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Borgonha: Parte VI

9 de Abril de 2012

Retomando nossa viagem pela Borgonha, trataremos agora da parte sul da Côte d´Or, a famosa Côte de Beaune com seus brancos de tirar o fôlego. Evidentemente, estamos falando em Chardonnay no mais alto nível, principalmente nas comunas mágicas de Chassagne-Montrachet e Puligny-Montrachet. Antes porém, conforme foto e mapa abaixos, começaremos por dois Grands Crus da montanha de Corton, extremo norte da Côte de Beaune; o grande branco Corton-Charlemagne e o único Grand Cru tinto Corton.

La

 

Esta montanha sintetiza a lógica do terroir borgonhês

Esta proeza deve-se ao fato de bem próximo ao cume da montanha rodeando o bosque, termos na composição do solo, importantes afloramentos de calcário, fator crucial para o plantio da Chardonnay. Já no meio da encosta, o marga assume maiores proporções de argila favorecendo então, o plantio da Pinot Noir. Neste contexto, temos o único tinto Grand Cru da Côte de Beaune que envelhece muito bem em garrafa. Quando novo, mostra-se fechado e com taninos firmes.

Voltando ao vinho branco, Corton-Charlemagne é um dos mais espetaculares Grands Crus, podendo envelhecer por décadas. É um vinho misterioso em sua juventude, com aromas sutis e marcante mineralidade. Bonneau du Martray é um produtor estupendo, trazido atualmente pela importadora Mistral. Contudo, nem tente tomá-lo jovem. É um criminoso infanticídio. Outro belo exemplar da Mistral é do produtor e comerciante Louis Jadot.

Bem próximo a Aloxe-Corton, na redondeza dos vinhedos acima citados, encontra-se a comuna de Savigny-lès-Beaune com tintos delicados, elegantes e bem equilibrados. Evoluem bem em garrafa, com toques intrigantes de caça. Costumam encontrar seu apogeu entre quatro e seis anos de safra. Procure por um bom Premier Cru de produtores como Simon Bize (importadora Mistral) e Chandon de Briailles (importadora Grand Cru).

Importadora Mistral – www.mistral.com.br

Importadora Grand Cru- www.grandcru.com.br

Corton Blanc: Um branco para o inverno

27 de Junho de 2011

Em artigos anteriores, já mencionei a estranha associação que as pessoas fazem entre as estações do ano e as cores dos vinhos. Branco no verão e tinto no inverno, independente dos pratos que serão servidos. Mesmo neste raciocínio, é possível escolhermos brancos com alma de tintos. Os grandes brancos com passagem por madeira elaborados com a uva Chardonnay são exemplos clássicos. São calorosos, aromáticos e encorpados.

Nosso vinho de hoje é o raríssimo Corton Blanc, conhecido por poucos, pois Corton é sinônimo do único Grand Cru tinto da chamada Côte de Beaune, na famosa montanha de Corton. O clássico branco da apelação é o grande Corton-Charlemagne, um dos maiores de toda a Borgonha. Contudo, dentro da apelação Corton, existe uma ínfima parcela produzindo menos de dezesseis mil litros por ano do chamado Corton Blanc, também um Grand Cru. Ele só perde em exclusividade para o raríssimo Criots-Bâtard-Montrachet, com apenas sete mil e quinhentos litros por ano.

Este raridade está disponível no Brasil através da importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br). É o Chandon de Briailles Corton Blanc Grand Cru 2004. Apesar de seus sete anos de vida, encontra-se em tenra idade. Sua cor não aparenta nenhum sinal de evolução, além de um brilho intenso. Seus aromas, um tanto fechados de início, pede uma decantação obrigatória. Com a devida oxigenação, revela toda a elegância e mistério dos grandes brancos da Borgonha. Na boca, é estonteante. Acidez dos grandes vinhos, equilíbrio notável e uma persistência aromática bastante expansiva. Madeira absolutamente integrada numa profusão de aromas. Vinho de gente grande!


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