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O vinho reduzido a números!

15 de Março de 2017

Fala a verdade! É chato você reduzir um vinho a uma nota, um número. Entretanto, a vida muitas vezes não tem esse lado romântico. É preciso quantificar, avaliar, dar notas e aí, a polêmica está naturalmente sacramentada. Para complicar um pouco mais, as escalas de notas, os critérios, são os mais variados e subjetivos. Por mais que você queira ser cartesiano, como quantificar complexidade por exemplo?

A mais famosa das escalas é a pontuação de 0 a 100 pontos. Melhor dizendo, 50 a 100 pontos. Melhor ainda, 80 a 100 pontos. Experimente pontuar um vinho abaixo de 80 e mostra-lo numa prateleira de vinhos. Ele jamais será vendido. Engraçado! quando eu tirava notas escolares em torno de 80, era uma maravilha. Para o vinho, os critérios são bem mais rigorosos.

De fato, com os atuais conhecimentos enológicos, conhecimentos de campo (viticultura), é praticamente obrigação de uma vinícola séria elaborar vinhos com pelo menos 80 pontos. Tanto é verdade, que mais de 80% dos vinhos avaliados apresentam notas entre 80 e 90 pontos.

rating winesAs várias escalas de pontuação

Esta escala centesimal é mais fácil de ser compreendida pelo público, embora para notas maiores que 90, e principalmente 95, o acréscimo de um ponto a mais na nota tem um efeito mais exponencial do que linear. Essa sensação complica mais ainda, quando lidamos com a escala de 0 a 20 pontos, cada vez mais popular. Por exemplo, Jancins Robinson, Revista de Vinhos, Revue du Vins de France, entre outras publicações.

quinta crasto touriga ncional 2011

Wine Spectator 95 pontos

Revista de Vinhos 17,5 pontos

Para exemplicar, vamos ao rótulo acima do excelente tinto português Quinta do Crasto Touriga Nacional 2011. Esse vinho foi avaliado com 95 pontos pela Wine Spectator e 17,5 pontos pela Revista de Vinhos de Portugal. Será que essas notas se equivalem? vejamos …

Pontuação 12 a 20

Exame Visual: até 3 pontos

Exame Olfativo: até 7 pontos

Exame Gustativo: até 10 pontos

Para tentar explicar a pontuação de 0 a 20, vamos imaginar dois pensamentos extremos de avaliação, analisando as principais notas mostradas na maioria das publicações.

Nota 13

Num pensamento simplista, para comparar esta nota com a escala de 0 a 100, basta multiplicar por cinco a nota em questão. Portanto, nota 65. Claramente, uma nota baixíssima e absurda. Por outro lado, vamos imaginar que o critério de 0 a 20  seja dar notas a partir de 80 pontos, já que praticamente não existem vinhos comerciais abaixo deste valor. Portanto, adicionamos 13 pontos aos básicos 80, resultando em 93 pontos. Outra nota absurda, reservada somente a grandes vinhos.

Fazendo uma média aritmética entre 65 e 93, chegamos a 79 pontos, algo bem mais razoável para a escala em questão. Aplicando este raciocínio para as demais notas sucessivas (14, 15, 16, …), vamos acrescendo três pontos a cada degrau.Portanto, 14 equivale a 82, 15 a 85, 16 a 88, 17 a 91, 18 a 94, e 19 a 97.

Voltando ao nosso exemplo, os 17,5 pontos da Revista de Vinhos chega próximo a 94 pontos, fazendo algum sentido na comparação. Talvez pelos portugueses não serem tão comerciais como os americanos, mesmo sendo um vinho da Terrinha, o critério é mais rigoroso. Mais uma lição, a fonte de pontuação é fundamental para termos credibilidade com esses números.

Para uma correta avaliação é preciso certificar-se que o vinho não apresenta defeitos, esteja na temperatura correta, e seja degustado em taças ISO de degustação. Conhecer a região, a denominação de origem do vinho em questão, reforça a credibilidade da nota.

Vinhos: Critérios de Pontuação

24 de Fevereiro de 2011

Robert Parker, o crítico mais temido em Bordeaux, foi o pioneiro em dar números aos vinhos, sacramentando a escala de 50 a 100 pontos. Portanto, a nota máxima seria o vinho perfeito. Parker pode ser discutível em vários aspectos mas Bordeaux, ele conhece como ninguém. Já provou praticamente todas as safras do século passado dos principais châteaux da região. Portanto, é bastante rigoroso com os Crus Classés, pois sabe exatamente aonde um grande bordeaux pode chegar.  Normalmente, suas notas podem ser aumentada em dois ou três pontos por degustadores amadores.

Sabemos que um vinho não se resume a números. Entretanto, não podemos viver de filosofia e subjetivismos. As pessoas gostam de opiniões mais palpáveis. O que muita gente não entende, são os critérios para pontuar vinhos. É muito comum, amadores que pela primeira vez, preenchem uma ficha de degustação, darem notas extremamente baixas para os vinhos degustados. Realmente, os adjetivos descritos nas fichas confundem os degustadores menos experimentados.

Outra noção pouco compreendida pelas pessoas é a progressão não inteiramente linear das notas, ou seja, até uma certa pontuação, temos um acréscimo de nota razoavelmente linear. Contudo, para notas mais altas, esta progressão passa a ser exponencial. Resumindo, um vinho de 100 pontos é qualitativamente muito melhor (muito mais que o dobro) do que um vinho de 50 pontos. Realmente, a diferença é abissal.

Ficha de Degustação: existem inúmeros tipos

Examinando a ficha acima, percebemos que os aspectos visuais, olfativos e gustativos, numericamente, vão aumentando de importância. É bom ressaltarmos o aspecto olfativo na degustação pois implicitamente, ele está inerente ao aspecto gustativo por via retronasal. Passemos então, a esclarecer as principais faixas de pontuação na análise dos vinhos:

  • 50 a 59 pontos

        Com o conhecimento técnico-científico da atualidade, é inaceitável vinhos dentro desta pontuação. São vinhos grosseiros, desprezíveis, que não merecem ser provados.

  • 60 a 69 pontos

São vinhos abaixo da média, notadamente desequilibrados. Percebe-se a falta de cuidado na elaboração dos mesmos, com objetivos puramente comerciais.

  • 70 a 79 pontos

Ainda estamos numa faixa muito pouco atraente. Consumidores deste tipo de vinho não estão preocupados com qualidade e provavelmente visam única e exclusivamente o preço, que nem sempre é atraente. São vinhos sem caráter e extremamente instáveis.

  • 80 a 89 pontos

Aqui já entramos numa faixa bem mais agradável, com preços muitas vezes interessantes. São vinhos de boa qualidade, honestos, demonstrando algumas vezes, identidade própria, e não tão comerciais. É bem verdade, que muitos vinhos caros enquadram-se nesta faixa de notas relativamente linear. Portanto, dois ou três pontos de diferença, pode ter justificativa no preço.

  • 90 a 95 pontos

Esta faixa são para poucos. Aqui é possível constatar a presença de um terroir diferenciado. Vinhos mais complexos e de personalidade, às vezes difíceis de serem avaliados. Há também o outro lado da moeda, na força do marketing de alguns vinhos que tentam mostrar o que não são. Muito cuidade nesta faixa!

  • 96 a 100 pontos

Aqui entramos no terreno das obras de arte. Portanto, o preço é altamente discutível. Claramente, estamos falando de terroirs diferenciados e na sua grande maioria, com grande potencial de guarda. A pontuação é bastante pessoal e cada ponto está em escala exponencial. A perfeição está muito próxima. O exemplo abaixo mostra um bordeaux perfeito com nota 100 de Parker, consistentemente degustado. Segundo Parker, é um vinho para chegar com fôlego a seu centenário, ou seja, 2082. Realmente, é beber de joelhos!

Mouton 82: Potência e Elegância em alto nível


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