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Grand Cru Tasting: Destaques II

8 de Maio de 2016

Continuando a maratona de vinhos, mais alguns exemplares interessantes entre tintos e vinhos doces (sobremesa) na bela Casa da Fazenda Morumbi, sob o comando da importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br).

shiraz wallace

o clássico Shiraz australiano

Barossa Valley é a cara do autentico Shiraz australiano. Cheio de fruta, macio, envolvente, e muito bom para os dias mais frios onde aquela pitada de álcool acima é bem-vinda. O corte com a Grenache ajuda ainda mais no lado frutado e na maciez. O segredo é o vinho ter um bom balanço de frescor. Ben Glaetzer segue esta linha.

morande golden harvest

o Sauternes da América do Sul

A vinícola chilena Morandé além de moldar belos vinhos de mesa, elabora esta joia à base de Sauvginon Blanc com uvas botrytisadas. O cuidado no vinhedo, na colheita, e nas várias fases de elaboração em cantina, faz deste branco dourado um exemplo de equilíbrio notável entre seus componentes (açúcar, álcool, e uma bela acidez). Parceiro para queijos potentes, curados, além dos sempre lembrados queijos azuis.

gorgonzola dolce

la dolce vita!

Falando em queijos azuis, a foto acima mostra um autêntico gorgonzola dolce, um dos melhores queijos não só da Itália, mas do mundo. Cremoso e mais delicado que a versão normal, enriqueceu o farto buffet, além de acompanhar bem os vinhos, sobretudo os dois de sobremesa, acima e abaixo nas fotos.

delas beaumes de venise

o esquecido Beaumes de Venise

Um dos mais injustiçados vinhos do Rhône é o pouco lembrado Muscat Beaumes de Venise. Um vinho fortificado à base de Moscatel, de estilo bem delicado. Um contraponto ao notável Moscatel de Setubal de Portugal. Seus aromas florais e de pêssegos encantam ao primeiro contato. Experiência gastronômica única de contrastes de textura quando combinado com uma mousse de pêssego. Vale a pena prova-lo.

nero d´avola passivento

o Amarone da Sicilia

A típica uva siciliana Nero d´Avola molda tintos agradáveis na ilha. Contudo, este exemplar foge à regra. As uvas são colhidas  passificadas na planta, prolongando o período de colheita. Lembra de certo modo o grande tinto do Veneto, senhor Amarone, onde a passificaçao ocorre em caixas ou esteiras após a colheita. Neste sentido, o vinho ganha corpo, estrutura, e riqueza de frutas em compota. Boa concorrência para outro tinto sulino bem conhecido da Puglia com a uva Primitivo. Bela surpresa do produtor Barone Montalto.

fonterutoli

Mazzei reina em Castellina in Chianti

Há certos produtores que não podemos dissociar e nem deixar de mencionar nas regiões em que atuam. Um destes é a família Mazzei, ícone da sub-região histórica do Chianti Classico de Castellina in Chianti. Tipicidade, equilíbrio e consistência à toda prova. Pedida certa nesta denominação.

chinon serge e bruno

o lado delicado da Cabernet Franc

O vale do Loire é berço de grandes vinhos brancos nos seus mais variados estilos e uvas. Contudo, os tintos da região são conhecidos em apelações famosas como Chinon, elaborados com a casta Cabernet Franc. Vinhos de corpo médio, delicados, equilibrados, e muito gastronômicos. O rótulo acima é um bom exemplar.

pulenta cabernet franc

exemplar diferenciado num mar de Malbecs

Bem diferente do vinho acima, este tinto argentino também é elaborado com Cabernet Franc, uva pouco usual, sobretudo como varietal, na zona alta do rio Mendoza, Lújan de Cuyo, mais especificamente Agrelo, terroir de destaque.  Partindo de vinhedos antigos, perfeitamente adaptados ao solo e ao clima, as uvas são bem trabalhadas na cantina, gerando um vinho de grande personalidade. Mesclado de forma coesa à madeira, este tinto mostra equilíbrio e persistência. As barricas francesas novas respeitam a estrutura do vinho. Tinto para sair da rotina malbequiana.

morande black

sul da França no Maule

Mais um show da Morandé neste corte ousado mesclando uvas do Rhône com a Carignan. São vinhedos plantados nos anos 50 que garantem aquela concentração das chamadas vinhas velhas. Um toque de rusticidade neste tinto de personalidade muito bem integrado com a madeira a qual quase não se percebe. Exemplar fora da curva, fugindo da rotina.

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Grand Cru Tasting: Destaques I

4 de Maio de 2016

Como acontece periodicamente, a importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) realiza um belo evento mais uma vez na Casa da Fazenda Morumbi. Lugar lindo, charmoso e de muita descontração. No lado externo, dá até para fumar um Puro com os fortificados da casa, evidentemente depois da degustação, e se houver tempo para tal.

São muitos vinhos dos mais variados estilos, categorias, produtores e regiões. É difícil especificar alguns destaques. Pessoalmente, seguem algumas sugestões de compras seguras.

Os vinhos de entrada, incluindo espumantes.

fritz haag

Um clássico do Mosel

É difícil bater um bom riesling em elegância, delicadeza e pureza de aromas. O exemplar acima traduz bem isso. Grande produtor do Mosel, Fritz Haag é um quatro estrelas no guia Hugh Johnson. Além de ser um branco de entrada, aperitivos, pode acompanhar bem pratos leves do mar, além de carnes levemente defumadas.

broglia gavi

branco delicado

Um clássico piemontês, Gavi é uma denominação tradicional de brancos com a uva Cortese. Muitos deles, insípidos e desinteressantes. Neste caso, um vinho leve, sutil e agradavelmente perfumado. Além de entradas e aperitivos, os pratos eventualmente de acompanhamento devem ser bem delicados.

villa crespia

blanc de blancs da Lombardia

Franciacorta é considerada a “Champagne” da Itália. Localizada na Lombardia, junto ao lago Iseo, produz espumantes de alta qualidade obrigatoriamente pelo método clássico. Este em particular, trata-se de um Blanc de Blancs (somente Chardonnay), ficando por 24 meses sur lies (em contato com as leveduras) antes do dégorgement (arrolhamento final). Além de belo aperitivo, pode acompanhar entradas da alta gastronomia.

ruggeri prosecco

um porto seguro na categoria

Com a atual denominação Prosecco estendida a regiões periféricas ao terroir clássico, o rótulo acima é um porto seguro. Valdobbiadene é uma referência obrigatória na escolha. Leve, equilibrado e delicado, são as qualidades exigidas deste espumante italiano. Vinho de recepção e entradas leves.

queijo bel paese

queijo italiano Bel Paese

Além do painel de vinhos apresentados, o evento ainda tem um farto buffet entre um gole e outro, pois ninguém é de ferro. Embutidos, queijos, patês, dos mais variados sabores, sem contar com pratos de massa para todos os gostos. Você pode literalmente almoçar ou jantar no local. Em particular, a foto acima mostra um queijo italiano interessante da Lombardia chamado Bel Paese. Elaborado com leite de vaca, apresenta textura macia como um Saint-Paulin (francês), mas de sabor leve e amanteigado. Uma das boas pedidas.

Tintos de estilos variados.

sardonia qs2

moderno e bem acabado

Um dos projetos do dinamarquês Peter Sisseck, proprietário do fabuloso Pingus, um dos maiores nomes de Ribera del Duero, este QS2 é uma espécie de segundo vinho da Quinta Sardonia. Vinho de estilo moderno, boa concentração e muito bem acabado. Longe de ser um vinho maquiado, o enólogo busca a essência de seu terroir sempre direcionando uma vinificação mais coerente com o consumidor moderno, ou seja, vinhos que dão prazer mesmo em tenra idade.

languedoc la clape

um Languedoc de pedigree

Um mistura exótica de Syrah, Grenache, Mourvèdre e Carignan, gerando vinhos suculentos, taninos macios e um belo equilíbrio. Algo difícil em Languedoc onde os vinhos sempre têm uma ponta de rusticidade. Muito prazeroso de ser tomado no momento, embora tenha condições de guarda por bons anos.

bordeaux haut nouchet

Bordeaux da bela safra 2009

Tinto de Péssac-Léognan com predominância de Merlot no tradicional corte bordalês. A qualidade dos taninos é reflexo da ótima safra 2009. Apesar de macio, mostra boa estrutura para envelhecimento, além de madeira bem dosada no conjunto, apenas um terço de madeira nova. Boa compra para fugir dos mais badalados da região.

delas crozes hermitage

opção interessante do Rhône-Norte

A apelação Crozes-Hermitage é uma grande opção aos caros e longevos Hermitages para serem consumidos mais frequentemente. Trata-se de uma área ampla e com muita heterogeneidade na qualidade. Este tinto de Delas mostra tipicidade e consistência. Vinho fácil de ser tomado com taninos bem moldados, aromas típicos de defumado e balsâmico, além de bom equilíbrio em boca.

Próximo artigo, mais Grand Cru, mais dicas, mais vinhos!

Facetas do Rhône

10 de Julho de 2015

Saindo de Bordeaux e Bourgogne, o destino natural do vinho francês é o Vale do Rhône, sobretudo quando se pensa em tintos. Fazendo a transição entre o sul da Borgonha e a Provença, o Vale do Rhône divide-se em dois macro-terroirs: o Rhône Norte e o Rhône Sul, conforme mapa abaixo:

Rhône Norte e Rhône Sul

O mapa acima mostra claramente um fator de terroir evidente, a forte mudança de relevo, topografia, entre o norte e o sul da região. A norte, temos escarpas dramáticas junto ao rio, obrigando as vinhas treparem em terraços. A declividade, as inclinações podem chegar a 70%, ou seja, quase sessenta graus em declive. Esta é a razão dos vinhedos do norte estarem muito próximos ao rio, numa faixa estreita de terreno. Já no Rhône Sul, o relevo é bem mais amplo, muito menos acentuado, e as vinhas portanto, podem se espalhar para mais longe do rio. Aqui também, o clima se torna mais quente.

Feita a introdução, passemos a alguns vinhos degustados na importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) sob o comando didático de  Hervé  Robert, diretor do Domaine Delas Frères. Quatro tintos se destacaram conforme comentários abaixo.

Bela alternativa aos caros Châteauneufs

Vacqueyras Domaine des Genêts 2012

Vacqueyras é uma apelação criada nos anos 90 vizinha ao famoso tinto Châteauneuf-du-Pape, e tem como concorrente uma apelação contígua chamada Gigondas. São cerca de 1.300 hectares de vinhas, bem menor que os 3.000 hectares em Châteauneuf-du-Pape. É uma bela alternativa de preço em relação ao tinto mais famoso do Rhône Sul, e muitas vezes superior a vários Châteauneufs de negociantes, preocupados mais com os preços e a fama, do que com a qualidade em si. Preço na importadora: R$ 138,00 (cento e trinta e oito reais). Vinho em torno de 90 pontos para Robert Parker com seu devido entusiasmo pelo Rhône.

A boa safra de 2012 mostra o corte típico do sul da região, o famoso GSM (70% Grenache, 20% Syrah e 10% Mourvèdre). O vinho passa cerca de 30% em barricas de carvalho, na sua maioria não novas, e o restante com cubas inertes para a preservação da fruta e evitar a micro-oxigenação. Mostra-se num bom momento para consumo, com fruta madura, notas de especiarias, ervas, e defumados lembrando incenso. Bom corpo, macio, caloroso, sendo uma ótima opção para noites frias.

Crozes-Hermitage confiável

Delas Freres Crozes-Hermitage des Grands Chemins 2010

Agora estamos no chamado Rhône Norte, onde impera o reino da Syrah em solo granítico. Muito cuidado com a apelação Crozes-Hermitage com cerca de 1.300 hectares de vinhas em uma vasta área ao redor do astro maior, o grande Hermitage. A diversidade de solos, topografia do terreno, ângulo de inclinação e a filosofia do produtor, podem levar a vinhos bem diversos e ao mesmo tempo, com exemplares decepcionantes. Neste caso, o vinho acima da bela safra de 2010 tem 92 de Robert Parker. Preço: R$ 225,00 (duzentos e vinte e cinco reais).

O vinho degustado, 100% Syrah, mostrou-se novo em cor, praticamente sem evolução. Seus aromas de frutas escuras, notas defumadas (embutidos), minerais e de especiarias estão bem presentes. Vinho de bom corpo, com um belo frescor, taninos presentes e de boa qualidade. Muito bem equilibrado e razoavelmente persistente. Deve evoluir bem em garrafa, sendo sua decantação obrigatória com boa aeração, sobretudo nesta fase de juventude. O vinho passa de 10 a 14 meses em barricas de um a três anos de uso, conforme a potência da safra.

Cornas com boa tipicidade

Delas Freres Cornas Chante Perdrix 2010

Continuando no Rhône Norte, temos a apelação Cornas 100% Syrah, como bela alternativa aos caros e badalados Hermitages. Chamado com certo exagero como Hermitage dos pobres, este terroir trata-se de vinhas encravadas num terreno de anfiteatro de clima quente e forte insolação. São vinhos potentes, densos e com bom poder de longevidade. Parker confere a este exemplar 90 pontos. Preço: 395,00 (trezentos e noventa e cinco reais).

O vinho degustado mostrou-se com uma cor escura, praticamente sem evolução. Seus aromas lembram frutas escuras em licor, alcaçuz, especiarias e traços de torrefação (café). Encorpodo, macio, e com boa tanicidade. Persistente, bem acabado e agradavelmente quente. Pede pratos encorpados. O vinho passa entre 14 e 16 meses em barricas de primeiro a terceiro uso, dependendo da safra.

Saint-Joseph de alta costura

Delas Freres Saint-Joseph Sainte Epine 2011

Neste ultimo exemplar, temos a apelação Saint-Joseph com 100% Syrah. Mais uma vez, cuidado!. Trata-se de uma apelação vasta em área de vinhas a sul de Côte-Rôtie. Novamente, a localização do vinhedo e a filosofia do produtor são fundamentais. Neste caso, estamos falando de um vinho muito especial de um vinhedo único (Vin Parcellaire) chamado Sainte Epine, produzindo apenas 4.000 garrafas por safra, e somente em anos especiais. Parker confere 93 pontos para este vinho. Preço: R$ 485,00 (quatrocentos e oitenta e cinco reais).

A safra de 2011 produziu vinhos agradáveis para beber jovens com taninos bem moldados. O vinho degustado apresentou cor muito semelhante ao Cornas, fato já diferenciado nesta apelação. Os aromas são muito elegantes com madeira fina. Aqui temos uma passagem por barricas novas entre 14 e 16 meses, conforme a safra. Mas de modo algum ela é dominante. Seus aromas mostram uma pureza de fruta, toques lácteos, florais e de especiarias. Relativamente encorpado, belo frescor e boa estrutura tânica. Boa persistência aromática, taninos muito finos e um final muito bem delineado. Falta um pouco de integração entre fruta e madeira, fator que certamente será solucionado com o devido tempo em adega. Um dos melhores Saint-Joseph já degustados.


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