pau. É claro que o cuvée Cathelin 1990 estava muito mais prazeroso pelo momento de evolução. O Landonne 2005 do mestre Guigal é ainda um feto. Porém, estamos diante de duas obras-primas do Rhône. Este cuvée Cathelin 1990 marca o ínicio de um dos maioires Hermitages já produzidos. Jean Louis Chave por si só, já é um grande Hermitage. O grande diferencial de seus vinhos reside na conjunção de vários terroirs famosos desta mítica colina granítica. O pulo do gato desta cuvée vem do fato da maioria do vinho proceder do lieu-dit Les Bessards, um dos mais famosos terroirs de Hermitage. A média de idade das vinhas atinge 50 anos. Chave procura não passar de 20% de madeira nova no amadurecimento de seus tintos para não mascarar sua mineralidade e tipicidade. Um vinho fantástico, com taninos ultra finos, mineralidade, e um toque canforado. Seu equilíbrio e persistência são superlativos. Outro ponto notável, é como ele consegue domar esta montanha de taninos com tanta graciosidade.

Do outro lado, La Landonne não deixou por menos. Um monstro engarrafado. Com uvas 100% Syrah, seu solo argilo-calcário de subsolo granítico é rico em óxido de ferro, fornecendo uma pronunciada cor escura e compacta em seus vinhos, sobretudo quando novos. Seu amadurecimento de 40 meses em carvalho novo nem de longe é percebido nos aromas e sabores. Um vinho denso, absurdamente estruturado, e de um equilíbrio monumental. Precisa de pelo menos três horas de decantação. Não sei se vale 100 pontos, mas é difícil ver defeitos neste grande tinto.

dom cuvee cathelin duas garrafas

momentos diferentes de evolução

Para terminar a brincadeira, tínhamos outra garrafa do mesmo cuvée Cathelin 1990, conforme numeração da foto acima. Mais uma vez confirmando o ditado: “em safras antigas o que vale são as grandes garrafas”. Aqui, o negócio pegou fogo. Uma discussão interminável pela preferência dos convivas. Opiniões à parte, me permito opinar por um parecer técnico. Uma das garrafas estava mais prazerosa. Sua evolução estava mais adiantada, desabrochando mais aromas  e um equilíbrio em boca mais harmônico. A outra, um pouco mais fechada, e com uma acidez mais evidente. Estas constatações foram confirmadas pelo exame visual dos vinhos. Na garrafa mais evoluída, o halo aquoso envolvendo a borda na taça inclinada (unha do vinho) era mais evidente, confirmando sua evolução mais adiantada. Por outro lado, podemos supor que a garrafa menos evoluída foi melhor conservada e portanto, tendo um potencial maior de evolução. Dilemas que o vinho nos prega, só podendo ser confirmados com o tempo.

dom mousse de cogumelos caramelo de cebola arroz crocantedom arroz de galinha barriga de porco e taiobadom paleta de cordeiro farofa e batatas

comidinhas do almoço

Dentre os vários pratos do almoço, podemos destacar a mousse de cogumelos e mini arroz crocante combinando bem com o evoluído Mouton 90, inclusive na textura, foto à esquerda. Em seguida, o arroz de galinha com barriga de porco e taioba foi muito bem com o Haut Brion e seus aromas evoluídos. Por fim, a paleta de cordeiro com farofa e batatas foi muito bem com o La Landonne 2005. A fibrosidade e suculência da carne domaram bem a rica estrutura tânica do vinho. 

Mais uma vez, meus agradecimentos aos amigos pela companhia e por poder compartilhar essas experiências. Afinal, são esses momentos que fazem a vida valer a pena. Abraço a todos e aquele puxão de orelha habitual aos ausentes.

Syrah e Merlot: Sublimação de Terroirs

29 de Janeiro de 2017

As apelações francesas procuram espelhar a força de seus respectivos terroirs nos vários produtores que formam cada pequena região. E é exatamente a interpretação magnífica de determinados terroirs  que faz a distinção dos grandes produtores, verdadeiras referências, no sentido de procurarem a perfeição e a essência de uma pequena porção de terreno. Neste contexto, o produtor de Hermitage Paul Joboulet com sua cuvée La Chapelle e Le Pin, um ícone de Pomerol, sublimam as uvas Syrah e Merlot, respectivamente. Foi o que aconteceu numa bela degustação mostrando essas maravilhas.

hermitage-colina

a imponente montanha de Hermitage

A paisagem lembra um pouco o Douro, terroir português para o inigualável Vinho do Porto. De fato, o subsolo também é granítico, um monolítico esculpido de forma magistral pela natureza. O esquema abaixo, setoriza as várias parcelas da montanha. Hermitage tem um conceito muito particular de terroir, onde a junção das várias parcelas é capaz de produzir um vinho mais complexo e longevo, ao contrário da noção comumente adotada de parcelas individualizadas, ou seja, os melhores Hermitages não são os de vinhedos, e sim os clássicos.

La Chapelle

O segredo deste grande ícone é o domaine Paul Jaboulet trabalhar com vinhas antigas (entre 40 e 60 anos), gerando mostos com rendimentos baixíssimos (entre 10 e 18 hectolitros por hectare). Além disso, o pulo do gato é a mescla judiciosa de seus vários terroirs, conferindo ao vinho uma complexidade ímpar. No caso, são quatro lieux-dits: Les Bessardes, Les Greffieux, Le Méal, e Les Roucoles.

hermitage

as várias parcelas da montanha

Les Bessards: confere estrutura e capacidade de envelhecimento com seu solo granítico

Le Méal: confere elegância e complexidade com solos de traços calcários, pedras e sílica

Les Greffieux: confere corpo e elegância com solos aluviais e argilosos

Les Roucoles: terroir mais para brancos com presença de argila e loess, conferindo graça e suavidade

O vinho repousa entre 15 e 18 meses em madeira para depois envelhecer em garrafas por décadas. Este é um dos poucos casos em que vale a  velha máxima: “quanto mais velho, melhor”.

la-chapelle-70-e-90

20 anos os separam, uma viagem no tempo

la-chapelle-tacas-70-e-90

esquerda (70) e direita (90)

Difícil descrever em palavras um La Chapelle maduro, com seus aromas terciários já desenvolvidos e seus massivos taninos devidamente domados. Degustados em taças Zalto, a diferença sutil de cor entre as safras acima mostra bem a lenta evolução deste vinho. A safra 1970 pode não ser perfeita, mas com seus 47 anos de evolução encontra-se deliciosa para ser provada e num platô amplo de estabilização. A cor, embora um pouco clara, menos preenchida no centro da taça, não denota sua idade. Os aromas são de uma elegância e refinamento ímpares, persistentes, sem ser impositivos. Vai das frutas escuras, couro, chocolate, especiarias delicadas e um toque defumado bem sutil. Em boca, aquela montanha de taninos domada, integrando-se perfeitamente ao corpo. O equilíbrio de álcool e acidez são notáveis, culminando numa persistência aromática expansiva. Acho que neste ano não há vinho que possa ofuscar-lhe. Perdão, lembrei agora do grande Vega-Sicília 70 …

Já o 1990 ainda é um “monstrinho”, tal a pujança em boca. Este vai chegar fácil aos 47 anos e com certeza, com mais vigor ainda. Os aromas demoraram um pouco a chegar, já que sabemos que a casta Syrah é extremamente redutiva, necessitando de decantação. O perfil aromático, seu DNA, é muito semelhante ao anterior, mas ainda tímido. Coisas que só o tempo resolve. Potente em boca, taninos em abundância e ultra finos. Enfim, pode-se degustar agora com paciência e decantação, mas ainda tem chão pela frente.

le-pin-89-e-90

um Pomerol de garagem

Acima, outro dupla de respeito. Como os grandes Bordeaux se impõem em qualquer situação!. Mesmo diante de um Hermitage do quilate do La Chapelle, mostrou corpo e profundidade para não se intimidar. Le Pin é um dos grandes concorrentes do todo poderoso Petrus, inclusive nos preços. Contudo, normalmente tem a vantagem de ser mais abordável, mesmo na juventude.

Sua história é recente, sendo a primeira safra em 1979. São apenas 2,7 hectares produzindo em torno de 500 caixas por colheita com uvas 100% Merlot. Assim como o Sassicaia foi o pioneiro para os Supertoscanos, Le Pin inaugurou o termo “Vin de Garage”, pequenas partidas de vinho feitas num espaço reduzido de microprodução.

O primeiro ponto que chama atenção nas duas safras provadas é o discreto nível de álcool de 12,5° graus, bem abaixo do que estamos acostumados para tintos de corpo. Aqui, vale mais as características de cada uma das safras, já que a diferença entre ambas é de apenas um ano. A safra 89 é bem pontuada e de características muito mais precoces, sendo acessível mesmo jovem. Fruta deliciosa, macio, taninos bem moldados com final longo e harmônico.

A safra 90 é mais estruturada, com alguns segredos ainda a revelar. Seus taninos são mais presentes e abundantes. Evoluiu muito e bem na taça com o passar do tempo. Além da fruta lembrando ameixas, as notas de chocolate, couro e toques balsâmicos completaram seu leque aromático. Em boca, percebe-se a potência e qualidade da safra. Taninos de fina textura, muito equilibrado, e um final longo e expansivo.


Antes dos tintos, dois brancos para aguçar o paladar. Uma novidade em Champagne de produção minúscula. Não há nada melhor para iniciar uma refeição, se não um cremoso Blanc de Blancs. Em seguida, um Corton-Charlemagne de rara beleza, o exclusivíssimo Coche-Dury.

coche-dury-corton-charlemagne

o refinamento de uma apelação

Falar de Coche-Dury é falar em refinamento, exclusividade, requinte. Um domaine irrepreensível com vinhos de sonhos. Seus destaques são os disputadíssimos Meursaults, sempre muito bem cotados. Entretanto, ele faz também uma produção minúscula de Grand Cru Corton-Charlemagne, apenas um terço de hectare (0,33 ha) com vinhas plantadas em 1960. Na safra 2012 (foto acima) foram produzidas apenas 1800 garrafas numeradas.

casa-do-porco-sushi

bela combinação com sushi de papada de porco

O vinho ainda jovem, praticamente um infanticídio, tem um cor linda, brilhante e muito clara. Os aromas são bem minerais, madeira sutil, refinada, um toque floral, indo na linha de um Puligny-Montrachet. Em boca, os Cortons sempre lembram os grandes Chablis, estilo Les Clos, mais encorpados, embora sem a mesma textura da turma lá de baixo da família dos Montrachets. Equilíbrio fantástico. Nada sobra, nada falta. Final longo e muito agradável.

champagne-michel-fallon

delicadeza e elegância

O rótulo acima lembra Selosse, mas seu estilo é de um champagne fresco e vibrante. Michel Fallon é um discípulo de Selosse no sentido de engarrafar sua própria e minúscula produção, apenas 850 garrafas por ano. A cuvée Ozanne é uma referência a um antigo nome da comuna de Avize, uma das mais prestigiada da Côte des Blancs.

Trata-se de um Chardonnay fermentado em barricas como vinho-base. O contato sur lies após a segunda fermentação é de pelo menos três anos. Um champagne vívido, perlage abundante e muito fino. Os aromas cítricos predominam entrelaçados com ervas frescas, damasco e um toque de levedura. Jamais a madeira interfere. A mousse é sensacional com a delicadeza de um autêntico Blanc de Blancs.

Começamos bem 2017. Abraço aos amigos que compartilharam e proporcionaram esses momentos com vinhos espetaculares e de um didatismo único. Aos que faltaram, atenção! Condução coercitiva para o próximo encontro.

Pratos e Vinhos: Parte I

5 de Janeiro de 2017

A comida sempre ligada ao vinho é uma busca constante dos enófilos que dão importância à enogastronomia, posto que comer é uma necessidade física, mas ter prazer à mesa é outra conversa. Fora isso, como dividir algumas garrafas com amigos sem ter nada no estômago?. Daí, a necessidade de por a cabeça para funcionar e tentar nos surpreender neste desafio difícil, de opiniões diversas, mas sempre prazeroso. Mesmo para aquelas harmonizações mais óbvias, o ponto certo da comida e o estágio de evolução de um determinado vinho a principio correto, pode não dar certo na prática.

Entradas

roberto-salada-frutos-do-marroberto-ravioli-de-queijo

frutos do mar e massa recheada

Nestes dois exemplos, um mesmo vinho branco irá escolta-los. Trata-se de um Meursault do produtor Michel Bouzereau. Apesar de comunal, trata-se de um Lieu-dit chamado Le Limozin, ou seja, um Meursault de vinhedo. São apenas quatro mil metros de vinhas plantadas nos anos 60 e 80. O vinho passa um ano em barricas, sendo 25% novas. A fruta é vibrante, bem casada com a madeira quase imperceptível. A textura não é tão densa como de outros Meursaults, o que ajuda na harmonização. Muito equilibrado, ótimo meio de boca, e final bem acabado. Importadora Cellar (www.cellar-af.com.br).

roberto-meursault

Meursault para conhecedores

A combinação com a salada de frutos do mar ficou muito interessante, pois a textura mais delgada deste Meursault especificamente, promovia um respeito ao corpo do prato. Além disso, os frutos do mar e o molho levemente picante, aguçava no vinho sua mineralidade e seu lado mais delicado. Já com a massa, recheada de queijo e ricota, mostrava textura ainda compatível com o vinho. Tanto a gordura do queijo, como do azeite, eram contrapostas pela bela acidez do vinho. Uma certa neutralidade do prato em termos de sabor, mostrava todo o lado frutado do vinho, inclusive um sutil toque amanteigado. Em suma, vinho e pratos em harmonia.

nelson-salmao-defumado

salmão defumado

Salmão defumado, um prato ótimo para o verão, mas com muita personalidade, ou seja, apesar de leve, seu sabor é marcante, capaz de dizimar muito mais vinhos do que se imagina. A dupla de vinhos abaixo, fez o duelo com o prato. O australiano de Adelaide Hills é famoso por seu Sauvignon Blanc num país dominado pelas Chardonnay e Sémillon. Com leve passagem por madeira, seu corpo estava um pouco acima do prato, embora sem comprometimento. O maior problema foi a falta de acidez que o prato exigia, e um excesso de fruta que não tinha sintonia com o salmão defumado. Já o Sauvignon Blanc do sudoeste francês, região de Gaillac, mostrou uma certa neutralidade de fruta com um cítrico mais austero. Além disso, sua bela acidez e mineralidade combateram bem o lado de maresia do prato.

nelson-sauvignons

Austrália x Sudoeste Francês

Estilos diferentes de Sauvignon Blanc. O primeiro (australiano) com mais textura, mais macio em boca, e bem equilibrado. O segundo (francês), mais delgado, mais incisivo, mais cítrico e mineral nos aromas. Propostas diferentes e ambos interessantes.

Pratos de Resistência

nelson-steak-au-poivre

steak au poivre vert

Um clássico francês com várias versões e alternativas. Particularmente, gosto com pimenta verde e flambado no Cognac ou brandy. O filé mignon ao ponto e textura macia. A pimenta dá o sabor e intensidade ao prato, enquanto o creme de leite fresco fornece textura e um certo abrandamento ao ardor da pimenta. Aqui, precisamos de um vinho tinto com sabores intensos e sintonizados com a pimenta. Uma dose de acidez é fundamental para combater a ardência do prato. Os taninos podem ser relativamente dóceis, já que a textura da carne é macia. Um bom Syrah é uma das melhores opções. De clima frio, seria o ideal.

nelson-syrah-jonata

Screaming Eagle está por trás

A vinícola Jonata ligada à sofisticada e consagrada Screaming Eagle, uma das boutiques mais famosas do Napa Valley, faz este Syrah no frio vale de Santa Ynez (Central Coast), região costeira e montanhosa ao sul da Califórnia. O clima guarda um frescor importante para uvas, proporcionando vinhos frescos e de acidez agradável. Este da safra 2006 tem uma pitada de 2% de Viognier no corte, lembrando o mesmo critério de alguns Côte-Rôtie. Passa em madeira francesa, sendo 50% nova.

nelson-lindt-99

chocolate ao extremo

O vinho exibe uma cor intensa, jovem, apesar de seus dez anos de vida. Os aromas concentrados de frutas escuras em geleia são notáveis, além de especiarias, chocolate, e toques defumados. Belo corpo, equilíbrio perfeito e taninos ultra polidos. Persistente e intenso. Além de acompanhar bem o steak au poivre, foi muito bem com o chocolate acima, 99% cacau. Nesta porcentagem, a presença de cacau e a total falta de açúcar crescem em escala exponencial. O chocolate além de manter toda a fruta do vinho, ressalta em muito sua mineralidade. Combinação que vale a pena fazer.

Próximo artigo, mais pratos e vinhos …

Syrah e Harmonizações

6 de Novembro de 2016

Toda a refeição é sempre uma oportunidade para testar vinhos e pratos, sobretudo quando estamos diante de um grande tinto, de um grande produtor, numa denominação famosa e consagrada. Foi o caso de um Côte-Rôtie Domaine Rostaing safra 2004. Antes porém, outras harmonizações antecederam a cena, conforme descrição abaixo.

tartar-de-salmao

tartare de atum

Duas entradas (fotos acima e abaixo) acompanharam um Mâcon-Villages, branco do sul da Borgonha, a caminho de Beaujolais. O tartare de atum com vinagrete de funcho não funcionou muito bem com o vinho. O prato pedia uma mineralidade mais presente. Embora o vinho tivesse frescor, seu lado mais para o frutado e floral caminhou paralelo ao prato. Enfim, se respeitaram, mas sem sinergia.

Quanto às lulas grelhadas com creme de couve-flor, a conversa foi outra. Aqui sim, a fritura pedia acidez no vinho. Seus aromas delicados, além da textura cremosa da couve-flor, casaram bem com o frescor do vinho e seu corpo mediano. Os aromas de frutas e flores do Mâcon enriqueceram o conjunto, valorizando-se ambos, prato e vinho.

Embora os dois pratos estivessem muito bem executados, a harmonização sempre se baseia nas características do prato e do vinho, independentemente da qualidade intrínseca de cada um.

lulas-grelhadas-emiliano

lulas grelhadas e creme de couve-flor

Falando especificamente do vinho, trata-se de um produtor especializado na apelação Pouilly-Fuissé, Domaine Saumaize-Michelin. Este Mâcon é seu vinho de entrada. Embora com alguma passagem por barrica, trata-se de madeira inerte, sem nenhuma interferência nos aromas primários do vinho. Numa safra complicada como 2013, o produtor fez um bom trabalho, num vinho muito bem equilibrado em seus componentes.

macon-villages

macon-villages: 100% Chardonnay

O tinto abaixo trata-se de um dos melhores na apelação Côte-Rôtie do produtor Rene Rostaing. Talvez sua melhor cuvée, Cote Blonde, numa safra no mínimo polêmica, 2004. Aqui temos 5% de Viognier, a grande uva branca do Rhône-Norte, cofermentada com a Syrah (95%), isto é, fermentadas juntas, ao mesmo tempo. Algumas das vinhas atingem mais de 50 anos, dando profundidade ao vinho. O desengaçe é parcial, ou seja, parte dos cachos são vinificados juntos com as uvas. Rostaing não costuma usar madeira nova. Neste caso, apenas 10% das barricas.

Com pouco mais de dez anos, o vinho esbanja classe e categoria. Tem um jeitão  de Borgonha tinto da Côte de Nuits, mas seus toques ricos em defumado e especiarias, notadamente a pimenta, entregam sua tipicidade num autêntico Syrah do norte do Rhône. A Viognier lhe dá graciosidade e leveza, calcada numa bela acidez que sustenta o conjunto. Seus taninos são finos, polidos, num final muito equilibrado. O único senão, e aí tem haver com a safra, é que falta um pouco mais de meio de boca, um pouco mais de consistência. Entretanto, só os grandes produtores conseguem nestes casos, ainda fazer maravilhas.

cote-rotie-rostaing

quase um borgonha

Os dois pratos abaixo lhe propuseram o duelo. O primeiro, magret de canard com risoto de cogumelos levemente defumado fez o elo de ligação de aromas com o vinho. Os toques tostados de bacon, minerais (terrosos) e de azeitonas do tinto, foram muito bem com o prato. As texturas se equivaleram e o sabor do pato casou bem com os toques de evolução do vinho. A fibrosidade e suculência da carne ombrearam-se com os taninos ainda presentes do vinho. Em resumo, um belo casamento.

magret-de-carnard-emiliano

magret de carnard: sabores marcantes

Já no prato abaixo, um delicado ossobuco de vitelo, longe de desagradar, não houve a mesma sintonia com o vinho. Aqui a delicadeza típica de um Borgonha cairia melhor. A textura da carne é muito suave e quase sem fibrosidade, não necessitando da tanicidade presente no Côte-Rôtie. Neste caso, a elegância e sutileza de aromas de um bom Côte de Nuits cumprem bem o papel. Morey-St-Denis ou Gevrey-Chambertin são bons palpites.

ossobuco-de-vitela-emiliano

Ossobuco de alta gastronomia

As sobremesas abaixo são bons exemplos de deleite e antagonismos. Muito bem executadas, seus componentes e propósitos pedem vinhos de estrutura diferente entre si. No caso do chocolate, temos a doçura bem presente, textura bem rica, quase untuosa, e temperatura baixa do sorvete, entorpecendo as papilas. O mascarpone no centro, serve para amenizar as sensações. Neste contexto, é difícil pensar em algo que não seja as opções de vinhos fortificados como Porto Ruby ou Banyuls, vinhos para chocolate. São ricos em sabores e potente em álcool.

Para sair da mesmice, que tal um belo Cognac VSOP ou um Rum Viejo. São bebidas potentes, sem doçura aparente, quebrando um pouco o doce da sobremesa. Além disso, são preâmbulos para o inicio dos Puros, finalizando “comme il faut” um belo jantar. Um ótima sugestão é o rum guatemalteco Zacapa Reserva.

tiramisu-emiliano

tiramisu: releitura

A segunda sobremesa abaixo, uma tortinha de limão, sorvete de limão e merengues,  prima pela leveza e acidez bem presente. Não basta simplesmente escolher um bom Late Harvest com doçura suficiente para o prato. Não haverá conflitos, mas com certeza, também nenhuma sinergia. O mais importante aqui é o vinho ter uma bela acidez, além do açúcar esperado. Essas características encontramos nos vinhos botrytisados como Sauternes, Tokaji e os grandes alemães. Eu descartaria de cara um Sauternes pela rica untuosidade, desnecessária neste caso. Um Tokaji 5 Puttonyos cairia  melhor. Contudo, é difícil bater um grande Riesling alemão botrytisado como um Beerenauslese ou Trockenbeerenauslese. A textura é adequada e o lado cítrico do vinho casa perfeitamente.

torta-de-limao-emiliano

tortelete, sorvete, tudo de limão e merengue

Tudo que eu falei até agora pode ser bobagem, mas é extremamente prazeroso e instigante essas discussões enogastronômicas. Já que vamos comer, que seja por uma boa causa e pondo a cabeça para funcionar. Se as teses não funcionarem, começamos tudo de novo. A vida é um eterno aprendizado.

Entre Tintos e Brancos

22 de Agosto de 2016

Nas últimas provas realizadas entre amigos, brancos e tintos destacaram-se numa diversidade de propostas, uvas, regiões e estilos.

meursault perrieres

safra prazerosa e acessível

O vinhedo Perrières expressa de forma magnifica toda a essência de um Meursault, sobretudo nas mãos de Michel Bouzereau. Com vinhas plantadas em 1960, 78 e 97, seus vinhos têm estrutura e equilíbrio notáveis. A fermentação e amadurecimento são feitos em barricas, sendo 25% novas. Medida certa para não marcar o vinho. Notas de mel, frutas brancas maduras, e um elegante tostado em meio a um toque mineral, somam-se a uma textura macia, prolongando o final de boca. Já muito agradável, vai bem com vitela, peixes, e frutos do mar em molhos brancos, além de ostras gratinadas. Importadora Cellar.

malvasia eslovenia

branco exótico

Os vinhos eslovenos de Marko Fon são sensação no momento pelo seu exotismo. Ele trabalha com as brancas Vitovska e Malvazija Istarska, ambas uvas locais. Na foto acima, trata-se da Malvazija, também conhecida como Malvasia Istriana, própria do nordeste italiano (Friuli). Suas vinhas de quatro hectares são de idade avançada, algumas centenárias, num solo calcário no Carso (Kras), sub-região eslovena bem próxima do mar adriático, sofrendo sua influência salina.

O mosto é fermentado com algum contato com as cascas em toneis de madeira inerte com leveduras naturais. Esse tipo de Malvasia confere grande acidez ao vinho e pureza em fruta. Um branco vibrante, bastante austero e fechado logo que aberto, necessitando de decantação por pelo menos uma hora. Aromas exóticos lembrando pêssegos, damascos e carambola, além de um fundo mineral e ervas. Ele lembra de maneira sutil um vinho Laranja. Pode acompanhar bem bacalhau, pratos com aspargos, e numa combinação ousada, ostras frescas com geleia de estragão. Importadora Decanter.

aldo conterno colonnello

o inimitável Aldo Conterno

Todos aqueles que já tomaram bons Barolos precisam ter a experiência com um Aldo Conterno. O homem consegue fazer um Borgonha dentro do Piemonte, tal a delicadeza de seus Nebbiolos. Este do vinhedo Colonnello com vinhas entre 40 e 45 anos prima pela elegância numa escola tradicionalista. Seus 28 meses em carvalho da Eslavônia promovem a micro-oxigenação certa para seus aromas etéreos com notas de alcaçuz, cerejas negras, alcatrão e especiarias. Seus taninos são um capitula à parte. E olha que taninos de Nebbiolo não são fáceis. Muito equilibrado e um final extremamente harmônico. Importadora Cellar.

matetic 2007

foge do estilo Novo Mundo

O que encanta de cara neste vinho é o frescor, apesar de seus quase dez anos (safra 2007). A cor é escura, muito intensa. Melhorou muito com o tempo em taça, ratificando que os vinhos com a uva Syrah são muito redutivos, merecendo longa decantação. Frutas negras em geleia, toques defumados, de chocolate escuro, e especiarias, além de toques mentolados e minerais. Corpo de médio a bom, taninos de rara textura, e um final fresco e longo. As vinhas situam-se em Rosario, setor nobre da vinícola com grande influência do Pacifico no Valle San Antonio. Muito agradável no momento, embora vislumbre ainda bons anos de guarda. Uma verdadeira referência de Syrah no Chile. Importadora Grand Cru.

rioja alta ardanza 2001

safras espetaculares: 1964, 1973 e 2001

Viña Ardanza Reserva Especial 2001

A bodega Rioja Alta dispensa comentários com seus ótimos vinhos cheios de personalidade. Viña Ardanza é o terceiro na hierarquia, atrás dos estupendos Gran Reserva 904 e 890. Costuma mostrar o caminho do estilo da casa com seus toques balsâmicos, de especiarias, caramelo, cevada, além de um equilíbrio gustativo notável. Contudo, neste ano 2001 superou em todos os sentidos, merecendo a menção Reserva Especial. Já na cor, percebemos a alta concentração do vinho, nem de longe denotando seus 15 anos de vida. Mais encorpado que o normal, taninos ultra finos e uma expansão de boca marcante. Definitivamente, um grande ano para esta bodega. Importadora Zahil.

madeira verdelho

o equilíbrio dos Madeiras

Cossart Gordon Madeira Verdelho 5 Years Old

Os Madeiras costumam relacionar suas uvas mais nobres com o grau de doçura do vinho. Portanto; Sercial para o seco, Verdelho para o meio seco, Boal para o meio doce, e finalmente, Malmesy para o doce. Este Medium Dry degustado, surpreendeu pela doçura e complexidade apresentadas. Acompanhou muito bem um Partagas E2, finalizando um belo almoço. Suporta bem sobremesas levemente adocicadas como bolos e tortas de frutas secas. Belo equilíbrio em boca, sustentado por uma acidez marcante e agradável. Expansivo, álcool na medida certa, e final de grande frescor. Bela opção no mercado. Importadora Decanter.

Grand Cru Tasting: Destaques I

4 de Maio de 2016

Como acontece periodicamente, a importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) realiza um belo evento mais uma vez na Casa da Fazenda Morumbi. Lugar lindo, charmoso e de muita descontração. No lado externo, dá até para fumar um Puro com os fortificados da casa, evidentemente depois da degustação, e se houver tempo para tal.

São muitos vinhos dos mais variados estilos, categorias, produtores e regiões. É difícil especificar alguns destaques. Pessoalmente, seguem algumas sugestões de compras seguras.

Os vinhos de entrada, incluindo espumantes.

fritz haag

Um clássico do Mosel

É difícil bater um bom riesling em elegância, delicadeza e pureza de aromas. O exemplar acima traduz bem isso. Grande produtor do Mosel, Fritz Haag é um quatro estrelas no guia Hugh Johnson. Além de ser um branco de entrada, aperitivos, pode acompanhar bem pratos leves do mar, além de carnes levemente defumadas.

broglia gavi

branco delicado

Um clássico piemontês, Gavi é uma denominação tradicional de brancos com a uva Cortese. Muitos deles, insípidos e desinteressantes. Neste caso, um vinho leve, sutil e agradavelmente perfumado. Além de entradas e aperitivos, os pratos eventualmente de acompanhamento devem ser bem delicados.

villa crespia

blanc de blancs da Lombardia

Franciacorta é considerada a “Champagne” da Itália. Localizada na Lombardia, junto ao lago Iseo, produz espumantes de alta qualidade obrigatoriamente pelo método clássico. Este em particular, trata-se de um Blanc de Blancs (somente Chardonnay), ficando por 24 meses sur lies (em contato com as leveduras) antes do dégorgement (arrolhamento final). Além de belo aperitivo, pode acompanhar entradas da alta gastronomia.

ruggeri prosecco

um porto seguro na categoria

Com a atual denominação Prosecco estendida a regiões periféricas ao terroir clássico, o rótulo acima é um porto seguro. Valdobbiadene é uma referência obrigatória na escolha. Leve, equilibrado e delicado, são as qualidades exigidas deste espumante italiano. Vinho de recepção e entradas leves.

queijo bel paese

queijo italiano Bel Paese

Além do painel de vinhos apresentados, o evento ainda tem um farto buffet entre um gole e outro, pois ninguém é de ferro. Embutidos, queijos, patês, dos mais variados sabores, sem contar com pratos de massa para todos os gostos. Você pode literalmente almoçar ou jantar no local. Em particular, a foto acima mostra um queijo italiano interessante da Lombardia chamado Bel Paese. Elaborado com leite de vaca, apresenta textura macia como um Saint-Paulin (francês), mas de sabor leve e amanteigado. Uma das boas pedidas.

Tintos de estilos variados.

sardonia qs2

moderno e bem acabado

Um dos projetos do dinamarquês Peter Sisseck, proprietário do fabuloso Pingus, um dos maiores nomes de Ribera del Duero, este QS2 é uma espécie de segundo vinho da Quinta Sardonia. Vinho de estilo moderno, boa concentração e muito bem acabado. Longe de ser um vinho maquiado, o enólogo busca a essência de seu terroir sempre direcionando uma vinificação mais coerente com o consumidor moderno, ou seja, vinhos que dão prazer mesmo em tenra idade.

languedoc la clape

um Languedoc de pedigree

Um mistura exótica de Syrah, Grenache, Mourvèdre e Carignan, gerando vinhos suculentos, taninos macios e um belo equilíbrio. Algo difícil em Languedoc onde os vinhos sempre têm uma ponta de rusticidade. Muito prazeroso de ser tomado no momento, embora tenha condições de guarda por bons anos.

bordeaux haut nouchet

Bordeaux da bela safra 2009

Tinto de Péssac-Léognan com predominância de Merlot no tradicional corte bordalês. A qualidade dos taninos é reflexo da ótima safra 2009. Apesar de macio, mostra boa estrutura para envelhecimento, além de madeira bem dosada no conjunto, apenas um terço de madeira nova. Boa compra para fugir dos mais badalados da região.

delas crozes hermitage

opção interessante do Rhône-Norte

A apelação Crozes-Hermitage é uma grande opção aos caros e longevos Hermitages para serem consumidos mais frequentemente. Trata-se de uma área ampla e com muita heterogeneidade na qualidade. Este tinto de Delas mostra tipicidade e consistência. Vinho fácil de ser tomado com taninos bem moldados, aromas típicos de defumado e balsâmico, além de bom equilíbrio em boca.

Próximo artigo, mais Grand Cru, mais dicas, mais vinhos!

Uvas Francesas pelo Mundo

22 de Fevereiro de 2016

O que seria do Novo Mundo sem as uvas francesas, ditas internacionais? A França sempre foi referência no mundo do vinho, sobretudo para os países emergentes. Qualquer que seja a região vinícola das Américas, Oceania, África, sempre teremos exemplares de Cabernet Sauvignon para tintos, e Chardonnay para brancos. Além disso, temos Merlot, Syrah, Grenache, Sauvignon Blanc, entre outras, com seus estilos próprios. E dentro da França, qual a importância de cada uma destas uvas no panorama geral? É isso que vamos ver a seguir.

A França vem diminuindo suas áreas de vinhas nos últimos tempos, conforme quadro abaixo. Com pouco mais de oitocentos mil hectares de plantio, este país tem destaque no cenário mundial juntamente com Espanha e Itália, seus eternos rivais.

Em outros tempos, o sul da França era inundado de vinhas com supremacia absoluta no plantio da rústica Carignan, a mesma Cariñena na Espanha. Só de 2006 para cá, o plantio desta uva decresceu 40%, tornando-se atualmente, a sétima uva mais plantada em território francês. O predomínio hoje é da Merlot, não só em termos gerais, mas principalmente em Bordeaux. De fato, com maturação mais precoce que a Cabernet e gerando vinhos mais macios quando jovens, a escolha pela Merlot faz sentido.

Bem longe da Merlot, em segundo lugar, seguida de perto pela Ugni Blanc, temos a Grenache, muito plantada no Rhône-Sul, além da Provence e Languedoc-Roussillon. Sempre majoritária no famoso blend GSM (Grenache, Syrah e Mourvèdre), tem grande penetração nos inúmeros tintos da apelação Côtes-du-Rhône, por exemplo.

Como vinho, a branca Ugni Blanc tem desempenho irrisório, tanto na quantidade, como na qualidade. Contudo, estamos falando da região de Charentes-Cognac, onde se elabora o destilado mais famoso da França, Cognac. São mais de oitenta mil hectares de vinhas onde a Ugni Blanc tem presença quase absoluta, conhecida localmente como Saint-Emilion.

uvas frança

Resumo de 85% do plantio francês

Em quarto lugar, temos a Syrah, a mesma Shiraz tão famosa em terras australianas. Apesar de sua fama ser oriunda dos grandes vinhos do Rhône-Norte designados nas apelações Hermitage, Côte-Rôtie, Cornas, St-Joseph, entre outras, as grandes áreas de cultivo estão no sul da França, principalmente no Languedoc-Roussillon.

Em quinto e sexto lugar, temos as famosas Cabernet Sauvignon e Chardonnay, cabeça a cabeça nesta disputa. A primeira reina em Bordeaux, sobretudo na chamada margem esquerda, enquanto a segunda é soberana na Borgonha, gerando os grandes brancos franceses.

Neste quadro temos 85%  dos vinhedos franceses com uvas acima de 1% (área plantada) no cômputo geral. Os 15% restantes formam um conjunto numeroso de uvas pouco conhecidas que individualmente apresentam produções insignificantes.

surface france

queda progressiva ao longo dos anos

Em termos de regiões, o Languedoc-Roussillon sempre esteve em primeiro lugar. Outrora, muito mais. Em segundo lugar, temos a Aquitania com a enorme região de Bordeaux, além de áreas periféricas. O Vale do Rhône é outra região numerosa em vinhas, incluindo no quadro a Provence. Não podemos esquecer de Charentes-Cognac onde suas vinhas tem produção expressiva. O restante vai se diluindo a partir da Borgonha e Loire em áreas cada vez mais diminutas.

regiões francesas vinhas

sul da França: um mar de vinhas

Em termos mundiais, a ordem dos fatores muda. A Cabernet Sauvignon fica com o primeiro lugar, seguida de perto pela Merlot. Para quem não conhece, temos a branca Airen da Espanha em terceiro lugar. Muito cultivada em La Mancha, região vinícola de área extensa, gera vinhos sem grandes atrativos. Porém, muito desses vinhos são destinados para a elaboração dos bons brandies espanhóis. As demais uvas não causam surpresas, exceto a  branca Trebbiano. De grande cultivo na Itália, gera vinhos um tanto neutros. Na França, é conhecida como Ugni Blanc, da qual já falamos. Uva base para a elaboração do Cognac e de grande presença na respectiva região.

Uvas mais plantadas no Mundo

1 – Cabernet sauvignon sur 290 091 ha (+31 % par rapport à l’an 2000), soit 6 % du vignoble mondial.
2 – Merlot noir sur 267 169 ha (+26 %), soit 6 % du vignoble mondial.
3 – Airen blanc* sur 252 364 ha (-35 %), soit 5 % du vignoble mondial.
4 – Tempranillo noir sur 232 561 ha (+150 %), soit 5 % du vignoble mondial.
5 – Chardonnay blanc sur 198 793 ha (+37 %), soit 4 % du vignoble mondial.
6 – Syrah noire sur 185 568 ha (+83 %), soit 4 % du vignoble mondial.
7 – Grenache noir sur 184 735 ha (-14 %), soit 4 % du vignoble mondial.
8 – Sauvignon blanc sur 110 138 ha (+70 %), soit 2 % du vignoble mondial.
9 – Trebbiano toscano blanc sur 109 772 ha (-20 %), soit 2 % du vignoble mondial.
10 – Pinot noir sur 86 662 ha (+45 %), soit 2 % du vignoble mondial.

Enfim, esses são os panoramas das uvas francesas dentro e fora da França. Pelo quadro acima, fica claro a supremacia das mesmas no cenário mundial, ou seja, das dez primeiras, sete são francesas. Nada mal …

Bordeaux 1961: Adagio

21 de Agosto de 2015

Passado o primeiro ato, vamos rumo à apoteose com seis Bordeaux de tirar o fôlego. Na verdade cinco, pois havia um intruso no caminho. Contudo, suas credenciais permitiam tal ousadia. Trata-se do La Chapelle 1961, o Hermitage do século do produtor Paul Jaboulet. Esse não precisa ser convidado.

As duas joias de Saint-Julien

Pessoalmente, os châteaux acima representam o que há de melhor no nobre comuna de Saint-Julien. O primeiro, Léoville Las Cases, é vizinho de comuna do consagrado Latour em Pauillac, tendo muitas vezes esse estilo viril, clássico, e com um poder de longevidade imenso. Mas não se esqueçam, estamos na safra 1961 e suas armadilhas. E desta feita, o château errou a mão. Sua cor é escura, pouco evoluída para a idade, mas os aromas tem toques tostados e herbáceos que incomodam um pouco. Em boca, percebemos uma estrutura tânica de extração em demasia. Tem força, tem poder, mas quiseram fazer parece-lo o que efetivamente não é. Lógico que a comparação com os demais é cruel. Contudo, quem tem uma garrafa desta devidamente adegada, numa degustação solo pode ser fascinante. Agora quem ainda não comprou, compre uma de seu rival que comentaremos a seguir. Este é tiro certo!

Château Ducru-Beaucaillou 1961, que marravilha Claude! Esse é daqueles vinhos que sabe aliar potencia e elegância como poucos. Aromas multifacetados com frutas deliciosas, tostado fino, caixa de charuto, especiarias e uma madeira de cedro que é marca registrada deste Bordeaux. Encorpado na medida certa, muito equilibrado em seus componentes e uma persistência aromática notável que se esvai com muita classe, deixando saudades. Um grande cinquentão!

Bordeaux 61: Aqui está a perfeição

Os detalhes fazem a diferença. Porém, aqui, só no fotochart. Foi sem dúvida, a disputa mais acirrada, cabeça a cabeça. Lindos Bordeaux, maduros, suaves, profundos e inesquecíveis. Não há palavras para esses gigantes. Embora todos os aromas terciários clássicos desta comuna estejam presentes, tais como, trufas, toques terrosos, animais, ervas finas, entre outros, a fruta ainda está presente, o frescor é incrível e os taninos são verdadeiras rolimãs em boca. Mais uma vez pessoalmente, pendi para o Haut-Brion, mas o La Mission valorizou muito esta escolha. Isto é de fato o que se espera de um Bordeaux de longo envelhecimento. Bebe-los agora é a recompensa pela paciência e sabedoria. Nem é preciso dizer: os dois com 100 pontos absolutos de Robert Parker.

Bordeaux e Rhône em vinhos de legenda

Neste grand finale, não dá mais para pontuar. São vinhos fora da curva, incomparáveis. Começando pelo La Chapelle, também 1961. Já impressiona pela profunda cor escura, mostrando o poder de longevidade dos Hermitages. Os aromas que mesclam frutas escuras em geleia, especiarias, defumados, balsâmicos e algo de charcuterie (embutidos), estavam presentes. Em boca, potente, taninos em profusão e um equilíbrio dos grandes vinhos. Pessoalmente, apesar de grande, achei este exemplar um pouco cansado. De fato, o histórico destas garrafas é sempre um mistério que culmina no famoso ditado: “Em vinhos antigos, não existem grandes safras e sim, grandes garrafas”.

E finalmente chegamos ao monumental Chateau Latour 1961. Esse é aquele vinho que você prova e fica sem reação. Silêncio absoluto. É imponente, te cumprimenta à distância, exige um certo protocolo, mas é maravilhoso! Não sei ainda onde ele vai chegar, mas certamente o destino final é o paraíso. Que cor! que aromas maravilhosos do mais autêntico cassis, cedro, minerais como grafite, terroso, toques de cacau, chocolate escuro, e assim vai. A boca é como um bailarino segurando a moça com mão forte, mas transmitindo extrema delicadeza e elegância. E aí você degusta, ele passa, mas ele fica, fica, … Não entenderam? prove uma garrafa. Garanto que até 2040 a magia não acaba.

Um pouquinho de paciência, pois não terminou. Próximo artigo, o grande Latour à Pomerol, Scion e dois Sauternes daqueles. Não percam!

Facetas do Rhône

10 de Julho de 2015

Saindo de Bordeaux e Bourgogne, o destino natural do vinho francês é o Vale do Rhône, sobretudo quando se pensa em tintos. Fazendo a transição entre o sul da Borgonha e a Provença, o Vale do Rhône divide-se em dois macro-terroirs: o Rhône Norte e o Rhône Sul, conforme mapa abaixo:

Rhône Norte e Rhône Sul

O mapa acima mostra claramente um fator de terroir evidente, a forte mudança de relevo, topografia, entre o norte e o sul da região. A norte, temos escarpas dramáticas junto ao rio, obrigando as vinhas treparem em terraços. A declividade, as inclinações podem chegar a 70%, ou seja, quase sessenta graus em declive. Esta é a razão dos vinhedos do norte estarem muito próximos ao rio, numa faixa estreita de terreno. Já no Rhône Sul, o relevo é bem mais amplo, muito menos acentuado, e as vinhas portanto, podem se espalhar para mais longe do rio. Aqui também, o clima se torna mais quente.

Feita a introdução, passemos a alguns vinhos degustados na importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) sob o comando didático de  Hervé  Robert, diretor do Domaine Delas Frères. Quatro tintos se destacaram conforme comentários abaixo.

Bela alternativa aos caros Châteauneufs

Vacqueyras Domaine des Genêts 2012

Vacqueyras é uma apelação criada nos anos 90 vizinha ao famoso tinto Châteauneuf-du-Pape, e tem como concorrente uma apelação contígua chamada Gigondas. São cerca de 1.300 hectares de vinhas, bem menor que os 3.000 hectares em Châteauneuf-du-Pape. É uma bela alternativa de preço em relação ao tinto mais famoso do Rhône Sul, e muitas vezes superior a vários Châteauneufs de negociantes, preocupados mais com os preços e a fama, do que com a qualidade em si. Preço na importadora: R$ 138,00 (cento e trinta e oito reais). Vinho em torno de 90 pontos para Robert Parker com seu devido entusiasmo pelo Rhône.

A boa safra de 2012 mostra o corte típico do sul da região, o famoso GSM (70% Grenache, 20% Syrah e 10% Mourvèdre). O vinho passa cerca de 30% em barricas de carvalho, na sua maioria não novas, e o restante com cubas inertes para a preservação da fruta e evitar a micro-oxigenação. Mostra-se num bom momento para consumo, com fruta madura, notas de especiarias, ervas, e defumados lembrando incenso. Bom corpo, macio, caloroso, sendo uma ótima opção para noites frias.

Crozes-Hermitage confiável

Delas Freres Crozes-Hermitage des Grands Chemins 2010

Agora estamos no chamado Rhône Norte, onde impera o reino da Syrah em solo granítico. Muito cuidado com a apelação Crozes-Hermitage com cerca de 1.300 hectares de vinhas em uma vasta área ao redor do astro maior, o grande Hermitage. A diversidade de solos, topografia do terreno, ângulo de inclinação e a filosofia do produtor, podem levar a vinhos bem diversos e ao mesmo tempo, com exemplares decepcionantes. Neste caso, o vinho acima da bela safra de 2010 tem 92 de Robert Parker. Preço: R$ 225,00 (duzentos e vinte e cinco reais).

O vinho degustado, 100% Syrah, mostrou-se novo em cor, praticamente sem evolução. Seus aromas de frutas escuras, notas defumadas (embutidos), minerais e de especiarias estão bem presentes. Vinho de bom corpo, com um belo frescor, taninos presentes e de boa qualidade. Muito bem equilibrado e razoavelmente persistente. Deve evoluir bem em garrafa, sendo sua decantação obrigatória com boa aeração, sobretudo nesta fase de juventude. O vinho passa de 10 a 14 meses em barricas de um a três anos de uso, conforme a potência da safra.

Cornas com boa tipicidade

Delas Freres Cornas Chante Perdrix 2010

Continuando no Rhône Norte, temos a apelação Cornas 100% Syrah, como bela alternativa aos caros e badalados Hermitages. Chamado com certo exagero como Hermitage dos pobres, este terroir trata-se de vinhas encravadas num terreno de anfiteatro de clima quente e forte insolação. São vinhos potentes, densos e com bom poder de longevidade. Parker confere a este exemplar 90 pontos. Preço: 395,00 (trezentos e noventa e cinco reais).

O vinho degustado mostrou-se com uma cor escura, praticamente sem evolução. Seus aromas lembram frutas escuras em licor, alcaçuz, especiarias e traços de torrefação (café). Encorpodo, macio, e com boa tanicidade. Persistente, bem acabado e agradavelmente quente. Pede pratos encorpados. O vinho passa entre 14 e 16 meses em barricas de primeiro a terceiro uso, dependendo da safra.

Saint-Joseph de alta costura

Delas Freres Saint-Joseph Sainte Epine 2011

Neste ultimo exemplar, temos a apelação Saint-Joseph com 100% Syrah. Mais uma vez, cuidado!. Trata-se de uma apelação vasta em área de vinhas a sul de Côte-Rôtie. Novamente, a localização do vinhedo e a filosofia do produtor são fundamentais. Neste caso, estamos falando de um vinho muito especial de um vinhedo único (Vin Parcellaire) chamado Sainte Epine, produzindo apenas 4.000 garrafas por safra, e somente em anos especiais. Parker confere 93 pontos para este vinho. Preço: R$ 485,00 (quatrocentos e oitenta e cinco reais).

A safra de 2011 produziu vinhos agradáveis para beber jovens com taninos bem moldados. O vinho degustado apresentou cor muito semelhante ao Cornas, fato já diferenciado nesta apelação. Os aromas são muito elegantes com madeira fina. Aqui temos uma passagem por barricas novas entre 14 e 16 meses, conforme a safra. Mas de modo algum ela é dominante. Seus aromas mostram uma pureza de fruta, toques lácteos, florais e de especiarias. Relativamente encorpado, belo frescor e boa estrutura tânica. Boa persistência aromática, taninos muito finos e um final muito bem delineado. Falta um pouco de integração entre fruta e madeira, fator que certamente será solucionado com o devido tempo em adega. Um dos melhores Saint-Joseph já degustados.

Facetas da Syrah.

2 de Fevereiro de 2015

Aproveitando o gancho da ABS-SP em explorar os vinhos do Rhône, vamos falar um pouco da uva Syrah. É muito comum as pessoas citarem certas características das principais uvas. Contudo, sabiamente o chamado Velho Mundo não trilha este caminho. Para eles, a noção de terroir, onde as castas estão inseridas, é mais importante e mais ampla. Um francês nunca falará que a Pinot Noir apresenta tais e tais características. Ele dirá: Gevrey-Chambertin é assim e Chambolle-Musigny é assado. Questão de terroir, simples assim.

Voltando à Syrah, mostraremos a seguir, alguns exemplares degustados com características particulares. Um deles é um vinho brasileiro, mais especificamente Paulista, da vinícola Guaspari. Os demais são apelações clássicas do vale do Rhône.

Syrah de cores intensas

O Syrah acima é elaborado no interior paulista, numa região serrana de Espirito Santo do Pinhal. Em sua elaboração, a maceração das cascas no processo de fermentação é intensa, cerca de vinte dias, além de várias délestages (processo que concentra  o mosto durante a fermentação). Além disso, o vinho estagia em barricas de carvalho francês por vinte e quatro meses. O resultado é um vinho de cor intensa, bastante concentrado e com boa carga de madeira. Tinto potente, bem ao estilo Novo Mundo.

Alain Graillot: Referência na apelação

Familia Chave: Hermitage de respeito

Já os dois vinhos acima são de apelações contíguas localizadas no Rhône Norte, onde a casta Syrah é protagonista para os tintos. Conforme mapa abaixo, percebemos a nobre apelação Hermitage, localizada em Tain l´Hermitage, cercada a leste, norte e sul por uma série de vinhedos sob a apelação Crozes-Hermitage. O solo de estrutura granítica e a perfeita exposição solar da colina faz de Hermitage um dos tintos franceses mais reverenciados. São vinhos densos, profundos, ricos em taninos e portanto, de grande longevidade. Evidentemente, são austeros na juventude, pedindo bons anos em adega. Apesar de escuros e densos, são vinhos elegantes, com traços minerais e muito equilibrados, sem jamais serem pesados.

Na apelação Crozes-Hermitage, o terroir é mais diverso. Dependendo da localização do vinhedo (norte, leste ou sul) e da composição dos solos, teremos variações importantes na concepção dos vinhos, sem contar com a personalidade e seriedade do produtor. Em linhas gerais, são menos densos, menos complexos e mais prontos para serem tomados jovens, em comparação com a imponente apelação Hermitage. Produtores como Alain Graillot imprimem personalidade e profundidade em seus tintos. Não são vinhos encorpados, mas guardam muito equilíbrio, aromas e sabores elegantes, e muito gastronômicos. Admitem com tranquilidade uma média guarda em adega (por volta de dez anos).

Crozes-Hermitage: Grande extensão de vinhedos

Por fim, os vinhos abaixo mostram apelações antagônicas em estilo, fruto das condições de seus respectivos terroirs. Na apelação Cornas, um pouco a sul de Hermitage, na margem oposto do rio Rhône, as vinhas encontram-se num anfiteatro muito bem orientadas com relação à insolação. A Syrah neste local experimenta um amadurecimento intenso, tornando-se num vinho poderoso e concentrado. Esta potência tira-lhe de certa forma, a classe facilmente encontrada no majestoso Hermitage. Contudo, produtores como Auguste Clape podem lapidar muito bem este diamante bruto e transforma-lo no devido tempo, em algo refinado. Com as devidas ressalvas, este estilo é o que mais se aproxima em concentração de nosso exemplar nacional, citado a pouco.

Cornas: Syrah profundo e concentrado

No vinho abaixo, sob a apelação Côte-Rôtie, localizada bem ao norte da apelação Hermitage, na outra margem do Rhône, encontramos toda a elegância da Syrah. As vinhas são cultivadas em escarpas altas, de grande declive, mas com as benesses do vento Mistral. Portanto, temos amadurecimento em sintonia com a bem-vinda amplitude térmica. Os solos diferenciam-se basicamente nas chamadas Côte Blonde (aloirado) e Côte Brune (solo mais escuro). A encosta de solo mais claro gera vinhos mais delicados e elegantes por conta de uma mistura de ardósia, calcário e micaxisto e areia. Já os solos mais escuros, ricos em ferro e com alguma proporção de argila, fornecem mais força ao vinho, digamos assim, uma certa virilidade. Apesar de um pouco fechados quando novos, envelhecem em adega com muita propriedade. É muito comum, produtores com vinhas nesses dois terroirs misturarem os vinhos formando um assemblage bem característico da apelação. Para completar a elegância desses caldos, é permitido adicionar um pouco de Viognier, casta branca famosa desta região, ao blend, gerando notas florais no conjunto, além de um frescor bem agradável.

Côte-Rôtie: A elegância da casta Syrah

O exemplar acima, já com alguns anos de evolução, mostra-se equilibrado, aromas elegantes e sabores sutis, mesclando um lado frutado com toques de evolução, incluindo especiarias e notas balsâmicas.

Enfim, sempre a França com muita sutileza nos ensinando a lidar com as peculiaridades de cada porção de terra, de cada climat, partindo de uma casta dominante e típica da região. No caso, a nobre Syrah, ora protagonista no chamado Rhône Norte, ora coadjuvante, no chamado Rhône Sul. Nos dois casos, sua presença enriquece essas apelações famosas, e serve de inspiração para as demais regiões vinícolas mundo afora.


%d bloggers like this: