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Dom Pérignon: safras em ação

30 de Novembro de 2015

Em recente encontro no sede da Chandon em São Paulo, fizemos uma avaliação das safras de Dom Pérignon disponíveis no mercado. A recepção como sempre muito agradável e didática, contou com as presenças de Romain Jousselin (embaixador da marca no Brasil), Pablo Suarez (gerente de merchandising) e François Hautekeur (gerente de comunicação enológica). A descrição dos produtos segue abaixo.

dom perignon 2005

safra de contrastes (calor e chuva)

A safra de 2005 foi um ano difícil e com muitos contrastes. Houve calor muito forte na Champagne, o que não é habitual. Em seguida, muita chuva, umidade e problemas no campo como ataque maléfico da Botrytis. Com muita paciência, houve uma colheita reduzida e muito bem selecionada. Estamos aqui falando deste 2005 em sua primeira plenitude. Aroma franco com muita fruta. Boca macia, persistente, sem grandes mistérios. Muito prazeroso de ser tomado. Fico na dúvida quanto à sua longevidade. Esta safra é perfeita para aqueles que não têm paciência de esperar.

dom perignon 2006

safra solar e clássica

Neste exemplar de primeira plenitude também, a abordagem é bem diferente. Um ano clássico, onde a elegância e a sutileza predominam. Os aromas são mais tímidos, misteriosos. Vão se abrindo pouco a pouco na taça. Boca firme, estruturada, de grande frescor e tensão. Encaixa-se perfeitamente no termo Promessa. Deve evoluir bem em adega, integrando melhor seus componentes.

dom perignon p2

As surpresas da segunda plenitude

Este magnifico champagne 1998 em sua segunda plenitude P2 esbanja classe e energia. Tudo aqui ecoa de uma maneira mais vibrante, mais enfática, mais marcante. Os aromas se revelam com grande complexidade e harmonia. Em boca, há um perfeito equilíbrio entre frescor e maciez, nada sobra. Persistência longa e inesquecível. Em resumo, a Energia está no auge.

dom perignon p3

Um raro prazer com o P3 safra 1971

Este P3 foi provado em outra oportunidade com mais de trinta anos sur lies em adega. Notem que o termo Oenothèque, atualmente em desuso, está grafado no rótulo. Muita complexidade aromática, onde nota-se com clareza a riqueza e distinção de seu vinho-base. Aqui o Espírito de Dom Pérignon revela-se, mostrando toda sua essência. Não há mais nada a esconder.

dom perignon rose 2004

Rosé clássico e elegante

Este é sem dúvida o maior desafio de um Dom Pérignon. Aliar força, virilidade, à delicadeza de seu estilo. É um trabalho longo que exige por volta de dez anos em adega (sur lies). Com maiores proporções de Pinot Noir temos que ter lotes de Chardonnay que tenham personalidade e equilibrem o lado da delicadeza, do frescor e da longevidade.

Nesta safra 2004, podemos dizer que o classicismo ajudou com uvas bem equilibradas. A cor é um rosé tênue, pálido. Os aromas tendem para a Pinot Noir, mas com muita elegância e delicadeza. Em boca, sua estrutura e certa tanicidade caminham para um vinho tinto nos primeiros instantes. Contudo, o estilo fresco, delicado e elegante de um Dom Perignon prevalece. Champagne muito gastronômico para mesas requintadas.

Enfim, duas safras (2005 e 2006) de estilos bem diferentes para a primeira plenitude P1, a safra 1998 P2 de extrema complexidade, reservada para momentos especiais,  e o raro rosé 2004, champagne de muita personalidade. De toda forma, mais dicas para o final de ano.

Dom Pérignon: Considerações

27 de Novembro de 2015

dom perigon 2005

Nascendo um Dom Pérignon

Os champagnes de uma maneira geral não devem envelhecer. São vinhos para serem comprados e saboreados na primeira oportunidade. Todo aquele frescor, juventude e  vibração são o que há de melhor para ser apreciado. Contudo, existem Cuvées de Luxo que as melhores Maisons da região elaboram em anos ou partidas especiais, vinhos de grande distinção e que podem envelhecer ao longo do tempo. É o caso do Dom Pérignon, ápice da casa Moët & Chandon. Embora a própria Maison não confirme números, é estimado que algo em torno de cinco milhões de garrafas são produzidas nos anos aprovados por sua equipe de enólogos. Neste contexto, vamos abordar a trajetória deste envelhecimento.

De modo geral, estes champagnes são comprados no lançamento e muitas vezes adegados por certo período para datas especiais. Normalmente, envelhecem bem por pelo menos dez anos, mas existem safras que podem suportar períodos mais extensos. Sabemos que este processo de envelhecimento na adega é em ambiente de redução, ou seja, na ausência de oxigênio. Entretanto, o que ocorre na realidade é uma tênue micro oxigenação através da permeabilidade da rolha de cortiça, sem prejuízos para o resultado final.

dom perignon geoffroy

Geoffroy: pensando na próxima safra

Pensando nisso, o pessoal da Dom Pérignon liderado pelo grande enólogo Richard Geoffroy, resolveu acompanhar este envelhecimento na própria cave. Uma grande parte de cada safra declarada é engarrafada como Dom Pérignon que prevê um contato sur lies por volta de oito anos antes do dégorgement. Esta é a chamada primeira plenitude intitulada: A promessa. Até aqui nada de mais, procedimento corriqueiro como em outras cuvées de luxo.

Dom-Perignon-P2

safra 1998: a atual P2

Um lote reduzido, porcentagem pequena em relação à primeira plenitude, continua mantendo contato com leveduras por um período maior, entre 15 e 20 anos. É a chamada segunda plenitude, rotulada na garrafa como P2. Esta fase eles definem como: A expansão. Neste período, a diferença é notável. Realmente, seu poder aromático, seu equilíbrio e sua expansão em boca é algo difícil de descrever.

Por fim, um lote quase irrisório, continua em contato com as leveduras por um período por volta de 30 anos. É a chamada terceira plenitude, rotulada como P3. Esta fase é definida como: A revelação. Fica ainda mais difícil de decifra-lo, mas ainda com muito vigor, seus aromas de fruta, de redução com toques de cogumelos e panificação são evidentes e encantadores. Muito equilíbrio entre os componentes e uma persistência aromática longa. Poucos privilegiados têm acesso a essas maravilhas.

Ninguém melhor que seu mentor para explicar estes três momentos tão distintos e fascinantes, conforme vídeo abaixo.

 É  importante frisar que esse trabalho e acompanhamento das plenitudes sempre são feitos sur lies (contato com as leveduras). Portanto, não há contato nenhum com o oxigênio, fornecendo um poder de longevidade incrível a esses vinhos. Nem a melhor adega do mundo com todo o rigor de controle teria condições de envelhecer esses champagnes de maneira tão protegida da ação oxidativa. Outro ponto a esclarecer é que o termo Oenothèque referente à segunda e terceira plenitudes foi substituído pelas grafias P2 e P3, muito mais didáticas.

Próximo artigo, degustação dos atuais Dom Pérignon no mercado.


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