Archive for the ‘Chile’ Category

Top 100 Wine Spectator 2016

6 de Dezembro de 2016

Analisando os Top Ten recém-anunciados com seis vinhos americanos, ficamos induzidos a pensar que o mundo divide-se em americanos e o restante, incluindo a Europa. Já frisamos várias vezes que puxar a sardinha para sua brasa é algo normal e compreensivo. Portanto, temos que raciocinar com isenção e posicionar os Estados Unidos no seu devido lugar no mundo dos vinhos. A força vinícola deste país é inquestionável. É o quarto produtor mundial, um dos principais importadores da bebida, e faz vinhos espetaculares. Neste sentido, cabe a nós respeitá-los e ao mesmo tempo, estarmos também conscientes do habitual exagero americano, ou seja, um pouco menos …

Vamos pinçar  e comentar alguns vinhos interessantes da lista, inclusive o vinho do ano. Uma espécie de Top Ten pessoal, dando já algumas dicas para o final do ano que se aproxima.

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Vinho do Ano, Number 1

Lewis Cabernet Sauvignon Napa Valley 2013 é um dos ótimos Cabernet Sauvignon de Napa Valley, região extremamente famosa, e um dos melhores terroirs para esta casta. Mais do que o vinho do ano, ele está representando um grupo de ótimos concorrentes  como Screaming Eagle, Harlan Estate, Insignia, Abreu, entre outros. E aqui certamente, entra o lado promocional de um nome que não tem o peso e a tradição dessas feras citadas. Ele nem sequer é o top da própria vinícola. Seja como for, aqui vão seus atributos.

As uvas são colhidas em seu ponto ótimo de maturação, desengaçadas, e vinificadas em aço inox com longa maceração. O vinho amadurece por cerca de 19 meses em carvalho francês novo, e é engarrafado sem filtração. Muita concentração, maciez e balanço, num final longo.

Os outros nove pessoais

Nesses demais vinhos, fiz questão de não colocar mais nenhum americano, já que no Top Ten eles abusaram um pouco. Em compensação a Espanha entrou em peso, notadamente a região de Ribera del Duero na safra 2012.

Todos os vinhos são bem pontuados, encontrados no Brasil, e com a indicação das respectivas importadoras. São vinhos que pessoalmente tenho familiaridade, e portanto, podem valer como dicas para presentes neste final de ano.

Hamilton Russell Chardonnay Hemel-en-Aarde Valley 2015 – 94 pontos

Esse é um velho conhecido, exemplo de um bom Chardonnay fora da Borgonha. Hamilton Russell foi aprender in loco como se faz Borgonha (branco e tinto), e escolheu Walker Bay, litoral muito frio da Áfrical do Sul, para formar seu terroir. Ele tem uma preocupação absurda com vinificação em barricas e o uso da madeira. Trabalha com baixíssimos rendimentos (23 hl/ha). O resultado é um vinho com incrível balanço entre fruta e madeira. Importadora Mistral (www.mistral.com.br).

Abadia Retuerta Selección Especial Sardon de Duero 2012 – 93 pontos

Os tintos da Abadia Retuerta são sempre muito bem feitos. Localizada em Castilla y León, está fora da denominação Ribera del Duero. Este Selección Especial é um corte com predomínio de Tempranillo, utilizando os melhores vinhedos. É complementado com Cabernet Sauvignon e Syrah, principalmente. Amadurece entre 16 e 22 meses em barricas de carvalho (francês e americano). Mescla muito bem o vigor da fruta com os toques de madeira. Importadora Peninsula (www.peninsulavinhos.com.br), especializada em vinhos espanhóis de alta qualidade.

Condado de Haza Ribera del Duero 2012 – 93 pontos

Quando se pensa em Ribera del Duero, exceto Vega-Sicilia, se pensa em Pesquera do grande bodegueiro Alejandro Fernandez. Seus tintos calcados na Tempranillo (Tinto Fino na região) são cheios de personalidade. O grupo Pesquera em uma de suas bodegas tem o Condado de Haza, tintos de muita consistência e preços competitivos. Mais de três mil barricas para brincar com as uvas Tempranillo. Importadora Mistral.

Bodegas y Viñedos Maurodos Toro San Roman 2012 – 95 pontos

Por trás desta bodega está Mariano Garcia, talvez o melhor enólogo de toda Castilla y León, trabalhando por décadas no Vega-Sicilia. Este projeto em Toro, denominação vizinha à Ribera del Duero, trabalha com 100% Tempranillo (localmente conhecida por Toro) em solos pobres e de baixos rendimentos. Passa cerca de dois anos em barricas francesas e americanas, entre novas e usadas. Importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br).

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Concha Y Toro Cabernet Sauvignon Puente Alto Don Melchor 2012 – 95 pontos

Cabernet Sauvignon consagrado do Alto Maipo, Don Melchor procura aprimorar-se a cada ano com vinhos sedosos e acessíveis, mesmo jovens. Uma pitada de Cabernet Franc e o uso criterioso de carvalho francês, molda um dos tintos mais consistentes do Chile. Lojas Ville du Vin (www.villeduvin.com.br).

Fattoria di Fèlsina Chianti Classico Berardenga 2013 – 92 pontos

No mar de Chiantis espalhados em lojas e importadoras, consegue-se pinçar alguns exemplares de grande personalidade. Fattoria de Fèlsina é o grande nome de Castelnuovo Berardenga, sub-região do Chianti Classico, perto de Siena. Seus Chiantis com 100% Sangiovese são de uma pureza e tipicidade extraordinárias. Sempre um porto seguro. Importadora Mistral.

Fournier Père & Fils Sancerre Les Belles Vignes 2015 – 92 pontos

Um clássico do Loire com a uva Sauvignon Blanc. De estilo cítrico, bem mineral, seus vinhos são típicos, bem secos, quase austeros. Vinificação tradicional com maturação sur lies (sobre as borras), sem passagem por madeira. Ótimo com produtos do mar in natura (ostras, sashimis, carpaccio, …). Importadora Premium (www.premiumwines.com.br).

La Rioja Alta 904 Gran Reserva 2007 – 93 pontos

É o clássico dos clássicos em Rioja. Elaborado com Tempranillo e uma pitada de Graciano, este tinto permanece por pelo menos quatro anos em barricas de carvalho americano de fabricação própria, e mais um bom tempo em garrafa, antes de ser comercializado. Aromas sedutores, equilíbrio fantástico, um verdadeiro Borgonha da Rioja. Importadora Zahil (www.zahil.com.br).

Quinta Vale Dona Maria Douro 2013 – 94 pontos

Se você procura um vinho tinto do Douro sofisticado, ei-lo aqui. Partindo de um vinhedo antigo com mais de 60 anos, as uvas foram plantadas todas misturadas com mais de 40 variedades (tinta Francisca, tinta Roriz, rufete, sousão, …). As uvas são pisadas em lagares de granito e fermentadas com longa maceração. O vinho estagia em barricas de carvalho francês de várias marcas renomadas (Seguin Moreau, Taransaud, …) por cerca de 20 meses. A maciez, profundidade e persistência deste tinto são notáveis. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br).

REcomeçar com Pablo Morandé

11 de Outubro de 2016

Um enólogo do nível de Pablo Morandé, chileno que desbravou o vale frio de Casablanca, tem todo o direito de ousar, fazer coisas novas, desafiadoras. Enfim, recomeçar, reinventar. Foi com esse propósito que a importadora Grand Cru promoveu mais um evento enogastronômico, mostrando vinhos da Bodegas RE, de produção bastante artesanal.

Com larga experiência enológica, Pablo discorreu sobre o tema e seus vinhos com a naturalidade que só anos de janela podem proporcionar. O ponto central é expressar de maneira criativa um par de uvas que normalmente apresentam-se como varietais no mercado, visto que são uvas ditas internacionais.

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indicação no rótulo de terroir frio: Coastal Wine

Mescla aproximadamente mezzo a mezzo entre Chardonnay e Pinot Noir, ambos de Casablanca, zona chilena fria e costeira. A cor é muito particular indo para um tom perolado, quase um vin gris ou aqueles rosés provençais bem clarinhos. Isso deve-se ao fato de uma curtíssima maceração das cascas da tinta Pinot Noir.

O vinho mostra aromas limpos e elegantes de frutas brancas delicadas como pêssego, toques florais e algo de pâtisserie, dado pelo contato prolongado com as leveduras, quase dois anos. Em boca é muito equilibrado com um belo frescor de entrada. Logo em seguida, vem a maciez dando harmonia ao conjunto. Boa persistência com final agradável e estimulante.

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corte ousado: Pinot Noir e Moscatel

Esse é uma brincadeira de Pablo dando uma pitada aromática de Moscatel Rosado (5%) à séria Pinot Noir (95%). O resultado é um rosé de coloração delicada, uma espécie de salmão com toques rosados. Tanto aromática, como gustativamente, as sensações lembram a Pinot Noir. Contudo, a comumente invasiva Moscatel dá um delicado toque cítrico de limão siciliano bem interessante. É mais macio e encorpado que o primeiro vinho, mas ainda assim com bom frescor.

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entradas do almoço

Como exercício de enogastronomia, as entradas acima foram acompanhadas pelos vinhos até então descritos. O camarão empanado pela crocância, fritura e textura mais delicada, combinou melhor com o RE Chardonnoir, proporcionando um belo frescor final, limpando o paladar. Já o crostini de salmão defumado e cream cheese caiu melhor com o RE Pinotel, vinho de mais textura e poder aromático. Mesmo assim, ambos os vinhos enfrentaram bem as entradas, mostrando versatilidade na harmonização.

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elegância ousada

Misturar Pinot Noir (40%) com Syrah (60%) não é para qualquer um. Este é um exemplo da vinificação em cofermentação, ou seja, as uvas são fermentadas juntas, ao mesmo tempo. É um conceito de blend diferente onde os aromas e sabores se fundem, proporcionando uma maior integração entre as uvas. De fato, parece uma uva nova onde os toques defumados e apimentados da Syrah fundem-se aos aromas florais e de sous-bois da Pinot Noir. O mosto é fermentado em ânforas que segundo Pablo, geram vinhos naturalmente bem extraídos e macerados com uma manipulação mínima.

De fato, trata-se de um vinho elegante, taninos bem moldados, e muito gastronômico. Acompanhou bem um agnolotti de foie gras e um stinco de cordeiro com polenta trufada. Com a massa, o corpo e textura de ambos (vinho e prato) estavam perfeito, além de um delicado toque animal do vinho complementar bem os sabores do foie gras. Já o stinco só não foi perfeito porque a estrutura do prato estava um pouco acima do vinho. No entanto, os toques terciários do vinho escoltaram bem os aromas trufados.

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concentração e personalidade

Aqui Pablo aproveita as vinhas antigas do vale do Maule, mesclando Syrah (90%) e uma pequena porcentagem de Carignan (10%). Num terroir mais continental, percebe-se a musculatura do vinho. Sua cor é mais intensa e concentrada. Os aromas de frutas escuras, toques defumados e de ervas, são bem harmoniosos, também resultados da cofermentação. Fica bem claro a personalidade da Syrah de clima mais quente com um toque rustico da Carignan. Final bem equilibrado e persistente.

Em resumo, valeu a experiência de provar vinhos originais, desfrutando da competência e reputação de um dos grandes enólogos chilenos que marcou definitivamente sua história no país, Pablo Morandé. Além de belos vinhos em si, mostraram-se bastante versáteis à mesa, razão maior de sua função social. Todos os vinhos da Bodegas RE são importados com exclusividade pela Grand Cru (www.grandcru.com.br).

Entre Tintos e Brancos

22 de Agosto de 2016

Nas últimas provas realizadas entre amigos, brancos e tintos destacaram-se numa diversidade de propostas, uvas, regiões e estilos.

meursault perrieres

safra prazerosa e acessível

O vinhedo Perrières expressa de forma magnifica toda a essência de um Meursault, sobretudo nas mãos de Michel Bouzereau. Com vinhas plantadas em 1960, 78 e 97, seus vinhos têm estrutura e equilíbrio notáveis. A fermentação e amadurecimento são feitos em barricas, sendo 25% novas. Medida certa para não marcar o vinho. Notas de mel, frutas brancas maduras, e um elegante tostado em meio a um toque mineral, somam-se a uma textura macia, prolongando o final de boca. Já muito agradável, vai bem com vitela, peixes, e frutos do mar em molhos brancos, além de ostras gratinadas. Importadora Cellar.

malvasia eslovenia

branco exótico

Os vinhos eslovenos de Marko Fon são sensação no momento pelo seu exotismo. Ele trabalha com as brancas Vitovska e Malvazija Istarska, ambas uvas locais. Na foto acima, trata-se da Malvazija, também conhecida como Malvasia Istriana, própria do nordeste italiano (Friuli). Suas vinhas de quatro hectares são de idade avançada, algumas centenárias, num solo calcário no Carso (Kras), sub-região eslovena bem próxima do mar adriático, sofrendo sua influência salina.

O mosto é fermentado com algum contato com as cascas em toneis de madeira inerte com leveduras naturais. Esse tipo de Malvasia confere grande acidez ao vinho e pureza em fruta. Um branco vibrante, bastante austero e fechado logo que aberto, necessitando de decantação por pelo menos uma hora. Aromas exóticos lembrando pêssegos, damascos e carambola, além de um fundo mineral e ervas. Ele lembra de maneira sutil um vinho Laranja. Pode acompanhar bem bacalhau, pratos com aspargos, e numa combinação ousada, ostras frescas com geleia de estragão. Importadora Decanter.

aldo conterno colonnello

o inimitável Aldo Conterno

Todos aqueles que já tomaram bons Barolos precisam ter a experiência com um Aldo Conterno. O homem consegue fazer um Borgonha dentro do Piemonte, tal a delicadeza de seus Nebbiolos. Este do vinhedo Colonnello com vinhas entre 40 e 45 anos prima pela elegância numa escola tradicionalista. Seus 28 meses em carvalho da Eslavônia promovem a micro-oxigenação certa para seus aromas etéreos com notas de alcaçuz, cerejas negras, alcatrão e especiarias. Seus taninos são um capitula à parte. E olha que taninos de Nebbiolo não são fáceis. Muito equilibrado e um final extremamente harmônico. Importadora Cellar.

matetic 2007

foge do estilo Novo Mundo

O que encanta de cara neste vinho é o frescor, apesar de seus quase dez anos (safra 2007). A cor é escura, muito intensa. Melhorou muito com o tempo em taça, ratificando que os vinhos com a uva Syrah são muito redutivos, merecendo longa decantação. Frutas negras em geleia, toques defumados, de chocolate escuro, e especiarias, além de toques mentolados e minerais. Corpo de médio a bom, taninos de rara textura, e um final fresco e longo. As vinhas situam-se em Rosario, setor nobre da vinícola com grande influência do Pacifico no Valle San Antonio. Muito agradável no momento, embora vislumbre ainda bons anos de guarda. Uma verdadeira referência de Syrah no Chile. Importadora Grand Cru.

rioja alta ardanza 2001

safras espetaculares: 1964, 1973 e 2001

Viña Ardanza Reserva Especial 2001

A bodega Rioja Alta dispensa comentários com seus ótimos vinhos cheios de personalidade. Viña Ardanza é o terceiro na hierarquia, atrás dos estupendos Gran Reserva 904 e 890. Costuma mostrar o caminho do estilo da casa com seus toques balsâmicos, de especiarias, caramelo, cevada, além de um equilíbrio gustativo notável. Contudo, neste ano 2001 superou em todos os sentidos, merecendo a menção Reserva Especial. Já na cor, percebemos a alta concentração do vinho, nem de longe denotando seus 15 anos de vida. Mais encorpado que o normal, taninos ultra finos e uma expansão de boca marcante. Definitivamente, um grande ano para esta bodega. Importadora Zahil.

madeira verdelho

o equilíbrio dos Madeiras

Cossart Gordon Madeira Verdelho 5 Years Old

Os Madeiras costumam relacionar suas uvas mais nobres com o grau de doçura do vinho. Portanto; Sercial para o seco, Verdelho para o meio seco, Boal para o meio doce, e finalmente, Malmesy para o doce. Este Medium Dry degustado, surpreendeu pela doçura e complexidade apresentadas. Acompanhou muito bem um Partagas E2, finalizando um belo almoço. Suporta bem sobremesas levemente adocicadas como bolos e tortas de frutas secas. Belo equilíbrio em boca, sustentado por uma acidez marcante e agradável. Expansivo, álcool na medida certa, e final de grande frescor. Bela opção no mercado. Importadora Decanter.

Don Melchor 2012

12 de Agosto de 2016

Quando falamos em terroir para Cabernet Sauvignon logo pensamos na margem esquerda de Bordeaux, terra sagrada para os grandes tintos da região. Contudo, há outros locais famosos para esta uva de maturação tardia que necessita de solos pobres, pedregosos, e de excelente drenagem.

Lugares como Napa Valley, Bolgheri (Toscana), Coonawarra (Austrália) e Alto Maipo em Chile, costumam expressar grandes Cabernets, cada qual com suas características específicas, marcando de fato um terroir único.

No caso chileno, muito próximo de Santiago, ao pé da cordilheira dos Andes, cabernets famosos como Casa Real, Almaviva, Domus Aurea, e um dos pioneiros nos anos 80, Cousiño Macul Antiguas Reservas, entre outros, marcaram o Alto Maipo como um dos grandes terroirs do mundo. Em particular, falaremos neste artigo do ícone maior do grupo Concha Y Toro, o famoso Don Melchor. Com a primeira safra lançada em 1987, este tinto vem evoluindo ano após ano, aprimorando sua expressão neste terroir e ao mesmo tempo, se atualizando ao homem contemporâneo, num trabalho brilhante e de muita dedicação do competente enólogo Enrique Tirado.

Para termos uma noção exata do vinhedo, fazendo um paralelo com as sub-regiões de Bordeaux, Puente Alto (local do vinhedo Don Melchor) seria uma espécie de Pauillac dentro do Alto Maipo, e este  por sua vez, uma espécie de Haut-Médoc. As características do solo local são mostradas no vídeo abaixo.

Don_Melchor_Puente_Alto_Vineyard_Parcel_Map

Don_Melchor_Puente_Alto_Vineyard_Parcel_Map

parcelas 4, 5 e 6 em destaque

Na busca pela excelência, o quadro acima mostra sete parcelas distintas do vinhedo Don Melchor com pouco mais de cem hectares. Cada um delas, relacionadas sobretudo a pequenas diferenças de solo e temperatura, fornece uvas distintas quanto ao estilo. Algumas com frutas mais intensas, outras com mais taninos, outras com mais corpo, e assim por diante. Seguindo o modelo clássico bordalês, as parcelas são colhidas e vinificadas separadamente. Após à estabilização dos vinhos, chega o momento de conceber o famoso blend, nascendo assim um novo Don Melchor.

Cabernet Sauvignon: solo pedregoso e excelente drenagem

Safra 2012

Este foi um ano com temperaturas mais altas, acima da média, proporcionando uma colheita mais precoce. Graças ao efeito da amplitude térmica devido à grande proximidade da cordilheira dos Andes, a acidez e o frescor foram preservados. Portanto, espera-se um vinho com taninos perfeitamente maduros, bem equilibrado e sedutor, mesmo em tenra idade.

É difícil precisar uma data ideal para consumo desta safra. De fato, atualmente nesta fase de juventude, encontra-se extremamente prazeroso para o consumo. Entretanto, deve evoluir bem nos próximos dez anos, adquirindo os toques terciários de couro, tabaco, acentuando a mineralidade. É sobretudo uma questão de gosto pessoal.

don melchor 2012

decanta-lo por meia hora: aromas abertos

A colheita deu-se entre 10 de abril e 9 de maio com rendimentos muito baixos de 2,9 toneladas/hectare. O blend foi composto por 93% Cabernet Sauvignon e 7% Cabernet Franc. O vinho amadureceu por 15 meses em barricas francesas, sendo 71% novas.

Em anos onde a porcentagem de Cabernet Franc é mais destacada como em 2012, o vinho ganha em elegância e suavidade, quebrando um pouco a habitual austeridade da majoritária Cabernet Sauvignon. Neste ano de colheita mais precoce, a maturação da Cabernet Franc acaba sendo perfeita, pois seu ciclo é mais curto em relação à Cabernet Sauvignon.

A renovação do vinhedo vem sendo feita com o plantio de pequenas parcelas de Merlot e Petit Verdot, além das tradicionais Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. As vinhas mais antigas plantadas entre 1979 e 1992 foram adensadas com 4000 pés/hectare. Para o vinhedo novo, entre 2004 e 2013, o adensamento dobra chegando a 8000 pés/hectare. Esta mudança acirra a competição entre as vinhas, aprofundando raízes.

O vinho tem importação exclusiva pela própria Concha Y Toro, sendo distribuído nas lojas Ville du Vin, tanto em Alphaville, como no Itaim Bibi em São Paulo. Maiores informações: http://www.villeduvin.com.br

Carmenère: tudo a seu tempo

4 de Agosto de 2016

Embora não seja a uva mais plantada no Chile, a intempestiva Carmenère foi adotada como casta emblemática deste país. Cultivada por muito tempo  em terras chilenas e confundida com a Merlot, seu ressurgimento na escala de tempo vinícola é recente. Sua origem francesa e sua história nos tintos de Bordeaux teve fim com a devastação dos vinhedos no final do século dezenove devido a chegada da filoxera na Europa. Como seu cultivo já era complicado, não houve grandes esforços para sua retomada.

Voltando ao Chile, demorou um tempo para que suas características fossem melhor observadas e portanto, adequá-las a um terroir apropriado. Neste sentido, a zona de Cachapoal, abaixo do vale do Maipo, mais especificamente em Peumo, parece ser seu lar ideal. De fato, o clima ameno “Entre Cordilleras”, segundo a nova denominação para o terroir chileno, promove um longo período de maturação desta uva, sempre colhida no mês de maio. Portanto, mais tarde até do que a própria Cabernet Sauvignon, uma cepa sabidamente tardia. E este é um dos segredos de um grande Carmenère, a paciência em esperar o tempo certo da colheita, pois seus taninos tornam-se agressivos e desagradáveis, senão perfeitamente maduros.

peumo terroir

terroir Peumo: cuartel 32

Além disso, o solo da região de caráter argilo-limoso, retém uma certa umidade, bem de acordo para o bom desenvolvimento da planta. Na foto acima, percebemos a reserva hídrica no solo. Os rendimentos baixos por parreira reforçam a concentração dos frutos. Baseados nestes dois pilares, solo e clima adequados, o sucesso desta uva fica bem encaminhado. O vídeo abaixo, ilustra este cenário.

o correto manejo da carmenere

O grupo Concha Y Toro apresenta várias linhas com varietais de Carmenère, de acordo com a concentração e complexidade dos vinhos. Numa escala crescente, temos as linhas Gran Reserva, Marques de Casa Concha, Terrunyo e o ícone Carmin de Peumo. Particularmente, a linha Terrunyo, já comentada em artigo específico neste blog, é de grande valia, pois agrega grande complexidade a um preço relativamente justo. Além disso, em determinados anos, há partidas limitadas da linha Terrunyo para a uva Carmenère denominadas Lote 1. É o que veremos a seguir.

terrunyo lote 1

safra 2014: 95 pontos

Na safra 2014 tivemos um Terrunyo Carmenère Lote 1 com somente 2400 garrafas. As uvas proveem do cuartel 27, um dos setores que abastecem o famoso Carmin de Peumo, ícone da vinícola. É um vinho de maior concentração ainda que a linha padrão da Terrunyo, alcançando 95 pontos na safra 2013 pelo guia Descorchados e por conseguinte, eleito o melhor Carmenère do Chile. Vinhas plantadas em 1990.

A novidade nesta série especial é que o vinho amadurece por um tempo bem menor em barrica, no caso seis meses, preservando e mostrando todo seu poder de fruta e frescor. Já a linha normal, passa cerca de doze meses em barricas francesas.

A cor deste exemplar é extremamente escura, praticamente roxa e intensa, tingindo as paredes da taça. Os aromas transbordam toda a sorte de frutas escuras em geleia como framboesas, blueberries, cerejas escuras. Os toques de pimenta, café, chocolate escuro, também estão bem presentes. Belo ataque em boca com uma acidez refrescante. Os taninos são bem moldados num bom equilíbrio com o álcool. Persistente, expansivo e um final de muito frescor. Carnes com molhos densos e agradavelmente picantes são bons parceiros para este tipo de vinho. Steak au poivre, por exemplo, seria um clássico.

Outro atrativo desta série exclusiva é seu preço relativo, ou seja, em comparação com a linha habitual Terrunyo, há um acréscimo modesto entre 15 e 20%. Normalmente, em outras situações parecidas com determinados vinhos, a diferença de preços muitas vezes são abusivas.

Em resumo, para certas uvas um tanto rústicas, sem o atrativo das clássicas cepas francesas de primeiro time, o terroir específico, o correto manejo do vinhedo, e todos os cuidados na colheita, são fundamentais para vinhos diferenciados e surpreendentes. O terroir de Peumo parece ser o doce lar da inquieta Carmenère.

Este e todos os vinhos da linha Terrunyo Concha Y Toro são distribuídos pelas lojas Ville du vin, tanto no Itaim em São Paulo, como na loja de Alphaville. Maiores informações: http://www.villeduvin.com.br

Terrunyo: Terroir, Identidade, Tipicidade

31 de Julho de 2016

Do ponto de vista técnico aliado a um preço justo, a linha Terrunyo do grupo chileno Concha Y Toro é um dos projetos mais interessantes para quem busca vinhos com alma e identidade. No vasto portfólio da vinícola, esta linha tem a designação ultra premium ou Fine Wine Collection, ficando abaixo somente de ícones como Don Melchor, Carmin de Peumo e Gravas del Maipo.

Como o próprio nome diz, Terrunyo busca a essência de um vinho visando conjugar de maneira harmônica: solo, clima, cepa e homem. Embora a linha conte com cinco vinhos varietais, os mais conhecidos são: Sauvignon Blanc, Carmenère, e Cabernet Sauvignon. Em cada um deles, um terroir específico, baseado no novo conceito chileno, conforme esquema abaixo:

terroir chileno

terroir: três zonas distintas

No mapa acima, percebemos zonas distintas, conforme a influência do oceano pacífico e das cordilheiras da costa e dos andes. As zonas mais frias em azul, mostra os vinhedos sob influência direta do pacífico com ventos e águas muito geladas. As zonas em verde, são chamada entre cordilheiras, onde a cordilheira da costa, mais baixa, impede a influência direta do pacífico nos vinhedos, criando uma zona mais temperada. Por fim, as zonas dos andes em laranja, com influência direta da cordilheira homônima, onde a amplitude térmica (diferença de temperaturas entre dia e noite) é muito destacada. O esquema abaixo, ajuda a entendermos melhor estas situações.

terroir chile

esquema dinâmico com as latitudes

O quadro acima é dinâmico conforme nos deslocamos de norte a sul no terroir chileno. Em determinadas latitudes, a influência da cordilheira da costa é mais presente, rechaçando o ar frio vindo de oeste do pacífico. Em outras latitudes, esta proteção da cordilheira da costa é menos eficiente e portanto, o ar do pacifico encontra mais penetração continental. Já os vinhedos nas encostas da cordilheira dos andes, um paredão de quatro mil metros, absorve o ar frio à noite que desce pelas montanhas, contrastando com os dias ensolarados durante o período de maturação da uvas. É a chamada amplitude térmica.

terrunyo sauvignon blanc

Terrunyo Sauvignon Blanc

Já no rótulo, percebemos as especificações do produto. A menção Costa indica um sub-região de vale frio, no caso, Casablanca. Em seguida, a localização do vinhedo, Cuartel 5 – Los Boldos. O solo é composto de argila escura e logo abaixo rocha decomposta em granito. A influência climática do pacífico é decisiva para o amadurecimento lento das uvas. A colheita é toda setorizada sendo feita em três etapas distintas.

A vinificação procura além da tipicidade, todo o frescor das uvas, sem qualquer interferência da madeira. Elaborado em aço inox com posterior contato sur lies (sobre as leveduras). O vinho mostra-se elegante e de muita personalidade com notas cítricas, herbáceas e minerais. Em boca, apresenta bom volume de incrível frescor. A maciez complementa o conjunto, onde novamente nas sensações finais o frescor aparece num final limpo e estimulante. Destaca-se também a mineralidade com um sutil toque de salinidade. O equilíbrio entre álcool e acidez é notável.

terrunyo cabernet sauvignon

Terrunyo Cabernet Sauvignon

Menção no rótulo: Andes. Vinhedo: Pirque (Cuartel Las Terrazas) e uma pequena parcela em Puente Alto, ambos no alto vale do Maipo. Solo aluvial rochoso de excelente drenagem. Clima influenciado pela cordilheira dos andes com grande amplitude térmica. Zona excelente para Cabernet Sauvignon. Colheita entre final de abril e começo de maio para perfeita maturação das uvas.

Vinificação com longa maceração e amadurecimento por catorze meses em barricas francesas. Tinto de cor intensa, aromas de frutas negras, notas minerais, de ervas, e toques tostados. Encorpado, taninos firmes, equilibrando bem o álcool. Bom potencial de guarda.

terrunyo carmenere

Terrunyo Carmenère

Menção no rótulo: Entre Cordilleras. Vinhedo Peumo, cuartel 27, localizado no vale Cachapoal. Aqui o solo é argilo-limoso, retendo uma certa umidade. O clima ameno prolonga ao máximo a maturação tardia da Carmenère, sendo as uvas colhidas no mês de maio. Há uma pequena porcentagem de Cabernet Sauvignon no corte, fornecendo mais estrutura ao conjunto. A vinificação cuidadosa é complementada por um amadurecimento de doze meses em barricas francesas.

Tinto de cor profunda com reflexos violáceos. Os aromas transmitem grande frescor lembrando cerejas negras, toques florais, chocolate escuro, e sobretudo de especiarias como a pimenta negra. Em boca, mostra-se encorpado, equilibrado e com grande frescor. Persistente, taninos presentes e notas minerais.

Trata-se de um dos grandes Carmenères do Chile, principalmente por dois fatores. Primeiramente, pela vinhas serem plantadas em terroir adequado para um perfeito amadurecimento dos frutos. Em segundo lugar, a atenção em colher as uvas no momento certo, conferindo taninos de grande qualidade.

Os vinhos são distribuídos no Brasil pela própria Concha Y Toro com especial canal de vendas nas lojas Ville du Vin, tanto em Alphaville, como na loja do Itaim, São Paulo. Para maiores informações: http://www.villeduvin.com.br

Grand Cru Tasting: Destaques II

8 de Maio de 2016

Continuando a maratona de vinhos, mais alguns exemplares interessantes entre tintos e vinhos doces (sobremesa) na bela Casa da Fazenda Morumbi, sob o comando da importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br).

shiraz wallace

o clássico Shiraz australiano

Barossa Valley é a cara do autentico Shiraz australiano. Cheio de fruta, macio, envolvente, e muito bom para os dias mais frios onde aquela pitada de álcool acima é bem-vinda. O corte com a Grenache ajuda ainda mais no lado frutado e na maciez. O segredo é o vinho ter um bom balanço de frescor. Ben Glaetzer segue esta linha.

morande golden harvest

o Sauternes da América do Sul

A vinícola chilena Morandé além de moldar belos vinhos de mesa, elabora esta joia à base de Sauvginon Blanc com uvas botrytisadas. O cuidado no vinhedo, na colheita, e nas várias fases de elaboração em cantina, faz deste branco dourado um exemplo de equilíbrio notável entre seus componentes (açúcar, álcool, e uma bela acidez). Parceiro para queijos potentes, curados, além dos sempre lembrados queijos azuis.

gorgonzola dolce

la dolce vita!

Falando em queijos azuis, a foto acima mostra um autêntico gorgonzola dolce, um dos melhores queijos não só da Itália, mas do mundo. Cremoso e mais delicado que a versão normal, enriqueceu o farto buffet, além de acompanhar bem os vinhos, sobretudo os dois de sobremesa, acima e abaixo nas fotos.

delas beaumes de venise

o esquecido Beaumes de Venise

Um dos mais injustiçados vinhos do Rhône é o pouco lembrado Muscat Beaumes de Venise. Um vinho fortificado à base de Moscatel, de estilo bem delicado. Um contraponto ao notável Moscatel de Setubal de Portugal. Seus aromas florais e de pêssegos encantam ao primeiro contato. Experiência gastronômica única de contrastes de textura quando combinado com uma mousse de pêssego. Vale a pena prova-lo.

nero d´avola passivento

o Amarone da Sicilia

A típica uva siciliana Nero d´Avola molda tintos agradáveis na ilha. Contudo, este exemplar foge à regra. As uvas são colhidas  passificadas na planta, prolongando o período de colheita. Lembra de certo modo o grande tinto do Veneto, senhor Amarone, onde a passificaçao ocorre em caixas ou esteiras após a colheita. Neste sentido, o vinho ganha corpo, estrutura, e riqueza de frutas em compota. Boa concorrência para outro tinto sulino bem conhecido da Puglia com a uva Primitivo. Bela surpresa do produtor Barone Montalto.

fonterutoli

Mazzei reina em Castellina in Chianti

Há certos produtores que não podemos dissociar e nem deixar de mencionar nas regiões em que atuam. Um destes é a família Mazzei, ícone da sub-região histórica do Chianti Classico de Castellina in Chianti. Tipicidade, equilíbrio e consistência à toda prova. Pedida certa nesta denominação.

chinon serge e bruno

o lado delicado da Cabernet Franc

O vale do Loire é berço de grandes vinhos brancos nos seus mais variados estilos e uvas. Contudo, os tintos da região são conhecidos em apelações famosas como Chinon, elaborados com a casta Cabernet Franc. Vinhos de corpo médio, delicados, equilibrados, e muito gastronômicos. O rótulo acima é um bom exemplar.

pulenta cabernet franc

exemplar diferenciado num mar de Malbecs

Bem diferente do vinho acima, este tinto argentino também é elaborado com Cabernet Franc, uva pouco usual, sobretudo como varietal, na zona alta do rio Mendoza, Lújan de Cuyo, mais especificamente Agrelo, terroir de destaque.  Partindo de vinhedos antigos, perfeitamente adaptados ao solo e ao clima, as uvas são bem trabalhadas na cantina, gerando um vinho de grande personalidade. Mesclado de forma coesa à madeira, este tinto mostra equilíbrio e persistência. As barricas francesas novas respeitam a estrutura do vinho. Tinto para sair da rotina malbequiana.

morande black

sul da França no Maule

Mais um show da Morandé neste corte ousado mesclando uvas do Rhône com a Carignan. São vinhedos plantados nos anos 50 que garantem aquela concentração das chamadas vinhas velhas. Um toque de rusticidade neste tinto de personalidade muito bem integrado com a madeira a qual quase não se percebe. Exemplar fora da curva, fugindo da rotina.

Grand Cru Tasting: Destaques I

4 de Maio de 2016

Como acontece periodicamente, a importadora Grand Cru (www.grandcru.com.br) realiza um belo evento mais uma vez na Casa da Fazenda Morumbi. Lugar lindo, charmoso e de muita descontração. No lado externo, dá até para fumar um Puro com os fortificados da casa, evidentemente depois da degustação, e se houver tempo para tal.

São muitos vinhos dos mais variados estilos, categorias, produtores e regiões. É difícil especificar alguns destaques. Pessoalmente, seguem algumas sugestões de compras seguras.

Os vinhos de entrada, incluindo espumantes.

fritz haag

Um clássico do Mosel

É difícil bater um bom riesling em elegância, delicadeza e pureza de aromas. O exemplar acima traduz bem isso. Grande produtor do Mosel, Fritz Haag é um quatro estrelas no guia Hugh Johnson. Além de ser um branco de entrada, aperitivos, pode acompanhar bem pratos leves do mar, além de carnes levemente defumadas.

broglia gavi

branco delicado

Um clássico piemontês, Gavi é uma denominação tradicional de brancos com a uva Cortese. Muitos deles, insípidos e desinteressantes. Neste caso, um vinho leve, sutil e agradavelmente perfumado. Além de entradas e aperitivos, os pratos eventualmente de acompanhamento devem ser bem delicados.

villa crespia

blanc de blancs da Lombardia

Franciacorta é considerada a “Champagne” da Itália. Localizada na Lombardia, junto ao lago Iseo, produz espumantes de alta qualidade obrigatoriamente pelo método clássico. Este em particular, trata-se de um Blanc de Blancs (somente Chardonnay), ficando por 24 meses sur lies (em contato com as leveduras) antes do dégorgement (arrolhamento final). Além de belo aperitivo, pode acompanhar entradas da alta gastronomia.

ruggeri prosecco

um porto seguro na categoria

Com a atual denominação Prosecco estendida a regiões periféricas ao terroir clássico, o rótulo acima é um porto seguro. Valdobbiadene é uma referência obrigatória na escolha. Leve, equilibrado e delicado, são as qualidades exigidas deste espumante italiano. Vinho de recepção e entradas leves.

queijo bel paese

queijo italiano Bel Paese

Além do painel de vinhos apresentados, o evento ainda tem um farto buffet entre um gole e outro, pois ninguém é de ferro. Embutidos, queijos, patês, dos mais variados sabores, sem contar com pratos de massa para todos os gostos. Você pode literalmente almoçar ou jantar no local. Em particular, a foto acima mostra um queijo italiano interessante da Lombardia chamado Bel Paese. Elaborado com leite de vaca, apresenta textura macia como um Saint-Paulin (francês), mas de sabor leve e amanteigado. Uma das boas pedidas.

Tintos de estilos variados.

sardonia qs2

moderno e bem acabado

Um dos projetos do dinamarquês Peter Sisseck, proprietário do fabuloso Pingus, um dos maiores nomes de Ribera del Duero, este QS2 é uma espécie de segundo vinho da Quinta Sardonia. Vinho de estilo moderno, boa concentração e muito bem acabado. Longe de ser um vinho maquiado, o enólogo busca a essência de seu terroir sempre direcionando uma vinificação mais coerente com o consumidor moderno, ou seja, vinhos que dão prazer mesmo em tenra idade.

languedoc la clape

um Languedoc de pedigree

Um mistura exótica de Syrah, Grenache, Mourvèdre e Carignan, gerando vinhos suculentos, taninos macios e um belo equilíbrio. Algo difícil em Languedoc onde os vinhos sempre têm uma ponta de rusticidade. Muito prazeroso de ser tomado no momento, embora tenha condições de guarda por bons anos.

bordeaux haut nouchet

Bordeaux da bela safra 2009

Tinto de Péssac-Léognan com predominância de Merlot no tradicional corte bordalês. A qualidade dos taninos é reflexo da ótima safra 2009. Apesar de macio, mostra boa estrutura para envelhecimento, além de madeira bem dosada no conjunto, apenas um terço de madeira nova. Boa compra para fugir dos mais badalados da região.

delas crozes hermitage

opção interessante do Rhône-Norte

A apelação Crozes-Hermitage é uma grande opção aos caros e longevos Hermitages para serem consumidos mais frequentemente. Trata-se de uma área ampla e com muita heterogeneidade na qualidade. Este tinto de Delas mostra tipicidade e consistência. Vinho fácil de ser tomado com taninos bem moldados, aromas típicos de defumado e balsâmico, além de bom equilíbrio em boca.

Próximo artigo, mais Grand Cru, mais dicas, mais vinhos!

Festas: sugestões de vinhos

10 de Dezembro de 2015

Nesta época do ano é normal as pessoas procurarem dicas, conselhos, informações sobre vinhos. Seja para consumo próprio ou presentear, as opções são inúmeras. Infelizmente, os preços não ajudam. Com a alta do dólar e também de impostos, a equação está cada vez mais difícil de ser resolvida. Portanto, vinhos que realmente valem a pena indicar estão na faixa entre R$ 100,00 e 200,00 reais.  E olha que não estou falando em sofisticação, pois nesta área o céu é o limite.

Segue abaixo uma relação para vários tipos da bebida, desde entrada até sobremesas, cafés, charutos, etc …

Cave Geisse: bela surpresa

Espumantes e champagnes

  • Cave Geisse (espumante nacional entre os melhores, se não for o melhor). veja site abaixo, na própria vinícola, ou na Ville du Vin.
  • Chandon Brasil (sempre consistente, fácil de encontrar e preços razoáveis). Várias lojas de bebidas em São Paulo.
  • Cava (tradicional espumante espanhol). Raventós da Decanter e Gramona da Casa Flora, sempre confiáveis.
  • Champagnes (é uma questão de gosto e estilo. Louis Roederer, Gosset, Deutz e Larmandier têm preços honestos. Evidentemente, acima da faixa de preço no início do artigo). Importadoras Franco-Suissa, Grand Cru, Casa Flora e Cellar, respectivamente.

Um dos grandes alemães da Decanter

Vinhos brancos

  • Rieslings alemães (importadora Decanter tem boas opções).
  • Chablis William Fèvre (importadora Grand Cru).
  • Sauvignon Blanc (Terrunyo da Concha Y Toro, vinícola Pericó de Santa Catarina e Jackson Estate da Nova Zelândia, importadora Premium). A linha Concha Y Toro é encontrada na Ville du Vin.
  • Chateau Reynon e Clos Floridene (dois bordeaux da Casa Flora)
  • Chardonnay (Catena Alta da Mistral  e De Martino Quebrada Seca da Decanter)

Bierzo e a uva Méncia

Vinhos tintos

  • Rioja de vários tipos (Crianza, Reserva e Gran Reserva). Rioja Alta da importadora Zahil, CVNE da Vinci e Luis Cañas da Decanter).
  • Tintos de Bierzo (região espanhola pouco conhecida. Boas opções na Decanter e Grand Cru).
  • Chianti Classico (Castello di Ama da Mistral, Fontodi da Vinci, e Felsina Berardenga da Mistral).
  • Tintos do Douro (Quinta do Crasto, Quinta do Noval, Niepport).
  • Malbecs da Argentina (Catena da Mistral, Viña Cobos da Grand Cru, Noemia da Vinci e Achaval Ferrer da Inovini).
  • Merlots nacionais (Miolo Terroir, Pizzato DNA 99 e Desejo da Salton). Encontrados em boas lojas de bebidas.
  • Chateau Giscours 2009 Margaux – Grand Cru Classe – importadora Cellar
  • Chateau Sociando-Mallet 2009 – Haut-Médoc – importadora Cellar
  • Vinícola Rippon (grande Pinot Noir da Nova Zelândia). Importadora Premium.

Tawnies e Charutos

Portos, fortificados e colheita tardia

  • Porto Fonseca Bin 27 (Mistral ou Casa Santa Luzia)
  • Burmester Tawny Jockey Club (Adega Alentejana)
  • Quinta do Noval LBV Unfiltered (Grand Cru)
  • Jerez: Emilio Lustau da Ravin e Hidalgo da Mistral
  • Morandé Late Harvest da Grand Cru
  • Chateau Haut-Bergeron Sauternes da Cellar

Se você pensar em vinhos franceses ou italianos, a escolha natural é a importadora Cellar. A seleção é ótima e os preços não são abusivos. Responsável: Amauri de Faria.

Porto Fonseca e champagne Louis Roederer são encontrados na Casa Santa Luzia. Os nacionais acima mencionados, também.

Importadoras

Vinhos Chilenos: Saindo do Óbvio

7 de Abril de 2014

A convite do sommelier e amigo Ariel Pérez, participei do seminário de vinhos chilenos (Chilean Wine Ambassador Brasil 2014), evento com um bom time de enólogos, sommeliers e especialistas na área. Um desfile expressivo de vinhos chilenos, dos mais variados estilos, abrangendo todos os vales importantes deste país.

Ariel na supervisão dos serviços

Dentre as amostras apresentadas, algumas figurinhas carimbadas dos ícones chilenos. São vinhos que dispensam comentários, fartamente mostrados e promovidos por todos os veículos da mídia. Don Melchor, Don Maximiano e Santa Rita Casa Real, três dos melhores Cabernets do Chile. Casa Marin Sauvignon Blanc, entre os dois melhores chilenos desta casta. Terrunyo Carmenère da Concha Y Toro, uma aula da temperamental uva emblemática. Gravas Syrah, mais um ícone da Concha Y Toro, com muita personalidade e potência. Viu Manent Viu 1, o Malbec que a Argentina não tem. Enfim, vinhos de grande prestígio no mercado nacional de importados. Contudo, falaremos hoje de belos vinhos ainda desconhecidos de boa parte do público e que trazem consigo um conceito mais preciso de terroir. Vejam a seguir:

Parras Viejas: Elegância acima da Potência

Este exemplar da Santa Helena parte de videiras antigas, algumas plantadas em 1910 na sub-região de Colchagua, zona dos Andes, junto à cordilheira. Um Cabernet Sauvignon elegante, muito equilibrado e bem mesclado com as barricas francesas. Importadora Interfood (www.interfood.com.br). 

Herencia: boa opção em Carmenère

Um vinho bem moldado no terroir de Peumo (melhor microclima para a Carmenère no Chile). Não tem a profundidade e a concentração do Terrunyo da Concha Y Toro, mas exibe elegância surpreendente. Barrica bem tramada com a fruta proporcionando interessantes toques balsâmicos e de especiarias. Importadora Casa Flora (www.casaflora.com.br). 

Maquis Franco: Cabernet Franc de destaque

Outro tinto curioso de Colchagua com vinhedos plantados em solo aluvial de alta pedregosidade, num clima seco e frio. Este 100% Cabernet Franc, para quem gosta da casta como varietal é pura elegância com um intrigante toque mineral. Parceiro de carnes com molhos delicados.

Toknar: Petit Verdot de caráter

Outro tinto original de Aconcagua (zona entre cordilheiras) 100% Petit Verdot. Tinto para quem gosta de fortes emoções. Uma estrutura tânica comparável a um Tannat. Rendimentos muito baixos por parreira (1,2 quilo de uvas) aliados a longa maceração pós-fermentativa gera vinhos potentes com grande profundidade. Os vinte e seis meses de barricas francesas novas não intimidam sua estrutura. Bom parceiro para pratos fortes como Cassoulet e Confit de Pato. Importadora Terramatter (www.terramatter.com.br). 

RE Chardonnoir: Vinificação singular

Começa pela cor encantadora, lembrando um vin gris, uma cor salmonada bem clara e de leve intensidade. As uvas Chardonnay e Pinot Noir são vinificadas separadamente em ânforas e tonéis de grande capacidade. Os vinhos permanecem separados com grande contato sur lies (sobre as leveduras), quase dois anos. Aí sim, eles são mesclados e preparados para o engarrafamento. Lembra os aromas dos bons rosés provençais, com toques florais, frutas delicadas e especiarias.

Lembrete: Vinho Sem Segredo na Radio Bandeirantes FM 90,9 às terças e quintas-feiras. Pela manhã no programa Manhã Bandeirantes e à tarde no Jornal em Três Tempos.


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