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Grandes: vinhos e harmonizações

28 de Julho de 2016

jacquesson rose

Champagne Jacquesson Dizy Terres Rouges Rosé Extra-brut 2008

São apenas 8700 garrafas deste champagne rosé de alto refinamento. Dizy é um vinhedo Premier Cru situado no Vallée de la Marne, sendo Terres Rouges (lieu-dit) uma área de somente 1,35 hectares exclusivamente de Pinot Noir, plantada em alta densidade, 11500 pés por hectare. O solo é escuro e pedregoso misturando argila e calcário. O vinhedo fica junto à Montagne de Reims em seu setor sul.

O vinho-base é vinificado em madeira inerte (foudres de chêne). Trata-se de um rosé de saignée e não de assemblage, este último, mais comum em Champagne. Na verdade, este saignée é muito delicado, quase um pressurage direct. O dégorgement leva normalmente cinco anos (neste caso, fevereiro de 2014), mantendo um longo contato sur lies. Extremamente seco com apenas 3,5 gramas/litro de açúcar residual, dentro do padrão extra-brut.

Apesar de 100% Pinot Noir, é um champagne delicado, elegante e muito vivaz tanto em fruta, como no próprio frescor. As notas de frutas vermelhas (groselhas, framboesas) e de alcaçuz estão bem presentes.

porco com legumes

porco com legumes e arroz basmati

O prato acima da cozinha chinesa é uma bela opção para este champagne. A textura crocante e a delicada oleosidade do molho em pratos chineses são elementos que combinam muito bem com champagnes de um modo geral. A crocância vai bem com as borbulhas e a acidez combate com eficiência a gordura do prato. No caso desta receita, a riqueza de sabores, as especiarias, a aromaticidade, pedem um champagne de mais presença como é o caso dos rosés. Além disso, este champagne rico em frutas, complementou bem o frescor dos legumes.

Esta receita leva carne de porco com o corte copa-lombo (lombo na altura do pescoço do animal), mais saborosa e macia que o lombo normal. Além disso, temos pimentão vermelho, abobrinha, vagem torta, broto de feijão, e condimentos como shoyu, molho de ostra, gergelim, gengibre, entre outros.

donnhoff spatlese

Dönnhoff Oberhäuser Brücke Riesling Spätlese 2010

O produtor Dönnhoff é uma referência na região alemã do Nahe. Oberhäuser é um vilarejo com quatro vinhedos, sendo um deles Brücke, indicado no rótulo. Trata-se de um monopólio minúsculo de 1,1 hectares plantado em solo de ardósia com vinhas Riesling entre 25 e 35 anos. Nesta categoria Spätlese temos 72 gramas/litro de açúcar residual.

O grande trunfo deste vinho está em seu equilíbrio perfeito. Açúcar e acidez muito bem balanceados com somente 8° (oito graus) de álcool. A pureza de aromas calcada nos cítricos, maracujá, mel, flores, e uma nota mineral (petrolato) de grande tipicidade, marcam seu perfil olfativo. A textura dada em boca pelo açúcar residual é notável, sem ser exagerada. Aliás, os vinhos do Nahe numa sintonia fina, ficam entre a delicadeza do Mosel e a robustez do Rheingau.

creme brulee salmao defumado

crème brûlée au saumon fumé

A entrada acima, um crème brûlée com salmão defumado, ficou muito interessante com o branco alemão. Primeiramente, o açúcar residual do vinho complementou bem o lado adocicado do prato, sem distorções. Tanto a textura, como intensidade de sabor de ambos, prato e vinho, foram muito bem sincronizadas, deixando uma sensação final leve, sem carregar muito o paladar. É importante este lado da harmonização, pois devemos nos lembrar que a refeição está só começando e portanto, outros sabores certamente virão.

Enfim, dois vinhos diferentes, mas igualmente distintos, elegantes, e de grande complexidade. Da mesma forma, pratos incomuns, delicados, pedindo propostas exóticas e ao mesmo tempo, proporcionando horizontes para vinhos a princípio, difíceis de serem harmonizados.

Pratos, Vinhos, Harmonizações

28 de Maio de 2016

Num apanhado dos últimos eventos, vinhos e pratos surpreendentes merecem destaques. Os pratos do artigo são de um jantar oferecido pelo amigo Patrick Delfosse, grande conhecedor de Puros, música (especialmente Jazz) e obras de arte como quadros, esculturas, peças de decoração.

Muito dos vinhos são de um belo evento da Qualimpor com a divulgação competente de Gabriela Galvêz, onde além dos vinhos tivemos uma série de azeites portugueses e queijos nacionais diferenciados.

creme brulee salgado

entrada super original

A entrada acima surpreendeu a todos, criação da amável Emilie no jantar do amigo Patrick. Um crème brûlée salgado à base de salmão defumado, ou seja, a textura do creme lembrava o doce original, mas com o sabor salgado e um defumado bem elegante. A fina camada de açúcar tostado fez um contraponto muito interessante. Para este prato, sugiro um Vouvray Sec Tendre (com leve açúcar residual) ou um Riesling alemão do Mosel categoria Spätlese. Bela combinação, sem marcar muito o paladar. O copo trata-se de um creme de ervilha suave que não interfere na harmonização.

aperitivo suze

cocktail: fond de culotte

O coquetel acima chamado de fond de culotte é mistura de Suze, água com gás e creme de cassis. A proporção dos ingredientes gera bebidas diferentes. Um pouco mais de água com gás deixa o drink refrescante, enquanto um pitada apenas de cassis não o deixa muito doce. A propósito, Suze é um bitter de origem francesa criado em 1889. Agradavelmente amargo.

cubo de salmão

cubo de salmão em crosta de gergelim

O salmão fresco grelhado é um bom parceiro para vinhos com a uva Pinot Noir, sobretudo Sancerre tinto ou Borgonha. Apesar de peixe, sua carne escura, sanguínea e de textura firme, pede mais um tinto, desde que seja delicado em taninos e não muito invasivo. Este cubo de salmão estava crocante por fora e extremamente úmido em seu interior. Comme il faut!

williams selyem

Russian River: Côte d´Or de Sonoma

Que tal este Pinot para o prato de atum? William Selyem faz dessa uva uma cópia quase fiel à original. Muito bem balanceado, com elegância, e uma madeira criteriosamente dosada. Estilo fora da curva das inúmeras tentativas do Novo Mundo. Acesso e preços quase proibitivos.

tabua de queijos

queijos variados em todos os sentidos

A foto acima é um clássico num final de jantar francês. Os queijos têm como função finalizar o último vinho, além de dar sequência ao provável vinho de sobremesa ou outros que se seguiram. Um dos bons parceiros nesta hora é o vinho do Porto, principalmente quando a potência e a textura de certos queijos se fazem presentes.

taylor´s 30 anos

Taylor´s 30 anos: grande pedida nos tawnies da casa

Neste estágio, um 30 anos exige muito equilíbrio e complexidade. Se estes requisitos forem atingidos, então percebemos que a mão do homem foi sábia. Assim é dito: “Vintages estão nas mãos de Deus, Tawnies nas mãos do homem”. Portanto, é esta precisão do blend tanto em proporções, como na escolha dos vinhos de reserva certos, que foram bem envelhecidos e que por sua vez, tinham extrato e concentração para tal. É uma tarefa de perfumista. Importado pela Qualimpor (www.qualimpor.com.br).

taylor´s colheita 1966taylor´s 1994

Taylor´s: Colheita 66 e Vintage 94 – lado a lado

Continuando em Porto, continuando em Taylor´s, a foto acima mostra claramente como as categorias Tawny e Ruby podem sublimarem-se em Colheita e Vintage, respectivamente. O Vintage 94, já comentado várias vezes neste mesmo blog, vai maturando lentamente em garrafa, provado felizmente em vários momentos e estágios de evolução. Já este Colheita estagiado em cascos por 50 anos, mostra toda a complexidade e maciez que um Porto pode atingir. Lançamento da Taylor´s num bonito estojo pela Qualimpor, foto abaixo.  

taylor´s colheita 1966 (2)Colheita de altissimo nível

Para encerrar o assunto Taylor´s, temos este monumental Vintage safra 2011. Infelizmente, não estarei mais aqui para ver seu esplendor, provavelmente no final deste século. Escuro, denso, multifacetado em várias camadas de aromas. Precisa ser decantado por horas nos prováveis infanticídios que virão. Bom presente para seu neto que está nascendo agora, ou para aqueles em que o ano 2011 foi significativo e marcante.

taylor´s vintage 2011

Vintage: safra e engarrafamento obrigatórios no rótulo

ameal solo loureirogrande mineralidade

Quinta do Ameal é uma propriedade portuguesa na região dos vinhos verdes mais especificamente, na sub-região do Lima, cultivando a casta Loureiro. Pessoalmente, a melhor casta da região depois da gloriosa Alvarinho. Esta cuvée chamada Solo, expressa um vinho de grande mineralidade, equilíbrio e persistência. Vale apena ser provado. Importado pela Qualimpor.

quinta do crasto vinhas velhas

Um clássico nos tintos durienses

Finalizando o artigo, o tinto acima requer paciência e decantação na hora do serviço. Partindo de vinhas antigas (diversas castas, algumas centenárias), este tinto exibe alta concentração, tipicidade, e profundidade. Seus taninos são abundantes e finos. Requer muita paciência para seu lento desenvolvimento em adega. Deve ser obrigatoriamente decantado. Páreo duro em qualquer painel de alto nível do Douro.


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