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China: Wine Regions

23 de Fevereiro de 2017

Após um breve esboço sobre a vitivinicultura chinesa no cenário mundial, vamos detalhar um pouco mais as principais regiões deste gigante asiático. Como já havíamos falado, a metade norte deste país concentra uma maior área de vinhas.

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áreas de grande produção vinícola

Xinjiang

Esta é a maior sub-região chinesa no extremo noroeste do país, conforme mapa acima onde está assinalado o maior cacho de uvas. Para se ter uma ideia, sua área é maior que os estados da Califórnia e Texas juntos. Muito dos vinhedos estão em meio a montanhas e desertos. Uma região bastante árida.

Aqui temos grande produção de uvas de mesa e uvas-passas. Recentemente, a indústria do vinho está se desenvolvendo em lugares específicos onde o clima não é tão hostil com índices pluviométricos mais adequados.

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Gansu

A sub-região acima Gansu, está localizada em altitudes entre 1000 e 3000 metros. O clima também é árido, mas há facilidade para irrigação. Gansu é uma região vinícola importante produzindo cerca de 46000 toneladas de uvas por ano.

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Ningxia: tamanho não é documento

Encostada em Gansu e bem menor, conforme mapa acima, Ningxia é uma potência vinícola. Temos uma produção de 50 mil toneladas de uvas. A ideia é incrementar a região com mais de 60 mil hectares de vinhas até 2020.

É uma região com vinhos de alta qualidade para padrões chineses, versando um estilo mais bordalês. Em degustações às cegas com juízes chineses e franceses, quatro vinhos de Ningxia entre dez tintos da degustação destacaram-se em meio aos bordaleses.

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Regiões: Hebei e Tianjin

Climaticamente, uma região semi-árida com chuvas concentradas no verão e outono. Muito quente e muito ensolarada. Região de grande importância, concentrando mais da metade da produção chinesa de vinho. Quatro grandes companhias de vinho atuam nesta área.

Large Changli Region pertence à província de Hebei, margeando a baía. Produz cerca de 40 mil toneladas de uva para produção quase exclusiva de vinho tinto (97%). A Cabernet Sauvignon domina amplamente com 93% das uvas, seguida por pequenas porcentagem de Cabernet Franc e Marselan. A companhia Great Wall de grande prestígio, está nesta área.

A região de Tianjin, mais interiorana e bastante fria, localiza-se num vale entre montanhas, produzindo 50 mil toneladas de uvas para vinho. Tem longa tradição na produção de uvas de mesa, também. A famosa vinícola Dynasty está na área.

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província próxima ao mar

A província de Shandong pertence á península de Jiaodong. As vinhas aqui não precisam ser enterradas, pois os invernos não são rigorosos. Em compensação, chove muito no verão. Esta região concentra 1/4 da produção chinesa de vinho e conta com a maior companhia vinícola do país, Changyu Wine Company.

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 visão geral do vinhedo chinês

O mapa acima resume bem asprincipais regiões vinícolas chinesas em termos de produção. Como curiosidade, bem a Nordeste do continente chinês, a região de Northeast,  grafada em verde no mapa, produz o famoso ice wine, o vinho do gelo.

Finalizando, a região de Southeast, representada pela sétima região no mapa acima, tem a mesma latitude do deserto Saara. A situação é compensada pela altitude dos vinhedos, acima de 1500 metros. A área de vinhas não é significativa.

Outra região de pouca significação produtiva é Loess Plateau nas províncias de Shannxi e Shanxi. Algo em torno de seis mil toneladas de uvas.

Dados de 2015 publicados pela Universidade de Davis, Califórnia, baseados em China Agricultural University.

Olha a China aí, gente!

19 de Fevereiro de 2017

Vinho Sem Segredo já abordou países e regiões famosas do mundo do vinho, sobretudo da França, Itália, Espanha e Portugal. Agora, fazer um artigo sobre China, parece algo fora de propósito. Afinal, o que a China tem para nos mostrar?. De fato, nada de grande qualidade que possa nos surpreender, mas é um país gigante, uma área de vinhas considerável, e dentro de pouco tempo será a quinta potência vitivinícola do planeta, posto que foi da nossa vizinha Argentina por longa data.

De acordo com estudos recentes publicados pela Universidade de Davis, Califórnia, seguem abaixo alguns dados, informações e gráficos, mostrando um pouco o avanço deste gigante adormecido. Do ano 2000 para cá, o crescimento tem sido vertiginoso, saltando de 200 mil para um milhão e quatrocentas mil toneladas de uvas.

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briga acirrada entre o quinto lugar

No gráfico acima, pelos números mostrados, a briga pelo quinto lugar está totalmente aberta entre países com grande expressão no cenário mundial. A China aparece como franco-atiradora.

A China conta com aproximadamente 300. 000 acres (120.000 hectares) de vinhas destinadas ao vinho. De longe, a Cabernet Sauvignon é a mais plantada com 50% da produção. Seguem Carmenère (9,6%), Merlot (8,5%), Syrah (1,8%) e Chardonnay (1,7%). Num segundo plano, temos Cabernet Franc, Carignan, Pinot Noir, Riesling Itálico, Sauvignon Blanc, Chenin Blanc, Marselan, e Petit Verdot.

Seguindo o padrão das uvas descritas acima, a inspiração e filosofia de trabalho da indústria chinesa é toda francesa. Inclusive, na pauta de importação de vinhos, a França ocupa lugar de destaque.

Oitenta por cento do vinho produzido na China é tinto, ficando dez por cento para o vinho branco. No restante temos vinhos doces, meio doces e curiosamente, o icewine. O mesmo encontrado no Canadá.

Em 2013, os chineses beberam 181 milhões de caixas de vinho, sendo o quinto maior consumidor mundial. Isso, lembrando que o consumo per capta é de apenas 1,5 litros (um litro e meio). Imaginem quando os chineses resolverem a beber mesmo!

Deste consumo, 83% vem da produção doméstica. Os 17% de vinhos importados, quase metade vem da França, seguida por Austrália, Espanha, Chile, entre outro países.

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premiação na revista inglesa

Quem não quiser correr riscos, vai a dica acima. Um corte bordalês premiado no sério concurso Decanter World Wine Awards. O vinho é produzido na região de Ningxia, norte da China, com produção de vinte mil garrafas. Diz ser páreo para alguns vinhos da Catena Zapata e alguns Bordeaux de gama média. É provar para conferir!

Outro dado importante, 80% dos vinhedos chineses destinam-se a uvas de mesa, ou seja, consumo in natura. Outros 15% são destinados á produção de vinho. O restante, 5% são trabalhados para uvas-passas. Com isso, a área total do vinhedo chinês já ultrapassa a França com mais de 800 mil hectares de vinhas.

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destaque para as áreas numeradas

Só para nos situarmos, a metade norte da China em geral é bastante fria. Temos montanhas, áreas de deserto, e um clima bastante hostil com invernos muito rigorosos. Muitas dessas vinhas devem ser enterradas no inverno para sobreviverem. Temperaturas podem chegar abaixo dos 20° negativos. O sinal amarelo na legenda dos vinhedos indicam que os mesmos não precisam ser enterrados. Na verdade, o termo enterrado é um tanto exagerado. As vinhas são parcialmente cobertas em seu tronco principal.

Os extremos de temperatura é um dos desafios para as vinhas. Os invernos na metade norte são muito frios e extremamente secos. Na metade sul chinesa, os verões são muito quentes e chuvosos. Neste campo minado, as zonas vitivinícolas procuram fugir destes extremos, resultando de um maior acúmulo de vinhedos na porção norte do país, conforme mapa acima. Este cenário de invernos muito frios e secos, alternando com verões quentes e chuvosos, é chamado pelos especialistas de “Continental Monsoon Climate”.

No próximo artigo, detalharemos as principais regiões produtoras de vinho e suas características gerais.


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