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Cult Wines and Steak

26 de Janeiro de 2018

Nada como um bom Cabernet Sauvignon para amalgamar seus taninos em meio à suculência de belos cortes de carne. Foi exatamente esta ideia que nos levou a conhecer mais um restaurante do grupo Varanda Grill Faria Lima.

menos de uma barrica por safra

Por uma questão de tipologia, carnes de excepcional qualidade pedem vinhos à altura. Portanto, os belos Cabernets do Napa Valley cumpriram bem sua missão. Antes porém, uma obra-prima de Madame Leroy, os estupendos brancos Domaine d´Auvenay. Neste caso um Puligny-Montrachet Les Enseignères 2012 Premier Cru. Menos de uma barrica produzida (225 garrafas). Um primor de vinho, embora muito novo, quase um feto. Precisa ser obrigatoriamente decantado por duas horas, para poder expressar alguma de suas virtudes e segredos. Equilíbrio, harmonia, persistência; notáveis.

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Estilo Novo Mundo sem cerimônias

Foi o que menos me agradou. Embora com seus quase 20 anos, Grace Family faz um Cabernet Sauvignon com os típicos toques mentolados do Novo Mundo. Nesta safra de 1989 houve dificuldades no amadurecimento das uvas, mostrando claramente toques de pirazina (algo herbáceo, lembrando pimentão). No mais, a evolução do vinho estava correta com bom equilíbrio em boca, sem sinais de decadência. O grande ano deste vinho foi 1985 com 96 pontos.

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o clássico assado de tira

Uma carne macia com boa presença de gordura pede vinhos com boa acidez. Neste caso, o Grace Family cumpriu bem seu papel, fornecendo ótimo frescor. Foi o de menor teor alcoólico do painel.

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93 pontos numa safra exuberante

Talvez o melhor vinho do almoço por sua prontidão, embora possa ser adegado por mais tempo. Um Cabernet encorpado, taninos ultra macios, e álcool bem sustentado por ótimo meio de boca. Muita fruta presente, indicando que seu platô de evolução parece ser amplo.

IMG_4208.jpgFilé Mignon com osso

Esta é uma parte nobre do T-bone do lado mais estreito, onde se encontra o filé mignon. Um filé alto corretamente assado com uma suculência muito agradável. Fez bonito par com o vinho abaixo, Abreu Madrona Ranch, e tenho certeza que também seria ótima companhia para o Lokoya 1997, acabado antes de chegar o prato.

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vinho elegante que se aproxima dos grandes Bordeaux

Aqui, outra fera de Napa. Madrona Ranch é o melhor vinhedo da vinícola Abreu. A safra de 1996 foi minúscula, mas de ótima qualidade. O que falta da potência de 1997, sobra em elegância neste 1996. De fato, foi o mais bordalês de todo o flight. Seus aromas terciários lembrando couro e tabaco, remetiam aos bons tintos de Pessac-Léognan. Equilíbrio notável e taninos finíssimos. Um vinho quase perfeito, 98 pontos.

uma promessa de 100 pontos

O vinho acima é o mais novo 100 pontos de um dos mais caros Cult Wines, safra 2012. No momento, uma explosão de frutas numa opulência sem igual. Um típico corte bordalês de margem esquerda (79% Cabernet Sauvignon, 17% Merlot, 4% Cabernet Franc). Seus 14,8° de álcool são perfeitamente balanceados por um extrato fabuloso e um ótimo frescor. Seus taninos são rolimãs em boca, tal a textura sedosa dos mesmos. Previsão de auge, ano 2034.

Enfim, mais uma ótima experiência de carnes vermelhas nobres com tintos tânicos, sem modismos e invenções de professor Pardal. Afinal, para que complicar o óbvio. 

Agradecimentos aos confrades presentes, começando bem o ano 2018. Aqui é como o Brasileirão. Cada jogo é uma final e quem tem mais pontos ao longo do ano, leva a taça. Abraço a todos!  


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