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Top Ten Wine Spectator 2016

2 de Dezembro de 2016

A lista sempre provoca polêmica, mas é uma das mais esperadas no final de ano, Top 100 Wine Spectator. E aqui vamos falar dos dez primeiros que dia a dia vão sendo anunciados, até chegar ao vinho do ano.

A lista dos Top Ten é mais ou menos como seleção brasileira, cada um tem seu time. Eu sei que a pontuação pode ser manipulada, que pode ter um favorecimento para os americanos, que pode haver interesses comerciais, e assim por diante. O importante já que ela existe, é falar um pouco de cada um desses vinhos e sua reputação. Afinal, seja como for, não há dúvida que os vinhos têm qualidade. Então, vamos a eles!

top-ten-2016

amplo domínio americano

10 – Hartford Zinfandel Old Vine Russian River Valley 2014

O grande diferencial deste tinto é o clima refrescante de Russian River, famoso por belos Pinot Noir. Normalmente, os vinhos com Zinfandel (a Primitivo da Puglia) são alcoólicos, enjoativos e pesados. Neste caso, além do clima com destacada amplitude térmica, as vinhas têm média de idade bastante alta com muitas chegando a cem anos. Apenas nove meses em madeira, sendo somente 40% barricas novas, faz deste vinho uma bela expressão de fruta, toques defumados e uma acidez vibrante, compensando seus 15,7° de álcool num final intenso. 93 pontos – 38 dólares – 2200 caixas

9 – Château Smith Haut Lafitte Pessac-Léognan White 2013

A safra 2013 não foi das melhores em Bordeaux, sobretudo para tintos. Uma safra fria e muita dificuldade em maturar as uvas. Em compensação, apareceu uma acidez refrescante para os brancos, num bom balanço de fruta e madeira. Neste caso, o blend pouco usual é composto por Sauvignon Blanc (90%), Sémillon (5%) e Sauvignon Gris (5%). A fermentação dá-se em barricas (metade novas) com posterior bâtonnage (revolvimento das lias). O resultado é um vinho vibrante pelo amplo domínio da Sauvignon Blanc, mas ao mesmo tempo, complementado por uma maciez justa, dando equilíbrio ao mesmo. A pitada de Sauvignon Gris fornece um exotismo ao conjunto com notas minerais e de especiarias. Este Chateau tem sido grande destaque entre os brancos de Bordeaux nos últimos anos com safras muito consistentes. 96 pontos – 106 dólares – 2500 caixas

chianti-classicopiemonte

vinhos: 8 (toscana) e 5 (piemonte)

8 – Antinori Tignanello Toscana 2013

Tignanello é um ícone da Toscana que mostra como se deve trabalhar um Sangiovese com o complemento exato de uvas internacionais sem tirar sua essência, mas ao mesmo tempo, fornecendo-lhe elegância e complexidade. Aqui temos Sangiovese (80%), Cabernet Sauvignon (15%) e Cabernet Franc (5%), cultivadas em altitudes ideais (350 a 400 metros) dentro da região do Chianti Classico. O trabalho de cantina de Renzo Cotarella é preciso no sentido de extrair taninos (estrutura) na medida certa, complementando um estágio bem dosado em barricas de carvalho por 12 a 14 meses. O resultado é um vinho de acidez vibrante, taninos bem moldados, e todo o potencial para bons anos em adega. 94 pontos – 105 dólares – 2500 caixas

7 – Ridge Monte Bello Santa Cruz Mountains 2012

Aqui temos um clássico corte bordalês de margem esquerda com predomínio da Cabernet Sauvignon, além de Merlot, Cabernet Franc, e Petit Verdot. O famoso vinhedo Monte Bello localizado em Santa Cruz Mountains, zona de altitude perto da costa ao Sul de San Francisco, conta com solo argilo-calcário, dando elegância ao vinho. De fato, lembra um Bordeaux bem equilibrado com seus toques minerais de grafite. A Cabernet Sauvignon neste clima ameno, tem seu amadurecimento  com maturação prolongada, fornecendo estrutura para um consistente envelhecimento em garrafa. Ótima pedida, fugindo um pouco de Napa Valley. 94 pontos – 175 dólares – 5243 caixas

california-wines

Sonoma (Russian River), Santa Cruz

vinhos americanos (10), (7) e (6)

6 – Orin Swift Machete Califórnia 2014

O rótulo e o vinho são tão polêmicos, quanto ousados. Sem dúvida, é o vinho que você se pergunta: como ele está no Top Ten 2016? Resposta também polêmica: 94 pontos- 48 dólares – 15500 caixas produzidas. O critério da revista levando em conta além da pontuação, seu preço de mercado, e a capacidade de produção, muitas vezes abrem brechas para esses vinhos bizarros. O blend tenta lembrar algo do Rhône, envolvendo as uvas Syrah e Grenache. Contudo, o ator principal trata-se da uva Petite Sirah, também conhecida como Duriff (cruzamento da Syrah com Peloursin). Não é um vinho de vinhedo. Na verdade, é um mix de vinhedos da vasta região de Northern Califórnia. O vinho amadurece cerca de dez meses em barricas francesas (40% novas). Vinho potente (15,7° de álcool), cheio de fruta, e aromas tostados e de baunilha. Há quem goste … 94 pontos – 48 dólares – 15500 caixas

5 – Produttori del Barbaresco Asili Riserva 2011

Fazer Barbaresco de prestigio com pequenos produtores em vinhedos exclusivos é normal. Agora, fazer esta denominação reputada do Piemonte numa cooperativa local é algo louvável. É o que vem acontecendo com Produttori del Barbaresco de algum tempo pra cá. Neste caso, trata-se de um Riserva do vinhedo Asili de pouco mais de dois hectares. O vinho estagiou por 36 meses em botti (toneis de grandes dimensões) e 12 meses em garrafa, antes da comercialização. Alia complexidade, elegância e longevidade. 96 pontos – 59 dólares – 1100 caixas

bordeaux

vinhos: 9 (pessac-leognan) e 4 (barsac)

4 – Château Climens Barsac 2013 1° Cru 

Climens na verdade é o grande rival de Yquem num estilo mais delicado, mais sutil. Elaborado exclusivamente com Sémillon, uva propícia ao ataque da Botrytis, o grande diferencial é seu solo calcário que fornece acidez e elegância ao vinho. Os rendimentos giram em torno de nove hectolitros por hectare e o amadurecimento dá-se em barricas de carvalho (30 a 40% novas) por 20 a 22 meses. Esta safra ressaltou as qualidades de Climens fornecendo-lhe uma elegância impar. 97 pontos – 68 dólares – 1417 caixas

3 – Pinot Noir Ribbon Ridge The Beaux Frères Vineyard 2014

O clima frio de Oregon (estado acima da Califórnia) é um aliado para Pinot Noir mais frescos. A preocupação da vinícola em preservar o vinho em suas várias fases de elaboração do oxigênio é primordial. O vinho permanece com as lias até seu engarrafamento sem filtração. A despeito de amadurecer em barricas francesas (50% novas), a expressão de fruta é notável. 95 pontos – 90 dólares – 2405 caixas

oregon-wines

willamette valley

(principal sub-região do Oregon)

vinhos americanos (3) e (2)

2 – Domaine Serene Chardonnay Dundee Hills Evenstad Reserve 2014

Linha de luxo desta vinícola de Oregon (Willamette Valley), Evenstad é uma seleção dos melhores vinhedos dentro da AVA Dundee Hills. Chardonnay fermentado à moda da Borgonha com 13 meses em barricas de carvalho (31% novas). Belo balanço entre fruta, acidez e madeira. A seleção clonal, de barricas, e a melhor mescla da vinificação de cada safra, resultam em vinhos elegantes e de muito sabor. 95 pontos – 55 dólares – 2000 caixas

Vamos deixar o Vinho do Ano para o próximo artigo, complementando com mais algumas sugestões pessoais entre os Top 100 da lista completa.

Exportações Francesas: Vinhos e Destilados

16 de Setembro de 2013

Os últimos números das exportações francesas de vinhos e destilados referentes ao ano de 2012, segundo a Federação de Exportações de Vinhos e Destilados da França, serão analisados conforme dados abaixo descritos:

FEVS EXPORTAÇÃO2º item das exportações francesas

De acordo com o quadro acima, pouca gente sabe que o setor aeronáutico é o primeiro item na pauta de exportações francesas. O prazer vem logo em seguida, com vinhos, destilados e perfumes. No setor de vinhos, Champagne e Bordeaux são fundamentais para as respectivas cifras, como veremos mais à frente. No setor de destilados, Cognac reina absoluto com grande prestígio para mercados influentes.

FEVS VIN SPIRITUEUXVinhos: Dois terços das exportações

Neste mercado de vinhos e destilados, o primeiro fica com praticamente 70% dos valores, com cifras acima de sete bilhões de euros. Os detalhes destes dois grandes grupos, veremos nos quadros abaixo:

FEVS EXPORTAÇÃO VALORESChampagne, Bordeaux e Cognac: itens de peso

O trio de ferro, Champagne, Bordeaux e Cognac, tem grande impacto nos valores exportados. A Borgonha vem logo em seguida com valores bem menos expressivos. De fato, a produção na região borgonhesa é bem  menor em comparação a Bordeaux, por exemplo.

FEVS EXPORTAÇÃO VINHOSChampagne e Bordeaux: 60% das exportações

Especificamente, com relação aos vinhos, a participação de Beaujoalais e do Rhône é bastante inexpressiva. São vinhos muito consumidos na França no seu dia a dia. São fáceis de beber e com preços habitualmente atrativos. Vejam que os franceses fazem questão de separar Beaujolais da Borgonha, embora muitos livros sobre vinhos tentem mostrar o contrário. Bordeaux e Champagne perfazem 60% das exportações vinícolas em valores. Não é à toa que estas apelações são conhecidas e prestigiadas no mundo inteiro, tanto para os vinhos mais sofisticados, como para vinhos mais rotineiros.

FEVS EXPORTAÇÃO DESTILADOSCognac: absoluto nas exportações

Se você tirar Cognac das exportações francesas de destilados, os valores ficam bem menos expressivos. Este famoso destilado francês abocanha quase 70% dos valores exportados. Vejam que Armagnac, seu grande rival em qualidade, possui produção praticamente artesanal, com pouca expressão no cenário internacional, embora na França tenha grande prestígio.

FEVS PAÍSES VINHOSO trio de ferro das importações em destaque

Os principais mercados de vinhos estão concentrados na famosa trilogia, ou seja, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha. A China, embalada num forte crescimento, deve em pouco tempo ocupar o quarto lugar dentre os maiores importadores de vinho.

FEVS PAÍSES DESTILADOSSingapura e China em destaque

No setor de destilados, Estados Unidos reina com folga. Os asiáticos, Singapura e China, vêm logo em seguida, com forte crescimento. Os demais países mostrados no gráfico acima formam uma escadinha que sugere troca de posições a qualquer momento.

Os dados acima referem-se à última conferência da federação realizada em fevereiro de 2013. Apesar de ser difícil chegar ao primeiro lugar na pauta de exportações francesas, este país continua disputando ano a ano os postos de maior produtor e exportador mundiais de vinhos.


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