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Wine Spectator e mais Top Ten

20 de Novembro de 2018

Os cem melhores vinhos do ano de 2018, segundo a revista Wine Spectator. Relação sempre polêmica envolvendo a qualidade do vinho em si (nota), disponibilidade no mercado (número de caixas) e preço por garrafa, ou seja, o difícil é ter nota alta, grande produção e preço baixo. Poucos conseguem esta proeza. (www.winespectator.com).

De toda a relação, temos 30 americanos (a revista é americana), 20 italianos, 18 franceses, 8 espanhóis, 3 portugueses, 5 australianos, 4 neozelandeses, e o restante entre chilenos, argentinos, alemães, austríacos, sul-africanos, um de Israel, e um grego.

Dos americanos, sempre vinhos caros e praticamente indisponíveis no Brasil, a relação ratifica que as regiões da Califórnia (Napa, Sonoma, e Costa Sul), Oregon e Washington, sempre fornecem grandes vinhos que devem ser provados e comprados no exterior.

Dos italianos, a região da Toscana sobretudo, foi grande destaque com Chianti Classico e Brunello, embora um siciliano dentre os Top Ten.

Dos franceses, grande destaque para os bordaleses da safra 2015, uma das melhores dos últimos anos na Europa, e para os tintos do Rhône, especialmente Chateauneuf-du-Pape.

Da península ibérica, Espanha sempre com tintos instigantes e do lado português, destaque para a ótima safra 2016 no Douro com Vintages clássicos e de grande longevidade. Temos dois grandes Portos na lista.

De resto, a Oceania (Australia e Nova Zelândia) garfou nove exemplares, além dos outros países citados acima com participações pontuais.

Diante da lista completa, Vinho Sem Segredo seleciona seus Top Ten sem maiores pretensões, e de maneira nenhuma, subestimando a lista oficial. São também grandes vinhos, envolvendo além das notas, gosto pessoal.

1. Warre Vintage Port 2016

14° colocado na lista oficial com 98 pontos, Warre é a casa inglesa mais antiga em Vinho de Porto desde 1760. É logico que abri-lo agora é um imperdoável sacrilégio. Um vinho cheio de energia com taninos massivos e muita coisa a se desenvolver. Para os que estarão aqui em 2050, será um dos grandes Portos a atingirem o apogeu. Importadora Decanter.

wine spectator san felice chianti classico

2. San Felice Chianti Classico 2016

19° colocado na lista oficial com 94 pontos, este Chianti Classico custa somente 17 dólares no exterior. San Felice é um dos mais tradicionais produtores de Chianti Classico localizado em Castelnuovo Berardenga, próximo a Siena. Foi o pioneiro dos supertoscanos com o tinto Vigorello, lançado no mesmo ano do Sassicaia em 1968. Seus toques minerais e de tabaco são clássicos neste distinto terroir. Importadora Via Vini.

3. Roederer Estate Brut Anderson Valley

27° colocado na lista oficial com 93 pontos, este espumante é dos melhores da América com a chancela da Maison Louis Roederer. Com vinhedos localizados em Anderson Valley, próximo a Mendocino, região costeira bem ao norte da Califórnia, o vale absorve a tradicional neblina do Pacifico, provocando grande amplitude térmica. Neste blend clássico, temos Chardonnay (60%) e Pinot Noir (40%) com pelo menos dois anos sur lies (contato com as leveduras) antes do dégorgement.

wine spectator chateau-branaire-ducru 2015

4. Chateau Branaire-Ducru St Julien 2015

33° colocado na lista oficial com 94 pontos, este é um dos belos Grand Cru Classe da safra 2015. Nada a ver com o Chateau Ducru-Beaucaillou, outro ótimo Saint-Julien, Branaire-Ducru é um quatrième classificado de 1855. Blend composto por Cabernet Sauvignon (dois terços), Merlot (praticamente um terço), e pequenas porcentagens de Cabernet Franc e Petit Verdot. O vinho estagia entre 16 e 20 meses em barricas francesas (65% novas). Uma boa compra no exterior frente a outros chateaux mais famosos.

5. Descendientes de J. Palacios Bierzo Pétalos 2016

35° colocado na lista oficial com 92 pontos, este é um clássico da notável região de Bierzo, a noroeste da Espanha. Com seu relevo montanhoso e solo de pizarras (espécie de ardósia fragmentada), Bierzo molda tintos instigantes com a casta Mencia, cheio de pureza e mineralidade. Um dos grandes terroirs da Espanha. Importadora Mistral a bons preços.

wine spectator henri bourgeois les baronnes

6. Henri Bourgeois Sancerre Les Baronnes 2017

46° colocado na lista oficial com 92 pontos. Um dos melhores produtores da apelação Sancerre, Henri Bourgeois molda Sauvignon Blanc  típicos do Vale do Loire. Les Baronnes é um de seus vinhedos, gerando brancos de ótimo frescor para nosso verão. Sem passagem por madeira. Importadora Grand Cru.

7. Domaine des Baumard Quarts de Chaume 2015

52° colocado na lista oficial com 98 pontos, este é um clássico botrytisado do Vale do Loire. Para quem está cansado de Sauternes, Quarts de Chaume é uma apelação clássica de Anjou com a casta Chenin Blanc. Vinho de grande delicadeza, complexidade, e longevidade. Importadora Mistral.

wine spectator hamilton russell chardonnay

8. Hamilton Russell Chardonnay Hemel-en-Aarde Valley 2017

57° colocado na lista oficial com 93 pontos, Hamilton Russell é sinônimo de Borgonha na África do Sul. Com vinhedos situados na fria região litorânea de Walker Bay, banhada pela corrente de Benguela, seus Chardonnays fermentados e amadurecidos em barricas francesas, são complexos, equilibrados e expansivos. Importadora Mistral. 

wine spectator auguste clape cornas

9. Auguste Clape Cornas 2015

77° colocado na lista oficial com 98 pontos, Auguste Clape é referência absoluta na apelação Cornas, maldosamente mencionada como “Hermitage dos pobres”. Tinto de grande força, personalidade, e longevidade. Seus vinhedos ficam num anfiteatro localizados a sul da apelação Hermitage com uma exposição solar fora de série para o perfeito amadurecimento das uvas Syrah. Para quem tem muita paciência em adegar. Importadora Mistral.

10. Henri Gouges Nuits-St-Georges Clos des Porrets 2015

79° colocado na lista oficial com 95 pontos, Henri Gouges personifica o lado mais masculino de Nuits-St-Georges, vasta comuna com muitas expressões de terroir. Clos des Porrets é um monopólio de pouco mais de três hectares. Tinto musculoso, tânico, e de grande longevidade. O lado mais viril da Pinot Noir. Importadora Zahil.

Enfim, uma lista com cinco franceses de diferentes procedências. A outra metade com vinhos pouco conhecidos do grande público, de preços variados, e muitos deles encontrados no Brasil, embora a preços nem sempre convidativos. Para aqueles que têm a oportunidade  de irem ao exterior, uma bela chance de prova-los a preços honestos.

 

 

 

California Wine Regions: Parte II

24 de Fevereiro de 2014

Tendo como base nosso mapa abaixo, vamos explorar a nobre sub-região de North Coast, abrigando os excepcionais condados de Sonoma e Napa Valley. A região de Napa foi esmiuçada numa série de artigos neste mesmo blog intitulada Napa Valley (Partes I, II, III e IV).

North Coast: influência oceânica

Ampliando um pouco o mapa da Costa Norte californiana, observamos os condados de Mendocino e Lake no esquema abaixo. Evidentemente, os mesmos não têm a notoriedade de Sonoma e Napa, mas elaboram vinhos bem feitos em suas especialidades.

Mendocino e Lake: sem as brisas do Pacífico

Lake County

São três mil e duzentos hectares de vinhas distribuídos em cinco AVAs (Benmore Valley, Clear Lake, Guenoc Valley, High Valley e Red Hills Lake County). Clear Lake, o maior lago da Califórnia é fator moderador de temperatura, mantendo noites frias e arrefecendo o forte calor no verão. Sauvignon Blanc na AVA homônima é um dos destaques da região. As AVAs High Valley e Red Hills produzem bons tintos à base de Cabernet Sauvignon, Zinfandel e Merlot em altas colinas de solos vulcânicos.

Anderson Valley e a famosa neblina (fog)

Mendocino County

São dez AVAs distribuídas em pouco mais de seis mil hectares de vinhas. Região protegida da influência do Pacífico por uma cadeia de montanhas que podem chegar a novecentos metros de altitude. Exceto sua AVA mais famosa, Anderson Valley, é capaz de sugar as brisas frias do Pacífico através do rio Navarro, fazendo deste local um destaque para a Pinot Noir, castas brancas como Gewurztraminer e Riesling, além de bons vinhos-bases na elaboração de espumantes. Não é à toa que Maison Roederer (Cristal) tem raízes neste vale. A vinícola Eike Vineyards é uma bela referência para Pinot Noir.

Bons tintos baseados em Cabernet Sauvignon e Zinfandel vêm da AVA Redwood Valley. A parcial influência marítima prolonga a estação de amadurecimento das uvas, gerando vinhos finos e complexos.

Terroir da costa californiana

Nos condados de Sonoma e Napa é fundamental a compreensão do terroir acima, mostrando a influência benéfica e refrescante das neblinas que adentram pelo continente. De fato, a fria corrente marítima da Califórnia provoca ventos gelados na faixa litorânea. Os mesmos em contato com o ar quente do continente formam as famosas neblinas. Qualquer fenda no continente é capaz de sugar o nevoeiro, refrescando as vinhas e promovendo notável amplitude térmica. Em Sonoma, o rio Russian (Russian River) é uma das fendas importantes. Entretanto, a mais destacada encontra-se na baía de San Pablo através do ponte Golden Gate. Por esta fenda, a neblina inunda a famosa AVA de Los Carneros e propaga-se pelos condados de Sonoma e Napa, dissipando seus efeitos ao longo do continente.

Continuamos no próximo artigo com Sonoma County.


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