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Champagnes para 2018

7 de Dezembro de 2018

Nesta época do ano precisamos falar algumas palavras sobre Champagnes, o vinho das Festas e Comemorações. Disparadamente, o melhor espumante do planeta, Champagne também tem uma das maiores produções e estoques mundiais. Estamos falando em mais de 300 milhões de garrafas por ano e estoques em torno de 1,5 bilhão de garrafas. Metade deste negócio é exportado todos os anos. A outra metade faz a festa dos franceses.

Sempre é bom lembrar os desavisados sobre a nomenclatura confusa dos espumantes quando o assunto é açúcar residual, ou seja, o grau de doçura dos espumantes. Segue abaixo a nomenclatura em Champagne, geralmente copiada para outras regiões de espumantes mundo afora. Esses termos, não as dosagens, vêm escritos nos rótulos.

  • 0 a 3 gramas por litro = Pas Dosé, Dosage Zéro, ou Brut Nature
  • 0 a 6 gramas por litro = Extra-Brut
  • 0 a 12 gramas por litro = Brut
  • 12 a 17 gramas por litro = Extra Dry ou Extra Sec
  • 17 a 32 gramas por litro = Sec ou Dry
  • 32 a 50 gramas por litro = Demi-Sec
  • mais de 50 gramas por litro = Doux

Nas três primeiras categorias, o champagne é seco. Cuidado com os Extra-Brut e Pas Dosé. Apesar de estarem na moda, são extremamente secos. Não é todo mundo que gosta. Alguns chegam a ter uma certa adstringência em boca.

Os Extra-Dry  e Sec têm doçuras perceptíveis e podem combinar muito bem com pratos agridoces ou com algumas sobremesas delicadas com muito pouco açúcar. O famoso bolo de casamento, se inclui nestas categorias. Já o termo Doux está quase em desuso, além de ser extremamente doce.

Feitas as devidas considerações, vamos a algumas sugestões levando em conta originalidade, tipos e estilos diferentes, e lógico, a qualidade em si dos champagnes. Não são bebidas baratas, mas para quem está disposto a adquiri-las, são preços comparativamente interessantes. Encontrados no mercado brasileiro.

champagne deutz brutChampagne Deutz Brut Classic

Se você procura por um champagne de bom preço sem abrir mão da qualidade, esta é uma boa pedida. Embora seja importada pela Casa Flora, a Maison Deutz pode ser encontrada em várias lojas de bebidas finas por preços até abaixo de 300 reais, evidentemente esta cuvée básica sugerida. Casa de origem alemã, tem uma precisão incrível na elaboração de champagnes. Nesta cuvée, mescla com harmonia as três uvas (Chardonnay, Pinot Noir, e Pinot Meunier). Champagne elegante, bem balanceado em açúcar, ou seja, é agradavelmente seco. Desde os brindes até à mesa, tem competência para fazer a festa dos convivas.

champagne pierre peters

Champagne Pierre Péters Cuvée Extra Brut

Se você procura um champagne diferente, artesanal, a Maison Pierre Péters pode ser a solução. Sua produção não chega a 200 mil garrafas por ano com menos de 20 hectares na região da Côte des Blancs. Portanto, estamos falando exclusivamente de Chardonnay de vinhas antigas. Esta cuvée é composta só de vinhedos Grand Cru nos melhores anos. Sua dosagem de 2g/l de açúcar residual aguça sua mineralidade, revelando notável elegância. Champagne delicado para conhecedores. Importado pela Vinci com estoques reduzidos. http://www.vinci.com.br

champagne pierre gimonnet special club

Champagne Pierre Gimonnet Special Club 2005

Outro champagne artesanal e outro Blanc de Blancs. As vinhas são antigas e provenientes de vinhedos Grand Cru. 57% Cramant Grand Cru, 30% Chouilly Grand Cru e 13% Cuits Premier Cru. Algumas dessas vinhas foram plantadas em 1911. O vinho passa pelo menos cinco anos sur lies, antes do dégorgement. A dosagem final é de 6g/l de açúcar residual. Foram elaboradas apenas 25 mil garrafas desta cuvée. Além de ser um champagne safrado, é possível perceber o poder de envelhecimento destes champagnes especiais com mais de dez anos de evolução. Importadora Premium. http://www.premiumwines.com

champagne louis roederer rose

Champagne Louis Roederer Rosé Brut 2010

Para quem não abre mão dos rosés, eis um rosé confiável da excelente Maison Louis Roederer, famosa por sua cuvée de luxo, Cristal. Esta é a safra disponível no mercado, mas pode ser outras, pois sua consistência é notável. Este é um Rosé que trabalha com dois terços de Pinot noir e um terço Chardonnay. Um terço do vinho-base é vinificado em madeira inerte e não há fermentação malolática, preservando máximo frescor. A vinho passa quatro anos sur lies, antes do dégorgement e sua dosagem final é de 9 g/l de açúcar residual. A obtenção deste rosé é feita de uma maneira especial chamada “infusão”, ou seja, o Chardonnay é vinificado com uma maceração de Pinot Noir com as cascas para uma perfeita integração de cor e sabores. Não há uma importação exclusiva. Portanto, é encontrado nas boas casas de bebidas finas.

champagne drappier charles de gaulle

Champagne Drappier Charles de Gaulle

Para quem quer experimentar uma cuvée de luxo sem pagar uma fortuna, este é um champagne clássico, gastronômico, com alta porcentagem de Pinot Noir (80%) e Chardonnay (20%). O vinho passa pelo menos três anos sur lies antes do dégorgement e tem açúcar residual baixo de 7,5 g/l. Não é um champagne para bebericar e sim para ir à mesa, acompanhando aves assadas com molho de champignons, por exemplo. Importadora Zahil. http://www.zahil.com.br 

Com essas sugestões, não deve faltar champagne nas festa de final de ano para todos os gostos e bolsos. No mais, é aproveitar esses momentos de alegria e comemorações onde essas borbulhas mágicas nos fazem sonhar com dias melhores. 

 

 

Champagnes: Final de Ano 2014

4 de Dezembro de 2014

Como sempre, a ABS-SP encerra suas atividades do ano com a tão esperada degustação de champagnes. A mesma foi um sucesso com mais de cem pessoas na sala. Champagnes de vários estilos, destacando-se os famosos Blanc de Blancs com três exemplares distintos. Outras duas mais encorpadas, mesclaram as nobres Pinot Noir e Chardonnay.

Pessoalmente, discordo em parte do notável entusiasmo pelos vinhos servidos, embora toda a experiência sensorial seja extremamente enriquecedora. Contudo, tenho algumas ressalvas nos vários champagnes degustados, confome relato abaixo:

De Sousa: Estilo ousado

Esta Maison de origem portuguesa optou nesta “Cuvée des Caudalies” por amadurecer seu vinho-base em madeira, sendo 15% de barricas novas. Esta opção também é feita por casas de enorme categoria como Krug e Bollinger, só para citar dois exemplos. Neste exemplar degustado, percebi um champagne evoluído com nítidos toques de butterscotch. Como trata-se de um champagne não safrado, não temos referências seguras de sua idade. Apesar de uma boa acidez, penso que talvez seu vinho-base não tenha estrutura suficiente para esta micro-oxigenação em madeira, sobretudo com algum aporte de barrica nova. Não ousaria em guarda-lo na adega por mais tempo.

Aromas típicos de um autêntico champagne

Uma boa safra em Champagne (2004) com vinhos bem equilibrados. Os aromas de brioche, frutas secas e confitadas, além de toques empireumáticos, marcaram este exemplar com notável tipicidade. Em resumo, nariz de champagne. Boca extremamente fresca, denotando finesse no estilo e boa evolução em garrafa. Seu contato sur lies de quatro anos é bastante compatível com a estrutura do vinho, fornecendo aromas e texturas na medida certa. Bom momento para desfrutá-lo, mas com perspectiva para mais alguns anos de guarda. Equilibrado e de final extremamente agradável.

Didática na evolução de um champagne

O tipo Blanc de Blancs além de delicado, elegante, pode envelhecer com propriedade. E é isso que aconteceu neste exemplar de safra 1999. Seus quinze anos de idade chegaram ao limite. Com nítidos sinais de evolução, perlage e mousse já deficientes, chegou o momento de toma-lo. Não como aperitivo, falta-lhe o frescor necessário, mas sim à mesa, preferencialmente com pratos que envolvam cogumelos e se possível, as belas trufas. Para seu extrato e estrutura, a evolução está completa.

Grande pedida nas Cuvées de Luxo

Sabemos o quão difícil é escolher uma Cuvée de Luxo das casas mais famosas de Champagne. Evidentemente, refiro-me aos preços, já que a alta qualidade é fator inerente ao produto. Para quem não quer gastar uma fortuna, o champagne acima é uma ótima pedida. Foi o mais jovem da noite no sentido de prontidão, inclusive na cor, extremamente luminosa. Palha claro, brilhante e com ótimo perlage. As vinhas são antigas e o contato sur lies prolongado. Sete anos antes do dégorgement comprovado no rótulo datado. Aqui se faz presente a contribuição da Pinot Noir fornecendo a devida estrutura ao blend, complementado pela elegante Chardonnay. O nariz apesar de delicado, fresco, com notas de pera, flores, cítricos, além de um comedido traço de leveduras, mostra em boca, um vinho estruturado, gastronômico e marcante. Foi a melhor persistência aromática do painel com final extremamente fresco e bem acabado. Já pode ser apreciado com prazer, porém com muitos anos de vida em adega.

Tradição e Elegância numa bela safra

Maison Pol Roger, sempre no time de cima dos grandes champagnes. A safra 2002 é a melhor do painel e talvez a melhor depois de 1996. Portanto, confesso que esperava um pouco mais deste champagne, embora esteja delicioso e muito elegante. Este também é uma mescla de Pinot Noir e Chardonnay num contato sur lies de aproximadamente oito anos. Cor um pouco mais intensa que o champagne anterior. Os aromas tostados, de frutas secas, toques empireumáticos e amanteigados, predominam no conjunto. Em boca, mousse agradável, delicada, com final macio e persistente. É também um champagne gastronômico e até numa evolução mais acelerada. Esta é a ressalva quanto à sua longevidade levando-se em conta a potência da safra. De qualquer forma, um belo final. Seguem alguns dados dos champagnes degustados:

Pol Roger Brut Vintage 2002

60% Pinot Noir e 40% Chardonnay.  Açúcar residual: nove gramas por litro.

Champagne Pierre Moncuit Blanc de Blancs Cuvée Millésime Brut 1999

100% Chardonnay de vinhas antigas. O melhor terroir da Côte des Blancs: Le Mesnil-sur-Oger. 20 hectares de vinhas Grand Cru na sua maioria.

Drappier La Grande Sendrée 2006

55% Pinot Noir 45% Chardonnay. vinhas antigas. Açúcar residual: 5 gramas por litro.

De Sousa Cuvée des Caudalies Blanc de Blancs Brut Grand Cru

Blanc de blancs 100% em carvalho (15% novos). vinhas velhas + de 50 anos. 32% do vinho fermentado em carvalho. Dosage 5 g/l.

Pierre Gimonnet & Fils Champagne Fleuron 2004 Blanc de Blancs Premier Cru Brut

Vinhas antigas – as mais velhas de 1911 e 1913. 80% mais de 30 anos e 55% mais de 40 anos -28 ha – (11 cramant e chouilly – 1 Oger – Cuis 14 e Vertus 2 há). Cuis e Vertus (1º Cru) e os demais villages, Grand Cru.

Harmonização: Champagnes – Parte II

9 de Janeiro de 2011

Champagne combina com tudo! Sirva champagne durante toda a refeição! Café da manhã com champagne!

Frases deste tipo carregam um certo exagero, mas não estão muito longe da verdade. Exceto carnes vermelhas, onde o tanino é insubstituível e pratos com texturas untuosas, os champagnes geralmente podem harmonizar muito bem, desde que se escolha o tipo adequado para cada caso. Evidentemente, comidas potentes e um tanto rústicas não combinam com vinhos elegantes.

Os champagnes são muito gastronômicos por apresentar grande acidez, frescor, álcool comedido e textura delicada. Corpo, estrutura e doçura, podem ser calibrados dentre os vários tipos e estilos de champagne.

Do exposto acima, vamos passar por alguns tipos de champagne, ressaltando suas principais características:

Blanc de Blancs

São os mais delicados, elaborados somente com Chardonnay. São leves, muito frescos e minerais. Podem envelhecer com propriedade, adquirindo aromas de trufas e frutas secas.

Acompanham muito bem peixes e frutos do mar in natura: ostras frescas, sashimis, salmão defumado. Início de refeição com petiscos, canapés e entradas leves, também são boas pedidas. Quando envelhecido, podem acompanhar massas e carnes brancas com molhos delicados à base de cogumelos e trufas.

Blanc de Noirs

Elaborado somente com Pinot Noir na maioria das vezes (a outra tinta é a Pinot Meunier). Sua cor é mais intensa, com toques dourados. Mostra-se estruturado e encorpado. Vai bem com aves de sabor mais acentuado como galinha d´angola, marreco ou pato assado. Os vários tipos de cogumelos, além de pâtes de sabor mais marcante (pâte campagne), podem harmonizar muito bem. O rótulo abaixo é 100% Pinot Noir do belo produtor artesanal Barnaut, importado pela Decanter (www.decanter.com.br).

Blanc de Noirs com uvas de Bouzy

Brut non millésimé

Este é tipo mais produzido e consumido. É o carro-chefe de cada maison e imprime o estilo da mesma. Portanto, é muito difícil generalizar. O estilo e o requinte são muito variáveis. Como exemplo, um Moët & Chandon é menos encorpado e menos requintado que um Krug Grande Cuvée, o champagne básico da casa. Chega ser até uma heresia chamar um Krug de básico, mas didaticamente, cabe bem este exemplo para notarmos o abismo que existe nesta categoria de champagne.

Em linhas gerais, devem ser tomados jovens, aproveitando todo seu frescor. Direcione os de maior porcentagem em Chardonnay para entradas e pratos leves. Já os com mais presença de Pinot Noir, para a gastronomia. Eles ficam um tanto cansativos para serem bebericados sozinhos.

Estilo leve: Moët & Chandon, Taittinger e Billecart-Salmon

Estilo encorpado: Drappier, Krug, Bollinger e Egly-Ouriet

Champagne Drappier Grande Sendrée

17 de Dezembro de 2010

Fica difícil não falar em champagne no final de ano, embora devéssemos lembrar deste tipo de vinho sempre. Para aqueles que querem se aventurar em cuvées de luxo sem gastar uma fortuna, o rótulo abaixo é uma escolha original e segura.

Drappier Grande Sendrée 2002

Elaborado com 55% de Pinot Noir e 45% de Chardonnay provenientes de vinhas com mais de 70 anos, esta cuvée passa cerca de seis anos sur lies (sobre as leveduras), antes do dégorgement. Champagne elegante onde destacam-se notas cítricas, de flores e especiarias, além do clássico brioche. Esta cuvée é sem dúvida, a mais elegante da casa, fugindo um pouco do estilo Drappier, mais potente.

Uma das curiosidades desta maison são os vinhedos baseados em Pinot Noir na região de Aube, mais ao sul do clássico trio: Vallée de La Marne, Côte des Blancs e Montagne de Reims. Seus champagnes costumam ser encorpados pela destacada presença de Pinot Noir, sendo que uma das grandes cuvées é a homenagem a um ilustre admirador, um dos maiores estadistas da França, Charles De Gaulle.

A cuvée básica da casa, Carte d´Or, é elaborada com pelo menos 80% de Pinot Noir, tornando este champagne um dos mais estruturados e encorpados da categoria. É claramente gastronômico, acompanhando muito bem salmão e aves de uma maneira geral.

Esses vinhos são importados pela Zahil (www.zahil.com.br).  
 
 

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