Posts Tagged ‘lombo de porco’

Festas Natalinas: Plano B

23 de Dezembro de 2013

Normalmente, nas festas de final de ano exageramos na comida, não só na quantidade ingerida, como na quantidade de pratos elaborados para a ocasião. Com isso, nos deparamos com as sobras no dia seguinte. A primeira opção e mais óbvia, é esquertarmos o que sobrou. Entretanto, podemos ter um plano B aproveitando as sobras de uma maneira original, praticamente criando um novo prato. Um exemplo, é a sobra de um lombinho de porco assado ao forno. No dia seguinte, a carne já fria tende a ressecar mais ainda. Podemos reavivar a mesma, com um risoto criativo como veremos a seguir.

Assado na noite da ceia

Risoto no almoço de natal

Prepare o risoto com os temperos de costume, juntando o molho do assado que deve ter sobrado também, principalmente se for feito com o déglaçage da assadeira do lombinho. Se não for suficiente, complemente com um caldo de carne. No meio do preparo, junte a carne do lombinho picada em cubos, uma porção de damascos secos e ervilhas frescas. Finalize o risoto de modo habitual, com um pouco de manteiga e parmesão. Na hora de servir, pode ser acrescentadas algumas amêndoas filetadas, tostadas previamente.

Para a harmonização, uma dica exótica é acompanhar o prato com um Tokaji Três Puttonyos (branco húngaro botrytisado, já comentado em artigos especiais nestes mesmo blog). Ele apresenta textura e doçura adequadas, equilibrando sabores e sugestões adocicadas do damasco. Além disso, sua bela acidez combate bem a gordura do prato e dá vivacidade ao conjunto. Evidentemente, um Chardonnay de bom corpo, com madeira bem integrada aos demais componentes é uma alternativa bem aceita com muitos exemplares no mercado. Um branco de Rioja fermentado em barrica é outra bela opção.

Já para os tintos, as opções são mais restritas e pessoalmente, prefiro os brancos. Em todo caso, um Rioja Reserva ou Gran Reserva é a primeira referência. Que tal um Rioja Alta Viña Ardanza (importadora Zahil – http://www.zahilvinhos.com.br). Ele apresenta acidez suficiente para o prato e taninos dóceis. Seus aromas de baunilha e caramelo com frutas secas e confitadas amalgamam-se bem à leve doçura do damasco. Um Valpolicella Ripasso (Valpolicella refermentado nas borras do Amarone) de certa evolução, também produz o mesmo efeito. Enfim, um vinho de taninos resolvidos e certa evolução é a chave da compatibilização. 

Enfim, um pouco de criatividade e bom senso podem transformar aquele almoço de ressaca em algo estimulante, descobrindo novos sabores e sensações. Boas Festas!

Enogastronomia: Parte VI

23 de Fevereiro de 2012

Neste último post sobre técnicas culinárias, vamos abordar os procedimentos de grelhar e assar. Basicamente, a diferença está no tamanho da peça. Costeletas de cordeiro são grelhadas, enquanto um pernil do mesmo animal deve ser assado.

Grelhar

Podemos traçar um paralelo com as frituras, já que a idéia é deixar pequenos pedaços do alimento tenros e suculentos por dentro. Entretanto, grelhar usa somente uma fonte de calor que pode ser o carvão ou nosso próprio fogão, enquanto a fritura utiliza geralmente gordura em alta temperatura, como vimos em artigos anteriores.

Comumente, esta fonte de calor é relativamente intensa, procurando selar o alimento em sua superfície, formando uma camada tostada. Isso além de agregar uma certa crocância, confere um sabor tostado, preservando suculência no interior do alimento. No caso de um corte nobre de carne bovina, não há melhor situação para agradar os temidos taninos de certos vinhos tintos. O lado amadeirado muitas vezes incisivo, principalmente nos tintos do Novo Mundo, acomoda-se perfeitamente nesta situação, proporcionando uma sinergia de sabores com o tostado da grelha.

Se a carne for branca (frango por exemplo) ou peixe, os brancos com passagem por barricas podem harmonizar bem, desde que haja um equilíbrio na intensidade do tostado em ambos os lados (vinho e carne).

Grelhados: Superfície crocante e tostada

Evidentemente, a natureza do alimento e seu potencial de sabor vão calibrar a escolha do vinho, seja ele tinto ou branco. Além disso, não devemos esquecer dos molhos e guarnições de acompanhamento. Conforme o impacto, a influência na escolha do vinho pode ser determinante.

Assar

Esta técnica prevê a ação do calor de forma lenta e constante, na maioria dos casos. O princípio é o mesmo de grelhar, ou seja, através do calor desidratar o alimento, concentrando mais seu sabor. O sabor do assado privilegia como nenhuma outra técnica a apreciação de vinhos elegantes, sutis e muitas vezes envelhecidos, com os famosos aromas terciários. Dependendo do alimento, poderemos ter vinhos brancos ou tintos. Novamente, molhos e guarnições deverão ser considerados. Quanto mais delicado e sutil for o vinho, menos riscos devemos correr com esses dois fatores citados.

O sabor do assado realça vinhos elegantes

Em assados onde há forte tendência no ressecamento das carnes como peru ou lombinho de porco, por exemplo, procure vinhos de textura mais rica e espessa. Merlots, alentejanos ou chardonnay passado em barrica, cumprem bem esta função. Evite vinhos tânicos e/ou ácidos que costumam reforçar esta sensação de secura.

Por enquanto, chega ao fim esta série de artigos sobre enogastronomia. Retomaremos novos tópicos em breve, intercalando-os a outros assuntos.


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