Posts Tagged ‘NAPOLÉON’

Cognac et Armagnac

30 de Julho de 2015

Neste período de inverno, os destilados de uma maneira geral ganham força no consumo solo, sem misturas,  fruto dos inúmeros coquetéis tendo-os como base. É o caso do Whisky, Rum, Tequila, e os mais finos destilados de uvas: Cognac e Armagnac. Esses temas são abordados neste mesmo blog em artigos específicos sobre destilados. Contudo, vale a pena vez por outra, salientarmos as informações importantes mencionadas em seus rótulos para termos total certeza do que temos em mãos.

Um raro Cognac Millésime

Cognac

Os melhores Cognacs procedem de regiões específicas no centro da apelação com as menções no  rótulo: Grande Champagne, Petite Champagne ou Fine Champagne. As duas primeiras são muito mais raras de serem encontradas e denotam grande tipicidade do terroir, onde a proporção de calcário no solo é bastante expressiva, fornecendo finesse  à bebida. Já Fine Champagne, com mais ofertas no mercado, mescla uvas dos dois terroirs acima citado, contendo no mínimo 50% de Grande Champagne. Se não houver menção destas expressões no rótulo, subentende-se que os destilados vêm de zonas mais periféricas da apelação.

Outro fator de dúvida com diversas expressões nos rótulos é o tempo de envelhecimento em madeira da bebida. Sabemos que para afinar o paladar do Cognac e assim gerar toda uma trama aromática diferenciada é preciso tempo de descanso em tonéis de carvalho. Mesmo que o Cognac provenha de terroirs mais nobres, citados acima, no início de seu processo de envelhecimento ainda é um diamante bruto a ser lapidado. Portanto, é bom lembrar do esquema abaixo, o qual resumo visualmente o assunto.

As várias expressões de envelhecimento

O tempo de envelhecimento mínimo da bebida para comercialização são dois anos dado pelas expressões VS ou *** (três estrelas). Toda vez que falamos em tempo de envelhecimento em madeira, nos referimos ao Cognac mais novo do blend, já que praticamente todos os Cognacs são misturas de várias safras. Os Cognacs ditos safrados ou Millésimes estão cada vez mais raros e caros. Estes devem mencionar no rótulo o ano da colheita em questão. Subindo na escala, temos o VSOP ou Réserve, para eau-de-vie com pelo menos quatro anos de envelhecimento. Por fim, as expressões Napoléon, XO ou Hors d´âge, as quais preveem pelo menos seis anos de envelhecimento. Evidentemente, os melhores Cognacs com produções diminutas e exclusivas excedem com grande folga estes tempos mínimos, mas temos que confiar em suas descrições e histórias pois legalmente, só os tempos mínimos acima citados são garantidos.

Buscar pela expressão Bas-Armagnac

Armagnac

Este é grande rival francês do astro maior, Cognac. A região situa-se no sudoeste da França, na Gasconha. Fazendo um paralelo em termos de terroir, a menção no rótulo Bas-Armagnac denota a sub-região mais reputada desse destilado. As outras duas regiões, de menor reputação, são Tenarèze e Haut-Armagnac. A produção de Armagnac tem um perfil muito mais artesanal frente a seu rival (Cognac). Afinal, são apenas 15.000 hectares de vinhas contra mais de 70.000 hectares em Cognac.

Quanto ao tempo de envelhecimento, segue o esquema abaixo, lembrando que novamente o tempo mínimo de envelhecimento refere-se à eau-de-vie mais nova do blend.

Armagnac: Legislação no rótulo

Vejam que a expressão VS ou *** (três estrelas) começa apenas com um ano de envelhecimento. Neste caso, a bebida mostra-se bastante ríspida, levando-se em conta o fato de naturalmente o Armagnac quando novo possuir menos finesse que um Cognac de mesma idade. Já as expressões VSOP, XO ou Napoléon, coincidem com as regras de Cognac. Para envelhecimento a partir de dez anos, temos as expressões Hors d´Age (ainda misturas de safras, blends) e os famosos Millésimes com data da colheita. Neste quesito, os Armagnacs safrados são bem mais facilmente encontrados e com preços não tão caros como os raros Cognacs Millésimes. Nesta categoria, podemos encontrar preciosidades com finesse semelhante a seu rival maior.

Cohiba: Edição Limitada

É lógico que um Cohiba Double Corona Edição Limitada não vai se incomodar com a companhia de um Cognac ou Armagnac, desde que estejam na mesma sintonia. Por exemplo, um grande X.O. (Extra-Old). O último terço será de total comunhão.

Terroir: Cognac II

9 de Junho de 2011

Muita gente não faz idéia da importância do Cognac nas exportações francesas. Vinhos e destilados na França em termos de exportações só perde para aviões, ficando à frente dos famosos perfumes. Em 2010, vinhos e destilados geraram 7,9 bilhões de euros nas exportações francesas. Deste total, Cognac ficou com 18%, os vinhos de Bordeaux com 17% e Champagne com 21%. Dentre os destilados exportados, Cognac fica com a expressiva parcela de 65% dos valores.

Assemblage

Dando continuidade ao post anterior, a etapa do assemblage é sem dúvida nenhuma o trabalho intelectual de todo o processo. Exige do chamado “Maître de Chai”, experiência, sensibilidade e perfeita noção de todo o estoque disponível da Maison. Tudo isso envolve safras diferentes, crus diferentes (as várias sub-regiões delimitadas) e idades diferentes de envelhecimento em carvalho.

Assemblage: O pulo do gato

Cada amostra escolhida deve ter sua proporção exata na mistura final, a fim de conferir sua contribuição de corpo, finesse, aromas específicos, dentro dos padrões de cada Maison e de acordo com as denominações de envelhecimento de cada tipo de Cognac, como veremos a seguir:

  • V.S. (Very Special) ou ♦♦♦ (trois étoiles – três estrelas)

É o Cognac básico, onde a aguardente mais jovem da   mistura não pode ter menos de dois anos de envelheciomento em barril.

  • V.S.O.P. (Very Special Old Pale) ou Réserve

A aguardente mais jovem da mistura não pode ser inferior a quatro anos de envelhecimento em barril.

  • Napoléon, X.O., Hors d´âge

A aguardente mais jovem da mistura não pode ser inferior a seis anos de envelhecimento em barril.

  • Millésimes (a data da colheita é mencionada no rótulo)

São Cognacs raros e geralmente das melhores sub-regiões (Grande Champagne e Petite Champagne)

Aromas e Harmonizações

Segundo o Conselho Interprofissional de Cognac (www.cognac.fr), existem mais de 60 aromas catalogados. Dentre estes, cinco são fundamentais e recorrentes: Baunilha, Ameixa, Damasco, Laranja e Caramelo.

Evidentemente, os Cognacs mais jovens e simples apresentam aromas mais frutados e potentes. Já nos Cognacs mais velhos, os aromas de chá, tabaco, chocolate, são mais frequentes. É importante deixar claro, que idade em Cognac significa o tempo de permanência da bebida em madeira. A partir do momento que o Cognac é engarrafado, cessa seu envelhecimento.

Chocolate e laranja: Bela harmonização

Para os amantes de vinho, o momento do Cognac por ser um destilado (legalmente deve conter pelo menos 40º de álcool), é no final da refeição. Com frutas secas, certas sobremesas qeu envolvam chocolate, laranja, damascos, café, especiarias e outros ingredientes que instiguem os aromas da bebida. A foto acima é um bom exemplo.

Outra combinação clássica são os charutos. Para muitos, chega a ser insubstituível. Charutos mais potentes pedem Cognacs mais jovens e robustos. Já um Hoyo de Monterrey Double Corona, por sua extrema finesse, evoca os grandes Cognac envelhecidos e dos melhores crus (Grande e Petite Champagne).

 

 


%d bloggers like this: