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Vinhos da Áustria: Parte IV

11 de Julho de 2014

Após alguns artigos esmiuçando as principais regiões e leis dos vinhos austríacos, vamos explorar agora as denominações mais nobres do país com as chamadas DACs (Districtus Austriae Controllatus), conforme mapa abaixo:

DAC Gebiete

Nove regiões no leste do país

Weinviertel DAC

Começando no extremo norte do mapa, Weinviertel conta com uma área de 13.356 hectares. Aqui cultiva-se Grüner Veltliner no estilo Classic e Reserve. O primeiro mais leve, fresco e sem madeira. O segundo mais encorpado e eventualmente com notas amadeiradas. Vale a pena salientar que a área cultivada com a uva acima de 6.200 hectares representa mais da metade produzida em toda Áustria desta nobre cepa.

Weinviertel, área relativamente extensa, pode ser dividida em três partes. A primeira, mais a noroeste, apresenta um solo mais rochoso. Já o setor nordeste, mostra um solo mais calcário, responsável pela mineralidade dos vinhos. Por último, a parte sudeste, próximo ao vale da Panônia, mostra um clima mais quente, propício a vinhos mais encorpados.

Traisental DAC

Região de 790 hectares de vinhas, sobretudo Gruner Veltliner e uma pequena porcentagem de Riesling. Situa-se ao sul do rio Danúbio, abaixo de regiões famosas como Kamptal, Kremstal e Wachau. Os vinhedos basicamente situam-se em terraços misturando solos calcários, argilosos, arenosos e pedregosos, com grande amplitude térmica (diferença de temperaturas entre dia e noite). Os vinhos à base de Grüner Veltliner são frescos e aromáticos (toques apimentados). Já os Rieslings, são intensos, encorpados e com toques minerais.

Viena: Vinhedos ao redor da cidade

Wiener Gemischter Satz DAC

A cidade de Viena com suas zonas de vinhedos (612 hectares) protagoniza esta DAC com um blend (mistura) de uvas que remonta a idade média denominado Gemischter Satz. Uvas como Chardonnay, Riesling e Weissburgunder (Pinot Blanc) fazem parte deste blend. A proporção da uva principal não deve estar acima de 50% e a de menor proporção com pelo menos 10%.

Regras como a indicação de um single vineyard (cru) não precisam necessariamente ser designado como Trocken (dry). Já sem a menção single vineyard, a designação Trocken (dry) é obrigatória.

Em termos de sub-regiões, na parte oeste de Viena os solos são predominantemente calcários. Bom para o cultivo das uvas Grüner Veltliner e Riesling. No setor sul da cidade, solos também calcários são complementados por terras escuras (argilas), gerando vinhos mais ricos e encorpados.

Leithaberg DAC

Com 3576 hectares de vinhas, Leithaberg é uma das regiões mais antigas da Áustria. Há influência do clima quente do lago Neusiedl favorecendo a maturação das uvas. Por outro lado, as montanhas amenizam estas temperaturas, sobretudo à noite, proporcionando acidez e finesse aos vinhos. Os solos são compostos basicamente de calcário e ardósia.

Os vinhos podem ser varietais ou blends, entre tintos e brancos. As uvas brancas são Weissburgunder (Pinot Blanc), Chardonnay, Neuburger e Grüner Veltliner. Com relação às tintas, temos Blaufränkisch (85% no mínimo) e no máximo 15% das uvas (St, Laurent, Zweigelt e Pinot Noir). Os vinhos brancos devem ser delicados , aromáticos e minerais com pouca madeira e preferencialmente nenhuma. Já os tintos, devem passar em madeira. Costumam ser estruturados e tânicos.

Mittelburgenland DAC

Região ao lado da Hungria (2.117 hectares de vinhas) e com forte influência da planície da Panônia, o clima é ideal para a maturação da tardia uva clássica austríaca Blaufränkisch. Este clima relativamente quente é garantido pela proteção das cadeias de montanhas ao norte, sul e oeste. O solo mistura argila, areia e pedras com bancos importantes de coral.

As versões rotuladas como clássicas apresentam vinhos encorpados, frutados e com aromas de especiarias. A maturação pode ser aço inox, ou madeira usada, e portanto inerte. Já a versão Reserve, admite tonéis ou barricas de madeira, consoante à estrutura dos vinhos desta categoria.

Eisenberg DAC

Outra região ao sul de Mittelburgenland com 498 hectares de vinhas baseada na uva tinta Blaunfränkisch. Não tem a mesma notoriedade de Mittelburgenland, mas seus tintos apresentam estilo semelhante. Há toques de tipicidade nesses tintos como mineralidade (nuances terrosas) e notas de especiarias. Muitos apontam os solos de ardósia e silte com presença de ferro os principais fatores para as características citadas.

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Vinhos da Áustria: Parte III

30 de Junho de 2014

Continuando a decifração dos vinhos austríacos, vamos abordar mais alguns aspectos de suas designações que têm em sua essência as leis alemães. No que diz respeito ao açúcar residual, podemos nos deparar com quatro termos: Trocken (dry ou seco), Halbtrocken (off-dry ou meio-seco), Lieblich (doçura comedida, até 45 gramas de açúcar por litro) e por último, Sweet (doce, acima de 45 gramas de açúcar por litro).

Um pouco mais complicado é o termo KMW (Klosterneuburg Must Weight Scale), ou seja, a quantidade de açúcar em cem gramas de mosto (líquido resultante da espremedura das uvas). Numa escala de dez a trinta, este número em KMW confere as seguintes denominações em ordem crescente de açúcar no mosto que lembra muito as denominações alemães: Kabinett, Spätlese, Auslese, Beerenauslese, Ausbruch, Trockenbeerenauslese, Eiswein e Strohwein/Schilfwein. É importante saiientar que a partir da categoria Kabinett não poder haver chaptalização (adição de açúcar no mosto).

Os termos Ausbruch e Strohwein são exclusivamente austríacos. Ausbruch é simplesmente uma designação intermediária entre Beerenauslese e Trockenbeerenauslese. Já o termo Strohwein significa que as uvas maduras são secadas geralmente em esteiras por um tempo mínimo de três meses. Processo semelhante à elaboração do vinho santo italiano (Toscana).

Generic wine growing regions

Geologia bastante diversificada nas principais regiões

Na chamada Baixa Áustria (Niederösterreich) quase um terço dos vinhedos são solos formados por marga (mistura de calcário e argila) e pedras calcárias e de origem arenosa. Outra formação geológica importante são os solos chamados de loess (depósitos de solos formados pela ação do vento). Uma pequena parcela dos vinhedos são provenientes de solos de origem vulcânica com pedras de granito, xisto e gnaisse, sendo as duas últimas de origem metamórfica.

Na chamada Burgenland, as bacias da Panônia e Estíria são formadas por solos pedregosos de origem calcária e arenosa. As colinas desta área têm solos diversificados com argila, calcário, gnaisse e mica.

Na região da Estíria (Steiermark), três quartos de seus vinhedos têm origem em solos provenientes de depósitos aluviais na bacia da Estíria. Uma pequena parte é formada por solos de origem vulcânica como basalto e tufo. Eventualmente, em solos pedregosos temos gnaisse, xisto, mica e filito.

Por último, a região de Viena (Wien) é formada em parte por solos calcários, e parte por solos pedregosos formados por areia, argila e marga. Há presença também de solos chamados de loam (mistura de areia, silte e argila).

Principais uvas

Grüner Veltliner

Principal uva branca austríaca (praticamente 50% do plantio de uvas brancas), moldando vinhos bastante frescos, de acidez destacada, e principalmente com notas de especiarias, notadamente a pimenta verde. Seus vinhos são boas alternativas para acompanhar aspargos.

Zweigelt

Uma das duas principais uvas tintas da Áustria, gera vinhos de muita cor com taninos suaves. São vinhos de bom corpo lembrando aromas de cerejas. Os lotes de melhor qualidade passam por barricas.

Zweigelt: Cor marcante

Blaufränkisch

A outra grande uva austríaca. De maturação tardia, gera vinhos austeros, de boa acidez e taninos marcantes. A maturação perfeita da uva é um ponto crucial para o sucesso. Seus vinhos costumam ter boa longevidade.

As duas uvas tintas acima respondem por cerca de 60% do plantio de uvas tintas. As uvas ditas internacionais, tanto brancas como tintas, apresentam porcentagens discretas de plantio.

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Vinhos da Áustria: Parte I

16 de Junho de 2014

Os vinhos austríacos são pouco difundidos e pouco consumidos no Brasil. É bem verdade que a produção é relativamente pequena, mas o desconhecimento é a maior barreira. O estilo e legislação vinícola têm inspiração alemã, embora a textura de seus brancos lembrem mais os caldos alsacianos. O mapa abaixo, situa a Áustria no centro da Europa com divisas importantes, tais como, Húngria, Eslovênia e Eslováquia. A porção leste do país é efetivamente onde estão as principais regiões vinícolas.

A picture shows a map of Austria with the climate influences

Fatores de terroir: Correntes eólicas

Pelo esquema acima, podemos perceber um dos importantes fatores de terroir, esquematizado pelas três principais correntes eólicas. A primeira em azul, refere-se aos ventos frios vindos do norte. Já as outras duas, são correntes quentes vindas da planície húngara e em menor grau de influência, os ventos do Mediterrâneo. 

As quatro zonas climáticas

A Áustria apresenta quatro grandes zonas climáticas expostas no mapa acima. A primeira, zona do Danúbio, beneficia-se de grande amplitude térmica (diferença entre as temperaturas diurnas e noturnas), além do fator moderador do rio, amenizando os extremos de temperatura nas várias estações do ano. É sem dúvida, a zona mais nobre da Áustria, como veremos em artigos subsequentes. 

A zona de Weinviertel é a mais setentrional e bastante fria. O grande destaque para os vinhos brancos parte da uva autóctone e mais famosa da Áustria, Grüner Veltliner, com seus toques apimentados. Ja a zona da Panônia é relativamente mais quente, englobando regiões para cultivo das uvas tintas locais como Zweigelt, St Laurent e Blaufränkisch. Os vinhos brancos doces botrytisados também ganham destaque ao redor do famoso lago Neusiedl. Por último, a zona da Estíria (Steirmark ou Styria), pouco produtiva, apresenta vinhos bastante aromáticos num clima relativamente quente. Seus solos de origem vulcânica e também com presença de calcário são fatores relevantes.

Generic wine growing regions ha

Distribuição da área de vinhas

Em aproximadamente quarenta e seis mil hectares de vinhas, a Áustria concentra todo seus vinhedos na porção leste do país. Regiões a oeste como o Tirol, divisa com a Itália, tem produção praticamente desprezível. Dois terços da área plantada são destinados a uvas brancas e um terço às tintas. Só a Gruner Veltliner, uva branca emblemática, responde por quase trinta por cento do plantio. Quanto às uvas tintas, a Zweigelt, uva local fruto do cruzamento das uvas St Laurent e Blaufränkisch, também autóctones da Áustria, responde por cerca de quatorze por cento do plantio austríaco.

Uvas da Asutria

A despeito de algumas uvas internacionais, a Áustria prima por elaborar vinhos autênticos com uvas locais, principalmente as tintas. Quanto a mais emblemática uva austríaca, Grüner Veltliner, há regiões onde seu cultivo gira em torno de cinquenta por cento da área de vinhas.

O consumo de vinho na Áustria gira em torno de dois milhões e seiscentos mil hectolitros (dados de 2010). Em termos de consumo per capita anual, estamos falando algo de trinta litros/habitante, enquanto a cerveja passa dos cem litros/ habitante.

Austria importação e exportação

As importações e exportações austríacas são niveladas em quantidade com números próximos de setecentos mil hectolitros para cada lado da balança. A Alemanha é disparada seu maior mercado exportador, enquanto a Itália é o país preferido com folga na importação de vinhos.

Continuamos com a Áustria no próximos artigos explorando regiões, leis, uvas, e muito mais.

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