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Bordaleses de Garrafão

21 de Dezembro de 2018

Nas grandes festas, quando não queremos abrir várias garrafas de um mesmo vinho, os grandes formatos resolvem bem a questão, além de impressionar positivamente. Devem ser abertos e servidos em vários decanters para respirar, oxigenar, e também facilitar o serviço.

Na foto abaixo, serviço de champagne e vinho tinto em meio a muito calor. É preciso gelar os champagnes e refrescar os tintos, mas sem excessos. Muita atenção nesta hora. Um olho no gato, outro no peixe.

algo de meia-noite em Paris neste rótulo

Iniciando os trabalhos, Champagne Perrier-Jouët Belle Epoque 2004 servida em Magnum (1,5 litro). Um champagne leve, delicado, bem ao estilo da Maison. Composto por Chardonnay (50%), Pinot Noir (45%) e uma pitada de Pinot Meunier (5%). O vinho passa pelo menos seis anos sur lies (contato com as leveduras) antes do dégorgement. Uma Cuvée de Luxo muito equilibrada, mousse intensa e agradável, com final fresco e floral. Acompanhou muito bem as entradinhas propostas por Marco Rezentti, estupendo Chef da Osteria del Pettirosso, que nos brindou com sua presença.

a harmonização da noite

Na sequência, um lindo branco da Borgonha, Corton-Charlemagne 2004 em formato Double Magnum, Domaine Bouchard Père & Fils, também um dos ótimos negociantes da região. Neste caso, trata-se de uma propriedade de pouco mais de três hectares na Montagne de Corton. O vinho é fermentado e amadurecido em barricas de carvalho cerca de 12 meses, sendo no máximo, 15% de madeira nova. O vinho é de uma elegância e equilíbrio fantásticos. Os aromas de frutas exóticas amalgamados com a madeira são de uma incrível precisão. Os Grands Crus desta apelação sempre tem um Q de Chablis com uma acidez marcante. Combinou muito bem com o risoto de frutos do mar servido. A maresia do prato e a mineralidade do vinho, além da sintonia de texturas, foram pontos decisivos para uma perfeita harmonização.

IMG_5408Double Magnum

Enfim, chegamos aos vinhos de garrafão bordaleses. O primeiro da foto acima, o infanticídio da noite, Double Magnum de Pichon Lalande 2009, nota 95 Parker. A cor do vinho é negra, intransponível à luz. Os aromas começaram um tanto fechados, mas com muita fruta escura, lembrando cassis. Pouco a pouco, os toques tostados, de especiarias, de torrefação, foram aparecendo. Muita força em boca com taninos em profusão, altamente polidos. É vinho para pelo menos, mais vinte anos em adega. Um dos grandes Pichons da história, na bela safra 2009 em Bordeaux.

IMG_5407Formato: Bordeaux Jeroboam

Ponto alto do jantar, este La Mission estava delicioso. Em formato Bordeaux Jeroboam (5 l), algumas garrafas antigas neste formato podem apresentar 4,45 litros de capacidade, mas são exceções. Voltando ao tinto, a safra 85 é sempre encantadora. Embora não tenha a potência da safra 82, está mais pronta com taninos plenamente resolvidos. Os aromas de Bordeaux antigo são encantadores com toques de torrefação, tabaco, ervas, e o clássico terroso de Graves. Enfim, foi um deleite para os convidados.

Marco Renzetti: pratos primorosos

Carpaccio de atum e o improvisado Carbonara a pedido do anfitrião, ficaram divinos durante o jantar, premiando as belas garrafas descritas. O atum foi muito bem com o champagne, mantendo o frescor final, enquanto o La Mission amoldou-se bem ao Carbonara com seus toques defumados.

IMG_5415uma das poucas Imperiais

O ano de 1975 é bastante polêmico para os Bordeaux. Alguns acham que trata-se de um grande ano, o qual devemos ter muita paciência em sua lenta evolução. Outros acham que trata-se de um ano com taninos rústicos, que não se resolverão nunca. Foi uma safra muito melhor para os vinhos de margem direita como Petrus, por exemplo.

No caso deste Mouton, realmente não foi um grande ano. Não só pelos problemas acima descritos, mas este chateau às vezes erra a mão em algumas safras. O vinho estava plenamente evoluído com aromas terciários bem interessantes, de acordo com sua idade. Para um vinho com mais de 40 anos, estava inteiro, sem nenhum sinal de decadência. O ponto fraco a assinalar foi a boca. Embora muito equilibrado, falta a concentração dos grandes vinhos com mais expansão no final de boca. De todo modo, um vinho ainda prazeroso. Finalizou bem o jantar.

outra bela harmonização

Felizmente, tenho provado em várias oportunidades este belo Vintage 85 da Taylors. Um Porto com uma força extraordinária e de uma evolução extremamente lenta. Embora já com alguns toques terciários de torrefação, chocolate, especiarias e algo mineral, sua fruta em geleia ainda é muito presente. Seus taninos são suaves e seu equilíbrio entre álcool e acidez é fantástico. Um Porto que precisará mais trinta anos em adega para atingir o apogeu. Combinou muito bem com os Puros servidos após o jantar, bem como, o artesanal Tiramisu selando o ritual. A sintonia de aromas entre o Porto e a sobremesa foi notável e marcante.

Encerrando mais um ano, meus agradecimentos a todos os médicos, cientistas, pesquisadores, participantes do evento, que tanto se esforçam para melhorar a saúde da população e garantir-lhes melhor qualidade de vida. Foi um grande prazer mais uma vez poder servi-los e partilhar de momentos agradáveis. Boas Festas e Feliz Ano Novo a todos!

Encontro de Premiers

18 de Agosto de 2018

Num almoço memorável onde se reuniram vários Premiers, não Chefes de Estado, mas sim os mais reputados Premiers Grands Crus Classés da classificação bordalesa de 1855. Latour, Mouton, Lafite, Margaux e Haut Brion, todos presentes em grandes safras. Aqui não cabe comparações, apenas apreciar e enaltecer a tipicidade e a força do terroir de cada um deles em suas respetivas comunas. O cenário não poderia ser melhor …

hoje é dia de maldade!

Os confrontos sempre em duplas, foram dos mais interessantes, mesclando chateaux e safras. Tudo compatível com a idade de cada um e de semelhança de estilos. Antes porém, espaço paro o champagne e alguns brancos, na prazerosa espera até a chegada de todos os confrades.

aguçando as papilas

O grande mérito deste Dom Perignon 2006 é sua prontidão e acessibilidade. Um champagne redondo, fresco, e de textura muito agradável, abriu bem os trabalhos com queijos e frios servidos. O vinho da direita (foto acima) é um dos pilares na região bordalesa de Graves, mais especificamente em Pessac-Léognan, como referência em vinhos brancos. Até 2008, seu nome permaneceu como Laville Haut-Brion, eterno rival e vizinho do grande Haut-Brion branco. Daí pra frente, o rótulo assume o nome La Mission Haut-Brion Blanc. Esta garrafa em questão com seus 20 anos de idade, estava um pouco cansada. Mesmo assim, foi possível perceber a força deste vinho, mesclando com maestria as cepas Sémillon e Sauvignon Blanc. Uma textura densa, remetendo aos melhores Borgonhas. Seus aromas já evoluídos tinham notas de frutas secas, mel, ervas, e um fundo de carambola. Uma bela experiência!

iniciando o almoço

Antes da sequência de tintos, um prato de entrada de extrema delicadeza, Ravioli de Lagostins com Creme de Foie Gras, executado pelo talentoso Chef Marcelo Magaldi. Os sabores elegantes combinaram bem com o Chassagne-Montrachet Premier Cru de Maison Leroy 2013. Um vinho de muito frescor com a densidade exata para a textura delicada do creme de foie gras. Belo Início! 

img_4977o tempo engarrafado!

Um das prerrogativas dos grandes vinhos é a capacidade dos mesmos resistirem ao tempo. Prova disto, são os exemplares da foto acima. Dois bons velhinhos da década de 60, sem nenhum sinal de decadência. É bem verdade que o Lafite 69 desenvolveu todo seu esplendor e nada justifica mais espera em adega. No entanto, é de uma delicadeza impar com notas de chá, adega úmida, especiarias, quase um incenso. De corpo médio e muito bem equilibrado. Um vinho para ser apreciado sozinho, sem comida.

Do outro lado para muitos, o melhor Haut-Brion da história na lendária safra de 1961. Um monstro engarrafado com uma força extraordinária. Essa é a diferença das grandes safras. Embora, oito anos mais velho que seu par na dupla acima, tem um potencial de guarda muito maior. Um Haut-Brion de corpo, taninos finos e abundantes, e uma persistência sem fim. Notas terrosas, animais, de ervas, e chocolate, permearam a taça todo o tempo.

img_4978aqui precisa ajoelhar

Para manter o nível do primeiro flight, só mesmo a dupla acima. Lafite e Mouton da gloriosa safra 82. O Lafite em Magnum estava sensacional, numa garrafa muito bem conservada. Embora Parker não lhe dê 100 pontos em todas as provas, nas melhores ele afirma que este vinho chega bem até 2070, nada mau. O fato é que Lafite tem um estilo totalmente diferente de seu parente Mouton. Ele esbanja elegância, o diferenciando de tudo que existe em Pauillac. Lembra sobretudo no envelhecimento, as sutilezas de um Borgonha. Já o exuberante Mouton, quando pega uma safra como 82, 86, 45, é uma explosão de sabores. Toda a força de Pauillac reunida em uma garrarfa com equilíbrio e persistência extremos. Flight sensacional!

img_4975molho com cogumelos morilles

Entremeando a sequência de tintos, alguns pratos como este acima, barriga de porco assada com polenta crocante e molho morilles. Pratos que respeitaram a sutileza e complexidade dos Premiers de Bordeaux. Obrigado Chef!

img_4979a perfeição existe!

Façam suas apostas, 200 pontos na mesa. Os dois tintos acima são 100 pontos consistentemente atribuídos por Parker em várias provas. O Haut-Brion 89 sem sombra de dúvidas, será o sucessor do Haut-Brion 61 provado acima. O vinho tem uma força e densidade em boca impressionantes. Uma longa cadeia de taninos a serem polimerizados ao longo do tempo com textura impecável. Equilíbrio e profusão de aromas difíceis de serem descritos. Um Bordeaux de livro!

Já seu parceiro de foto, é um pouco mais discreto. Com toda a elegância deste chateaux, Margaux 1990 é uma daquelas safras de um Bordeaux clássico, apto a longo envelhecimento. Um tinto que vai se mostrando aos poucos na taça. Por isso, é imperativo decanta-lo por pelo menos duas horas. Seus delicados aromas florais, cassis, e sous-bois, vão sem mostrando sem pressa num harmonia divina. Um vinho que nos faz pensar e sonhar.

img_4980o infanticídio do dia!

Embora muito jovens ainda, é sempre bom avaliar a potência e longevidade dos tintos de Latour. O flight acima foi extremamente didático no sentido de percebemos a consistência e regularidade deste chateaux diante de safras tão distintas e igualmente problemáticas. 2002 foi um ano frio com problemas de maturação nas uvas. Mesmo assim, Latour conseguiu fazer o melhor Bordeaux desta safra com rendimentos baixíssimos e 96 pontos Parker. De fato, o vinho tem muito equilíbrio, aromas bem definidos, taninos abundantes e finos. Bela capacidade de envelhecimento em adega. Já 2003, uma safra de muito calor onde a maturação excessiva e consequentemente alta graduação alcoólica foram problemas recorrentes. No entanto, Latour fez uma vinificação perfeita com um vinho de 100 pontos inconteste. Este tinto provado tem uma pujança fabulosa com muita riqueza de taninos e aromas em profusão. Nos dois casos, são tintos para amadurecerem sem pressa na virada deste século.

ainda deu tempo para um Echezeaux!

No apagar das luzes, eis que surge um DRC Echezeaux 2001 já num ponto ótimo de evolução, rompendo o protocolo bordalês. Quase na maioridade, seus aromas tinham um lado terroso, mineral, e de griottes (cerejas). Como já estávamos nos Puros, este H. Upamann Magnum 50 fez companhia ao vinho com seus aromas canforados em seu primeiro terço. 

a finalização de um grande almoço!

Dando sequências aos bordaleses, já fora da mesa, um pouco de fumaça azul. Cohibas, cafés, Portos, destilados, e uma boa conversa, brindaram a noite que já se anunciava. Cada qual a seu tempo e gosto pessoal, Porto 30 anos e Grappa Poli envelhecida fizeram companhia aos Puros degustados para deleite dos mais resistentes.

Resta-nos agradecer a presença e o alto astral de todos os confrades e em especial, à imensa generosidade e simpatia do anfitrião, não medindo esforços para que tudo corresse com perfeição e harmonia. Que Bacco nos possa conceder outras orgias! Saúde a todos!

Comemoração entre amigos

22 de Janeiro de 2016

Aniversário é sempre bom comemorar, sobretudo quando trata-se de três grandes amigos. Não dá para passar em branco. Carlos, Bacchi e João, são grandes anfitriões  e sabem como emocionar seus convidados. Evento realizado no restaurante Parigi com serviço impecável, do inicio ao fim.

parigi fasano

a hora do Mouton 85

Para começar, dando o tom da recepção, um champagne Cristal 2000. Êta  champagne elegante!, harmônico, e de rara personalidade. Macio, equilibrado e persistente, foi muito bem com as entradinhas antes do almoço e os vários brindes propostos.

cristal 2000

pura elegância

A entrada continuou em alto nível. Um branco Hermitage do Guigal Ex Voto safra 2010. Baseado na uva Marsanne, este vinho provem de fermentação em toneis de carvalho novo com posterior amadurecimento por 30 meses. Quando o vinho está à altura da barrica, a madeira não sobressai. Lindos aromas de frutas brancas delicadas, flores e um toque de incenso muito exótico. Combinou maravilhosamente com um crostini de patê de alcachofra na entrada. Vinho já agradável, mas com grande potencial pela frente.

guigal ex voto

Ermitage de livro

tartare saumon

Tartare de Saumon

Prato acima muito equilibrado em seus temperos, deixando o Ermitage à vontade para seu desfile de aromas L´Occitane, bem provençal.

Em seguida, o grande Mouton 85 em garrafa Jeroboam, decantado à perfeição. Um vinho de sonhos. Não tem a potência de 82, mas sua elegância é algo notável. Frutas em compota, ervas, especiarias, e um toque equestre maravilhoso. A polimerização de seus taninos é um caso à parte. Perfeito equilíbrio em boca com uma persitencia aromática expansiva. Sua harmonização com o Jarret (francês) ou Stinco (italiano) de Cordeiro foi dos deuses.

mouton jeroboam

1985: safra super elegante

gigot parigi

lento cozimento: carne descolando do osso

Na sobremesa, um grande Yquem 1999. Não é uma safra soberba, mas Yquem é Yquem. Seus aromas, seu equilíbrio, e sua persistência em boca, são notáveis. Acompanhou muito bem o mil-folhas com creme de baunilha. Apesar de ser servido em garrafa Magnum, faltou vinho para o bolo de aniversário. Fomos então obrigados a cometer mais uma extravagância. Foi aberto um concorrente à altura, L´Extravagant de Doisy Daëne 2006. Inspiração do mestre Denis Duboudieu, esta cuvée é elaborada com parcelas especiais do vinhedo em Barsac onde a maturação e o ataque completo da Botrytis Cinerea são levados ao extremo. O vinho ao mesmo tempo que exibe um grande potencial de açúcar, tem por trás um suporte de acidez essencial para um equilíbrio perfeito. A destacada porcentagem de Sauvignon Blanc (34%) confere um bom frescor ao conjunto.

magnum 99

o astro maior de Sauternes

mil folhas baunilha

mil-folhas à altura de um Yquem

extravagant 2006

cuvée especial do mestre Dubourdieu

bolo chocolate

homenagem aos anfitriões

Já fora da mesa, encerramos o almoço com um raro destilado. Nada mais, nada menos que um DRC Fine de Bourgogne 1991, engarrafado em 2008. É uma espécie de cognac da Borgonha, ou seja, o vinho é destilado em alambique e  envelhecido em tonéis de carvalho por longos anos. Esse foi engarrafado em 2008.

drc fine

Raridade do DRC

Em resumo, foi um lindo passeio pela França onde além dos clássicos Cristal (champagne), Mouton (Bordeaux – médoc) e Yquem (sauternes), tivemos o exotismo do Ermitage branco (rhône norte), L´Extravagant (sauternes/barsac) e DRC Fine Bourgogne (Côte de Nuits). A França realmente tem um arsenal fabuloso com muitas cartas na manga.

parigi joao camargo

resumo da brincadeira

Mais uma vez, desejo a todos os aniversariantes deste evento, vida longa, com muita saúde, sucesso, nos brindando com sua alegria, companheirismo e extremo bom gosto. Que venham muitas comemorações pela frente! Saúde a todos!

Entre Amigos …

27 de Setembro de 2015

Oi pessoal! Peço desculpas por tanto tempo fora do ar, mas depois do AVC, uma dor nas costas insuportável. Tentando retomar novamente os artigos, vamos falar do último encontro entre amigos com vinhos de grande expressão.

A brincadeira foi provar às cegas seis tintos irrepreensíveis começando pelo Bordeaux abaixo. Mais uma vez, Mouton 82 esbanja potência e elegância. Taninos ultra polidos, um leque de aromas sensacional e aquela persistência aromática que deixa saudades. Felizmente, tive o prazer de tomar vários, sempre em grande forma. 

mouton 82

1982: Até o carneiro está saltitante

Após um começo triunfante, que tal um La Landonne 1988! Umas das três joias de Guigal, este Côte-Rôtie é fora de série. Deliciosos aromas terciários mesclando fruta madura, especiarias, defumados de rara elegância e até um toque floral. A boca é uma seda com perfeito equilíbrio entre álcool e acidez. Apesar da idade, sua vivacidade é incrível.

landonne 88

Um Côte-Rôtie fora da curva

O vinho abaixo é a decepção mais esperada às cegas,  o rei Petrus. Não dá nem para reclamar da safra 89, normalmente abordável, mesmo na juventude. É que Petrus é chato mesmo. Para um Merlot, é austero demais, tânico demais, fechado demais. O certo mesmo era ter uma apelação própria: appellation Petrus Controlée. Um vinho de futuro imenso, cor intensa ainda rubi. Os aromas são concentrados, a boca firme com uma estrutura tânica para poucos. Um dia ele desperta de seu longo sono para mostrar todo seu esplendor.

petrus 89

Petrus 89: grande safra e muita paciência

Continuando a saga, outro clássico de 1982 em Bordeaux, Château La Mission Haut-Brion, o grande rival do único Premier de Graves na classificação de 1855. Vinho hedonista, com aromas terciários incríveis e muito bem dosados. Em boca, uma seda com taninos abundantes e polidos. Muito equilibrado entre seus componentes, persistência longa e um final delicioso. Pratos com trufas e cogumelos são a pedida ideal.

la mission 82

Um clássico de Graves nesta safra

Finalmente, um tinto do Novo Mundo. Este californiano da bela safra de 1997 baseado em Cabernet Sauvignon é o topo de linha da vinícola Abreu, seu vinhedo mais famoso, Madrona Ranch. Praticamente um Bordeaux da California. Elegante, denso, maduro, fazendo jus à excelente safra de 97. Talvez seja o mais pronto a ser bebido, mas com um bom potencial de guarda ainda.

abreu 97

Safra 1997: 100 pontos

Para fechar a série, outro 100 pontos, Château Latour 1982. Um Pauillac de grande estrutura com muita vida pela frente. Os aromas de cassis, caixa de charutos, ervas, toques animais, confirmam a autenticidade de sua comuna. Cor intensa, vinho de bom corpo, elegante e imponente, taninos sólidos, muito equilíbrio e um final de boca que só os grandes vinhos são capazes de proporcionar.

latour 82

Um dos grandes Latours de toda a história

600 pontos

600 pontos perfilados

Após a perfeição, somente ela para dar continuidade ao evento. Acompanhando belos puros, dois Portos para beber de joelhos em seus estilos mais nobres. O Vintage abaixo se não bastasse ser um Noval da mítica safra de 1963, tinha o requinte de ser um Nacional (parreiras pré-filoxera). Um vinho imortal. Cor ainda sadia, jovial. Aromas de grande complexidade com frutas em compota, toques florais, minerais, de especiarias, defumados, enfim, difícil descreve-lo.

nacional 63

Nacional 1963: perfeição nos detalhes

Para terminar, lembram do Scion? um Porto Colheita excepcional da Casa Taylor´s?  Pois bem, a Graham´s também tem seus tesouros. Algumas barricas foram encontradas nas antigas adegas da família Symington constatando a data de 1882. Trata-se de um Colheita de grande permanência em madeira, beneficiando-se das benesses da micro oxigenação. Um equilíbrio fantástico, assim como sua persistência aromática interminável.

ne oublie

Embalagem impecável de acordo com o conteúdo

A linda embalagem acima é o resultado final do engarrafamento de somente 656 decanters numerados, cuidadosamente confeccionados em cristal, emoldurado com um belo colar em prata num estojo em legitimo couro ingles. O nome desta joia: “Ne Oublie”.

ruby e tawny

Ruby e Tawny: dois caminhos de sucesso

As taças acima mostram bem os caminhos traçados por estes dois gigantes. A taça da esquerda (Noval Nacional) parte de um Porto com pouco contato em madeira, apostando num longo envelhecimento em garrafa, ambiente redutivo (ausência de oxigênio). Já a taça da direita (Graham´s Ne Oublie), ocorre o inverso. Longo envelhecimento em pipas de madeira com longa e constante micro oxigenação.

Para não estragar o dia, resolvemos parar na perfeição. Tem horas que não vale a pena arriscar. Que outros vinhos do Olimpo possam nos deleitar. Abraço a todos os confrades!


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