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Harmonização: Filet Mignon ao Molho de Café

13 de Setembro de 2012

Molhos exóticos sempre nos colocam em dúvida quanto aos vinhos, e geralmente, eles são determinantes na harmonização. No caso do molho de café, há um grupo de vinhos com certa afinidade. Como estamos falando em carne vermelha, a opção por tintos é natural e mais sensata. Vinhos marcados por aromas empireumáticos (relacionados com a ação do fogo), tais como: café, caramelo, chocolate, casam-se bem com o molho acima. Normalmente, tintos com passagem por barricas de carvalho costumam apresentar este tipo de aroma.

Molho de café: afinidade com alguns vinhos

O molho de café tem como base um bom caldo de carne, ervas, cenoura, cebola e alho comedidos, um pouco de vinho tinto, creme de leite para dar espessura e evidentemente um pouco de licor de café.

Tintos australianos com a uva Shiraz são as primeiras opções. São vinhos com muita fruta, taninos dóceis e muitos toques empireumáticos lembrando o próprio café, chocolates, tabaco, especiarias e baunilha. O poder de fruta destes vinhos amenizam um eventual e leve amargor dado pelo café. Além disso, ajudam a equilibrar alguma guarnição com tendência adocicada como um creme de mandioquinha ou um bolinho de banana da terra, caso desta receita. A carne de filet mignon, bastante macia, não necessita de grande estrutura tânica do vinho. Portanto, perfeitamente adequada aos macios tintos australianos.

Merlots do Novo Mundo e os convidativos alentejanos (sul de Portugal) com boa passagem por barricas são também opções seguras. Califórnia, Chile e África do Sul têm bons exemplares desta uva bordalesa. 

Malbecs bem moldados em barricas também são opções seguras e bastante disponíveis em nosso mercado. Só para citar dois exemplos, temos o belo J. Alberto da Bodega Noemía, grande tinto da Patagônia com parreiras plantadas em 1955 (há um artigo específico neste blog sobre esta bodega). O outro exemplar vem da Viña Cobos, da linha Bramare, região de Mendoza. Tinto de bela concentração e muito bem balanceado com a madeira.

Chacra e Noemía: Bodegas de Terroir

17 de Novembro de 2011

Vinhedos das primeiras décadas do século passado são a espinha dorsal deste projeto biodinâmico na região argentina da Patagônia, mais especificamente na sub-região de Rio Negro. Os mesmos estavam para ser arrancados na virada do milênio quando aparece a figura central desta história, um dinamarquês perfeccionista chamado Hans Vinding-Diers. Percebendo o potencial da região e este pequeno tesouro de pouco hectares, não teve dúvida, articulou a negociação com duas poderosas famílias italianas do ramo vitivinícola. Piero Incisa della Rocchetta, proprietário do mítico supertoscano Sassicaia, e  Condessa Noemi Marone Cinzano do famoso Brunello di Montalcino Argiano, dividiram a propriedade em duas bodegas distintas mas com um único propósito; elaborar vinhos de alta qualidade expressando fielmente a natureza de seus respectivos terroirs.

O todo poderoso Hans é o maestro dos dois projetos, ditando normas de cultivo, épocas precisas nas colheitas e todo o rigor na vinificação e amadurecimento dos vinhos nas barricas.

Condessa Noemi ficou com as antigas vinhas de Malbec, batizando a bodega com um nome quase homônimo, Noemía. Já Piero, adquiriu as antigas vinhas de Pinot Noir, nomeando sua propriedade de Bodega Chacra.

Feita as devidas distinções, passemos daqui por diante, encarar as duas propriedades contíguas com um mesmo objetivo, expressar as qualidades de um grande Malbec e de um grande Pinot Noir na mais pura filosofia biodinâmica.

Tração animal preservando o solo

Os pequenos lotes de vinhas antigas dividem-se por idade. As cepas plantadas em 1955 geram os vinhos Chacra 55 (Pinot Noir) e os vinhos J. Alberto (Malbec). Os vinhedos plantados em 1932 dão origem aos ícones Chacra 32 (Pinot Noir) e Noemía (Malbec).

Vinhas Velhas: Patrimônio inestimável

Os vinhos elaborados a partir destas vinhas mostram aromas elegantes e diferenciados. Em boca são muito equilibrados, textura macia de taninos  e persistência aromática expansiva. São vinhos naturalmente concentrados sem ser superextraídos. O equilíbrio natural dessas vinhas geram cachos concentrados e em número reduzido por parreira.

Os vinhos ícones provenientes das parreiras de 1932 diferenciam-se por uma concentração maior e rendimentos baixíssimos em torno de 20 hectolitros por hectare. A produção não passa muito de seis mil garrafas por safra.

Porteira aberta entre Noemía e Chacra

Para financiar o sonho destes grandes vinhos é preciso pensar em produções maiores e de preços competitivos. Neste contexto, entram os vinhos A Lisa (Bodega Noemía) e Barda (Bodega Chacra), proveninentes de parreiras mais jovens, áreas de cultivo maiores, gerando um maior número de garrafas. Mas nada de ceticismos, são vinhos equilibrados, com excelente padrão de qualidade e os mesmos cuidados biodinâmicos.

Noemía e Chacra são verdadeiros oásis no deserto patagônico, sem termo de comparação com as demais bodegas da região, a despeito da boa qualidade e da crescente demanda de seus vinhos. Essas maravilhas são importadas no Brasil conforme endereços abaixo:

Noemía – importadora Vinci (www.vinci.com.br)

Chacra – importadora Ravin (www.ravin.com.br)


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