Posts Tagged ‘peninsula vinhos’

Importadoras Pioneiras

26 de Setembro de 2017

Os vinhos importados no Brasil têm história recente, pelo menos em maiores volumes e consistência de remessas contínuas. Dentro deste contexto, vale a pena recordar algumas importadoras pioneiras, sobretudo aquelas que priorizaram e se especializaram em determinados países até então inusitados em nosso mercado. Antes delas, uma menção especial para algumas que já se foram e deixaram saudades como Maison du Vin, Saveurs de France, Silmar do saudoso Silvio Rocha, Gomez Carrera, Callaz & Silvestrini e tantas outras.

monte do pintor 2005

um dos primeiros alentejanos no Brasil

Adega Alentejana

Em 1998, Manuel Chical, atual proprietário desde sempre, trouxe para o Brasil os vinhos alentejanos nunca vistos em nosso meio. Foi sucesso imediato, tal a agradabilidade destes vinhos na época. Por serem macios, frutados e acessíveis, mesmo em tenra idade, os paulistas sobretudo, receberam muito bem a novidade com mercado cativo até hoje. Destaque para o sóbrio e único Mouchão, um dos pilares da enologia alentejana. http://www.alentejana.com.br

KMM Armagh_2008

Um dos maiores Shiraz australianos

Importadora KMM

Embora a importado Mistral tenha trazido os espetaculares australianos da Penfolds, a importadora KMM com Marli Predebon sempre no comando desde 1992, construiu um portfolio invejável de grandes marcas deste país exótico. Sempre com vinhos bem pontuados, fieis ao terroir australiano, e de preços bem ecléticos, atingindo diversos padrões de consumidores. http://www.kmmvinhos.com.br

Premium Rippon Pinot Noir

Pinot Noir neozelandês de destaque 

Importadora Premium

Esta importadora mineira, sempre liderada pelos competentes Orlando Rodrigues e Rodrigo Fonseca, trouxeram em 1999 as primeiras levas de vinhos neozelandeses da melhor qualidade. Com portfolio variado e de preços para todos os bolsos, os brancos da Nova Zelândia caíram nos gosto brasileiro. O cuidado na escolha de produtores sempre foi preocupação fundamental desses sócios até hoje firmes no mercado. http://www.premiumwines.com.br

grand cru pulenta estate

vinhos sempre consistentes

Importadora Grand Cru

Embora atualmente esta importadora não tenha sua imagem focada somente nos argentinos, sua origem em 2002 marcou a entrada de grandes produtores deste país no auge de sua expansão vitivinícola. Evidentemente, eles continuam em destaque, mas o portfolio da importadora diversificou-se demais, tornando-se na atualidade uma das maiores do país com várias lojas em São Paulo e demais capitais. http://www.grandcru .com.br

tastevin muscat beaumes de venise

ótima qualidade e preço bem camarada

Importadora Club du Taste-Vin

Com 36 anos no mercado, esta importadora exclusiva para vinhos franceses é liderada desde sempre por François Dupuis, residente no Rio de Janeiro. Com presença bem mais enfática no público carioca, os paulistas também se abastecem com seus vinhos. A ideia é garimpar rótulos franceses não muito badalados a bom preço das principais regiões produtoras. Sempre fiel ao projeto original, só trabalha com vinhos franceses. http://www.tastevin.com.br

cellar alphonse mellot

Sancerre de personalidade

Importadora Cellar

Criada em 1995 e dirigida até hoje com mão de ferro pelo expert Amauri de Faria, esta importadora não introduziu os vinhos franceses e italianos propriamente no Brasil, mas sem dúvida nenhuma, deu e dá uma aula de como selecionar vinhos deste países de uma complexidade e diversidade ímpares. Seus rótulos primam por uma seleção de grande distinção e preços proporcionalmente bastante honestos. http://www.cellar-af.com.br

peninsula abadia retuerta

bodega de referência 

Importadora Peninsula

Há quase 20 anos no mercado, esta importadora se especializou em grandes vinhos espanhóis. Seu fundador e atual proprietário, Javier Dias Rabarain, prima por rótulos de grande destaque no cenário espanhol, tanto na escola mais tradicional, como no lado mais modernista. Menção especial a Juan Suárez Rodriguez, hoje não mais presente na empresa, pela enorme contribuição na divulgação do vinho espanhol. http://www.peninsulavinhos.com.br

expand renato ratti

Lançado na Expand, agora na Ravin

Importadora Expand

A grande importadora de vinhos nos anos 90 com um portfolio invejável, perfilando grandes vinhos do mundo, inclusive o mítico Romanée-Conti. Quem a sucedeu no mesmo porte e no desfile de grandes rótulos foi a importadora Mistral, até hoje com grande destaque no cenário nacional. Como não falamos dos vinhos sul-africanos, vale destacar a seleção impecável que a Expand dispunha na época com pelo menos meia dúzia de rótulos do mais alto nível.

Atualmente, importadoras como Mistral, Vinci, Decanter, Grand Cru, World Wine, Casa Flora, Zahil, e mais algumas lideram grande parte do mercado nacional. Mas isso é uma outra história para um artigo específico.

Enfim, um apanhado geral de como começou os vinhos importados no Brasil e ao mesmo tempo uma homenagem a essas importadoras pioneiras com fotos emblemáticas de cada uma delas. Todas elas continuam suas atividades, naturalmente com a ampliação de seu portfolio, mas sem perder a origem de suas convicções. Se solidificaram, conquistaram mercado e  fidelizaram clientes, fazendo do Brasil, especialmente na região sudeste, um dos países com maior diversidade em rótulos internacionais. Portanto, o amante de vinho brasileiro pode ficar tranquilo em ter a seu alcance uma grande diversidade de estilos, países, e as principais regiões no mundo do vinho. O grande empecilho é o preço com os escorchantes impostos praticados em nosso país. Mesmo os nossos vinhos, o vinho brasileiro, não foge das garras predatórias de nossa legislação.

Top 100 Wine Spectator 2016

6 de Dezembro de 2016

Analisando os Top Ten recém-anunciados com seis vinhos americanos, ficamos induzidos a pensar que o mundo divide-se em americanos e o restante, incluindo a Europa. Já frisamos várias vezes que puxar a sardinha para sua brasa é algo normal e compreensivo. Portanto, temos que raciocinar com isenção e posicionar os Estados Unidos no seu devido lugar no mundo dos vinhos. A força vinícola deste país é inquestionável. É o quarto produtor mundial, um dos principais importadores da bebida, e faz vinhos espetaculares. Neste sentido, cabe a nós respeitá-los e ao mesmo tempo, estarmos também conscientes do habitual exagero americano, ou seja, um pouco menos …

Vamos pinçar  e comentar alguns vinhos interessantes da lista, inclusive o vinho do ano. Uma espécie de Top Ten pessoal, dando já algumas dicas para o final do ano que se aproxima.

lewis-cabernet-sauvignon

Vinho do Ano, Number 1

Lewis Cabernet Sauvignon Napa Valley 2013 é um dos ótimos Cabernet Sauvignon de Napa Valley, região extremamente famosa, e um dos melhores terroirs para esta casta. Mais do que o vinho do ano, ele está representando um grupo de ótimos concorrentes  como Screaming Eagle, Harlan Estate, Insignia, Abreu, entre outros. E aqui certamente, entra o lado promocional de um nome que não tem o peso e a tradição dessas feras citadas. Ele nem sequer é o top da própria vinícola. Seja como for, aqui vão seus atributos.

As uvas são colhidas em seu ponto ótimo de maturação, desengaçadas, e vinificadas em aço inox com longa maceração. O vinho amadurece por cerca de 19 meses em carvalho francês novo, e é engarrafado sem filtração. Muita concentração, maciez e balanço, num final longo.

Os outros nove pessoais

Nesses demais vinhos, fiz questão de não colocar mais nenhum americano, já que no Top Ten eles abusaram um pouco. Em compensação a Espanha entrou em peso, notadamente a região de Ribera del Duero na safra 2012.

Todos os vinhos são bem pontuados, encontrados no Brasil, e com a indicação das respectivas importadoras. São vinhos que pessoalmente tenho familiaridade, e portanto, podem valer como dicas para presentes neste final de ano.

Hamilton Russell Chardonnay Hemel-en-Aarde Valley 2015 – 94 pontos

Esse é um velho conhecido, exemplo de um bom Chardonnay fora da Borgonha. Hamilton Russell foi aprender in loco como se faz Borgonha (branco e tinto), e escolheu Walker Bay, litoral muito frio da Áfrical do Sul, para formar seu terroir. Ele tem uma preocupação absurda com vinificação em barricas e o uso da madeira. Trabalha com baixíssimos rendimentos (23 hl/ha). O resultado é um vinho com incrível balanço entre fruta e madeira. Importadora Mistral (www.mistral.com.br).

Abadia Retuerta Selección Especial Sardon de Duero 2012 – 93 pontos

Os tintos da Abadia Retuerta são sempre muito bem feitos. Localizada em Castilla y León, está fora da denominação Ribera del Duero. Este Selección Especial é um corte com predomínio de Tempranillo, utilizando os melhores vinhedos. É complementado com Cabernet Sauvignon e Syrah, principalmente. Amadurece entre 16 e 22 meses em barricas de carvalho (francês e americano). Mescla muito bem o vigor da fruta com os toques de madeira. Importadora Peninsula (www.peninsulavinhos.com.br), especializada em vinhos espanhóis de alta qualidade.

Condado de Haza Ribera del Duero 2012 – 93 pontos

Quando se pensa em Ribera del Duero, exceto Vega-Sicilia, se pensa em Pesquera do grande bodegueiro Alejandro Fernandez. Seus tintos calcados na Tempranillo (Tinto Fino na região) são cheios de personalidade. O grupo Pesquera em uma de suas bodegas tem o Condado de Haza, tintos de muita consistência e preços competitivos. Mais de três mil barricas para brincar com as uvas Tempranillo. Importadora Mistral.

Bodegas y Viñedos Maurodos Toro San Roman 2012 – 95 pontos

Por trás desta bodega está Mariano Garcia, talvez o melhor enólogo de toda Castilla y León, trabalhando por décadas no Vega-Sicilia. Este projeto em Toro, denominação vizinha à Ribera del Duero, trabalha com 100% Tempranillo (localmente conhecida por Toro) em solos pobres e de baixos rendimentos. Passa cerca de dois anos em barricas francesas e americanas, entre novas e usadas. Importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br).

don-melchor-2012

Concha Y Toro Cabernet Sauvignon Puente Alto Don Melchor 2012 – 95 pontos

Cabernet Sauvignon consagrado do Alto Maipo, Don Melchor procura aprimorar-se a cada ano com vinhos sedosos e acessíveis, mesmo jovens. Uma pitada de Cabernet Franc e o uso criterioso de carvalho francês, molda um dos tintos mais consistentes do Chile. Lojas Ville du Vin (www.villeduvin.com.br).

Fattoria di Fèlsina Chianti Classico Berardenga 2013 – 92 pontos

No mar de Chiantis espalhados em lojas e importadoras, consegue-se pinçar alguns exemplares de grande personalidade. Fattoria de Fèlsina é o grande nome de Castelnuovo Berardenga, sub-região do Chianti Classico, perto de Siena. Seus Chiantis com 100% Sangiovese são de uma pureza e tipicidade extraordinárias. Sempre um porto seguro. Importadora Mistral.

Fournier Père & Fils Sancerre Les Belles Vignes 2015 – 92 pontos

Um clássico do Loire com a uva Sauvignon Blanc. De estilo cítrico, bem mineral, seus vinhos são típicos, bem secos, quase austeros. Vinificação tradicional com maturação sur lies (sobre as borras), sem passagem por madeira. Ótimo com produtos do mar in natura (ostras, sashimis, carpaccio, …). Importadora Premium (www.premiumwines.com.br).

La Rioja Alta 904 Gran Reserva 2007 – 93 pontos

É o clássico dos clássicos em Rioja. Elaborado com Tempranillo e uma pitada de Graciano, este tinto permanece por pelo menos quatro anos em barricas de carvalho americano de fabricação própria, e mais um bom tempo em garrafa, antes de ser comercializado. Aromas sedutores, equilíbrio fantástico, um verdadeiro Borgonha da Rioja. Importadora Zahil (www.zahil.com.br).

Quinta Vale Dona Maria Douro 2013 – 94 pontos

Se você procura um vinho tinto do Douro sofisticado, ei-lo aqui. Partindo de um vinhedo antigo com mais de 60 anos, as uvas foram plantadas todas misturadas com mais de 40 variedades (tinta Francisca, tinta Roriz, rufete, sousão, …). As uvas são pisadas em lagares de granito e fermentadas com longa maceração. O vinho estagia em barricas de carvalho francês de várias marcas renomadas (Seguin Moreau, Taransaud, …) por cerca de 20 meses. A maciez, profundidade e persistência deste tinto são notáveis. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br).

Que Marravilha: Polvo de Verão

24 de Janeiro de 2014

Dando prosseguimento a nossas receitas de verão, segue mais uma do programa Que Marravilha! do chef Claude Troisgros, conforme link abaixo (vídeo e receita):

http://gnt.globo.com/quemarravilha/receitas/

RECEITA

Polvo e Maionese

Frutos do mar pedindo vinho branco e maionese que pode ser servida gelada são ingredientes perfeitos para dias e noites quentes, de preferência com a brisa do mar. Para esta receita, um elemento interessante é a combinação de textura do polvo, um pouco mais rija, com a maionese, bastante macia, sem falar na alternância de temperatura entre o polvo grelhado (quente) e a maionese, fria. 

Do lado do polvo, temos alho, ervas, tomate, cebola e aipo (também conhecido como salsão). São ingredientes provençais que remetem a um vinho ou espumante rosé. Do lado da maionese, temos mostarda dijon, gema de ovo, azeite, pimenta, e suco de limão. Aqui, um vinho branco de boa acidez com nuances cítricas cria ótima sintonia. Entretanto, polvo e maionese unem-se na mesma receita com sabores entrelaçados. Vamos então às opções de vinho.

O vinho precisa ter boa acidez, um toque de maresia é bem-vindo, notas cítricas e de ervas, e um pouco de maciez para equilibrar texturas. Um Alvarinho (português da região do Minho) ou um Albariño (versão espanhola) com alguma passagem por madeira, melhor ainda, com certo contato sur lies (sobre as borras), apresenta as características acima e textura perfeita para o prato.

Brancos de Bordeaux com as cepas Sauvignon Blanc e Sémillon, esta última confere certa maciez ao vinho, podem ser belas alternativas. Um Rioja branco calcado na casta Viura com discreto amadurecimento em barrica, preservando muito frescor, pode ser pensado para o caso. De preferência, a denominação Crianza, pois os Reservas e Gran Reservas assumem outros aromas e sabores, fugindo das especificações do prato em questão.

Do lado italiano, um ótimo Soave da região do Vêneto com a uva Garganega é uma boa lembrança. Preferencialmente, dos produtores Pieropan (importadora Decanter – http://www.decanter.com.br) ou Anselmi (importadora World Wine – http://www.worldwine.com.br). 

De qualquer modo, os rosés de boa textura continuam na briga, tranquilos ou espumantes. O provençal Domaine Sorin da importadora Decanter ou o ótimo Cava Juve & Camps da importadora Península (www.peninsulavinhos.com.br), formam um belo para para esta harmonização. De resto, é só continuar curtindo o verão até o carnaval.

Ano Novo: Zampone com lentilhas

5 de Dezembro de 2011

Vinho Sem Segredo propõe para o Ano Novo um clássico italiano da cozinha modenense (Modena, comuna famosa da província de Emilia-Romagna), Zampone com lentilhas,  prato obrigatório para os bons presságios do ano vindouro. Carne de porco e lentilha são ingredientes infalíveis.

Luciano Pavarotti: Fiel às tradições

Zampone é uma espécie de linguiça enchida na pata dianteira do porco, previamente desossada. Este enchimento é feito com a própria carne do animal de partes mais magras, mais gordurosas e um pouco da pele. Tudo é criteriosamente triturado e temperado com sal, ervas e especiarias. O Zampone di Modena é um produto IGP (Indicazione Geografica Protetta) e portanto, com especificações rigorosas. Aqui no Brasil, encontramos o produto em lojas e supermercados gourmets com as marcas Negroni e Villani.

Zampone e Cotechino: Detalhes e receitas 

No vídeo acima percebemos a sutil diferença entre os dois produtos (apenas o invólucro) e duas receitas típicas. Voltando ao nosso prato de Ano Novo, o Zampone é apenas cozido em água e depois fatiado em rodelas. O acompanhamento clássico local é o polêmico Lambrusco, tinto leve e frisante, que combate muito bem as gordurosas comidas da região. O grande problema no Brasil é que os Lambruscos são de péssima qualidade, sem concentração e adocicados. Boas denominações para este vinho são as DOC Sorbara e Grasparossa di Castelvetro, secos e de boa concentração. Aliás, uma bela alternativa para acompanhar feijoada no verão (vide artigo sobre feijoada neste blog).

Na falta de bons Lambruscos, uma alternativa melhor ainda são os espumantes rosés. A qualidade média é bem melhor, a acidez e corpo são compatíveis com o prato cortando bem o lado gorduroso. A sofisticação fica por conta do cliente, desde espumantes nacionais, Cavas, e até Champagne. As opções italianas ficam com os espumantes lombardos incluindo Franciacorta, e os de Trento sob várias denominações.

Sugestões

Terroir: Ribera del Duero

15 de Agosto de 2011

Quando se pensa em grandes tintos espanhóis, duas regiões vêm à mente: Rioja, já comentada em post anterior e a poderosa Ribera del Duero. Com vinhos caros e espetaculares como o mítico Vega Sicilia e o inascessível Pingus (importadora Grand Cru – www.grandcru.com.br), Ribera del Duero pode ser sofisticação em alto nível, principalmente em seu trecho mais badalado, conhecido como a Milha de Ouro (entre as cidades de Tudela de Duero e Peñafiel), conforme mapa abaixo.

Milla de Oro: A Cõte d´Or de Ribera del Duero

Apesar do mapa acima incluir Bodegas Mauro e Abadia Retuerta, as mesmas não fazem parte da denominação Ribera del Duero. Na verdade, estão praticamente beirando a demarcação geográfica desta denominação. Contudo, nem por isso deixam de ser espetaculares, com vinhos emblemáticos e muito bem conceituados. O Mauro Vendimia Seleccionada é páreo duríssimo para qualquer ícone de Ribera. Pago Negralada da Abadia Retuerta, é outro monstro sagrado, com uma concentração impressionante. Bodegas Mauro, do grande enólogo Mariano Garcia (trinta anos no comando do Vega Sicilia) é importado pela Mistral (www.mistral.com.br), com vinhos sempre muito elegantes. Já os vinhos da Abadia Retuerta são trazidos pela importadora Peninsula, com um portfólio para todos os bolsos (www.pensinsulavinhos.com.br).

Lado Oeste: Nobreza da Denominação

Para uma melhor visualização, dê um zoom no mapa acima e perceba os limites da denominação, excluindo as duas bodegas acima citadas. As características dos vinhos de Ribera del Duero são intensidade de cor, aromas marcantes e equilíbrio gustativo, com acidez refrescante. De fato, estamos num planalto com vinhas entre 750 e 850 metros de altitude, sujeitas a uma importante amplitude térmica, que preserva a acidez das uvas e ao mesmo tempo, desenvolve aromas elegantes e bem definidos.

As uvas permitidas nesta denominação são pelo menos 75% de Tinto Fino (nome local da Tempranillo), podendo ser complementada por Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec, no máximo em 20% (juntas ou individualmente, se a opção for por uma dessas). Os 5% restantes ficam a cargo da Garnacha Tinta e/ou a única branca autóctone, Albillo.

A denominação estende-se ao longo de 115 quilômetros do rio Duero com distâncias latitudinais de 35 quilômetros. Quanto mais próximo do rio, o solo tende para um tipo aluvial (depósito sedimentar de outras eras geológicas). Para vinhas mais distantes do Duero, o solo apresenta uma predominância calcária, com alta pedregosidade.

Videira centenária nos arredores de Peñafiel

Num estilo mais tradicional da região, podemos citar o grande Vega-Sicilia, Pesquera e Bodegas Protos. Os dois primeiros são importados pela Mistral, enquanto o Protos é importado pela Peninsula vinhos. Já num estilo moderno, temos Bodegas Aalto (Peninsula Vinhos), Pago de Carraovejas (Peninsula vinhos) e Bodegas Alíon (Mistral). Outra bodega que vale a pena é Arzuaga Navarro, importada pela Decanter (www.decanter.com.br), com vinhos de ótima concentração, inclusive trazendo o Pago Florentino, elaborado em Castilla La Mancha (ver artigo anterior sobre Vinos de Pago).

Espanha: Vinos de Pago

4 de Agosto de 2011

Muitas vezes, regiões vinícolas sem grande expressão, podem apresentar pequenos vinhedos diferenciados, quer seja pelas condições específicas de microclima, quer pela excelência de um determinado produtor, ou na maioria dos casos, pelos dois motivos. Neste contexto, estão inseridos os Vinos de Pago (vinhedo que se diferencia em seu entorno), classificação de grande prestígio e restrita a estas exceções, nas atuais leis espanholas. É bom esclarecer que nem todo vinho de Pago faz parte da Denominación de Origen a que estamos nos referindo. Embora o conceito seja o mesmo, de um vinhedo diferenciado (single vineyard) para a elaboração de vinhos personalizados, muitos produtores utilizam a palavra Pago para dar prestígio a seus vinhos. Infelizmente, alguns deles abusam deste nome, para vinhos não tão “diferenciados”. Contudo, boa parte dos Vinos de Pago são realmente especiais e naturalmente, nada baratos. A exclusividade tem seu preço. Para citar um exemplo, temos o Aalto PS (Pagos Selecionados) do meu amigo Juan da importadora Peninsula, um dos melhores tintos espanhóis da atualidade, ou Pago de Santa Cruz da Viña Sastre, um grande Ribera del Duero.  www.peninsulavinhos.com.br

Por enquanto, são dez Vinos de Pago Denominación de Origen, abaixo descritos:

Região de Castilla La Mancha

É a maior região vinícola da Espanha e a maior área de vinhedos contínuos do mundo, com mais de cento e oitenta mil hectares plantados. Normalmente, são vinhos de grande produção, não associados à alta qualidade. É neste cenário, que sobressaem-se os chamados Vinos de Pago.

Campo de La Guardia

Branco à base de Chardonnay e tintos com Tempranillo, Merlot, Syrah, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot. São dois tintos de corte e um varietal de Syrah. Todos de muita intensidade, elaborados pela bodega Martúe.

Dehesa del Carrizal

Principalmente seu tinto Colección Privada, com as uvas Cabernet Sauvginon, Merlot e Syrah, passado em barricas francesas, é de grande categoria. Também um branco elaborado com Chardonnay.

Pago Florentino

Elaborado com 100% Tempranillo, localmente conhecida como Cencibel, este tinto potente passa por barricas francesas. É engarrafado sem filtração.

Pago Guijoso

Elaborados pela bodega Sanchez Muliterno, temos um branco à base de Chardonnay fermentado em barricas, um tinto com as uvas Merlot, Cabernet Sauvignon, Tempranillo e Syrah; e dois varietais (um Cabernet Sauvignon e outro Syrah)

Finca Élez

A bodega de Manuel Manzaneque cultiva parreiras antigas com uvas Chardonnay (clones da Borgonha), Cabernet Sauvignon (clones de Bordeaux) e Syrah (clones do Rhône), além de evidentemente, Tempranillo. Um branco, dois tintos de corte e dois varietais, um com Syrah e outro com Tempranillo, completam seu portfólio.

Casa del Blanco

Tintos com baixos rendimentos em três versões. Um varietal de Petit Verdot, um corte Cabernet Sauvignon/Syrah, e outro corte; Merlot, Tempranillo, Cabernet Sauvignon.

Este foi o último Pago a ser incluído na seleta Denominación de Origen Pago, contando agora com dez propriedades.

Domínio de Valdepusa

Juntamente com Finca Élez, Domínio de Valdepusa, próximo a Toledo,  foram os primeiros Pagos a serem reconhecidos como Denominación de Origen. Elabora três tintos varietais com Syrah, Petit Verdot e Cabernet Sauvignon, além do corte Eméritus, mesclando as três uvas. Importado pela Winebrands com o nome Marquês de Griñon (www.winebrands.com.br)

 

Região de Navarra

Navarra sempre foi ofuscada pelos famosos vinhos da vizinha Rioja. Entretanto, é uma região com bom potencial e que vem evoluindo de forma satisfatória. Abaixo, seus três vinhos de Pago:

Pago de Otazu

Chardonnay fermentado em barricas e tinto à base de Tempranillo, Merlot e Cabernet Sauvignon. Vinhos de grande concentração e personalidade.

Prado de Irache

Tinto à base de Tempranillo, Cabernet Sauvignon e Merlot, amadurecido em barricas francesas. Concentração e elegância.

Pago de Arínzano

Mais um tinto de personalidade da família Chivite com as uvas Tempranillo, Merlot e Cabernet Sauvignon, amadurecido em barricas francesas. Importado pela Mistral (www.mistral.com.br).


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