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Harmonização com Sushis

16 de Fevereiro de 2017

Segundo Philippe Faure-Brac, grande sommelier francês e campeão mundial, sushi combina com sakê ou saquê, se preferirem. Assim como pão combina com cerveja, faz todo sentido sushi combinar com saquê, já que ambos têm o arroz em comum. Pessoalmente, partilho dessa harmonização. Essa opinião é contraditória tanto que, a melhor indicação para uma harmonização tradicional que os próprios japoneses praticam é o chá verde.

Contudo, como o assunto é vinho, vamos analisar alguns exemplares e conferir suas afinidades ou não com o prato. Para isso, foram testados três tipos de sushi, conforme foto abaixo.

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peixes: namorado, salmão e atum

Não é uma harmonização fácil, pois lidamos ao mesmo tempo com peixe in natura, arroz levemente avinagrado e adocicado, e um conjunto muito delicado. O shoyu (molho de soja) entra na brincadeira, dando um toque salgado importante. Para não complicar e de fato, deve ser evitado, não consideramos o wasabi, aquela pastinha verde, extremamente picante.

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harmonizações interessantes

Vallontano Espumante Extra Brut  LH. Zanini 2012

Este espumante nacional é elaborado no Vale dos Vinhedos, Serra Gaúcha, pelo método Tradicional com as uvas Chardonnay (75%) e Pinot Noir (25%). O vinho-base não tem passagem por barrica e as garrafas permanecem sur lies por 24 meses após a espumatização. A designação Extra Brut sugere que a bebida seja bastante seca. Importadora Mistral (www.mistral.com.br).

A maior proporção de Chardonnay dá leveza ao conjunto. A austeridade da bebida por ser Extra Brut combina bem isoladamente com o peixe in natura. Contudo, temos que analisar o conjunto onde o arroz é parte importante. Neste caso, falta textura ao espumante e principalmente um lado mais macio e adocicado.

Conclusão: Vá de espumante Brut ou até Extra-Dry, onde aquele açúcar residual é mascarado pela alta acidez do espumante e ao mesmo tempo, quebra a austeridade desnecessária de um Extra-Brut ou Brut Nature. Deixe essas versões para o sashimi. Aí sim, só a maresia do peixe sem interferência do arroz, cria uma sinergia de texturas. Quanto mais mineral for o espumante, melhor o casamento com o peixe in natura.

Portal do Fidalgo Alvarinho 2014

Este branco português do Minho é elaborado pela Provam, uma espécie de cooperativa das sub-regiões Monção e Melgaço, referentes à denominação Alvarinho. Totalmente vinificado em aço inox, não tem nenhum contato com madeira. Seus aromas são citrinos, minerais e florais.

Na harmonização, este branco mostrou bela acidez, corpo adequado e mineralidade interessante para o prato. O grande problema é que ele tinha um amargor importante, inerente ao vinho. Na combinação, esse amargor foi intensificado, faltando um lado um pouco mais frutado do vinho.

Normalmente, vinhos verdes, não necessariamente Alvarinhos, podem dar certo. Eles são mais delicados, álcool comedido, e comumente apresentam um lado off-dry interessante para a harmonização.

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harmonizações complicadas

Chateau St Hilaire Rosé Tradition Coteaux d´Aix-en-Provence 2015

Tradicional rosé da Provence com as uvas Grenache (60%) e Syrah (40%) elaborado pelo método de Pressurage Direct. Rosé bem claro, delicado, sem nenhum contato com madeira. Seus aromas cítricos, florais e de ervas, caracterizam bem a tipicidade desses rosés. É bom frisar um lado extremamente seco do vinho. Importadora Premium (www.premiumwines.com.br).

Os rosés da Provence costumam mostrar belo frescor e fruta vermelha mais comedida. O vinho mostrou-se adequado quanto ao corpo e textura para o prato. Porém, impróprio na harmonização, devido à extrema secura do vinho. O lado adocicado do arroz agrediu sua acidez, além da maresia do peixe metalizar levemente o vinho. O atum, por ter um sabor mais pronunciado,  mais estruturado, foi o que menos apresentou conflitos.

Deve-se evitar rosés com sushis. Em novas experiências, talvez rosés delicados mas com um lado frutado mais intenso, possam dar certo. Por exemplo, alguns rosés do Loire com a uva Gamay, a mesma uva do Beaujolais.

S.A. Prüm Wehlener Sonnenuhr Kabinnet Riesling 2012

Belo Riesling alemão do Mosel do vinhedo Wehlener Sonnenuhr em solo de ardósia. Classificação máxima para padrões alemães, VDP Grosse Lage é o equivalente ao Grand Cru francês. A inclinação de 70% do terreno garante uma boa incidência solar em elevadas latitudes. A vinificação é feita em grandes tonéis de madeira inerte com longo contato sur lies na maturação. A categoria Kabinett admite um final off-dry com um teor máximo de 9 g/l de açúcar residual. Importadora Vindame (www.vindame.com.br).

Foi a combinação de menor conflito de um modo geral, mostrando que esse tipo de Riesling alemão apresenta corpo, textura, acidez, mineralidade e um certo adocicado interessante ao prato. Entretanto, esse adocicado ficou um pouco acima do esperado. Além disso, o vinho aromaticamente era muito potente para o prato, sobrepondo-se um pouco no conjunto. O ideal é um Riesling Trocken ou Halbtrocken (meio seco) da região do Mosel, mais delicado. Pode ser também um alsaciano, desde que não seja muito austero e seco.

Um vinho interessante a ser testado para este casamento é o Jerez, fortificado espanhol do sul do país. Este vinho apresenta um teor alcoólico semelhante ao saquê, porém é extremamente seco. É exatamente este detalhe que pode atrapalhar na harmonização com um Fino ou Manzanilla, os jerezes mais minerais com crianza biológica.

Em resumo, trata-se de uma harmonização delicada, onde a sintonia fina pode fazer grande diferença. Em linhas gerais, a indicação de espumantes Brut e Rieslings são as mais seguras.

Festas: sugestões de vinhos

10 de Dezembro de 2015

Nesta época do ano é normal as pessoas procurarem dicas, conselhos, informações sobre vinhos. Seja para consumo próprio ou presentear, as opções são inúmeras. Infelizmente, os preços não ajudam. Com a alta do dólar e também de impostos, a equação está cada vez mais difícil de ser resolvida. Portanto, vinhos que realmente valem a pena indicar estão na faixa entre R$ 100,00 e 200,00 reais.  E olha que não estou falando em sofisticação, pois nesta área o céu é o limite.

Segue abaixo uma relação para vários tipos da bebida, desde entrada até sobremesas, cafés, charutos, etc …

Cave Geisse: bela surpresa

Espumantes e champagnes

  • Cave Geisse (espumante nacional entre os melhores, se não for o melhor). veja site abaixo, na própria vinícola, ou na Ville du Vin.
  • Chandon Brasil (sempre consistente, fácil de encontrar e preços razoáveis). Várias lojas de bebidas em São Paulo.
  • Cava (tradicional espumante espanhol). Raventós da Decanter e Gramona da Casa Flora, sempre confiáveis.
  • Champagnes (é uma questão de gosto e estilo. Louis Roederer, Gosset, Deutz e Larmandier têm preços honestos. Evidentemente, acima da faixa de preço no início do artigo). Importadoras Franco-Suissa, Grand Cru, Casa Flora e Cellar, respectivamente.

Um dos grandes alemães da Decanter

Vinhos brancos

  • Rieslings alemães (importadora Decanter tem boas opções).
  • Chablis William Fèvre (importadora Grand Cru).
  • Sauvignon Blanc (Terrunyo da Concha Y Toro, vinícola Pericó de Santa Catarina e Jackson Estate da Nova Zelândia, importadora Premium). A linha Concha Y Toro é encontrada na Ville du Vin.
  • Chateau Reynon e Clos Floridene (dois bordeaux da Casa Flora)
  • Chardonnay (Catena Alta da Mistral  e De Martino Quebrada Seca da Decanter)

Bierzo e a uva Méncia

Vinhos tintos

  • Rioja de vários tipos (Crianza, Reserva e Gran Reserva). Rioja Alta da importadora Zahil, CVNE da Vinci e Luis Cañas da Decanter).
  • Tintos de Bierzo (região espanhola pouco conhecida. Boas opções na Decanter e Grand Cru).
  • Chianti Classico (Castello di Ama da Mistral, Fontodi da Vinci, e Felsina Berardenga da Mistral).
  • Tintos do Douro (Quinta do Crasto, Quinta do Noval, Niepport).
  • Malbecs da Argentina (Catena da Mistral, Viña Cobos da Grand Cru, Noemia da Vinci e Achaval Ferrer da Inovini).
  • Merlots nacionais (Miolo Terroir, Pizzato DNA 99 e Desejo da Salton). Encontrados em boas lojas de bebidas.
  • Chateau Giscours 2009 Margaux – Grand Cru Classe – importadora Cellar
  • Chateau Sociando-Mallet 2009 – Haut-Médoc – importadora Cellar
  • Vinícola Rippon (grande Pinot Noir da Nova Zelândia). Importadora Premium.

Tawnies e Charutos

Portos, fortificados e colheita tardia

  • Porto Fonseca Bin 27 (Mistral ou Casa Santa Luzia)
  • Burmester Tawny Jockey Club (Adega Alentejana)
  • Quinta do Noval LBV Unfiltered (Grand Cru)
  • Jerez: Emilio Lustau da Ravin e Hidalgo da Mistral
  • Morandé Late Harvest da Grand Cru
  • Chateau Haut-Bergeron Sauternes da Cellar

Se você pensar em vinhos franceses ou italianos, a escolha natural é a importadora Cellar. A seleção é ótima e os preços não são abusivos. Responsável: Amauri de Faria.

Porto Fonseca e champagne Louis Roederer são encontrados na Casa Santa Luzia. Os nacionais acima mencionados, também.

Importadoras

Vinho em destaque: Rippon Pinot Noir

17 de Março de 2011

A Nova Zelândia sempre demonstrou vocação na elaboração de bons vinhos com a caprichosa uva Pinot Noir. Notadamente, as regiões de Martinborough (sul da ilha norte) e Central Otago (região central da ilha sul) são as mais confiáveis.

A vinícola Rippon abaixo localiza-se em Central Otago, às margens do lago Wanaka, sob a orientação do enólgo Nick Mills e equipe. O projeto é totalmente biodinâmico, com forte conceito de terroir. Nick passou alguns anos na Borgonha absorvendo o savoir-faire de produtores como Jean-Jacques Confuron e também na Domaine de La Romanée-Conti.

Um dos vinhedos mais bonitos do mundo

As videiras do Rippon Pinot Noir 2006, importado pela Premium (www.premiumwines.com.br),  foram plantadas entre 1985 e 1991 com clones criteriosamente selecionados, numa densidade de 3800 pés/hectare. O solo é rico em  minerais, com marcante presença de xisto. A maturação das uvas é bem lenta, com a colheita ocorrendo entre final de março e boa parte de abril.

O mosto foi fermentado com leveduras naturais de forma lenta e gradual. A longa maceração (contato com as cascas) permitiu extrair aromas diferenciados e destacada estrutura tânica, evidentemente em diferentes faixas de temperatura. Posteriormente, o vinho foi amadurecido em barricas francesas (apenas 30% novas) por um período de 18 meses. Foi engarrafado sem filtração.

Elegante, diferenciado, além de bem equilibrado. A madeira de nenhum modo incomoda, apenas enriquece o conjunto. Tem nível de um Premier Cru da Borgonha, apresentando algumas nuances de um Chambolle-Musigny. Não confundir com Rippon Jeunesse Pinot Noir, de parreiras jovens. 

Terroir: Sauvignon Blanc

9 de Novembro de 2010

O chamado Loire do Centro ou Alto Loire  é o berço espiritual da Sauvignon Blanc sob as apelações Pouilly-Fumé e Sancerre. O clima frio aliado às características predominantemente continentais, além de solos específicos, garantem um Sauvignon autêntico e de singular tipicidade. Os principais solos encontrados na região são com predominância de sílex ou solos do tipo Kimeridgiano, conforme fotos abaixo, respectivamente.

Sílex: rocha sedimentar composta de quartzo e argila

Solo kimeridgiano: fósseis marinhos calcinados em marga

Esses tipos de solo, segundo os terroiristas, transmitem a peculiar mineralidade destes vinhos, sempre acompanhada de uma notável acidez. No segundo tipo de solo (kimeridgiano), percebemos nitidamente conchas de ostras (fósseis marinhos) que foram solidificadas em outras eras geológicas. Afinal, o local já foi mar um dia. Este mesmo tipo de solo é famoso em Chablis, principalmente na faixa nobre dos sete Grands Crus (Blanchot, Grenouilles, Valmur, Les Clos, Vaudesir, Preuses e Bougros).

Portanto, o Sauvignon do Loire apresenta um estilo incisivo com aromas discretos, além da mineralidade acentuar-se ao longo do envelhecimento em garrafa. Sua acidez marcante é muito apropriada para entradas e pratos leves, notadamente da cozinha japonesa (peixes in natura).

 

Um das referências em Pouilly-Fumé

Além do sofisticado Baron de L acima, a domaine Ladoucette elabora outros exemplares dignos da apelação, que são importados pela Vinci (www.vinci.com.br). Chateau de Tracy e Michel Redde também são opções seguras das importadoras Decanter (www.decanter.com.br) e Club Taste Vin (www.tastevin.com.br), respectivamente.

 

Nova Zelândia

Rótulo histórico para o Novo Mundo

O exemplar acima colocou definitivamente a Nova Zelândia no mapa do vinho, mostrando ao mundo uma nova dimensão de Sauvignon Blanc, com uma tropicalidade ímpar.

O terroir chama-se Marlborough (porção nordeste da Ilha Sul neozelandesa). O terreno apesar de plano, tem excelente drenagem, graças ao solo de gravilha (espécie de pedrisco), que escoa a água rapidamente. A região é protegida ao norte e a oeste por uma cadeia de montanhas (ver foto abaixo retratada no rótulo do Cloudy Bay) dos ventos frios e úmidos, impiedosos nesta ilha. A insolação é uma das maiores no mundo vitícola, propiciando amadurecimento perfeito das uvas. Para completar, as noites são frias, provocando a tão benvinda amplitude térmica para manter ótimos níveis de acidez.

Richmond Ranges: barreira natural contra os ventos

Nestas condições temos um Sauvignon de bom corpo, extremamente frutado com incríveis toques tropicais (notadamente o maracujá), complementado por ervas, flores e em alguns casos, um fundo mineral discreto. O grande trunfo destes vinhos é sua bela acidez, frescor, valorizando e equilibrando sua exuberância frutada. Um dos melhores exemplares da atualidade é o Sauvignon Blanc Jackson Estate, importado pela competente e especializada importadora de vinhos neozelandeses Premium, www.premiumwines.com.br

Portanto, dois estilos incríveis de Sauvignon, respeitando seus respectivos terroirs, esperando o momento adequado para serem apreciados. Para um salmão defumado, como entrada, vá de Sauvignon do Loire. Já uma posta de salmão cozido no vapor ou em papillote, com ervas, especiarias, e gaurnições delicadas, vá de Sauvignon da Nova Zelândia. Bon Appétit!


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