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Barca Velha e seu segundo vinho

11 de Julho de 2010

Costumamos dizer que o tinto Casa Ferreirinha é o segundo vinho do mítico Barca Velha, obra prima do grande “cheirista” Fernando Nicolau de Almeida, logo após a segunda guerra mundial.

Aproveitando o ensejo do post anterior, é bom esclarecer que a conotação de segundo vinho neste caso, é bem diferente da situação bordalesa. O Reserva Ferreirinha dependendo do ano, pode disfarçar-se de um mini Barca Velha, obviamente de custo bem menor.

A longa trajetória do Barca passou por algumas transformações em vinhedos localizados no Douro Superior, notadamente Quinta da Leda e Quinta do Vale Meão. Contudo, sempre um propósito, selecionar lotes de qualidade e acompanhar sua evolução ao longo dos anos, até sua liberação ao mercado. A responsabilidade é tremenda, qualquer que seja a decisão, pois não se pode liberar um Barca Velha que não o é, e nem refutá-lo se realmente o for.

Obstinação de Fernando Nicolau de Almeida

A idéia de concepção do Barca Velha nasceu com o objetivo de elaborar um tinto de classe na região do Douro, onde até então, primava-se pela elaboração dos grandes Portos.

Alguns desafios deveriam ser vencidos, tais como: perfeito equilíbrio da uvas numa região tão quente e seca como o Douro Superior, com Quinta da Leda e Quinta do Vale Meão. Outro grande problema seria controlar a temperatura de fermentação com a tecnologia da época.

O primeiro obstáculo foi resolvido buscando uvas em várias altitudes e diferentes exposições com relação ao sol. Portanto, um leque interessante de opções, principalmente quanto à acidez das uvas. O segundo problema foi uma solução bem lusitana. Trazer caminhões carregados de blocos de gelo de Matosinhos (lugarejo próximo à cidade do Porto) até o Alto Douro, onde ocorria a fermentação. Foram feitos anéis periféricos nos grandes tanques de madeira da época para armazenar os blocos de gelo, controlando assim a temperatura de fermentação.

Após longa maceração, o vinho parte para o estágio em barricas de carvalho e começa um severo monitoramento até o engarrafamento. Passado este estágio, não se pode afirmar ainda que estamos diante de um Barca Velha. É preciso pelo menos alguns anos em garrafa com mais uma série de provas, para o veredito.

 

Safra 1997: quase 10 anos para uma tomada de decisão

Desta concepção rígida, beirando a perfeição, é que pode surgir o Casa Ferreirinha, ou seja, quando não se tem absoluta certeza do pedigree de um Barca, tem a possibilidade de surgir um Ferreirinha. Portanto, numa mesma safra, só existe um com a exclusão do outro. Este conceito dá credibilidade ao Barca Velha e ao mesmo tempo, valoriza sobremaneira o Casa Ferreirinha.

Portanto, para aqueles que não têm acesso ao Barca Velha, o tinto Casa Ferreirinha pode ser uma ótima opção. Atualmente, está a cargo do enólogo Luís Sottomayor e sua equipe, o destino dos futuros vinhos. Parece que a lição de seus antecessores, inclusive senhor Fernando, foi bem aprendida. Que esta filosofia em busca da perfeição e tipicidade perpetue por longa data!

Esses vinhos são importados pela Zahil (www.zahil.com.br).


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