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Clarets, Clube do Vinho

17 de Julho de 2017

Não é de hoje que existem vários clubes de vinho divulgados por todo o Brasil. Normalmente, determinada importadora seleciona alguns vinhos que serão postados aos clientes cadastrados no grupo, acompanhados de informações e histórias sobre os mesmos. Não deixa de ser um bom canal de divulgação, atrelado ao conhecimento da bebida. Até aqui, nenhuma novidade. Agora, que tal ter como mentor deste clube, o sommelier Manoel Beato?. Eis o diferencial!.

clarets clube do vinho

informações: vídeo QR Code, catálogo anexo, e contrarrótulo na garrafa

Manoel Beato, companheiro de mesa e copo, é indiscutivelmente o melhor sommelier do Brasil em atividade. Eu digo aquele sommelier de salão, na essência da profissão. São mais de trinta anos em atividade no grupo Fasano, uma experiência que não tem preço. Eu sei que tem gente boa na praça trabalhando, se formando, mas todos eles ainda tem que comer muito arroz e feijão para chegar perto deste profissional de alto gabarito. Bom, vou parar por aqui, se não o artigo vai perder seu objetivo …

clarets taças

taças adequadas a cada tipo de vinho

Voltando ao tema, vamos falar da importadora de vinhos Clarets. Se você está cansado de comprar vinho por aí pagando um preço alto e muitas vezes se decepcionando, Clarets pode ser um bom porto seguro. Os vinhos selecionados por esta importadora são reconhecidos mundialmente e portanto, verdadeiras referências em suas respectivas denominações de origem. Estou falando de vinhos de Velho Continente, sobretudo os franceses. Contudo, Itália, Portugal e Espanha, têm seu espaço. A ideia é comprar grandes lotes desses vinhos e oferecer ao consumidor final preços bem competitivos dentro do mercado brasileiro.

clarets zind humbrecht riesling

produtor diferenciado

Só para dar um exemplo, compre o Riesling Zind-Humbrecht 2015 por 199 reais. Se você não conhece os vinhos alsacianos, este é um excelente começo. Produtor de alta reputação com vinhos muito peculiares, imprimindo seu estilo inconfundível. Fazendo uma comparação, quantos Chardonnays sem muita graça inundam o mercado com preços entre 120 e 140 reais?. Portanto, saia da casinha!

 informações no contrarrótulo

Agora entrando no assunto de vez, vamos falar da primeira caixa Clarets do Clube do Vinho, sempre com três vinhos, selecionados por Manoel Beato. O preço aparentemente caro, 990 reais a caixa, já se torna uma piada de cara. Senão vejamos, um dos vinhos. Chateau Haut-Bages Liberal 1995, um dos bordaleses classificados em 1855 com mais de 20 anos de idade. Só este vinho já vale a caixa. Ter a oportunidade de provar um Bordeaux deste nível já com seus aromas terciários é uma experiência pra lá de gratificante. Se quiser guardar, sem problemas. O vinho está em plena forma.

clarets saint chinian

sul da França bem lapidado

Saindo deste tremendo clássico, vamos a uma apelação de descoberta para muitos, Saint-Chinian no Languedoc, sul da França. Um tinto que traz toda a tipicidade da região, agregando métodos modernos de cultivo e vinificação. Um vinho macio, de muita fruta, bela presença em boca, um finalzinho agradavelmente selvagem regido pela Carignan, uva local de certa rusticidade, formando o blend com suas parceiras, Mourvèdre e Grenache. Vale a experiência num vinho surpreendente.

clarets hautes cotes de nuits

apelação em maiores altitudes na Côte de Nuits

No último vinho, temos um Borgonha tinto das redondezas de apelações mais sofisticadas da Côte d´Or, Hautes Côtes de Nuits 2012 do produtor Jayer-Gilles. O vinho tem estilo moderno, ainda faltando uma melhor integração com a barrica. Entretanto, pode ser muito convidativo para aquelas pessoas acostumadas com vinhos do Novo Mundo que desejem entrar no sofisticado mundo borgonhês. Com um pouco de aeração, digamos 30 minutos, o vinho fica bem mais equilibrado aromaticamente, sendo bom parceiro para pratos de aves e molhos mais elaborados de redução.

Mais dois vinhos exclusivos da Clarets, um Gevrey-Chambertin e um Condrieu de tirar o fôlego, mostram o cuidado na seleção e na pesquisa de belos produtores. Maiores informações sobre seu portfolio: http://www.clarets.com.br

clarets gevrey-chambertin

Sylvie Esmonin Gevrey-Chambertin 2014

Toda a categoria desta apelação da Côte de Nuits, Gevrey-Chambertin, com nove Grands Crus cadastrados. Neste de apelação comunal safra 2014, fruta típica dos grandes tintos desta comuna com cerejas escuras, toques florais, e ervas finas em profusão. O trabalho de barrica é muito bem feito, dando o suporte exato ao vinho. Equilibrado, fresco, taninos bem trabalhados, e final muito agradável. É um Borgonha que alia virilidade e elegância. Ganhou muito com a aeração.

clarets condrieu

Domaine Georges Vernay Condrieu Les Terrasses de L´Empire 2014

Um branco fora da curva. O produtor Georges Vernay é referência absoluta na apelação Condrieu, protagonizando a uva Viognier. Neste exemplar de cor palha dourada de certa opacidade, mostra a pouca manipulação deste vinho. Os aromas foram abrindo pouco a pouco com notas de pêssegos, damasco, mel resinoso, e um toque floral. A boca é densa, macia, mas ao mesmo tempo, fresca, vibrante. O final é muito equilibrado e longo. É imperativo decanta-lo por pelo menos uma hora e servi-lo não tão gelado. Digamos em torno de 14° de temperatura. Vai muito bem com queijos densos e de certa cura como Reblochon ou Pont L´Eveque, por exemplo.

Enfim, uma degustação de alto nível com vinhos originais, distintos, dignos das melhores mesas. Agradecimentos a Guilherme Lemes, anfitrião e proprietário da Clarets, seus colaboradores, e especialmente ao mestre Manoel Beato.

Comidinhas e Vinhos

27 de Abril de 2017

Nos últimos goles e garfadas, alguns momentos interessantes na enogastronomia. Em Uberlândia, destacada cidade de Minas Gerais, o restaurante Akkar com ênfase em pratos de acento árabe, propõe esfirras originais tendendo para uma espécie de pizza. A foto abaixo, elucida melhor o fato.

a chamada esfirra / pizza

estilos e texturas diferentes

O branco da esquerda, Roero Arneis, é uma das mais tradicionais denominações do Piemonte. Arneis a uva, Roero o terroir, região a norte de Alba, do outro lado do rio Tanaro que corta as principais denominações. O detalhe deste vinho é seu produtor Bruno Giacosa, um dos pilares da viticultura piemontesa. Vinho de muito frescor, elegância, fruta exóticas e toques florais bastante harmônicos. Embora sem passagem por madeira, mostra certa textura e maciez. Bela pedida com a esfirra margherita, foto acima à esquerda. O manjericão, os tomates, dão leveza ao prato, bem de acordo com o caráter do vinho.

Já o segundo branco, é uma proposta diferente da bodega chilena Undurraga no Vale Limari, bem ao norte de Santiago, aproximadamente 400 quilômetros. A linha T.H. (Terroir Hunter) propõe vinhedos e solos específicos ligados a determinadas uvas no mais puro conceito de terroir. Neste caso, o vinhedo com destacado calcário no solo, se beneficia das brisas frias advindas do Pacifico, devido à sua proximidade. O vinho passa parcialmente por barricas, num eficiente trabalho de bâtonnage (revolvimento das borras). A fruta é bem balanceada com a madeira, apresentando textura interessante, com certa untuosidade, sem perder o frescor. Vai bem com a esfirra da direita (foto acima), onde o frango e palmito cremosos pedem mais textura no vinho. O frescor do palmito fica na medida para a acidez do vinho.

costela de chão

fogo de chão

Mudando a conversa, agora numa festança (casamente de minha filha), costela de boi assada lentamente em fogo de chão. Prato de muito sabor, textura, e gordura condizente com a carne. Os tintos mais robustos, um tanto rústicos conversam bem aqui.

Carignan em ação

O tinto da esquerdo é o segundo vinho da bodega Cims de Porrera, uma das lendas da denominação de origem Priorato, região montanhosa ao sul da Catalunha. Neste blend, temos 70% Cariñena e 30% Garnacha. Apesar de seus quase dez anos de idade, o vinho mostra-se com muito vigor, potente, taninos muito bem delineados, e grande persistência aromática. Agradavelmente quente, é um tinto típico de inverno. Seus aromas concentram fruta, toques minerais e defumados. Muito elegante para castas naturalmente rústicas. Passa cerca de 14 meses em barricas francesas de segundo uso, as quais integram-se perfeitamente na essência do vinho.

No vinho da direita, outra bela expressão de Carignan, no caso italiano, Carignano. Um vinho diferenciado da melhor vinícola da Sardenha em termos de tinto, Santadi, haja vista seu topo de gama, o aclamado Terre Brune, Carignano de parreiras muito antigas. Neste caso, as videiras não são tão antigas, mas o vinho mostra muita personalidade com a típica rusticidade italiana, envolvida num vinho de presença e muito bem balanceado. Sob a denominação Carignano del Sulcis, este tinto passa entre 10 e 12 meses em barricas francesas de segundo uso. Novamente, muito bem balanceado entre fruta e madeira, seus toques defumados, balsâmicos e de ervas secas, resultam num vinho extremamente gastronômico, moldado para pratos substanciosos como rabada, carnes de longo cozimento com molhos bem temperados.

corrientes carmenere e rioja

tintos para churrasco

Para finalizar, dois belos tintos para acompanhar carnes bem grelhadas, evento na casa de carnes Corrientes 348. O Carmenère Winemaker´s Lot é um dos belos Carmenères elaborados pela gigante chilena Concha Y Toro. Seu frescor e taninos potentes são muito bem rechaçados pela suculência de um bife de chorizo devidamente grelhado ao ponto. A fibrosidade deste tipo de carne é um dos melhores contrapontos aos taninos mais presentes. Em contrapartida, o elegante Rioja da direita, Luis Cañas, baseado na casta Tempranillo, apresenta a acidez e frescor necessários para driblar a gordura entremeada de um belo ojo de bife (parte nobre do bife ancho). A delicadeza da carne casa muito bem com os Riojas da sub-região Alavesa, destacada pela elegância de seus Tempranillos. A madeira no caso dos dois vinhos acima é bem proporcionada com a estrutura de seus respectivos vinhos.

Vegetarianos ou ainda mais complicado, veganos, fica para uma próxima. Abraços,

Descorchados: Impressões

13 de Abril de 2017

O mais respeitado guia de vinhos da América do Sul, envolvendo países como Chile, Argentina, Brasil e Uruguai. A infinidade de vinhos premiados é imensa com muitas notas em torno de 95 pontos ou mais. Nota é sempre algo subjetivo, mas penso que alguns vinhos têm pontuação exagerada. De todo modo, é um painel bem amplo do que acontece no Continente em termos de tradição, novidades, e grandes promessas.

O Brasil, enfatizado pelos conhecidos e bons espumantes, mostra diversidade de estilos, trabalhando bem tanto no método tradicional, como no Charmat. Destaque especial para Cave Geisse, sediada num terroir privilegiado, além do talento de sua equipe técnica. Pessoalmente, o melhor espumante do Brasil.

O Chile, sempre crescendo em qualidade e diversidade, além de uma das potências em exportações de vinho no Mundo. Cada vez mais, explorando bem a versatilidade de seus inúmeros vales de norte a sul, temperados pelo frio Oceano Pacífico e a imponente Cordilheira dos Andes.

A Argentina, explorando bem o terroir mendocino, especialmente o frio Valle de Uco, com micros terroirs diversificados, dando a cada vinho personalidade própria. Salta, no extremo norte, e Patagônia, no extremo sul, são regiões com certeza ainda de muitas surpresas num futuro próximo.

O Uruguai, um pouco mais modesto, mostra sua força num território comparativamente minúsculo. Contudo, o clima temperado pelas águas mais frias nesta latitude, mostra tintos equilibrados, além de brancos vibrantes e originais.

O evento ocorreu no Espaço Traffô, um tanto tumultuado tal a quantidade de pessoas circulando. Neste caso, mereceria pelo menos mais um dia dividindo este público para um roteiro de vinhos mais tranquilo.

descorchados geisse pinot noir

Cave Geisse: orgulho brasileiro

Aqui temos as melhores uvas Pinot Noir da safra na elaboração deste Blanc de Noir. No pescoço da garrafa vem indicado a safra e a data de dégorgement, normalmente com três anos sur lies. Cremosidade e corpo consistentes com muito frescor e equilíbrio. Os demais espumantes da casa seguem sempre um padrão de alta qualidade.

descorchados j.bouchon semillondescorchados garzon albarino

belos vinhos em estilos diferentes

Aqui, duas belas novidades em termos de uvas e terroirs. Muito bem pontuados, o branco da esquerda, Granito Sémillon mostra grande estrutura, corpo, textura e mineralidade. Um vinho denso e super equilibrado. Elaborado pela vinícola chilena J. Bouchon no vale do Maule em solo granítico. Já o branco da direita, uma agradável surpresa uruguaia com a casta Albariño na mais nova região vinícola deste país, perto de Punta del Leste, a chamada região Sudeste. Muito frescor, elegância e mineralidade. Uma pequena parte do lote passado em barricas francesas não mascara a fruta, resultando num conjunto harmônico.

descorchados el esteco torrontes 1945descorchados zorzal blanc de cal

argentinos diferenciados

O vinho da esquerda é um Torrontés de Salta, região norte da Argentina de grande altitude. Estamos falando em torno de dois mil metros acima do nível do mar. Este antigo vinhedo plantado nos anos de 1945 em latada (condução de vinha chamada também de parral), faz toda a diferença neste branco fresco, muito equilibrado, sem aqueles aromas invasivos e muitas vezes enjoativos da aromática Torrontés. Talvez o melhor Torrontés que já tenha provado. No vinho da direita, mineralidade à toda prova com evidente gosto salino. Este Sauvignon Blanc vem de Valle de Uco, mais especificamente, Gualtallary a 1450 metros de altitude. Mesmo com certo contato sur lies, o vinho é quase elétrico em boca com muito fresco e pureza de fruta. Conceitos biodinâmicos em todos os vinhos desta vinícola, Zorzal.

descorchados el esteco criolladescorchados bouchon pais

uva rustica bem trabalhada

A uva País (Chile) ou Criolla (Argentina) foi trazida na época da colonização espanhola nativa das Ilhas Canárias. Normalmente, gera vinhos rústicos, sem muitos atrativos. No entanto, bem trabalhada, pode ter resultados curiosos e surpreendentes. É o caso dos dois exemplares acima, um argentino, outro chileno.

O vinho da esquerda, são parreiras de 1958 com uvas perfeitamente adaptadas ao seu terroir. A vinificação inicial começa como um tinto propriamente dito. Em seguida, são retiradas as cascas, prosseguindo uma vinificação aos moldes de um branco. O vinho depois de estabilizado é engarrafado sem filtração. Delicado e profundo ao mesmo tempo. Já o da direita, parreiras totalmente selvagens como o próprio nome diz. São vinhedos na região chilena do Maule secano (região costeira do Maule), onde as vinhas foram plantadas em meio a vegetação nativa, trepando pela árvores sem condução. Isso dificulta a colheita, a qual é feita por meio de escadas, nos moldes dos vinhedos antigos na região dos Vinhos Verdes em Portugal. 50% das uvas são fermentadas com maceração carbônica, enriquecendo os aromas de frutas, e a outra metade numa fermentação normal em cubas. O resultado é um vinho delicado, original e totalmente natural. Nos dois vinhos, extraem-se delicadeza, suavidade, sem aquela rusticidade habitual.

descorchados vigno carignan old vignesdescorchados el esteco cabernet sauvignon 54 anos

mais vinhas antigas

O tesouro das vinhas antigas é um patrimônio que deve ser preservado a qualquer custo. São vinhos de personalidade, de equilíbrio raro, marcantes sem serem pesados. Enfim, uma maravilha. No caso da esquerda, são parreiras de 60 anos das famosas vinhas de Carignan do Maule. Com a vinificação primorosa da família Morandé, este tinto mostra toda sua autenticidade e frescor incríveis. Já o Cabernet Sauvignon da direita, voltamos à vinícola El Esteco de Salta para mais uma vinha antiga de 54 anos, plantada a 1700 metros de altitude. Partindo de baixos rendimentos, o vinho estagia em barricas francesas por 15 meses. Um Cabernet de raça com um balanço incrível entre força e elegância. Dois tintos de grande personalidade.

descorchados casa silva petit verdotdescorchados casa silva microterroir carmenere

O versátil Valle de Colchagua

Aqui, uma homenagem à Casa Silva, uma das referências em vinícolas no terroir de Colchagua. Ampla gama de vinhos sempre bem elaborados. Neste caso, dois tintos bem específicos. O da esquerda, um Petit Verdot de duas parcelas exclusivas da propriedade. Vinho robusto, cheio de taninos, próprio para carnes suculentas e fibrosas como bife de Chorizo. Bem educado em barricas francesas por 12 meses. Já o vinho da direita, um Carmenère também de parcelas exclusivas, bem trabalhado em barrica francesa, tanto na vinificação, como amadurecimento por 12 meses. Fora de Peumo, o terroir ideal para esta tardia casta, um dos melhores Carmenères do Chile.

Encontro Mistral: Parte II

12 de Junho de 2016

Continuando o desfile de vinhos, o Encontro Mistral proporcionou muitas surpresas, confirmações, e diversidade nos vinhos. Segue mais uma série deles.

mas de daumas gassac

Mas de Daumas Gassac

Quem não se lembra do filme Mondovino quando o senhor Aimé Guibert torceu o nariz para a invasão de fortes grupos vinícolas no Languedoc com a missão única e exclusivamente de ganhar dinheiro sem se preocupar com o contexto da região. Pois bem, é em sua propriedade que nasceu o grande tinto do sul da França, mesclando novos conceitos, mas sem abrir mão de suas raízes. O chamado “Grand Cru” Mas de Daumas Gassac fez fama rápida na crítica especializada sob a batuta do mítico enólogo bordalês, Émile Peynaud. Não tardou muito, para a versão em branco trilhar o mesmo caminho.

Este 2011 provado no encontro, confirma a classe, elegância e complexidade esperadas. Baseado fundamentalmente na casta Cabernet Sauvignon, e uma pequena porcentagem de inúmeras outras castas, o vinho apresenta estrutura e firmeza para vários anos em adega. Deve ser obrigatoriamente decantado.

felsina chianti classico rancia

Fattoria di Fèlsina

Dentro do Chianti Classico, há várias sub-regiões de destaque. Especialmente a sul, perto de Siena, temos a sub-região de Castelnuovo Berardenga, moldando Chiantis elegantes e de característica mineralidade. Indiscutivelmente, Fattoria di Fèlsina personifica esta região com grande tradição. Todos seus tintos de modo geral são marcantes, típicos e originais. O grande destaque para muitos é o notável Chianti Classico Riserva Rancia, extremamente consistente, ano após ano.

Este 2008 degustado no encontro, mostra muita estrutura, taninos bem moldados e um frescor notável. O termo Rancia, trata-se de um vinhedo especial da propriedade de parreiras antigas, criteriosamente replantadas ao longo do tempo. Para ser ter uma ideia, não é qualquer Brunello que pode ombreá-lo. Um verdadeiro clássico da Toscana.

santadi terre brune

Santadi: Terre Brune

Quando falamos em Sardegna, sul da Italia, pensamos nos tintos baseados na uva Cannonau, também conhecida como Garnacha (Espanha) ou Grenache (França). De fato, são tintos emblemáticos com alguns muitos bons e típicos da ilha. Entretanto, há um superstar elaborado com a uva Carignano (Carignan na França). Estamos falando de Terre Brune da vinícola Santadi, um Carignano del Sulcis, plantado em Sulcis, noroeste da ilha. Tinto de grande força, raça, e taninos poderosos.

O provado no encontro, safra 2007, é ainda uma criança. Bela estrutura, taninos em profusão, e muito longo em boca. Tinto que certamente vai evoluir, mostrando grande complexidade. Para quem ainda não provou, a surpresa é sempre impactante.

Porto Graham´s

Uma das cinco melhores casas do Porto, Graham´s esbanja concentração e elegância em seus vinhos. Seus Vintages são notáveis, embora toda a linha mantenha uma consistência impressionante. Dois destaques nesta prova: Quinta do Vesúvio Vintage 2007 e Porto Graham´s 20 anos. Estilos diferentes, mas igualmente ótimos.

quinta do vesuvio vintage

destacado aroma de violetas

Embora Quinta do Vesúvio seja outra propriedade, está ligada ao mesmo grupo da Graham´s. Este Vintage safra 2007 é super concentrado, potente, mas ao mesmo tempo, macio e convidativo. Seus aromas incríveis de violetas remetem à comparação com o destacado Quinta de Vargellas, propriedade da Taylor´s de muito prestígio. Vai evoluir certamente por décadas.

graham´s 20 anos

belos aromas e equilíbrio

Por fim, um Graham´s com indicação de idade, no caso, 20 anos. É uma bela fase dos chamados Tawnies, onde temos uma fruta madura, quase passa, ainda vibrante, mas com forte presença das frutas secas e seus toques empireumáticos.  O equilíbrio de açúcares e acidez é fundamental nesta categoria de vinho. E é exatamente isso, que faz a diferença nas grandes casas.

vale do meão vintage port

Porto mantendo o nível da casa

Quinta do Vale Meão sempre foi um dos redutos que o saudoso Fernando Nicolau de Almeida usufruía para uvas de alta qualidade na composição do mítico Barca Velha. Com a independência da Quinta a partir dos anos 90, o principal vinho da casa de nome homônimo mostrou toda sua qualidade, ratificando sua importância e participação no pioneiro dos vinhos de mesa do Douro de alta estirpe. Seu segundo vinho, Meandro, também confirma seu pedigree.

Na foto acima, falamos de uma outra estrela da casa, seu Porto Vintage. O vinho provado mostrou além de elegância e profundidade, um frescor pouco habitual, principalmente tratando-se de um terroir de clima quente, como é o Douro Superior. Outro fator importante, é a predominância no corte da nobre casta Touriga Nacional (60%), fornecendo classe e estrutura ao conjunto. É um Porto que impressiona pela elegância, equilíbrio e poder de longevidade.

Grand Cru Tasting: Destaques II

8 de Maio de 2016

Continuando a maratona de vinhos, mais alguns exemplares interessantes entre tintos e vinhos doces (sobremesa) na bela Casa da Fazenda Morumbi, sob o comando da importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br).

shiraz wallace

o clássico Shiraz australiano

Barossa Valley é a cara do autentico Shiraz australiano. Cheio de fruta, macio, envolvente, e muito bom para os dias mais frios onde aquela pitada de álcool acima é bem-vinda. O corte com a Grenache ajuda ainda mais no lado frutado e na maciez. O segredo é o vinho ter um bom balanço de frescor. Ben Glaetzer segue esta linha.

morande golden harvest

o Sauternes da América do Sul

A vinícola chilena Morandé além de moldar belos vinhos de mesa, elabora esta joia à base de Sauvginon Blanc com uvas botrytisadas. O cuidado no vinhedo, na colheita, e nas várias fases de elaboração em cantina, faz deste branco dourado um exemplo de equilíbrio notável entre seus componentes (açúcar, álcool, e uma bela acidez). Parceiro para queijos potentes, curados, além dos sempre lembrados queijos azuis.

gorgonzola dolce

la dolce vita!

Falando em queijos azuis, a foto acima mostra um autêntico gorgonzola dolce, um dos melhores queijos não só da Itália, mas do mundo. Cremoso e mais delicado que a versão normal, enriqueceu o farto buffet, além de acompanhar bem os vinhos, sobretudo os dois de sobremesa, acima e abaixo nas fotos.

delas beaumes de venise

o esquecido Beaumes de Venise

Um dos mais injustiçados vinhos do Rhône é o pouco lembrado Muscat Beaumes de Venise. Um vinho fortificado à base de Moscatel, de estilo bem delicado. Um contraponto ao notável Moscatel de Setubal de Portugal. Seus aromas florais e de pêssegos encantam ao primeiro contato. Experiência gastronômica única de contrastes de textura quando combinado com uma mousse de pêssego. Vale a pena prova-lo.

nero d´avola passivento

o Amarone da Sicilia

A típica uva siciliana Nero d´Avola molda tintos agradáveis na ilha. Contudo, este exemplar foge à regra. As uvas são colhidas  passificadas na planta, prolongando o período de colheita. Lembra de certo modo o grande tinto do Veneto, senhor Amarone, onde a passificaçao ocorre em caixas ou esteiras após a colheita. Neste sentido, o vinho ganha corpo, estrutura, e riqueza de frutas em compota. Boa concorrência para outro tinto sulino bem conhecido da Puglia com a uva Primitivo. Bela surpresa do produtor Barone Montalto.

fonterutoli

Mazzei reina em Castellina in Chianti

Há certos produtores que não podemos dissociar e nem deixar de mencionar nas regiões em que atuam. Um destes é a família Mazzei, ícone da sub-região histórica do Chianti Classico de Castellina in Chianti. Tipicidade, equilíbrio e consistência à toda prova. Pedida certa nesta denominação.

chinon serge e bruno

o lado delicado da Cabernet Franc

O vale do Loire é berço de grandes vinhos brancos nos seus mais variados estilos e uvas. Contudo, os tintos da região são conhecidos em apelações famosas como Chinon, elaborados com a casta Cabernet Franc. Vinhos de corpo médio, delicados, equilibrados, e muito gastronômicos. O rótulo acima é um bom exemplar.

pulenta cabernet franc

exemplar diferenciado num mar de Malbecs

Bem diferente do vinho acima, este tinto argentino também é elaborado com Cabernet Franc, uva pouco usual, sobretudo como varietal, na zona alta do rio Mendoza, Lújan de Cuyo, mais especificamente Agrelo, terroir de destaque.  Partindo de vinhedos antigos, perfeitamente adaptados ao solo e ao clima, as uvas são bem trabalhadas na cantina, gerando um vinho de grande personalidade. Mesclado de forma coesa à madeira, este tinto mostra equilíbrio e persistência. As barricas francesas novas respeitam a estrutura do vinho. Tinto para sair da rotina malbequiana.

morande black

sul da França no Maule

Mais um show da Morandé neste corte ousado mesclando uvas do Rhône com a Carignan. São vinhedos plantados nos anos 50 que garantem aquela concentração das chamadas vinhas velhas. Um toque de rusticidade neste tinto de personalidade muito bem integrado com a madeira a qual quase não se percebe. Exemplar fora da curva, fugindo da rotina.

Uvas Francesas pelo Mundo

22 de Fevereiro de 2016

O que seria do Novo Mundo sem as uvas francesas, ditas internacionais? A França sempre foi referência no mundo do vinho, sobretudo para os países emergentes. Qualquer que seja a região vinícola das Américas, Oceania, África, sempre teremos exemplares de Cabernet Sauvignon para tintos, e Chardonnay para brancos. Além disso, temos Merlot, Syrah, Grenache, Sauvignon Blanc, entre outras, com seus estilos próprios. E dentro da França, qual a importância de cada uma destas uvas no panorama geral? É isso que vamos ver a seguir.

A França vem diminuindo suas áreas de vinhas nos últimos tempos, conforme quadro abaixo. Com pouco mais de oitocentos mil hectares de plantio, este país tem destaque no cenário mundial juntamente com Espanha e Itália, seus eternos rivais.

Em outros tempos, o sul da França era inundado de vinhas com supremacia absoluta no plantio da rústica Carignan, a mesma Cariñena na Espanha. Só de 2006 para cá, o plantio desta uva decresceu 40%, tornando-se atualmente, a sétima uva mais plantada em território francês. O predomínio hoje é da Merlot, não só em termos gerais, mas principalmente em Bordeaux. De fato, com maturação mais precoce que a Cabernet e gerando vinhos mais macios quando jovens, a escolha pela Merlot faz sentido.

Bem longe da Merlot, em segundo lugar, seguida de perto pela Ugni Blanc, temos a Grenache, muito plantada no Rhône-Sul, além da Provence e Languedoc-Roussillon. Sempre majoritária no famoso blend GSM (Grenache, Syrah e Mourvèdre), tem grande penetração nos inúmeros tintos da apelação Côtes-du-Rhône, por exemplo.

Como vinho, a branca Ugni Blanc tem desempenho irrisório, tanto na quantidade, como na qualidade. Contudo, estamos falando da região de Charentes-Cognac, onde se elabora o destilado mais famoso da França, Cognac. São mais de oitenta mil hectares de vinhas onde a Ugni Blanc tem presença quase absoluta, conhecida localmente como Saint-Emilion.

uvas frança

Resumo de 85% do plantio francês

Em quarto lugar, temos a Syrah, a mesma Shiraz tão famosa em terras australianas. Apesar de sua fama ser oriunda dos grandes vinhos do Rhône-Norte designados nas apelações Hermitage, Côte-Rôtie, Cornas, St-Joseph, entre outras, as grandes áreas de cultivo estão no sul da França, principalmente no Languedoc-Roussillon.

Em quinto e sexto lugar, temos as famosas Cabernet Sauvignon e Chardonnay, cabeça a cabeça nesta disputa. A primeira reina em Bordeaux, sobretudo na chamada margem esquerda, enquanto a segunda é soberana na Borgonha, gerando os grandes brancos franceses.

Neste quadro temos 85%  dos vinhedos franceses com uvas acima de 1% (área plantada) no cômputo geral. Os 15% restantes formam um conjunto numeroso de uvas pouco conhecidas que individualmente apresentam produções insignificantes.

surface france

queda progressiva ao longo dos anos

Em termos de regiões, o Languedoc-Roussillon sempre esteve em primeiro lugar. Outrora, muito mais. Em segundo lugar, temos a Aquitania com a enorme região de Bordeaux, além de áreas periféricas. O Vale do Rhône é outra região numerosa em vinhas, incluindo no quadro a Provence. Não podemos esquecer de Charentes-Cognac onde suas vinhas tem produção expressiva. O restante vai se diluindo a partir da Borgonha e Loire em áreas cada vez mais diminutas.

regiões francesas vinhas

sul da França: um mar de vinhas

Em termos mundiais, a ordem dos fatores muda. A Cabernet Sauvignon fica com o primeiro lugar, seguida de perto pela Merlot. Para quem não conhece, temos a branca Airen da Espanha em terceiro lugar. Muito cultivada em La Mancha, região vinícola de área extensa, gera vinhos sem grandes atrativos. Porém, muito desses vinhos são destinados para a elaboração dos bons brandies espanhóis. As demais uvas não causam surpresas, exceto a  branca Trebbiano. De grande cultivo na Itália, gera vinhos um tanto neutros. Na França, é conhecida como Ugni Blanc, da qual já falamos. Uva base para a elaboração do Cognac e de grande presença na respectiva região.

Uvas mais plantadas no Mundo

1 – Cabernet sauvignon sur 290 091 ha (+31 % par rapport à l’an 2000), soit 6 % du vignoble mondial.
2 – Merlot noir sur 267 169 ha (+26 %), soit 6 % du vignoble mondial.
3 – Airen blanc* sur 252 364 ha (-35 %), soit 5 % du vignoble mondial.
4 – Tempranillo noir sur 232 561 ha (+150 %), soit 5 % du vignoble mondial.
5 – Chardonnay blanc sur 198 793 ha (+37 %), soit 4 % du vignoble mondial.
6 – Syrah noire sur 185 568 ha (+83 %), soit 4 % du vignoble mondial.
7 – Grenache noir sur 184 735 ha (-14 %), soit 4 % du vignoble mondial.
8 – Sauvignon blanc sur 110 138 ha (+70 %), soit 2 % du vignoble mondial.
9 – Trebbiano toscano blanc sur 109 772 ha (-20 %), soit 2 % du vignoble mondial.
10 – Pinot noir sur 86 662 ha (+45 %), soit 2 % du vignoble mondial.

Enfim, esses são os panoramas das uvas francesas dentro e fora da França. Pelo quadro acima, fica claro a supremacia das mesmas no cenário mundial, ou seja, das dez primeiras, sete são francesas. Nada mal …


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