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Terroir: Ribera del Duero

15 de Agosto de 2011

Quando se pensa em grandes tintos espanhóis, duas regiões vêm à mente: Rioja, já comentada em post anterior e a poderosa Ribera del Duero. Com vinhos caros e espetaculares como o mítico Vega Sicilia e o inascessível Pingus (importadora Grand Cru – www.grandcru.com.br), Ribera del Duero pode ser sofisticação em alto nível, principalmente em seu trecho mais badalado, conhecido como a Milha de Ouro (entre as cidades de Tudela de Duero e Peñafiel), conforme mapa abaixo.

Milla de Oro: A Cõte d´Or de Ribera del Duero

Apesar do mapa acima incluir Bodegas Mauro e Abadia Retuerta, as mesmas não fazem parte da denominação Ribera del Duero. Na verdade, estão praticamente beirando a demarcação geográfica desta denominação. Contudo, nem por isso deixam de ser espetaculares, com vinhos emblemáticos e muito bem conceituados. O Mauro Vendimia Seleccionada é páreo duríssimo para qualquer ícone de Ribera. Pago Negralada da Abadia Retuerta, é outro monstro sagrado, com uma concentração impressionante. Bodegas Mauro, do grande enólogo Mariano Garcia (trinta anos no comando do Vega Sicilia) é importado pela Mistral (www.mistral.com.br), com vinhos sempre muito elegantes. Já os vinhos da Abadia Retuerta são trazidos pela importadora Peninsula, com um portfólio para todos os bolsos (www.pensinsulavinhos.com.br).

Lado Oeste: Nobreza da Denominação

Para uma melhor visualização, dê um zoom no mapa acima e perceba os limites da denominação, excluindo as duas bodegas acima citadas. As características dos vinhos de Ribera del Duero são intensidade de cor, aromas marcantes e equilíbrio gustativo, com acidez refrescante. De fato, estamos num planalto com vinhas entre 750 e 850 metros de altitude, sujeitas a uma importante amplitude térmica, que preserva a acidez das uvas e ao mesmo tempo, desenvolve aromas elegantes e bem definidos.

As uvas permitidas nesta denominação são pelo menos 75% de Tinto Fino (nome local da Tempranillo), podendo ser complementada por Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec, no máximo em 20% (juntas ou individualmente, se a opção for por uma dessas). Os 5% restantes ficam a cargo da Garnacha Tinta e/ou a única branca autóctone, Albillo.

A denominação estende-se ao longo de 115 quilômetros do rio Duero com distâncias latitudinais de 35 quilômetros. Quanto mais próximo do rio, o solo tende para um tipo aluvial (depósito sedimentar de outras eras geológicas). Para vinhas mais distantes do Duero, o solo apresenta uma predominância calcária, com alta pedregosidade.

Videira centenária nos arredores de Peñafiel

Num estilo mais tradicional da região, podemos citar o grande Vega-Sicilia, Pesquera e Bodegas Protos. Os dois primeiros são importados pela Mistral, enquanto o Protos é importado pela Peninsula vinhos. Já num estilo moderno, temos Bodegas Aalto (Peninsula Vinhos), Pago de Carraovejas (Peninsula vinhos) e Bodegas Alíon (Mistral). Outra bodega que vale a pena é Arzuaga Navarro, importada pela Decanter (www.decanter.com.br), com vinhos de ótima concentração, inclusive trazendo o Pago Florentino, elaborado em Castilla La Mancha (ver artigo anterior sobre Vinos de Pago).

Espanha: Vinos de Pago

4 de Agosto de 2011

Muitas vezes, regiões vinícolas sem grande expressão, podem apresentar pequenos vinhedos diferenciados, quer seja pelas condições específicas de microclima, quer pela excelência de um determinado produtor, ou na maioria dos casos, pelos dois motivos. Neste contexto, estão inseridos os Vinos de Pago (vinhedo que se diferencia em seu entorno), classificação de grande prestígio e restrita a estas exceções, nas atuais leis espanholas. É bom esclarecer que nem todo vinho de Pago faz parte da Denominación de Origen a que estamos nos referindo. Embora o conceito seja o mesmo, de um vinhedo diferenciado (single vineyard) para a elaboração de vinhos personalizados, muitos produtores utilizam a palavra Pago para dar prestígio a seus vinhos. Infelizmente, alguns deles abusam deste nome, para vinhos não tão “diferenciados”. Contudo, boa parte dos Vinos de Pago são realmente especiais e naturalmente, nada baratos. A exclusividade tem seu preço. Para citar um exemplo, temos o Aalto PS (Pagos Selecionados) do meu amigo Juan da importadora Peninsula, um dos melhores tintos espanhóis da atualidade, ou Pago de Santa Cruz da Viña Sastre, um grande Ribera del Duero.  www.peninsulavinhos.com.br

Por enquanto, são dez Vinos de Pago Denominación de Origen, abaixo descritos:

Região de Castilla La Mancha

É a maior região vinícola da Espanha e a maior área de vinhedos contínuos do mundo, com mais de cento e oitenta mil hectares plantados. Normalmente, são vinhos de grande produção, não associados à alta qualidade. É neste cenário, que sobressaem-se os chamados Vinos de Pago.

Campo de La Guardia

Branco à base de Chardonnay e tintos com Tempranillo, Merlot, Syrah, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot. São dois tintos de corte e um varietal de Syrah. Todos de muita intensidade, elaborados pela bodega Martúe.

Dehesa del Carrizal

Principalmente seu tinto Colección Privada, com as uvas Cabernet Sauvginon, Merlot e Syrah, passado em barricas francesas, é de grande categoria. Também um branco elaborado com Chardonnay.

Pago Florentino

Elaborado com 100% Tempranillo, localmente conhecida como Cencibel, este tinto potente passa por barricas francesas. É engarrafado sem filtração.

Pago Guijoso

Elaborados pela bodega Sanchez Muliterno, temos um branco à base de Chardonnay fermentado em barricas, um tinto com as uvas Merlot, Cabernet Sauvignon, Tempranillo e Syrah; e dois varietais (um Cabernet Sauvignon e outro Syrah)

Finca Élez

A bodega de Manuel Manzaneque cultiva parreiras antigas com uvas Chardonnay (clones da Borgonha), Cabernet Sauvignon (clones de Bordeaux) e Syrah (clones do Rhône), além de evidentemente, Tempranillo. Um branco, dois tintos de corte e dois varietais, um com Syrah e outro com Tempranillo, completam seu portfólio.

Casa del Blanco

Tintos com baixos rendimentos em três versões. Um varietal de Petit Verdot, um corte Cabernet Sauvignon/Syrah, e outro corte; Merlot, Tempranillo, Cabernet Sauvignon.

Este foi o último Pago a ser incluído na seleta Denominación de Origen Pago, contando agora com dez propriedades.

Domínio de Valdepusa

Juntamente com Finca Élez, Domínio de Valdepusa, próximo a Toledo,  foram os primeiros Pagos a serem reconhecidos como Denominación de Origen. Elabora três tintos varietais com Syrah, Petit Verdot e Cabernet Sauvignon, além do corte Eméritus, mesclando as três uvas. Importado pela Winebrands com o nome Marquês de Griñon (www.winebrands.com.br)

 

Região de Navarra

Navarra sempre foi ofuscada pelos famosos vinhos da vizinha Rioja. Entretanto, é uma região com bom potencial e que vem evoluindo de forma satisfatória. Abaixo, seus três vinhos de Pago:

Pago de Otazu

Chardonnay fermentado em barricas e tinto à base de Tempranillo, Merlot e Cabernet Sauvignon. Vinhos de grande concentração e personalidade.

Prado de Irache

Tinto à base de Tempranillo, Cabernet Sauvignon e Merlot, amadurecido em barricas francesas. Concentração e elegância.

Pago de Arínzano

Mais um tinto de personalidade da família Chivite com as uvas Tempranillo, Merlot e Cabernet Sauvignon, amadurecido em barricas francesas. Importado pela Mistral (www.mistral.com.br).


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