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À Droite, s´il vous plaît!

2 de Setembro de 2017

Quando Miles no filme Sideways (entre umas e outras) tentou execrar a casta Merlot, esqueceram de informa-lo que um certo vinho de nome Petrus, utiliza quase integralmente esta uva. Imbecilidades à parte, o filme vale pela divertida história, enaltecendo a delicada Pinot Noir. Entretanto, mais do que Merlot, Petrus é acima de tudo um Pomerol. E esta palavrinha para os amantes de terroir diz tudo. Portanto, vamos à chamada Margem Direita de Bordeaux, procurar alguns amigos do Astro-Rei, e também alguns “intrusos” muito bem-vindos.

Tudo transcorreu num belo almoço entre amigos no restaurante Chef Vivi com quatro exemplares de primeiríssima linha das terras de Pomerol e Saint-Emilion. No meio da brincadeira, dois italianos de grande prestígio encararam os bordaleses de frente, sem se intimidarem. Na sequencia, vocês entenderão.

julio cristal 2004

Tudo na vida deveria começar com champagne e suas borbulhas mágicas. E como começou bem! Logo de cara, um Cristal 2004 da respeitabilíssima Casa Louis Roederer. Com leve predomínio de Pinot noir sobre a Chardonnay, esta Cuvée de Luxo passa cerca de cinco anos sur lies, tempo suficiente para conferir textura e complexidade ao conjunto. Seus aromas de pralina são marcantes e típicos. Merece com louvor 97 pontos. Nada mau!

alguns pratos do Chef Vivi

A posta de tainha devidamente grelhada com tubérculos levemente agridoces foi providencialmente escoltada pelo suntuoso Cristal 2004. Já a sopa de beterrabas ao lado, promoveu uma instigante combinação com os Merlots. Tanto a acidez dos vinhos, como o lado de fruta intensa desses tintos, foram bem reverberados com a sopa. Surpreendente!

julio apparita trotanoy e gomerie

grande expressão da Merlot em três versões

No primeiro embate de Merlots, um Saint-Emilion de garagem, um Pomerol do time de cima, e talvez o mais elegante Merlot italiano, L´Apparita 2004 da Azienda Castello di Ama, que dispensa apresentações. Apesar de seus mais de dez anos de vida, um frescor imenso, muita fruta vibrante ainda, aromas de cacau encantadores, e um estilo delicado de Merlot, sem perder a profundidade. Encarou com uma altivez impressionante o belíssimo Trotanoy 2005 de nota 98+, ainda muito tímido e fechado. Mesmo com mais de três horas de aeração, estava certamente numa fase de latência, onde o vinho se fecha por um certo período, para mais tarde desabrochar e justificar seu enorme carisma. Trotanoy pertence ao grupo de vinhos de Christian Moueix, dono do Petrus, e está certamente no Top Five dos grandes Pomerols.

O terceiro do flight era o Chateau La Gomerie 2005, grande safra em Bordeaux, um “vin de garage” 100% Merlot. Tinto de micro produção com 800 caixas por ano. Foi sem dúvida, o mais prazeroso para ser provado no momento. Bela concentração de sabor, super equilibrado, inclusive em termos de madeira, já que passa 100% por barricas novas. É o tal negócio, quando o vinho tem estrutura, a barrica lhe faz muito bem. 95 pontos bem referendados.

julio masseto e clinet

concentração e força neste duelo franco-italiano

Finalmente, um embate de gigantes, sobretudo em termos de estilo e potência. Do lado italiano, Masseto 2007, um Merlot de Bolgheri, de terroir com influência marítima, próximo ao mar Tirreno. Costuma ser um tinto mais muscular, sem contudo perder a elegância e equilíbrio. Muita concentração, muita vida pela frente, mas já encantador. Fez bonito diante de seu rival francês, Chateau Clinet 2009, 100 ponto Parker. Não é muito meu estilo de Pomerol, mas o vinho apresenta uma estrutura impressionante com taninos mastigáveis. Certamente, um infanticídio. Seu auge está previsto para 2040.

julio chef vivi ancho e legumes

bife ancho com legumes

O prato acima foi providencial para este ultimo flight onde intensidade de sabores, textura mais corpulenta, e taninos mais presentes, deram as mãos para este bife ancho suculento com legumes e redução de balsâmico. Belo fecho de refeição com sabores e texturas plenas.

julio VCC 1990

aos 27 anos o patinho feio vira cisne

Deixamos para o final, delicadeza, elegância, sutileza. Encerrando em grande estilo, um Pomerol da safra 1990, Vieux-Chateau-Certan. Pertencente à família Thienpont, proprietária também do exclusivíssimo Le Pin, este Pomerol de vinhas antigas (mais de 50 anos), apresenta um corte inusitado, lembrando de certa forma, um Margem Esquerda. 60% Merlot, 30% Cabernet Franc, e 10% Cabernet Sauvignon. A alta pedregosidade do solo explica esta proporção acentuada de Cabernets. O vinho encontra-se no auge com seus aromas terciários já desenvolvidos, sugerindo tabaco, couro, toques balsâmicos e terrosos. Enfim, a magia dos grandes Bordeaux envelhecidos. Joanna Simon, grande escritora inglesa, sugere um autêntico Camembert não muito evoluído e na temperatura ambiente para apreciação desses vinhos num final de refeição.

julio fargues 2004

rótulo belíssimo!

Como ninguém é de ferro, que tal um Chateau de Fargues 2004 para encerrar o sacrifício! Tirando o todo poderoso Yquem, Fargues para muitos é a segunda opção, e das mais seguras. Pertencente à mesma família Lur Saluces, Fargues também é nome da comuna contigua à Sauternes, formando este terroir abençoado pela Botrytis Cinerea. Este provado, estava super delicado, um balanço incrível entre acidez e açúcar, além de toda a complexidade aromática e textura inigualável desses brancos sedutores. Nem precisou de sobremesa, tal sua persistência aromática e expansão em boca.

Resta-me somente agradecer aos amigos, especialmente ao Julio por sua imensa generosidade, proporcionando momentos tão agradáveis e ao mesmo tempo, didáticos no aprendizado de Bacco. Vida longa aos confrades!

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Cozinha Libanesa sem GPS

9 de Julho de 2017

Pessoas especiais para se deliciar com a melhor comida árabe de São Paulo em local não identificado, onde o maior restaurateur de São Paulo bateu palmas. E olha que ele é exigente e fiel aos clássicos. Sem mais delongas, vamos ao desfile de grandes vinhos e pratos.

o bem receber …

Como exceção aos tintos, brindando os convivas, o irretocável champagne Cristal 2006. Um assemblage com leve predominância da Pinot Noir sobre a Chardonnay das melhores cuvées da Maison Louis Roederer, lentamente envelhecida sur lies por cinco anos, antes do dégorgement. Elegância, personalidade, e aqueles aromas de praline inconfundíveis. Daqui pra frente, é só manter o nível …

raul cutait decantação

decantação à vela

Acima de tudo, com larga predominância dos tintos bordaleses, foi uma grande aula de como esses vinhos evoluem no tempo, mostrando cada qual em sua época, a incontestável qualidade, tipicidade, e estrutura, de um terroir impar, independente de qual margem estivermos falando.

raul cutait palmer 2005

grande promessa!

Começando com o Palmer 2005 em garrafa double Magnum, 97 pontos Parker, com apogeu previsto entre 2040 e 2050. Um bebê ainda, mas aquele bebê Johnson, lindo e perfeito. Uma estrutura poderosa, taninos de rara textura, uma explosão de frutas, além de longa persistência. Evidentemente, falta integração entre seus elementos, e os fantásticos aromas terciários que certamente virão com o tempo. Daqui a uns vinte anos a gente se encontra …

raul cutait la mission 94

23 anos e muito fôlego

Agora mais dez anos no tempo, vamos ao La Mission Haut Brion 1994 em Magnum. Aqui já vemos um Bordeaux se preparando para o apogeu. Com pouco mais de 20 anos, ainda tem vigor, alguns segredinhos a confessar, mas está delicioso. Foi um convite à mesa, para escoltar as delicadas iguarias da anfitriã.

raul cutait angelus 95

garrafa muito bem adegada

Outro contemporâneo do vinho anterior, o estupendo Angelus 1995 de conservação impecável do mestre Amauri de Faria, comandante da importadora Cellar, uma das mais diferenciadas do mercado. É inacreditável a estrutura tânica deste tinto, um margem direita com proporções iguais entre Merlot e Cabernet Franc. Ainda tímido nos aromas, mas com uma mineralidade incrível. Seus taninos massivos, porem ultra finos, vão precisar de mais uma década de polimerização. Os aromas devem acompanhar esta evolução. Quem viver, verá!

terroirs diferenciados

Agora os adoráveis 89, Chateau Léoville Las Cases e o Premier Chateau lafite. Neste embate, fica muito claro a hierarquia de classificação e o desempenho de cada um nesta safra específica. Começando pelo Léoville em garrafa Magnum, não foi uma grande safra para este chateau, embora esteja longe de desapontar. Pelo contrário, é um Léoville mais delicado, sem aquela pujança habitual. Seus aromas já bem desenvolvidos, mostra uma boca afável e extremamente prazerosa.

e os pratos se sucedem …

Por outro lado, temos o Lafite 89 num desempenho equivalente em termos de safra. Contudo, é um Premier Grand Cru Classe de grande personalidade. É uma espécie de Borgonha de Pauillac com muita elegância e sutileza. Atrás de uma aparente fragilidade, temos uma estrutura de aço, capaz de evoluir por longos anos. Aqui o terroir fala alto, num vinho sempre misterioso e intrigante.

raul cutait latour 64

a nobreza de um vinho

Finalmente, vamos um pouquinho mais longe no tempo. Que tal 1964? aquele tempo em que tínhamos de consultar os livros, e não o google. Para falar deste época, precisamos de um Pauillac de peso, sempre imponente, o todo poderoso Chateau Latour. As duas garrafas abertas com pequenas diferenças, mostraram didaticamente o que é de fato um grande Bordeaux envelhecido. Taninos totalmente polimerizados, os clássicos aromas de cedar box, couro envelhecido, e notas minerais. Equilíbrio perfeito com grande expansão em boca. Outra maravilha para os belos pratos servidos.

raul cutait clos vougeot 89

 o que diria Babette …

Agora os bem-vindos intrusos …

Depois desta avalanche de bordaleses, só mesmo Madame Leroy  e Aldo Conterno para mudar a rota sem sobressaltos. Clos de Vougeot é com certeza o maior e mais polêmico Grand Cru da Borgonha. Não é para menos, 50 hectares de vinhas para cerca de 80 proprietários. Um verdadeiro latifúndio na Terra Santa. Aí você vai neste palheiro e pinça uma agulha chamada Madame Leroy. Além da ótima safra 89, este é um “mise en bouteille au domaine”, o que faz toda a diferença. Luxuriante, sedutor, delicado e ao mesmo tempo profundo, marcante. Seus aromas de sous-bois são de livro. Este merecia estar presente no clássico “A Festa de Babette”.

raul cutait granbussia 90

Granbussia e os Trockenbeerenausleses

Completando a intromissão, Aldo Conterno Granbussia Riserva 1990 em Magnum. Os franceses diriam baixinho: “este vinho é tão bom que nem parece italiano”. Que maravilha de Barolo! Que taninos! Que elegância!. Fica difícil tomar outros Barolos. Embora já delicioso, sua estrutura permite ainda grandes voos. Talvez um Filetto alla Rossini seja uma bela companhia com mais alguns anos de guarda. 

Enfim, chegamos ao final do sacrifício. O que acompanhar “comme  il faut” esses doces maravilhosos e tentadores. Só mesmo um Trockenbeerenauslese 1975 elaborado com as desconhecidas uvas Sieger e Huxelrebe, suscetíveis ao ataque da Botrytis Cinerea, provocando alta concentração de açucares, e ao mesmo tempo, conservando uma acidez notável. Esse palavrão conhecido como TBA, quer dizer literalmente “seleção de bagos secos”, fenômeno inerente à ação do fungo. São vinhos muito raros na Alemanha, só ocorrendo em determinadas sub-regiões e em safras específicas. Costumam ter concentração de açúcar perto de 300 gramas por litro, frente a uma acidez tartárica de mais de 10 gramas por litro, equivalente a vinhos-bases de Champagne.

o paraíso é doce!

Neste exemplar degustado, apresentou-se com uma cor marron escura, própria de vinhos envelhecidos neste estilo. Afinal, são mais de 40 anos de vida. Os aromas denotavam frutas secas escuras como ameixas, figos e tâmaras, um toque de ruibarbo, e a nota de acetona, próprio de vinhos botrytisados. O equilíbrio entre doçura e acidez era notável, além de longa persistência final. Assemelhou-se muito a Tokaji antigos acima de 6 puttonyos, ou seja, Tokaji Eszencia. Um final arrebatador!

raul cutait lembranças

lembranças …

Outro botrytisado notável presente no almoço foi o grande Yquem 1990 com 99 pontos. Vinho decantado em prosa e verso, dispensando comentários e apresentações. Evidentemente, à altura do time bordalês apresentado acima.

Em sala reservada, Behikes à disposição da turma da fumaça. Um pouco mais prosa, cafés e Armagnac. Houve espaço para alguns Single Malts, mas isso já é uma outra história. Abraço a todos, especialmente ao casal anfitrião, proporcionando mais um encontro inesquecível. Que El Masih sempre os abençoem!

Peixe de rio, Vinho de rio.

11 de Maio de 2016

Almoço extremamente agradável no Figueira Rubaiyat  em torno de um tambaqui de quarenta quilos oferecido por um querido casal de amigos. Tambaqui é um peixe da Amazônia de carne muito saborosa e gordurosa. Para enriquecer o encontro, alguns vinhos desfilaram antes, durante e depois do peixe.

De entrada, foi servida uma magnum Cristal 2002, ícone maior da Maison Louis Roederer. Safra de grande potencial, começa timidamente mostrar seu caminho de evolução. Visual luminoso, brilhante, mousse intensa, mas ao mesmo tempo, extremamente delicada. Equilibrado, fresco, marcado pelos aromas de brioche, pâtisserie e amêndoas. Final longo e marcante. Uma maravilha para acompanhar o couvert e alguns pratinhos de entrada.

cristal 2002

safra de guarda

salada figueira

salada de folhas, legumes e molho de mostarda

O vinho que acompanhou o almoço foi um Ermitage branco da Maison Chapoutier, produtor tradicional do vale do Rhône (um dos mais importantes rios da França) que atua nas mais variadas categorias de vinhos da região. Neste caso, trata-se de um de seus ícones elaborado com a uva Marsanne num vinhedo de baixos rendimentos (15 hectolitros por hectare), proveniente de vinhas antigas entre 60 e 70 anos de idade. Parte do vinho é elaborado em madeira inerte com intenso trabalho de bâtonnage (processo clássico de revolvimento periódico das borras), fornecendo maciez ao vinho e concomitantemente, maior complexidade aromática. Nesta safra de 1999, o vinho alcançou 100 pontos pela crítica especializada. O vinho é denso, rico em sabores de mel, flores, resina, e um fundo mineral. Na foto abaixo, trata-se de uma Imperial correspondendo a seis litros.

ermitage e yquem

brancos de destaque

A harmonização do Ermitage com o peixe foi muito feliz e tecnicamente perfeita. O Tambaqui também conhecido como Pacu Vermelho é um peixe amazônico que pode alcançar cento e dez centímetros de comprimento e atingir quarenta e cinco quilos de peso. Pois bem, este exemplar degustado é raríssimo de ser encontrado, pesando pouco mais de quarenta quilos.

A técnica culinária de grelhar o peixe fez toda a diferença no sentido de harmonizar o vinho. Normalmente, num tambaqui de menores dimensões as costelas são empanadas e fritas, agregando crocância e gordura ao prato. Neste caso da grelha, o peixe ficou mais seco e menos gorduroso. Como o vinho tinha acidez comedida  e uma certa untuosidade, o paladar ficou revigorado em termos de textura, proporcionando um final harmonioso. Além disso, o sabor pronunciado do prato e a própria textura marcante do peixe foi de encontro ao sabores notáveis do vinho. Um vinho do Loire por exemplo, clássico parceiro de peixes de rio, não teria o mesmo sucesso com o prato já que esses vinhos possuem alta acidez, desnecessária neste caso, e textura delgada, incompatível com a textura do peixe, ou seja, o peixe passaria por cima do vinho.

tambaqui figueira

peixe e palmito grelhados

O gran finale estava reservado para o eterno e reverenciado Yquem. Desta feita, uma magnum safra 1999. Portanto, quase na sua maioridade. Falar da história de Sauternes e de suas características inerente à botrytisação chega a ser repetitivo. Contudo, sua versatilidade à mesa é impressionante. Sabemos que foie gras, crème brûlée e queijo roquefort, são seus parceiros clássicos, mas enfrentar este assortiment de doçura da foto abaixo não é para qualquer vinho.

Senão vejamos, a textura do quindim e sua incrível doçura foram bem dominadas pelo vinho. A textura tanto do chocolate, como da massinha recheada com doce de leite e cobertura de merengue, foram bem niveladas com a textura do vinho. Por fim, a crocância, o mel e as amêndoas da tortinha, provocaram os aromas terciários do vinho e sua alcoolicidade de maneira brilhante. Realmente, um coringa à mesa.

sobremesa rubayat

mix de sobremesas

Dito isso, só tenho a agradecer o casal de anfitriões que proporcionaram um almoço e tarde de grande descontração em torno da mesa com a mais refinada enogastronomia. Grandes vinhos, boa comida e agradável conversa. Vida longa a vocês!

Dicas: Espumantes e Champagnes

18 de Dezembro de 2014

Nesta época do ano, a procura pelo vinho das comemorações, festas e datas especiais, é o espumante de uma maneira geral, dentro de uma vasta gama de denominações, culminando no maior de todos, o reverenciado champagne. Dos vinhos nacionais, nosso melhor embaixador é o espumante com expressivo consumo interno quando se trata de vinhos finos. Neste contexto, seguem algumas dicas deste tipo de vinho tão procurado para a ocasião.

Nacionais

Para aqueles que não querem complicações e nem perder tempo com experiências, o Chandon nacional é tiro certo. Pode ser o básico ou o Excellence. Este último, mais gastronômico. Tecnicamente, o mais conceituado na atualidade é o espumante da Cave Geisse. Não são baratos para padrões nacionais e nem são tão fáceis de encontrar, mas vale a pena prova-los. Em qualquer um de sua linha, a qualidade e a personalidade são notáveis. Outro espumante que foge dos rótulos mais óbvios é o Pizzato, conforme foto abaixo. Apesar da vinícola ter a merecida fama por seus Merlots, seus espumantes são bastante versáteis, equilibrados e até surpreendentes.

Versão Clara e Rosé

Proseccos

Esta é uma denominação de origem italiana do Veneto. A uva não se chama mais Prosecco e sim, Glera. Procure pelas palavrinhas no rótulo: Conegliano-Valdobbiadene. É a região de origem onde a tipicidade é mais fiel e autêntica. Esses não são baratos. Costumam competir em preço com os melhores nacionais e alguns Cavas (Espanha). Bisol, Nino Franco e Ruggeri costumam ser apostas seguras. Esses três são encontrados nas importadoras Mistral, Inovini do grupo Aurora de bebidas, e importadora Grand Cru, respectivamente. O destaque abaixo vai para a importadora Decanter (www.decanter.com.br) com seus Proseccos da Case Bianche. Bem equilibrados e confiáveis, conforme foto abaixo:

Vigna del Cuc: Vinhedo especifico

Cavas

Esta é a grande denominação de origem espanhola com espumantes elaborados pelo Método Tradicional (Champenoise). São na sua maioria compostos de três uvas brancas (Xarel-lo, Macabeo e Parellada). Portanto, um Blanc de Blancs. Os com menor tempo sur lies (contato com as leveduras) são indicados para os aperitivos e entradas leves. Já o tipo Reserva e Gran Reserva são mais gastronômicos e complexos. Existem inúmeros Cavas no mercado, mas dois se destacam. São eles: Gramona da Casa Flora (www.casaflora.com.br) e Raventós da importadora Decanter, conforme foto abaixo:

Um Grand Reserva de safra

Champagnes

Se você está podendo, o céu é o limite. Saindo um pouco do binômio Moët e Veuve Clicquot, os tipos e estilos são bastante versáteis com uma gama enorme de preços. Mesmo as melhores ofertas, não são vinhos baratos. Para as cuvées básicas, maisons tradicionais como Louis Roederer (www.francosuissa.com.br), Deutz (www.casaflora.com.br) e Tattinger (www.adegaexpand.com.br) são as minhas preferidas e relativamente fáceis de encontrar. São champagnes delicados, elegantes e altamente confiáveis. Além das respectivas importadoras, são encontrados em lojas de bebidas finas.

Grande Réserve: Personalidade e profundidade

Champagnes mais exóticos, para paladares mais específicos e de certo modo, gerando opiniões variadas, temos o champagne Gosset, indicado mais à mesa, para a gastronomia. Outro champagne pouco conhecido, de paladar diferenciado, é Egly-Ouriet, importado pela World Wine (www.worldwine.com.br).

Ferrari Perlé: linha safrada

Fazendo um parêntese, apesar de conceitualmente não ser champagne, o italiano Ferrari, da vinícola homônima de Trento, norte do país, apresenta padrões altíssimos em refinamento. Trata-se de um Blanc de Blancs na maioria de seu rico portfólio. Elegante, delicado e muito consistente (www.decanter.com.br).

Finalmente, champagnes de sonho, onde o valor é o que menos importa. Krug, Bollinger, Salon e as principais cuvées de luxo, estão incluídos neste restrito nicho. São sofisticados, para paladares exigentes, sendo os datados (vintages), de longo envelhecimento em adega. Mesmo no exterior não são baratos, mas são mais acessíveis, visto que em nosso mercado os preços são estratosféricos.

Seja como for, qualquer um dos espumantes ou champagnes escolhidos darão um toque especial em seu evento, sempre dentro de um contexto apropriado. A linha entre o esnobismo, falta de bom senso; e o bom gosto, o cuidado em receber, é sempre muito tênue. Saúde a todos!

California Wine Regions: Parte II

24 de Fevereiro de 2014

Tendo como base nosso mapa abaixo, vamos explorar a nobre sub-região de North Coast, abrigando os excepcionais condados de Sonoma e Napa Valley. A região de Napa foi esmiuçada numa série de artigos neste mesmo blog intitulada Napa Valley (Partes I, II, III e IV).

North Coast: influência oceânica

Ampliando um pouco o mapa da Costa Norte californiana, observamos os condados de Mendocino e Lake no esquema abaixo. Evidentemente, os mesmos não têm a notoriedade de Sonoma e Napa, mas elaboram vinhos bem feitos em suas especialidades.

Mendocino e Lake: sem as brisas do Pacífico

Lake County

São três mil e duzentos hectares de vinhas distribuídos em cinco AVAs (Benmore Valley, Clear Lake, Guenoc Valley, High Valley e Red Hills Lake County). Clear Lake, o maior lago da Califórnia é fator moderador de temperatura, mantendo noites frias e arrefecendo o forte calor no verão. Sauvignon Blanc na AVA homônima é um dos destaques da região. As AVAs High Valley e Red Hills produzem bons tintos à base de Cabernet Sauvignon, Zinfandel e Merlot em altas colinas de solos vulcânicos.

Anderson Valley e a famosa neblina (fog)

Mendocino County

São dez AVAs distribuídas em pouco mais de seis mil hectares de vinhas. Região protegida da influência do Pacífico por uma cadeia de montanhas que podem chegar a novecentos metros de altitude. Exceto sua AVA mais famosa, Anderson Valley, é capaz de sugar as brisas frias do Pacífico através do rio Navarro, fazendo deste local um destaque para a Pinot Noir, castas brancas como Gewurztraminer e Riesling, além de bons vinhos-bases na elaboração de espumantes. Não é à toa que Maison Roederer (Cristal) tem raízes neste vale. A vinícola Eike Vineyards é uma bela referência para Pinot Noir.

Bons tintos baseados em Cabernet Sauvignon e Zinfandel vêm da AVA Redwood Valley. A parcial influência marítima prolonga a estação de amadurecimento das uvas, gerando vinhos finos e complexos.

Terroir da costa californiana

Nos condados de Sonoma e Napa é fundamental a compreensão do terroir acima, mostrando a influência benéfica e refrescante das neblinas que adentram pelo continente. De fato, a fria corrente marítima da Califórnia provoca ventos gelados na faixa litorânea. Os mesmos em contato com o ar quente do continente formam as famosas neblinas. Qualquer fenda no continente é capaz de sugar o nevoeiro, refrescando as vinhas e promovendo notável amplitude térmica. Em Sonoma, o rio Russian (Russian River) é uma das fendas importantes. Entretanto, a mais destacada encontra-se na baía de San Pablo através do ponte Golden Gate. Por esta fenda, a neblina inunda a famosa AVA de Los Carneros e propaga-se pelos condados de Sonoma e Napa, dissipando seus efeitos ao longo do continente.

Continuamos no próximo artigo com Sonoma County.

Champagnes: Top Ten

9 de Dezembro de 2013

Dentre os inúmeros champagnes que fazem o sonho dos apreciadores das mágicas borbulhas, fica difícil apontar com precisão e certeza as melhores maisons da região. Cada um tem sua preferência por estilo, grau de doçura, assemblage das principais uvas e outros fatores até certo ponto subjetivos. Neste contexto, segue minha seleção, verificada ano após ano em termos de consistência e personalidade distinta de seus vinhos. Enfatizo mais uma vez, tratar-se de uma escolha inteiramente pessoal.

As Irrepreensíveis

Krug Grande Cuvée: A maestria do assemblage

Krug

Para os mais fanáticos, existe Krug e os demais champagnes. A finesse, a precisão de seus vinhos-base, o amadurecimento perfeito sobre as leveduras, fazem desta Maison uma das mais requintadas da região. Champagnes de exceção em toda sua linha. Fica difícil apontar um favorito, mas Clos du Mesnil Blanc de Blancs faz rever conceitos. Importadora LVMH (www.catalogomh.com.br). 

Bollinger

Aqui existe um empate técnico com a maison acima. A filosofia é muito semelhante. Talvez a Maison Bollinger numa sintonia fina caminhe mais para a potência, intensidade e estrutura, enquanto Krug exibe sua finesse e exotismo impressionantes. Sua cuvée mais emblemática reverenciada por James Bond é a mítica Bollinger RD com prolongado contato sobre as leveduras. Importadora Mistral (www.mistral.com.br).

Louis Roederer

Fechando o trio de ferro  de origem alemã, a Maison Loius Roederer prima pela precisão e disciplina germânicas. Sua cuvée de luxo Cristal, foi a pioneira e idolatrada pelos czares. Toda sua linha apresenta-se delicada e com marcante personalidade. Seus rosés são praticamente insuperáveis. Importadora Franco-Suissa (www.francosuissa.com.br) ou também no empório Santa Luiza (Jardins). 

Salon

Apesar de possuir um único estilo de champagne, Blanc de Blancs, seu rigor na elaboração é obsessivo. Poucas safras durante o século passado, perfazendo um total de somente trinta e sete millésimes. Se você fizer questão da mais pura mineralidade e  não se importar com preços, este é o caminho. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br).

As Delicadas

Taittinger

Das dez escolhidas, esta maison é a mais popular e de maior produção. No entanto, mostra-se sempre delicada, sensual e muito convidativa para recepções e aperitivos. Sua cuvée de luxo Comtes de Taittinger, é uma das referências em Blanc de Blancs. Importadora Expand (www.expand.com.br). 

Deutz

Pertencente ao mesmo grupo da maison Louis Roederer, Deutz esbanja elegância com uma consistência invejável. Muito equilibrado, aromas finos e bem delineados. Um final de boca fresco e expansivo. Bem representado em toda sua linha. Importadora Casa Flora (www.casaflora.com.br). 

Um exemplo de rosé

Billercart-Salmon

Outro champagne extremamente fino e delicado. Equlibrado, mousse agradável e muito bem acabado. Seus rosés fazem fama e sem dúvida, estão entre os melhores da região. Abrir um jantar com esta maison já sugere o tom da refeição. Produção relativamente reduzida. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br)

As Gastronômicas

Gosset

Maison já comentada em artigo especial neste mesmo blog, prima pela estrutura, corpo e vinosidade. Sua cuvée Grande Réserve tem estilo próprio, bem como a cuvée de luxo Celebris, de um exostismo marcante. Parceiro ideal na alta gastronomia. Importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br). 

Millésime de exceção

Egly-Ouriet

Junto com a maison Salon, Egly-Ouriet é um champagne fundamentalmente artesanal e de baixíssima produção. São vinhos estruturados, marcantes e de longa guarda. Seu Brut Millésime confirma estas características, beirando a perfeição. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br).

Pol Roger

Como não associar a figura de Sir Winston Churchill à esta nobre maison em sua cuvée mais prestigiada. Elegante, intenso e de textura macia, este champagne destaca-se em todo seu portfólio. Une potência e elegância como poucos neste seleto mercado. Importadora Mistral (www.mistral.com.br). 

Wine Spectator: Top Ten

21 de Novembro de 2013

Dando prosseguimento à lista dos cem melhores vinhos de 2013, segundo a revista americana Wine Spectator, farei um Top Ten pessoal. A ordem dos vinhos apresentada abaixo não obedece nenhum critério, apenas visa sugerir alguns vinhos interessantes para serem provados e evidentemente, encontrados nas grandes importadoras do Brasil.

Analisando a lista, percebemos que um terço dos vinhos são norte-americanos, naturalmente enaltecendo exemplares de seu país. A despeito de ser justa ou não a inclusão dos mesmos, é inegável que os Estados Unidos ainda lidera com folga uma grande diversidade e qualidade dentre os países do chamado Novo Mundo. Pena que chegam poucos exemplares ao Brasil a preços praticamente proibitivos. Sem mais delongas, vamos à lista sugerida: 

  1. Croft Vintage Port 2011 – WS 97 pontos
  2. Hamilton Russell Chardonnay 2012 – WS 93 pontos
  3. Rioja Alta Viña Ardanza Reserva 2004 – WS 94 pontos
  4. Château Doisy Daëne Barsac 2010 – WS 94 pontos
  5. Achaval Ferrer Finca Mirador Malbec 2011 – WS 96 pontos
  6. Quinta do Crasto Reserva Old Vines 2010 – WS 93 pontos
  7. Wynns Cabernet Sauvignon Coonawarra Black Label 2010 – WS 91 pontos
  8. Champagne Louis Roederer Brut Vintage 2006 – WS 94 pontos
  9. Mastroberardino Taurasi Radici DOCG 2006 – WS 94 pontos
  10. Seghesio Zinfandel Dry Creek Valley Cortina 2010 – WS 94 pontos

Croft Vintage Port 2011

Além da Croft, as duas casas de vinho do Porto na foto acima, dispensam apresentações. A safra 2011 promete vida longa como uma das melhores deste novo século. Evidentemente, degustá-lo agora trata-se de um infanticídio completo. Quem tiver paciência, estará com um tesouro em mãos. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br). 

Pioneiro na África do Sul

Hamilton Russell, apaixonado pelos vinhos da Borgonha, sonhou em ter um pedacinho dela na fria região de Walker Bay, África do Sul. Em parte conseguiu, com vinhos bem elaborados, cheios de personalidade, sendo sempre lembrados nas principais publicações. Vale a pena prová-lo. Importadora Mistral (www.mistral.com.br). 

Rioja Alta: Ícone da região

Sou suspeito em falar desta bodega, já comentada em artigos especiais neste mesmo blog. Seus vinhos são considerados os “borgonhas” da região. Elegantes, profundos e perfumados. Bela relação qualidade/preço em seu seleto portfólio. Importadora Zahil (www.zahilvinhos.com.br).

Doisy Daëne ao lado de grandes Sauternes

Para quem gosta de Sauternes delicados e elegantes, Barsac é a comuna a ser procurada. O rei é o Château Climens, com preços de realeza. Château Doisy Daëne, do grande enólogo Denis Dubourdieu, nos mostra toda a essência deste grande terroir. Importadora Casa Flora (www.casaflora.com.br). 

Achaval Ferrer: Artesanato em vinho

Outra bodega irrepreensível. Atuando em Valle de Uco na região de Mendoza (Argentina), procura sempre em seus vinhos, concentração, profundidade e definição de terroir. Finca Mirador forma a trilogia de seus grandes ícones (os outros são Altamira e Bella Vista). São necessários frutos de três parreiras para a elaboração de uma garrafa (rendimento de Romanée-Conti). Importadora Inovini (www.inovini.com.br). 

Um dos melhores exemplares do Douro

Partindo de vinhas com mais de setenta anos, plantadas conjuntamente entre 25 e 30 variedades, o vinho surge com uma complexidade e concentração singulares. Tinto de longa guarda que exige decantação para melhor expressar-se. Importadora Qualimpor (www.qualimpor.com.br).

Coonawarra: região diferenciada

Esta região australiana (Coonawarra) e em especial esta vinícola (Wynns) já foram devidamente comentadas em artigo específico neste mesmo blog. Região relativamente fria para os padrões australianos, Coonawarra costuma gerar tintos concentrados e com uma acidez vibrante. Os aromas de frutas em compota e um toque refrescante de menta são atrativos mais que suficientes para provar este tinto surpreendente. Importadora Mistral (www.mistral.com.br). 

Louis Roederer: Magia e Excelência

Sua cuvée de luxo Cristal faz o sonho desde os tempos dos Czares. Entretanto, toda sua linha é elaborada nos mínimos detalhes. Num degrau acima do Brut Premier, estão os millésimes de alta qualidade. Neste caso, o blend é composto de 70% Pinot Noir e 30% Chardonnay. O vinho-base é parcialmente elaborado em madeira e após a espumatização, o vinho passa quatro anos sur lies (em contato com as leveduras). Importadora Franco-Suissa (www.francosuissa.com.br). 

Mastroberardino: Referência na denominação Taurasi

Este belo tinto da Campania, sul da Itália, envelhece maravilhosamente bem. Elaborado com a estruturada uva Aglianico, o vinho passa por longa maceração e afinamento em barricas de carvalho. Potente, intenso e de grande personalidade. Importadora Mistral (www.mistral.com.br). 

Dry Creek Valley: grandes Zinfandéis

Este típico tinto californiano é elaborado com a uva Zinfandel proveniente do vinhedo Cortina em Dry Creek Valley, plantado em 1942.  Passa cerca de quatorze meses em barricas de carvalho, predominantemente francesas. Vinho de muito fruta, concentração e longa persistência. Uva de grande identidade americana. Importadora Mistral (www.mistral.com.br).

Evidentemente, o tinto do ano, CVNE Imperial Gran Reserva 2004, merece ser provado e foi objeto de artigo exclusivo na postagem anterior. Fica assim, algumas dicas para as festas de final de ano.

Champagne: Como escolher?

14 de Novembro de 2013

Vai se aproximando o final do ano e as dúvidas sobre champagnes e espumantes voltam à tona. Vamos falar especificamente de Champagne, mas muita coisa vale para os demais espumantes.

As borbulhas mágicas

A observação no rótulo é fundamental para escolhermos o champagne correto para a ocasião e/ou nosso gosto pessoal. Primeiramente, vamos escolher o grau de açúcar residual que desejamos num determinado champagne, conforme tabela abaixo:

  • Brut Nature, Pas Dosé ou Dosage Zéro (de 0 a 3 g/l de açúcar residual)

É um tipo para muitas pessoas difícil de assimilar. É extremamente seco, e muitas vezes com certa adstringência, sobretudo quanda a acidez é elevada, e geralmente é mesmo. Vai muito bem com peixes e frutos do mar in natura, onde o caráter iodado é bastante evidente. Belo acompanhamento para o caviar.

  • Extra-Brut (de 0 a 6 g/l de açúcar residual)

Não chega a ser tão seco como o anterior, mas ainda conserva uma austeridade marcante. É uma boa experiência para certificar-se se é de seu gosto pessoal tentar um Brut Nature. Tem um público fiel para este tipo de champagne.

  • Brut (máximo de 12 g/l de açúcar residual)

Este é o tipo amplamente consumido mundo a fora. Apesar de seco, costuma agradar a maioria das pessoas. Como a faixa de açúcar residual é mais extensa, podemos perceber as diferenças com mais clareza, dependendo da Maison escolhida.

  • Extra-Dry (de 12 a 17 g/l de açúcar residual)

Para aqueles que precisam sentir uma pontinha de açúcar  no sabor, este é o champagne ideal. Vai bem com comidas levemente agridoces ou com uma textura delicadamente macia.

  • Sec ou Dry (de 17 a 32 g/l de açúcar residual)

Aqui o açúcar é bem mais perceptível, sem chegar a ser totalmente doce. É muito indicado para comidas agridoces e algumas sobremesas que não abusem do açúcar. Comida chinesa costuma harmonizar bem com este tipo de champagne.

  • Demi-sec (de 32 a 50 g/l de açúcar residual)

Este atualmente é considerado o champagne doce, já que o termo Doux (acima de 50 g/l de açúcar residual) está em desuso. Contudo, nem por isso devemos harmonizá-lo com qualquer sobremesa. É bom prestar atenção no açúcar do prato, pois deve ser moderadamente doce. Uma torta de frutas frescas (morango, framboesa, kiwi ou pêssegos) é o ideal. O próprio bolo de casamento é o parceiro mais indicado com este tipo de champagne.

Brut, blanc de Noirs e safra: expressos no rótulo

Segundo passo, o estilo de champagne que mais nos agrada, principalmente levando em conta as porcentagens das três grandes uvas da região (Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay) na cuvée. Quando não há menção no rótulo de alguns dos termos abaixo, supõem-se que a cuvée tem duas ou mais uvas proporcionadas de acordo com o estilo da Maison.

  • Blanc de Blancs (100% Chardonnay)

O mais delicado dos champagnes, pois a Chardonnay dá elegância e graciosidade ao conjunto. Ideal para abrir um jantar, pratos leves á base de peixes, frutos do mar, e canapés dos mais variados. Alguns especiais, normalmente com indicação de safra, podem envelhecer maravilhosamente.

  • Blanc de Noirs (somente uvas tintas, geralmente 100% Pinot Noir)

Ao contrário do anterior, costuma ter corpo e estrutura, características intrínsecas à Pinot Noir. Apesar de tintas, as uvas são vinificadas sem a casta, mantendo a cor palha, porém sempre com tendência ao dourado, enquanto no caso acima (Blanc de Blancs) temos um palha com reflexos verdeais. 

champagne expedition 2012Dê um zoom e veja a supremacia do tipo non millésimé

Terceiro passo, non millésimé ou millésimé, ou seja, champagne com safra ou sem safra. Os champagnes de safra costumam ser mais caros, de melhor qualidade e de boa longevidade (capacidade de guarda). Os motivos principais são: anos especiais, onde o amadurecimento das uvas é ideal, os vinhedos são mais categorizados (geralmente os Grands Crus) e portanto vinhos-base muito bem  selecionados e de produção reduzida. Os non millésimés, sem safra, são a maciça maioria dos champagnes, geralmente na versão Brut.

No quadro acima, vemos um panorama mundial, europeu e do restante do mundo. Não há diferenças significativas entre os quadros. O que realmente é patente, é a supremacia do tipo brut non millésimé, é o carro-chefe das grandes maisons de champagne. Vejam que mesmo os rosés, têm produção bem reduzida, diminuindo ainda mais na produção das cuvées de luxo e os millésimés. O tipo demi-sec também está quase sumindo. A concorrência com o Asti Spumante é cruel, sobretudo em termos de preço.

Uma das melhores cuvées de luxo no gênero

Por fim, as cuvées de luxo, spéciale, de prestige, que podem ser millésimés ou não. Geralmente o são, embora uma das grandes exceções é o champagne Krug Grande Cuvée, espetacular e altamente confiável. Essas menções não constam nos rótulos, pois dispensam apresentações. Alguns nomes de grande prestígio, e sonho do consumo para os produtos de luxo: Dom Pérignon, Cristal, La Grande Dame,  Celebris, Salon, Bollinger RD (James Bond), entre outras. Aqui é para quem não se preocupa com preços, champagnes sutis, complexos, raros e que podem envelhecer por anos a fio. Aliás, o alto preço é uma das maiores dicas dessas maravilhas.

Champagne em destaque: Cuvée William Deutz 1998

12 de Dezembro de 2011

Nesta última degustação na ABS-SP sobre champagnes de luxo, o rótulo abaixo brilhou entre feras já citadas e comentadas em post anterior. Resolvi destacá-lo em artigo específico por se tratar de um champagne envelhecido, de uma bela safra, e em grande forma.

A maison Deutz de origem alemã goza de grande reputação entre os melhores champagnes. Adquirida pela maison Roederer também de origem germânica, responsável pelo mítico champagne Cristal, os champagnes Deutz primam por sua elegância, equilíbrio e personalidade.

Um dos melhores rótulos no mercado

Como a maison Krug, as cuvées da Deutz fazem questão de incluir a uva Pinot Meunier em seu corte, além das nobres castas Chardonnay e Pinot Noir. Na cuvée acima, temos a seguinte proporção de uvas: 55% Pinot Moir, 35% Chardonnay e 10% Pinot Meunier.

Os vinhedos localizam-se em Aÿ, sede da maison, e também na Côte des Blancs, onde pelo menos 80% são da categoria Grand Cru e Premier Cru. Os champagnes não costumam ser encorpados, mas possuem estrutura e caráter para envelhecer. Para esta cuvée, o vinho permanece pelo menos cinco anos sur lies antes do dégorgement.

Na degustação,  apresentou-se com cor palha claro dourado de média intensidade e muito brilho. Os aromas finos denotam frutas secas e cítricas cristalizadas bem mescladas, lembrando um pouco os doces mineiros. Toques tostados, de gengibre e brioche também fazem parte do conjunto. No boca, mostrou-se medianamente encorpado, com uma acidez viva e revigorante de início, caminhando paulatinamente a uma maciez própria dos grandes champagnes, moldada por uma mousse delicada, mas de grande presença. Nas sensações finais, o equilíbrio é notável, além de todos os sabores fundirem-se harmoniosamente. Final fresco, elegante e marcante. É incrível sua vivacidade após treze anos de safra.

Importado pela Casa Flora (www.casaflora.com.br)

Harmonização: Vieiras

17 de Fevereiro de 2011

Elas não estão tão presentes nas mesas como deveriam, mas as vieiras nos reservam surpresas em termos de delicadeza e sofisticação. Este molusco faz parte na famosa concha da Shell, que às vezes participa da apresentação do prato. Seu sabor muito particular tem um toque de doçura como todos os frutos do mar. Sua textura é extremamente delicada e é o ponto nevrálgico de sua preparação, conforme o prato abaixo. Vieiras divinamente chapeadas sobre molho com base de espinafre.

Um dos segredos das Vieiras: ponto preciso na preparação

A harmonização deve ser balizada pela delicadeza. Portanto, nada de vinhos rústicos, do dia a dia, e sem maiores predicados. Um Chenin Blanc da apelação Vouvray é um clássico parceiro. Ele tem a sutil doçura, delicadeza e mineralidade que as vieiras exigem. Mesmo a versão Sec não é tão seca. Melhor ainda o chamado Sec Tendre (um leve off-dry), que terá poucos rivais em termos de calibragem. Os espumantes da região (fines bulles) são ótimas opções também.

Uma segunda opção imediata são os delicados alemães. Em sintonia, costumo dizer que os Vouvrays são os vinhos franceses mais próximos do estilo alemão tradicional. Dependendo da percepção de doçura, um riesling Kabinett ou Spätlese estará muito próximo do ideal.

Conforme a receita e sofisticação, os borgonhas brancos podem ser belas escolhas. Um Meursault pode passar do ponto em termos de textura e riqueza aromática. Já um Chablis, pode ser muito seco. Melhor um Corton-Charlemagne, ele tem a textura adequada, sem ser muito austero.

No mundo dos champagnes, um estilo elegante, não muito seco e de corpo médio, parece ser o ideal. Pol Roger, Taittinger ou Louis Roederer são belos exemplos deste estilo. Um champagne sec pode ser outra ótima opção, da própria maison Roederer.

Pol Roger é da importadora Mistral (www.mistral.com.br)

Taittinger ainda é da Expand (www.expand.com.br)

Louis Roederer pode ser encontrada em empórios finos como Santa Luzia e também na importadora  Franco Suissa (www.francosuissa.com.br)


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