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Bordeaux: Sonho e Realidade

26 de Julho de 2017

Naquela caixa de sonhos de qualquer enófilo, sempre haverá pelo menos uma garrafa de Bordeaux. Sua penetração mundo afora é tão marcante, que cerca de 22 garrafas são comercializadas por segundo no mundo. Os grandes Bordeaux são verdadeiras commodities, disputados acirradamente nos mais prestigiados leilões. Além do estilo único e complexidade, esses vinhos apresentam enorme longevidade, capazes de atravessar décadas, sobretudo nas grandes safras.

Contudo, o sonho precisa ser sustentado e ao mesmo tempo, ele próprio é um componente importante no marketing de vinhos menores, mais simples, e de preço compatíveis à maioria dos mortais. Neste contexto, veremos um panorama atualizado do comércio de todos esses vinhos, grandes e pequenos.

bordeaux 2014

distribuição de Bordeaux na França

Conforme mapa acima, mais de 50% do vinho bordalês consumido na França, concentra-se na região parisiense, além de todo o norte francês, região não produtora de vinho. A influência e tradição inglesas e de países nórdicos explicam em parte esta preferência.

bordeaux 2015

área de vinhas – 2015

Quase dois terços da área de vinhas bordaleses destina-se a vinhos relativamente simples. Cerca de um terço da área, o filé mignon bordalês (Mèdoc, St Emilion e Pomerol), ainda assim tem que ser peneirada para separar o joio do trigo. A participação dos vinhos brancos é bem modesta, sendo que os vinhos doces são quase insignificantes em área plantada.

bordeaux 2015 cepages

predominância da Merlot

A distribuição de cepas no quadro acima, reflete bem a coerência com a área de vinhas. Na produção de tintos de Bordeaux mais simples, faz todo o sentido a Merlot ser majoritária no chamado corte bordalês, fornecendo mais maciez e apelo ao conjunto, além de tornar o vinho mais pronto para um consumo imediato. Aqui, não há necessidade de um aporte tão expressivo de taninos.

bordeaux medoc 2009

a exclusividade do Médoc

Quando falamos dos famosos 60 classificados de 1855 do Médoc, muitas vezes não temos ideia da diminuta produção desses vinhos. E olha que entre os 60 crus, temos ainda que fazer a melhor seleção, pois praticamente metade estão abaixo das expectativas. O quadro acima, apesar de um pouco defasado, dá uma boa ideia de proporção das principais comunas do Médoc.

Vamos pegar por exemplo, Pauillac. 19% dos tintos bordaleses vem do Mèdoc. Dentro desses 19%, temos apenas 12% de todos os vinhos de Pauillac. E dentro desses 12%, precisamos pinçar os realmente muito bons. Dá para entender porque um Pontet-Canet por exemplo, custa tão caro. Isso, sem falar nos três Premiers Grands Crus Classés; Latour, Mouton, e Lafite.

bordeaux brasil 2014

importação brasileira de Bordeaux – 2014

Diante deste quadro, a importação brasileira de vinhos de Bordeaux não poderia ser outra, senão o acima exposto. Juntando poder aquisitivo baixo e altas taxas de importação, mais de 70% dos tintos bordaleses concentram-se em apelações genéricas ou no máximo, Bordeaux Supérieur. Se falarmos nos brancos, tudo fica insignificante.

 

Margem Esquerda

bordeaux medoc mapa

 oito comuna no Médoc

Em todo o Médoc temos 16500 hectares de vinhas produzindo cem milhões de garrafas por ano, ou seja, 15% dos vinhedos de Bordeaux.

A parte norte chamada Médoc, de solo mais argiloso e arenoso, tem 35% das vinhas acima, de vinhos  medianos. Nenhum vinho classificado encontra-se nessas vinhas.

Na parcela restante, ao sul de Médoc, exceto as seis comunas, temos o chamado Haut-Médoc, respondendo por cerca de 29% das vinhas totais de todo o Médoc. Aqui, com certos cuidados, pode-se pinçar coisas interessantes.

Grands Crus Classés de 1855

Concentrados nas comunas de St Estèphe, Pauillac, St Julien, e Margaux, os 60 Crus correspondem a 3400 hectares de vinhas com uma produção de 21% de todo o Médoc.

 

Margem Direita

saint emilion pomerol fronsac

 margem direita: panorama geral

Antes de falar dos vinhos e apelações, vamos falar do conceito de corte bordalês nestas áreas. A Merlot, cepa majoritária, responde por 80% dos cortes em Pomerol e Fronsac por conta do solo mais argiloso. Já em Saint-Emilion, varia de 65 a 80%, conforme a complicada e diversificada composição de solo.

A Merlot evidentemente fornece a fruta e a graça desses vinhos, embora em alguns Chateaux como Petrus e Lafleur, seus taninos podem ser poderosos. A Cabernet Franc nessas paragens dá estrutura e taninos  ao corte, enquanto a Cabernet Sauvignon, quando fortuitamente é utilizada, fornece um toque de especiarias ao conjunto.

Saint-Emilion

De toda a margem direita, a apelação Saint-Emilion é sem dúvida, a mais pulverizada. Afinal são 5400 hectares de vinhas. Aquela chamada classificação Grand Cru é uma das maiores enganações de Bordeaux. Para não correr riscos, concentre-se na apelação Premier Grand Cru Classe A e B com 18 vinhos classificados, inclusos evidentemente, os irretocáveis Chateaux Ausone e Cheval Blanc. São menos de 400 hectares de vinhas entre todos os 18 chateaux.

Pomerol

Toda a apelação Pomerol tem apenas 800 hectares de vinhas onde a Merlot domina amplamente. São menos de 1% de toda a produção de Bordeaux. Aqui, não há classificação oficial.

As apelações satélites Lalande de Pomerol, Fronsac, e Canon Fronsac, têm respectivamente; 1136 ha, 808 ha, e 264 ha de vinhas.

A elite bordalesa

Juntando o que há de melhor nos vinhos de Bordeaux, teoricamente, mais alguns dados sobre produção e área de vinhas;

  • Grand Cru Classé 1855 (60 crus)

          3630 ha – 18 milhões gf

  • Crus Bourgeois (243 chateaux)

          3300 ha – 30 milhões gf

  • Crus Classés de Graves (tintos)

          500 ha – 2,6 milhões gf

  • Saint-Emilion Premier Grand Cru Classé (18 chateaux)

         400 ha – 1,2 milhão gf

  • Pomerol ( classificação não oficial 14 chateaux )

         180 ha – 600 mil gf

Deste total de pouco mais de 50 milhões de garrafas de “elite”, temos que tirar a metade dos classificados do Médoc, pois muitos chateaux vivem hoje apenas da fama de outrora. Temos também que peneirar muito bem os chamados Cru Bourgeois da atualidade, onde a inclusão nesta categoria vive mais de interesses comerciais, do que propriamente critérios técnicos. E aí, o facão é cruel. Apenas 10% tem realmente credibilidade para padrões de alto nível. 

Portanto, dos 50 milhões, vamos nos contentar com digamos, 15 milhões. Isso, fazendo um pouco de vista grossa. Mesmo assim, nenhuma outra região vinícola no mundo, chega perto desses números.

Voltando aos pequenos, desde que o preço compense, é sempre uma opção interessante, sobretudo para o dia a dia. Como dizia o mestre Denis Dubourdieu, os verdadeiros pequenos são aqueles que não querem se passar por grandes. Contentam-se em ser equilibrados, autênticos, e fornecerem o devido prazer. Seus vinhos são um bom exemplo deste pensamento.

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Números: Distribuição do vinho francês

30 de Maio de 2017

Sabemos de longa data que França e Itália disputam ano a ano a hegemonia do vinho no mundo, sobretudo em termos de produção. Entretanto, a divisão do vinho francês quanto a tipos e categorias, não é um assunto tão corriqueiro. Vamos então a alguns números relativamente recentes da safra 2015.

frança colheita 2015

Num total de quase 47 milhões de hectolitros, 40% são vinhos tintos, 15% vinhos rosés e 45% vinhos brancos. Tudo isso de vinho branco? sim !!!. Esqueceram que Cognac é feito de vinho branco? e que é preciso de 9 a 10 litros para fazer um litro de Cognac? Pois bem, só de vinho branco para esta finalidade são quase 10 milhões de hectolitros.

frança vinhos 2005 a 2015

queda acentuada de tintos no período

No gráfico acima, percebemos a queda acentuada de tintos no período (2005/2015) e uma queda mais branda nos vinhos brancos. Quanto aos rosés, uma progressão discreta, mas consistente. O mesmo podemos dizer quanto aos vinhos brancos destinados à produção sobretudo de Cognac.

Quanto às categorias de vinho, podemos dizer que de um total de 47 milhões de hectolitros, 45% são vinhos AOC (appellation d´origine contrôlée), 29% são VDP (vins de pays), 20% (vinhos destinados ao Cognac, sobretudo) e apenas 6% de vins de table. Colocando os vinhos AOC e VDP de um modo geral, como vinhos de boa qualidade, sobram poucos vinhos sob suspeita. Evidentemente, aqueles vinhos diferenciados, artesanais, de produtores meticulosos, continuam e continuarão a serem raridades.

O dossiê ainda fala sobre vinhos elaborados por produtores (mis en bouteille au domaine) ou por cooperativas. O sul da França de modo geral tem grande concentração de cooperativas com ênfase para Languedoc-Roussillon e sul do Rhône.

frança regiões vinicolas

regiões vinícolas

Em termos regionais, Languedoc-Roussillon continua sendo a área mais produtiva, embora sem a mesma pujança de outros tempos. Resumindo, menos porcaria em quantidade e mais qualidade média nos produtos. A região de Cognac tem muita expressão na produção, a despeito da maioria das pessoas desconhecerem o fato. Vale do Rhône e Provence têm muito vinho a oferecer, mesclando produtos do dia a dia até alguns ícones de produção exclusiva. A Aquitânia emglobando a região de Bordeaux alia quantidade e qualidade como nenhuma outra região.

nelson-sauvignons

Acima e abaixo, dois exemplos de vins de pays de alta qualidade a preços convidativos. Jaja de Jau (à direita) é uma linha de vinhos que expressa com fidelidade seus respectivos terroirs. Neste exemplo, temos um Sauvignon Blanc de Gaillac, sudoeste francês, região famosa por seus brancos e espumantes vibrantes, de grande acidez. Dentro da denominação VDP Côtes de Gascogne.

brumont rosé

rosé vibrante

Da mesma apelação VDP Côtes de Gascogne, este rosé do produtor Brumont, referência absoluta no Madiran na elaboração de Tannats, mostra um perfil aromático, muito fresco, e muito gastronômico. Substitui com méritos os bons e agradáveis rosés provençais, num balanço de elegância e frescor único. Importado pela Decanter (www.decanter.com.br).

O Sudoeste francês, bem como o Languedoc-Roussillon, ainda têm potencial para revelar muitas surpresas. Da mesma forma, a Provence e o sul do Rhône são celeiros de belos vinhos a serem descobertos. Basta ter coragem e curiosidade e sairmos do óbvio.

Uvas Francesas pelo Mundo

22 de Fevereiro de 2016

O que seria do Novo Mundo sem as uvas francesas, ditas internacionais? A França sempre foi referência no mundo do vinho, sobretudo para os países emergentes. Qualquer que seja a região vinícola das Américas, Oceania, África, sempre teremos exemplares de Cabernet Sauvignon para tintos, e Chardonnay para brancos. Além disso, temos Merlot, Syrah, Grenache, Sauvignon Blanc, entre outras, com seus estilos próprios. E dentro da França, qual a importância de cada uma destas uvas no panorama geral? É isso que vamos ver a seguir.

A França vem diminuindo suas áreas de vinhas nos últimos tempos, conforme quadro abaixo. Com pouco mais de oitocentos mil hectares de plantio, este país tem destaque no cenário mundial juntamente com Espanha e Itália, seus eternos rivais.

Em outros tempos, o sul da França era inundado de vinhas com supremacia absoluta no plantio da rústica Carignan, a mesma Cariñena na Espanha. Só de 2006 para cá, o plantio desta uva decresceu 40%, tornando-se atualmente, a sétima uva mais plantada em território francês. O predomínio hoje é da Merlot, não só em termos gerais, mas principalmente em Bordeaux. De fato, com maturação mais precoce que a Cabernet e gerando vinhos mais macios quando jovens, a escolha pela Merlot faz sentido.

Bem longe da Merlot, em segundo lugar, seguida de perto pela Ugni Blanc, temos a Grenache, muito plantada no Rhône-Sul, além da Provence e Languedoc-Roussillon. Sempre majoritária no famoso blend GSM (Grenache, Syrah e Mourvèdre), tem grande penetração nos inúmeros tintos da apelação Côtes-du-Rhône, por exemplo.

Como vinho, a branca Ugni Blanc tem desempenho irrisório, tanto na quantidade, como na qualidade. Contudo, estamos falando da região de Charentes-Cognac, onde se elabora o destilado mais famoso da França, Cognac. São mais de oitenta mil hectares de vinhas onde a Ugni Blanc tem presença quase absoluta, conhecida localmente como Saint-Emilion.

uvas frança

Resumo de 85% do plantio francês

Em quarto lugar, temos a Syrah, a mesma Shiraz tão famosa em terras australianas. Apesar de sua fama ser oriunda dos grandes vinhos do Rhône-Norte designados nas apelações Hermitage, Côte-Rôtie, Cornas, St-Joseph, entre outras, as grandes áreas de cultivo estão no sul da França, principalmente no Languedoc-Roussillon.

Em quinto e sexto lugar, temos as famosas Cabernet Sauvignon e Chardonnay, cabeça a cabeça nesta disputa. A primeira reina em Bordeaux, sobretudo na chamada margem esquerda, enquanto a segunda é soberana na Borgonha, gerando os grandes brancos franceses.

Neste quadro temos 85%  dos vinhedos franceses com uvas acima de 1% (área plantada) no cômputo geral. Os 15% restantes formam um conjunto numeroso de uvas pouco conhecidas que individualmente apresentam produções insignificantes.

surface france

queda progressiva ao longo dos anos

Em termos de regiões, o Languedoc-Roussillon sempre esteve em primeiro lugar. Outrora, muito mais. Em segundo lugar, temos a Aquitania com a enorme região de Bordeaux, além de áreas periféricas. O Vale do Rhône é outra região numerosa em vinhas, incluindo no quadro a Provence. Não podemos esquecer de Charentes-Cognac onde suas vinhas tem produção expressiva. O restante vai se diluindo a partir da Borgonha e Loire em áreas cada vez mais diminutas.

regiões francesas vinhas

sul da França: um mar de vinhas

Em termos mundiais, a ordem dos fatores muda. A Cabernet Sauvignon fica com o primeiro lugar, seguida de perto pela Merlot. Para quem não conhece, temos a branca Airen da Espanha em terceiro lugar. Muito cultivada em La Mancha, região vinícola de área extensa, gera vinhos sem grandes atrativos. Porém, muito desses vinhos são destinados para a elaboração dos bons brandies espanhóis. As demais uvas não causam surpresas, exceto a  branca Trebbiano. De grande cultivo na Itália, gera vinhos um tanto neutros. Na França, é conhecida como Ugni Blanc, da qual já falamos. Uva base para a elaboração do Cognac e de grande presença na respectiva região.

Uvas mais plantadas no Mundo

1 – Cabernet sauvignon sur 290 091 ha (+31 % par rapport à l’an 2000), soit 6 % du vignoble mondial.
2 – Merlot noir sur 267 169 ha (+26 %), soit 6 % du vignoble mondial.
3 – Airen blanc* sur 252 364 ha (-35 %), soit 5 % du vignoble mondial.
4 – Tempranillo noir sur 232 561 ha (+150 %), soit 5 % du vignoble mondial.
5 – Chardonnay blanc sur 198 793 ha (+37 %), soit 4 % du vignoble mondial.
6 – Syrah noire sur 185 568 ha (+83 %), soit 4 % du vignoble mondial.
7 – Grenache noir sur 184 735 ha (-14 %), soit 4 % du vignoble mondial.
8 – Sauvignon blanc sur 110 138 ha (+70 %), soit 2 % du vignoble mondial.
9 – Trebbiano toscano blanc sur 109 772 ha (-20 %), soit 2 % du vignoble mondial.
10 – Pinot noir sur 86 662 ha (+45 %), soit 2 % du vignoble mondial.

Enfim, esses são os panoramas das uvas francesas dentro e fora da França. Pelo quadro acima, fica claro a supremacia das mesmas no cenário mundial, ou seja, das dez primeiras, sete são francesas. Nada mal …

O destino das uvas

5 de Fevereiro de 2016

Quando pensamos em vinho, não nos atentamos ao produto original chamado uva. Pois bem, como o planeta trabalha este produto e seus diversos fins na agricultura e consumo? Veja quadro abaixo, num estudo idôneo elaborado pela OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho).

produção mundial 2015

Esquema Mundial

Temos um vinhedo mundial com aproximadamente sete milhões e quinhentos mil hectares de vinhas (7573 mha). Neste vinhedo é gerada uma produção de setecentos e trinta e seis milhões de quintais de uva (736 Mqx). Só para saber, um quintal (medida antiga) é equivalente a cem quilos. Portanto, fazendo as contas, temos um rendimento médio mundial de aproximadamente nove mil e setecentos quilos de uva por hectare (97 ql/ha). Evidentemente, um número muito acima para vinhos de qualidade, por exemplo.

areas de vinhas

As cinco maiores áreas de vinhas

Efetivamente, trabalha-se com setecentos milhões de quintais de uva (699 Mqx), pois cerca de trinta e sete milhões são desperdiçados no processo (uvas inadequadas, podridão, perdas na colheita, etc …).

Continuando no esquema, quatrocentos milhões de quintais  (399 Mqx) são destinados à produção de vinhos e sucos, sendo 358 Mqx para vinhos e o restante para sucos. O volume mundial de vinhos gira em torno de 270 Mhl (duzentos e setenta milhões de hectolitros). Isso transformado em garrafas, nos dá um número astronômico de 36 bilhões de garrafas por ano. Pouco menos de seis garrafas por ano para cada habitante do planeta. Ainda bem que estamos acima da média. Eu, pelo menos …

É importante notar que as uvas são computadas em peso. Já o mosto de uvas e o próprio vinho são computados em volume. Nesta conversão existe uma perda natural, ou seja, precisamos em média de 1,3 Kg (um quilo e trezentos gramas) de uvas para produzir um litro de vinho. Neste processo, após espremermos as uvas, o peso da engaço (estrutura ramificada que dá sustentação aos grãos de uva), das cascas, do bagaço, e das sementes, são descartados. Conforme esquema, 358 Mqx de uvas geram 270 hectolitros de vinho.

O restante da produção mundial (300 Mqx), trezentos milhões de quintais, são destinados ao consumo in natura de uvas frescas, e uma pequena parte, de uvas passas. Respectivamente, 248 Mqx (frescas) e 52 Mqx (passas). Lembrando que precisamos de 4 Kg de uvas frescas para fazer 1 Kg de uvas passas. Daí, o preço bem maior do produto.

vinhos e uvas

utilização da uva no mundo (2000 a 2014)

Em resumo, aproximadamente pouco mais da metade das uvas (55%) do planeta são destinadas para o vinho, 35% para consumo de uvas de mesa, e o restante, entre sucos e uvas passas. Se levarmos em conta o rendimento para se fazer uvas passas, em peso efetivamente, a produção mundial não chega a dois por cento (2%).

Os cinco primeiros países na produção de uvas para consumo in natura (uvas frescas) são: China, Índia, Turquia, Irã e Itália. Só a China produz mais do que todos os outros quatro concorrentes juntos. São quase 85 Mqx (milhões de quintais) dos 247 Mqx do mundo.

Outra observação do gráfico acima é o acréscimo de consumo de uva in natura e o consequente decréscimo na produção de suco em termos mundiais. Entretanto, a indústria de suco de uva no Brasil atualmente vai de vento em popa. Um mercado em expansão e com forte caráter para a exportação.

Só para completar, os espumantes responde por cerca de 7% (sete por cento) da produção mundial de vinhos, enquanto os vinhos rosés giram em torno de 8% da produção mundial.

OIV 2015: Panorama Mundial

27 de Julho de 2015

Em recente congresso da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) realizado em julho deste ano (2015), mostraremos a seguir os dados atuais do mundo da uva e do vinho no cenário mundial.

A superfície do vinhedo mundial gira em torno de sete milhões e quinhentos mil hectares de vinhas. A Europa respondem por pouco mais da metade desta área (54%), seguida pela Ásia (24%) e as Américas (14%). África e Oceania têm porções diminutas. A tendência atual é o forte crescimento da China e o decréscimo de países como França, Itália e Espanha. Nesses países europeus as regiões e denominações de origem estão bem alicerçadas, caminhando portanto, para uma natural estabilização.

OIV 2015 Uvas e Vinhos

Cenário Mundial: destinação das uvas

Os maiores produtores de uvas, independente qual seja sua destinação, são: China, Estados Unidos, França, Itália e Espanha. Quanto à destinação, a França praticamente resume-se à produção de vinhos. Já Itália e Espanha, uma pequena parte (em torno de um sexto da produção de cada país) é destinada para consumo in natura, sendo o restante para vinhos. No caso da China, inverte-se a situação. Grande parte dos vinhedos é para consumo in natura e cerca de um sexto da produção, para a indústria vinícola. Em relação aos Estados Unidos, um terço dos vinhedos é destinado à produção de uvas passas e também consumo in natura. O restante fica para a produção vinícola, a quarta na hierarquia mundial, como sempre.

Na produção de vinhos, o número mundial está na ordem de 270 milhões de hectolitros, sendo que França e Itália respondem por aproximadamente um terço deste valor. Os países que vem crescendo proporcionalmente na produção de vinhos são: Estados Unidos, China, África do Sul, Chile e Nova Zelândia.

OIV consumo mundial

Consumo mundial: América e Ásia ganhando terreno

O consumo mundial de vinhos em torno de 240 milhões de hectolitros divide-se entre Europa (60%), Américas (24%) e Ásia (10%). Oceania e África ficam com o restante. China e Rússia sinalizam para um crescimento maior no consumo, enquanto países tradicionais como França, Itália e Espanha, continuam em queda. Em termos absolutos, o maior consumidor são os Estados Unidos, seguido de França, Itália e Alemanha.

De uma maneira geral, pouco mais da metade da produção mundial de uvas é destinada à vinificação, enquanto a outra metade fica praticamente destinada ao consumo in natura. Somente uma pequena parte da produção mundial (7%) vai para a elaboração de uvas passas. Lembrar que são necessários quatro quilos de uvas frescas para um quilo de uvas passas.

OIV 2015 mercado mundial

Crescimentos dos espumantes nas exportações

No quesito exportações em valores, temos: 18% espumantes, 71% vinhos engarrafados, e 11% vinhos a granel. Os maiores exportadores de vinhos continuam sendo França, Itália e Espanha, em valores. O Chile assumiu a quarta posição tanto em valores, como em volumes.

Nas importações, outro trio de ferro continua reinando, Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, nesta ordem em termos de valores. Quando falamos em volumes, A Alemanha assume a ponta, trocando de posição com os Estados Unidos.

OIV Roses

Rosés: 10% do consumo mundial de vinhos

OIV Roses Mercado

França: Liderança absoluta

Estatísticas recentes apontam para um crescimento mundial de consumo do vinho rosé. Atualmente, fica em torno de 24 milhões de hectolitros. A França lidera este consumo com uma fatia de 37%, seguida pelos Estados Unidos (12%), Alemanha (9%) e Reino Unido (6%).

Exportação espumantes

Espumantes: Participação crescente na exportação

Quanto aos espumantes, a produção mundial gira em torno de dezoito milhões de hectolitros por ano, 7% da total de vinhos produzidos. Neste cenário; França, Itália, Alemanha, Espanha e Rússia, nesta ordem, respondem  por cerca de três quartos da produção mundial. O consumo de espumantes cresceu 30% na última década, sendo a Alemanha o país líder neste quesito, seguida por França, Rússia, Estados Unidos e Itália. Na exportação de espumantes, a França lidera com folga em termos de valores com 53% do mercado. Em seguida, vêm Itália (21%) e Espanha (9%). Já em volumes, a Itália assume a ponta, seguida pela Espanha. Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha, são os grandes países importadores de espumantes em valores, respectivamente.

Retrospectiva 2014

2 de Janeiro de 2015

É meus amigos, o tempo passa. São cinco anos de Vinho Sem Segredo! Quase quinhentos artigos! E todos inteiramente dedicados a vocês que leem, aprovam, prestigiam e divulgam. E podem ter certeza que cada frase, cada pensamento, escrito nesses artigos é em primeiro lugar, respeito à sua inteligência, a seu precioso tempo dedicado à leitura, e a todos aqueles que neste mundo do vinho e gastronomia são bombardeados com ideias, pensamentos e afirmações, que promovem um desserviço à arte do bem beber e do bem comer. Como se diz: o Google aceita tudo. E é nesta avalanche das eno-notícias que existem inúmeros artigos insípidos, inodoros e incolores. Pesquisar, elaborar e tentar ser conciso, sem enrolações, não é tarefa fácil. Paciência, consistência, busca pela perfeição, é alguma das coisas que um grande vinho nos ensina, como o da foto abaixo, um dos melhores degustados em 2014.

Um dos maiores Bordeaux da história

Portanto, deixo aqui meus sinceros agradecimentos a vocês na promessa de sempre melhorar, pesquisar, estudar e contribuir para a divulgação e esclarecimentos da enogastronomia. Este blog é e sempre será, isento de patrocínios ou qualquer outro apoio comercial, a fim de garantir de maneira absoluta e tranquila sua total independência na liberdade de expressão e textos. Feliz 2015, repleto de realizações!

Here’s an excerpt:

The Louvre Museum has 8.5 million visitors per year. This blog was viewed about 94,000 times in 2014. If it were an exhibit at the Louvre Museum, it would take about 4 days for that many people to see it. Segue abaixo, um pequeno resumo do blog em 2014.

Click here to see the complete report.

Vitivinicultura Brasileira: Panorama 2014

4 de Dezembro de 2014

Em recente visita ao Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), fomos informados de diversos dados atuais referentes ao cenário vitivinícola do Brasil. Portanto, mostraremos alguns gráficos abaixo, sendo muitos deles surpreendentes em números, e nos fornecendo novos cenários para o futuro.

ibravin 1

Balanço de uvas viníferas/americanas

Neste primeiro gráfico percebemos a importância das uvas americanas em nosso mercado, quer seja para o consumo in natura, vinhos de mesa e atualmente com uma demanda muito grande para a produção do suco de uva.

Ibravin 2

Destinação da uvas no Rio Grande do Sul

A confirmação da forte ascensão do suco de uva nos últimos anos é notável pelo gráfico acima. Do mesmo modo, a queda vertiginosa do vinho a granel, felizmente. E por fim, uma certa estabilização no mercado de vinhos finos e espumantes.

Iravin 3

Evolução do consumo nacional de vinhos

O consumo nacional de vinhos é ascendente nas últimas décadas, embora com fases diversas no ritmo de crescimento. O consumo dos importados é sempre crescente, sem sinais de estabilização, por enquanto. Já o vinho fino nacional houve queda no cômputo geral e ultimamente, com leve crescimento.

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Polos importantes para vinhos finos no Brasil

Na busca de reconhecimento para vinhos de qualidade, o mapa acima mostra as principais regiões vinícolas brasileiras, sobretudo e quase que exclusivamente, o estado do Rio Grande do Sul, responsável por pelo menos noventa por cento do vinho nacional, com projetos em andamento para o reconhecimento oficial das Indicações de Procedência. O Vale dos Vinhedos (Serra Gaúcha) é por enquanto a única sub-região com Denominação de Origem Reconhecida.

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Grande arrancada em 2014

As exportações brasileiras a partir de 2012 mostraram-se bem mais agressivas com destaque para 2014, onde o crescimento foi vertiginoso. Os países em foco são Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, China e Alemanha, conhecidos mundialmente como grandes importadores. Esses países gostam do lado clássico, tradicional dos vinhos, mas apreciam também as novidades e exotismos.

Ibravin 6População brasileira: cinco vezes maior que a Argentina

 Dentre os principais países vinícolas do Mercosul, a disparidade per capita brasileira em consumo de vinhos é imensa. Por outro lado, as perspectivas de crescimento são enormes. Portanto, existe um longo trabalho no campo da educação e poder aquisitivo para boa parte da população de nosso país.

OIV: Últimas Tendências em 2014

28 de Julho de 2014

Os últimos números da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) foram mostrados na conferência da entidade em Paris no mês de maio de 2014. Evidentemente, não são ainda números definitivos, mas muito próximos da realidade. A produção mundial de vinhos que vem caindo ao longo do tempo nos tradicionais países europeus não é novidade para ninguém. Entretanto, a Espanha (tradicionalmente como terceiro produtor mundial) surpreende com sua crescente produção, ocupando pela primeira vez a segunda posição num empate técnico com a Itália (44,7 milhões de hectolitros anuais contra 44,9 milhões da Itália).

Quanto ao consumo mundial, cinquenta por cento dele está concentrado em cinco países: 12% França, 12% Estados Unidos, 9% Itália, 9% Alemanha e 7% China. As tendências de queda ficam por conta de Espanha e Itália, enquanto as maiores altas estão concentradas em China e Austrália.

O comércio mundial de vinhos soma cifras de mais de 25 bilhões de euros e volume de quase 10 bilhões de litros de vinho. Esses números são divididos em espumantes, demais vinhos em garrafa, e em embalagens superiores a dois litros, conforme quadro abaixo:

OIV comercio 2014Espumantes: valor agregado alto

Nas exportações, o trio de ferro (França, Itália e Espanha) lidera o ranking como sempre. Austrália e Chile puxam a fila com uma briga ferrenha nos últimos anos. Estados Unidos e Alemanha, além de serem grandes importadores de vinho, disputam palmo a palmo a quinta e sexta posições na tabela.

Quanto às importações, treze países somam mais de 75% do total importado em valores e volumes. Tradicionalmente, Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha estão na ponta. Em seguida, Canadá, China e Japão formam mais um trio de respeito, conforme quadro abaixo:

OIV importação 2014

Rússia em grande ascensão

Os maiores grupos importadores continuam sendo europeus com mais de cinquenta por cento dos valores globais. Em seguida, vêm os grupos americanos, seguidos de perto pelos asiáticos, perfazendo um total de quase quarenta por cento. América do Sul, Oceania e África, completam o quadro com participações bem modestas.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes (FM 90,9) às terças e quintas-feiras. Pela manhã, no programa Manhã Bandeirantes e à tarde, no Jornal em Três Tempos.

OIV: Tendências e Atualizações Mundiais

8 de Julho de 2013

Já é de praxe neste blog, informarmos as tendências e atualizações mais recentes no mundo do vinho através da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho). Este último congresso ocorreu em Bucareste no mês de junho deste ano. Algumas das últimas previsões se confirmam com destaque para a China, a estabilização do Velho Mundo, e certo crescimento no chamado Novo Mundo, particularmente nas Américas e Ásia.

A primeira constatação é que a área mundial de vinhedos vem caindo ano a ano de maneira discreta, chegando aos sete milhões quinhentos e vinte e oito mil hectares em 2012. Neste número há uma clara tendência de decréscimo nos vinhedos europeus, e acréscimo nos vinhedos asiáticos e americanos (principalmente América do Sul).

Quanto à produção total de uvas para diversas finalidades, não só a produção de vinhos, há uma certa estabilização, sendo que em 2012 este número deve ficar em seiscentos e noventa milhões de quintais (um quintal aproximadamente cem quilos). A China lidera com folga este ranking, seguida pela Itália e Estados Unidos.

OIV 2013 PRODUÇÃO VINHOSProdução Mundial de Vinhos

Na produção mundial de vinhos (vide gráfico acima), os três gigantes europeus seguem na liderança, porém sempre em tendência de queda. Já os Estados Unidos solidifica cada vez mais a quarta posição. O mesmo não acontece com a Argentina que manteve por longo tempo a quinta posição. Agora, China, Austrália e Chile, disputam a mesma com vantagem para os chineses que apresentam números de forte crescimento, a despeito da qualidade. A produção mundial deve ficar em duzentos e cinquenta e dois milhões de hectolitros que em outros tempos já superou a marca de trezentos milhões de hectolitros.

OIV 2013 CONSUMO  VINHOSConsumo Mundial de Vinhos

Quanto ao consumo mundial de vinhos (vide gráfico acima), a França ainda lidera, ameaçada fortemente pelos Estados Unidos. Alemanha e Reino Unido mantêm-se relativamente estáveis, enquanto a China dá um salto expressivo. Rússia e Canadá também destacam-se neste crescimento. A Itália e Espanha, grandes produtores, amargam forte decréscimo no consumo entre seus habitantes.

OIV 2013 IMPORTAÇÃO VINHOSPrincipais países importadores

Quanto à importação mundial, o quadro acima é bastante elucidativo nos tipos de vinhos que são comercializados. Vejam que a França não tem nenhum problema em importar vinhos em embalagens maiores. É mais barato e muitas destas embalagens tem um sistema a vácuo que preservar o vinho até as últimas taças a serem consumidas. Evidentemente, trata-se de vinhos para o dia a dia, sem maiores rituais. A importação de espumantes expressiva no Japão vai de encontro com sua gastronomia bastante típica. China e Canadá por exemplo, concentram-se em importações de vinhos engarrafados. O trio de ferro da importação permanece no topo (Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha).

OIV 2013 PRODUCÃO COMPARATIVA

Comparativo entre 2000 e 2012

Voltando à produção mundial de vinhos, o comparativo acima mostra que o bolo gradativamente está sendo fatiado com menor predominância do chamado Velho Mundo, embora sua liderança ainda seja expressiva. Além do crescimento chinês, o Chile continua expandindo seus vinhedos de norte a sul. A multiplicação de seus vales, buscando ao mesmo tempo uma identidade de terroir é notável. O vinhedo australiano também tem se expandido. A exemplo do Chile, a Austrália motiva-se neste crescimento, pois esses dois países travam uma batalha de gigantes no competitivo mundo dos maiores exportadores de vinho do chamado Novo Mundo.

Os últimos dados da OIV em 2011

19 de Julho de 2012

Segundo dados da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) no último congresso na Turquia, os números de 2011 para a vitivinicultura mundial são os seguintes:

Os principais países europeus na última década diminuiram suas áreas de vinhedos, conforme gráfica acima. É a menor área de vinhedos desde o ano 2000, perfazendo um total de 7.585.ooo hectares. A Espanha hoje, possui pouco mais de um milhão de hectares, número este que já foi superior a um milhão e trezentos mil hectares. Contudo, o Novo Mundo mantem um ritmo de crescimento, com atenção especial à Nova Zelândia. Este país, que já foi modelo para vinhos surpreendentes, sobretudo o famoso Sauvignon Blanc, mostra grande expansão de área cultivada, compremetendo seriamente a noção de terroir, com muitos vinhos atualmente diluídos.

 Quanto à produção de uvas frescas (consumo in natura), a China deu um salto monumental, com mais de sessenta milhões de quintais produzidos (um quintal equivale a 100 quilos), bem acima de seus concorrentes como Índia, Turquia, Iran e Itália.

 Na produção mundial de vinhos, os cinco primeiros países permanecem inalterados; França, Itália, Espanha, Estados Unidos e Argentina. Mas olha aí a China chegando gente! Já é o sexto produtor mundial, superando países como Austrália, Chile, África do Sul e Alemanha. Hoje a produção mundial de vinhos gira em torno de 265 milhões de hectolitros, com França e Itália perfazendo um terço desta produção.

No consumo mundial de vinhos, a França ainda lidera, bastante incomodada com os Estados Unidos. Da mesma forma, Itália e Alemanha sentem a força da China, chegando forte em quinto lugar.

 Nas exportações mundiais em termos de volume, a Itália como sempre segue absoluta. A Espanha toma o segundo lugar da França, num salto extremamente expressivo. Austrália e Chile, sempre na briga ferrenha pela quarta colocação.

Maiores informações: OIV (www.oiv.org)


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