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Scotch Whisky: A diversidade dos Maltados

28 de Outubro de 2016

O whisky escocês tem penetração mundial com marcas superconhecidas e consagradas. Entretanto, essas marcas estão relacionadas ao que chamamos Blended Whisky, ou seja, uma mistura de whiskies tendo na sua essência a presença de um Malt Whisky. É exatamente esta produção diminuta e altamente respeitada pelos especialistas na bebida é que vamos falar neste artigo, sobretudo com as destilarias Glenmorangie e Ardbeg. Seus nomes são tão distintos quanto seus respectivos Malts.

Glenmorangie

Pronuncia-se “glen-mô-ran-gi” (proparoxítona). Esta destilaria está localizada bem ao norte da Escócia numa zona litorânea. É a chamada Highlands do Norte, terra também do outro grande maltado denominado Dalmore.

O que impressiona em seus maltes é a consistência de qualidade. Você pode não gostar de um determinado estilo, mas tem que reconhecer seus atributos. E estilo não vai faltar para seu paladar, por mais exigente que você seja. Entre as linhas de maturação clássica e de extra maturação são pelo menos 19 diferentes single malt whisky. O pulo do gato é a diversidade de tipos de madeira, ou seja, os toneis onde a bebida é envelhecida por longos anos.

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taças lado a lado

Na degustação realizada na sede da Chandon em São Paulo, sob o comando de Raphael Vidigal, Gerente de Produtos, tivemos uma experiência além de prazerosa, muito didática, colocando lado a lado, toda a linha de maltes disponíveis no Brasil do grupo LVMH.

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sabor hedonista

Acima, o single malt de entrada da casa, The Original. Este malte é envelhecido em barris de carvalho americano (Bourbon Whiskey), promovendo uma textura macia em boca. Seus aromas de baunilha, de amêndoas e alguns toques florais, transmitem sutileza ao conjunto. Uma bebida fácil de se gostar, abrangendo um grande público. Uma bela maneira de entrar no mundo Single Malt.

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sutileza e complexidade

Aqui começamos a linha extra maturação Lasanta com envelhecimento em barris de Jerez (Sherry), tanto o Oloroso, como o PX (Pedro Ximenez). O barril de Jerez dá suavidade ao conjunto, mantendo um ótimo frescor na bebida. Seus toques cítricos, de caramelo, café, e notas amendoadas, fazem deste Single Malt algo complexo e sutil. Grande harmonização para o primeiro terço de um Havana.

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potente e aromático

Aqui, a finalização do envelhecimento do Single Malt The Quinta Ruban da-se em pipas de vinho do Porto. Os aromas de chocolate, frutas secas e especiarias, dominam o nariz, transmitindo grande potência aromática. Em boca, é untuoso, encorpado, e muito macio. Neste caso, a harmonização com um bom Havana em seu terço final pode ser extremamente prazerosa. Finaliza-lo com chocolate entremeado com frutas secas é também surpreendente.

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suavidade mélica

Neste caso, a extra maturação do Néctar d´Or dá-se em barricas de Sauternes, proporcionando uma suavidade, uma feminilidade incrível. Seus toques de mel, chocolate branco, especiarias doces, permeiam o nariz. Macio em boca, lembrando de alguma forma o lado suave de um bom Speyside. Pode ser desafiador combiná-lo com um crème brûlée salgado à base de cogumelos. Bastante sutil e delicado.

Uma pausa para a Extra Maturação

Nos três exemplos acima, percebemos a influência de madeiras diferentes, as quais imprimem suas características nos respectivos Single Malts. Isso é possível após uma certa educação com o whisky recém-saído do alambique de uma força extraordinária. Nesta primeira fase por volta de dez anos, a bebida repousa nas madeiras americanas de Bourbon, afim de prepara-la  adequadamente para captar as nuances das madeiras de vinho a seguir.

Posteriormente, os dois anos seguintes em média, são suficientes para aportar certas sutilezas que os diferenciam entre si, sem mexer na essência da bebida. De fato como vimos, as bebidas claramente, provocam sensações distintas e bem definidas.

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a força e personalidade de Islay

Aqui deixamos Glenmorangie, norte da Escócia, e vamos para o sul do país, na ilha de Islay (pronuncia-se aila). Estamos diante de um dos grandes Single Malts do mundo, o autêntico Ardbeg, se não for o melhor, embora os maltes desta ilha não tenham meio termo, ou seja, “ame-o ou deixe-o”.

De todo modo, o mais impactante neste whisky é aspecto turfoso que invade suas narinas. É algo defumado, medicinal, e iodado, lembrando maresia. Os toneis de Jerez neste caso são imprescindíveis. É a madeira ideal para domar uma fera dessa saída bruta do alambique, sem macular sua incrível personalidade.

O que faz de Ardbeg algo único, comparado a seus ótimos concorrentes como Laphroaig e Lagavulin, é sua incrível e surpreendente suavidade em boca, dada a potência aromática de seu malte. Parece que ele tem a turfa na medida certa, permitindo em meio a esse turbilhão, notas mais suaves como toques cítricos, marinhos e de frutas secas. Excelente parceria com salmão defumado e talvez o único capaz de encarar um arenque.

Agradecimentos ao pessoal da LVMH Chandon Brasil, especialmente a Raphael Vidigal, pela oportunidade. As bebidas acima citadas das duas destilarias, Glenmorangie e Ardbeg, são trazidas exclusivamente pelo grupo LVMH, e distribuídas em inúmeros e estratégicos pontos de venda pelo Brasil.

Single Malt Scotch Whisky: Parte IV

15 de Setembro de 2011

Retomando as sub-regiões escocesas, vamos às Highlands e um trecho específico chamado Perthshire (Central Highlands), seguindo nosso mapa abaixo:

 

Perthshire (Central Highlands)

Esta região abaixo de Speyside costuma elaborar maltes macios, semelhantes a seu vizinho, porém com um pouco mais de força. O Single Malt Dalwhinnie sintetiza bem este conceito, podendo agradar vários paladares. É um clássico da região. Outro belo malte é The Edradour, difícil de ser encontrado por aqui.

A versão 15 anos é um verdadeiro clássico

Highlands

As chamadas Terras Altas  englobam além de Speyside e Perthshire, as chamadas Highlands Ocidentais, Orientais e do Norte. Normalmente, fora de Speyside e Perthshire, os Maltes costumam ser ainda mais potentes, intensos e com um teor de turfa mais acentuado. Nada comparado aos Maltes de Islay, os mais potentes e impactantes de toda a Escócia. Neste contexto, se você quiser conhecer um autêntico Single Highland Malt, fique com o espetacular Dalmore, localizado na Highlands do Norte. Sem dúvida, um dos melhores de toda a Escócia. É intenso e encorpado.

Dalmore 12 anos: Escolha certeira

Outro nome que não pode deixar de ser mencionado é Glenmorangie, muito consistente. As versões envelhecidas em barris de Vinho do Porto e Madeira são soberbas. Já o Single Malt Royal Lochnagar das Highlands Ocidentais tem um lado mais etéreo, evocando o Jerez e certa salinidade (próxima ao mar). Não é encontrado no Brasil ainda.

 


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