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Restaurante Cór: To Beef or not to Beef

17 de Agosto de 2017

Se você é daqueles que acha conhecer tudo de churrasco, futebol e mulheres, vá ao restaurante Cór se surpreender. Futebol e mulheres  pode ser que você entenda do assunto, mas uma carne comme il faut, você verá in loco. Fora da rota dos grandes restaurantes, já vale o passeio pelo lugar. Um cenário tranquilo e muito bem arborizado no Alto de Pinheiros. O mentor desta Casa chama-se Renzo Garibaldi, talvez o melhor assador da atualidade com raízes no Peru, a meca da gastronomia na América Latina, onde seu restaurante Osso que vive lotado.

bar e adega em ambiente integrado

Aqui no Cór, pé direito amplo, bar e adega charmosos, cozinha integrada ao salão, cadeiras e mesas confortáveis, compõem um ambiente super agradável para o prato principal, excelentes cortes de carnes nobres. E você que gosta de vinho, quando provar um dry aged, vai lembrar imediatamente qual a diferença de uma carne comunal e outra Grand Cru. O controle da grelha está a cargo da Chef Thais Alves, precisa e competente em seu métier.

É difícil as pessoas assimilarem certos conceitos, mas as melhores carnes vêm de animais mais velhos, os quais acumulam gorduras especiais, refletindo sabores diferenciados. O processo dry aged, envelhece cortes nobres em câmaras frias com temperatura e umidade controladas por muitos dias, podendo chegar a vários meses. Neste contexto, a carne perde água concentrando sabores e ao mesmo tempo por reações enzimáticas, rompendo certa fibras, o que as tornam mais macias. Maiores detalhes, assistam o filme Steak Revolution (youtube ou netflix).

restaurante cor ponto da carne

suculência e sabores divinos

Evidentemente, quanto maior o tempo de maturação nas câmaras, maior os valores cobrados pelo cortes. Você pode escolher entre 20 e 30 dias de maturação num primeiro nível, ou se preferir, 50 a 60 dias de maturação. Depende muito do gosto pessoal, mas o resultado é sempre excelente com um sabor incrível. Além disso, as carnes são grelhadas com fogo à base de madeira e não carvão, fornecendo um toque a mais de exclusividade.

cortes generosos e perfeitos

Neste almoço, experimentamos um T-Bone (versão menor da bisteca fiorentina) e um Prime Ribe (ancho com osso) com os dois níveis de maturação acima descritos. Pequenas diferenças de textura e fibrosidade, mas todos com sabores muito especiais. Os acompanhamentos como farofa, repolho na brasa com pasta de castanha do pará e molho de ostras, completam a experiência.

restaurante cor contador 2001

Contador em Double Magnum devidamente decantado

Para acompanhar essas maravilhas, nada melhor que um grande Rioja de estilo moderno e corpulento, o badalado Contador safra 2001, do mestre Benjamin Romeo. Nesta safra baseada em Tempranillo, as vinhas atingem idades entre 65 e 80 anos. O vinho passa cerca de 12 meses em carvalho francês novo. Contador é o topo de gama da bodega com notas entre 95 e 100 pontos. Este degustado tem 98 pontos. Apresenta um vigor impressionante para sua idade e uma maciez incrível. Seus taninos presentes e altamente polidos deram as mãos para a fibrosidade delicada e suculência da carne. O leve toque tostado do vinho fez a ponte de ligação com os sabores grelhados da carne. Carne e vinho no mais alto nível.

restaurante cor bressia profundo

uma das opções argentinas

Outro ponto a favor do restaurtante são as taças, verdadeiras réplicas da Zalto no que diz respeito ao design, a taça mais badalada da atualidade, não disponível no Brasil ainda. A carta de vinhos é bem montada con ênfase nos argentinos e preços honestos. Um Altos Las Hormigas Clasico por exemplo, sai por 118 reais.

Outro tinto provado (foto acima), trata-se de um corte Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah, de Luján de Cuyo, um dos melhores terroirs de Mendoza. Bela estrutura, condizente com seus dez meses em barricas de carvalho. Taninos e intensidade de sabor afinados para completar bem os nobres grelhados.

restaurante cor nhoque de abobora e ricota

Por incrível que pareça, o restaurante se preocupa com os veganos também, elaborando um menu especial para essas eventualidades. Aliás, vamos a alguns pratos além da carne, servidos no almoço. Na foto acima, um saboroso nhoque de abóbora com ricota, manjericão e castanha do pará. Mais uma opção para os não carnívoros.

restaurante cor ceviche quente

ceviche quente

Bela opção para o inverno para quem não abre mão de um bom ceviche. A ideia é contrastar temperaturas entre o peixe fresco e o molho tradicional, servido quente. Por cima, vai um instigante e crocante alho-poró.

restaurante cor hamburger

hamburger da casa

Quem não passa sem um hamburger, que tal um com queijo mogiana, bacon com mel, e maionese de alho, acompanhado de batata frita ou salada. É não tem jeito, você tem que vir e conferir. Maiores informações e esclarecimentos, http://www.corgastronomia.com.br

Agradecimentos a Alexandre Mora, proprietário da Casa, e toda sua equipe, bem como aos amigos que abrilhantaram o encontro.

Bourgogne e Bordeaux em Harmonia

20 de Julho de 2017

Bordeaux e Bourgogne  são incomparáveis, mas podem conviver juntos, cada qual com seu brilho próprio. Foi o que aconteceu num agradável almoço entre amigos, onde a França falou alto, mostrando a excelência de seus vinhos.

Dando as boas vindas, um  Pessac-Léognan Blanc, terroir inconteste para brancos bordaleses fermentados em barrica. No caso, Chateau Pape Clément da bela safra 2009. O corte bordalês para este chateau privilegia um pouco mais a Sauvignon Blanc (50%), seguida de perto pela Sémillon (40%). Embora possa haver uma pitada de Muscadelle, o chateau dá preferência para outra branca pouco comum, chamada Sauvignon Gris. O vinho é fermentado em barricas de carvalho com bâtonnage, além de mais 16 meses de amadurecimento nas mesmas. A integração com a madeira é excelente, além de maciez notável sem perder o frescor. Foi muito bem com alcachofras marinadas, de entrada.

São 100  pontos Parker num vinho de incrível densidade e frescor ao mesmo tempo. Os toques de frutas exóticas como carambola, mel e ervas finas, permeiam o complexo aroma.

nino cucina pape clement 2009

corte bordalês em perfeita harmonia

Para mante o nível, tivemos que chamar Batman e Robin com um estupendo trio DRC pela ordem: Romanée-Saint-Vivant 2004, Romanée-Saint-Vivant 1985, e o majestoso La Tâche 1989. Nada mau!

nino cucina rsv 2004

Hoje é dia de maldade!. Matamos uma criança nascida em 2004. Este primeiro Romanée-Saint-Vivant com seus 13 anos de idade só foi começar a se mostrar depois de mais de uma hora de decantação com notas florais muito puras. A boca poderosa, quase agressiva, dando indicio de longos anos para domar seus finos taninos. Bela acidez e um equilíbrio fantástico.

nino cucina trio DRC

não tá fácil pra ninguém!

Aí chega sua versão: eu sou você amanhã. DRC Romanée-Saint-Vivant 1985. Silêncio para se observar os finos aromas terciários de um Borgonha deste naipe. Sous-bois, toques minerais divinos, fruta completamente integrada ao conjunto, especiarias delicadas, e um floral de fundo. Taninos absolutamente polimerizados, fornecendo uma textura sedosa e um final arrebatador. Já valeu o almoço!

nino cucina la tache 89

alguém já disse: um dos maiores vinhedos sobre a terra!

Só que um DRC sempre pode se superar, e aí chega sua majestade, La Tâche 1989. Bom, é hora de ligar o turbo e colocar a sexta marcha. Por incrível que pareça, ainda não está totalmente pronto, fruto de uma garrafa extremamente bem conservada. Taninos ainda presentes, mas de rara textura. Boca ampla, multifacetada, vai do Alfa ao Ômega, final expansivo, muito longo. Obrigado super Mário!

Você deve estar se perguntando, como é possível um Pinot Noir ainda não estar pronto com quase trinta anos?. Embora seja uma uva delicada, na Borgonha o ciclo de maturação da Pinot Noir é alongado ao extremo, permitindo um aporte de taninos acima do esperado. Some-se a isso, o fato dos DRCs serem vinificados com engaço, aumentando sobremaneira a estrutura de seus vinhos. Para isso ter sucesso, as uvas devem estar perfeitamente maduras, inclusive fenolicamente (taninos) falando.

iguarias para os DRCs

Não é fácil escolher comida para esses DRCs, sobretudo os dois mais antigos e complexos. Graças a Deus tinham algumas trufas para salvar a situação. Na fota acima, o restaurante Nino Cucina elaborou dois pratos com muita competência. O da esquerda, servido lindamente na frigideira, tratava-se de um Gnocchi maravilhoso com molho Taleggio, um dos melhores queijos do norte da Itália. Lascas de trufas negras por cima, completaram o quadro. Com o St Vivant 85, ficou uma maravilha. A textura de ambos se completavam, além das trufas darem campo para os divinos aromas terciários do vinho.

Já no prato à direita, um clássico do restaurante, talvez a melhor Língua de São Paulo. No caso, Língua ao molho de Mostarda em grãos (senape) com cebolas e batatas ao forno. O sabor e a textura desta língua são uma delicadeza sem fim. Precisão cirúrgica para envolver aqueles taninos ainda presentes no La Tâche 89 e deixa-lo desfilar à vontade, protagonizando a harmonização. Um gran finale!

alguns mimos para o Yquem 1998

Adoçando um pouco a vida, algumas especialidades da casa para escoltar o rei sol de Sauternes, Chateau d´Yquem. Com quase 20 aninhos, é uma boa fase desses vinhos capazes de atravessar décadas. A fruta ainda intensa, o mel perfumado, e os toques de Botrytis, se fundem bem na transição de aromas mais terciários. O belo Cannoli com raspas de laranja incita o lado cítrico e de juventude do vinho. Por outro lado, o Cucciolone, um biscoito de difícil elaboração com vários ingredientes na receita, envolvendo baunilha, cacau, malte, entre outros, complementado por uma calda de caramelo, instiga o lado mais doce e complexo do vinho. Enfim, este Yquem foi acariciado por todos os lados.

No final do almoço, um pessoal da Ficofi, da mesa ao lado, veio conferir e se surpreender com as maravilhas degustadas. Esta entidade de luxo reúne os melhores Chateaux e Domaines do mundo com ênfase evidentemente na França.

Um pouco mais de conversa e vários cafés encerraram este belo almoço, unindo de forma brilhante, Bordeaux e Bourgogne, além de França e Itália à mesa. Vida longa aos amigos de mesa e copo! Que Bacco nos abençoe sempre!

Cozinha Libanesa sem GPS

9 de Julho de 2017

Pessoas especiais para se deliciar com a melhor comida árabe de São Paulo em local não identificado, onde o maior restaurateur de São Paulo bateu palmas. E olha que ele é exigente e fiel aos clássicos. Sem mais delongas, vamos ao desfile de grandes vinhos e pratos.

o bem receber …

Como exceção aos tintos, brindando os convivas, o irretocável champagne Cristal 2006. Um assemblage com leve predominância da Pinot Noir sobre a Chardonnay das melhores cuvées da Maison Louis Roederer, lentamente envelhecida sur lies por cinco anos, antes do dégorgement. Elegância, personalidade, e aqueles aromas de praline inconfundíveis. Daqui pra frente, é só manter o nível …

raul cutait decantação

decantação à vela

Acima de tudo, com larga predominância dos tintos bordaleses, foi uma grande aula de como esses vinhos evoluem no tempo, mostrando cada qual em sua época, a incontestável qualidade, tipicidade, e estrutura, de um terroir impar, independente de qual margem estivermos falando.

raul cutait palmer 2005

grande promessa!

Começando com o Palmer 2005 em garrafa double Magnum, 97 pontos Parker, com apogeu previsto entre 2040 e 2050. Um bebê ainda, mas aquele bebê Johnson, lindo e perfeito. Uma estrutura poderosa, taninos de rara textura, uma explosão de frutas, além de longa persistência. Evidentemente, falta integração entre seus elementos, e os fantásticos aromas terciários que certamente virão com o tempo. Daqui a uns vinte anos a gente se encontra …

raul cutait la mission 94

23 anos e muito fôlego

Agora mais dez anos no tempo, vamos ao La Mission Haut Brion 1994 em Magnum. Aqui já vemos um Bordeaux se preparando para o apogeu. Com pouco mais de 20 anos, ainda tem vigor, alguns segredinhos a confessar, mas está delicioso. Foi um convite à mesa, para escoltar as delicadas iguarias da anfitriã.

raul cutait angelus 95

garrafa muito bem adegada

Outro contemporâneo do vinho anterior, o estupendo Angelus 1995 de conservação impecável do mestre Amauri de Faria, comandante da importadora Cellar, uma das mais diferenciadas do mercado. É inacreditável a estrutura tânica deste tinto, um margem direita com proporções iguais entre Merlot e Cabernet Franc. Ainda tímido nos aromas, mas com uma mineralidade incrível. Seus taninos massivos, porem ultra finos, vão precisar de mais uma década de polimerização. Os aromas devem acompanhar esta evolução. Quem viver, verá!

terroirs diferenciados

Agora os adoráveis 89, Chateau Léoville Las Cases e o Premier Chateau lafite. Neste embate, fica muito claro a hierarquia de classificação e o desempenho de cada um nesta safra específica. Começando pelo Léoville em garrafa Magnum, não foi uma grande safra para este chateau, embora esteja longe de desapontar. Pelo contrário, é um Léoville mais delicado, sem aquela pujança habitual. Seus aromas já bem desenvolvidos, mostra uma boca afável e extremamente prazerosa.

e os pratos se sucedem …

Por outro lado, temos o Lafite 89 num desempenho equivalente em termos de safra. Contudo, é um Premier Grand Cru Classe de grande personalidade. É uma espécie de Borgonha de Pauillac com muita elegância e sutileza. Atrás de uma aparente fragilidade, temos uma estrutura de aço, capaz de evoluir por longos anos. Aqui o terroir fala alto, num vinho sempre misterioso e intrigante.

raul cutait latour 64

a nobreza de um vinho

Finalmente, vamos um pouquinho mais longe no tempo. Que tal 1964? aquele tempo em que tínhamos de consultar os livros, e não o google. Para falar deste época, precisamos de um Pauillac de peso, sempre imponente, o todo poderoso Chateau Latour. As duas garrafas abertas com pequenas diferenças, mostraram didaticamente o que é de fato um grande Bordeaux envelhecido. Taninos totalmente polimerizados, os clássicos aromas de cedar box, couro envelhecido, e notas minerais. Equilíbrio perfeito com grande expansão em boca. Outra maravilha para os belos pratos servidos.

raul cutait clos vougeot 89

 o que diria Babette …

Agora os bem-vindos intrusos …

Depois desta avalanche de bordaleses, só mesmo Madame Leroy  e Aldo Conterno para mudar a rota sem sobressaltos. Clos de Vougeot é com certeza o maior e mais polêmico Grand Cru da Borgonha. Não é para menos, 50 hectares de vinhas para cerca de 80 proprietários. Um verdadeiro latifúndio na Terra Santa. Aí você vai neste palheiro e pinça uma agulha chamada Madame Leroy. Além da ótima safra 89, este é um “mise en bouteille au domaine”, o que faz toda a diferença. Luxuriante, sedutor, delicado e ao mesmo tempo profundo, marcante. Seus aromas de sous-bois são de livro. Este merecia estar presente no clássico “A Festa de Babette”.

raul cutait granbussia 90

Granbussia e os Trockenbeerenausleses

Completando a intromissão, Aldo Conterno Granbussia Riserva 1990 em Magnum. Os franceses diriam baixinho: “este vinho é tão bom que nem parece italiano”. Que maravilha de Barolo! Que taninos! Que elegância!. Fica difícil tomar outros Barolos. Embora já delicioso, sua estrutura permite ainda grandes voos. Talvez um Filetto alla Rossini seja uma bela companhia com mais alguns anos de guarda. 

Enfim, chegamos ao final do sacrifício. O que acompanhar “comme  il faut” esses doces maravilhosos e tentadores. Só mesmo um Trockenbeerenauslese 1975 elaborado com as desconhecidas uvas Sieger e Huxelrebe, suscetíveis ao ataque da Botrytis Cinerea, provocando alta concentração de açucares, e ao mesmo tempo, conservando uma acidez notável. Esse palavrão conhecido como TBA, quer dizer literalmente “seleção de bagos secos”, fenômeno inerente à ação do fungo. São vinhos muito raros na Alemanha, só ocorrendo em determinadas sub-regiões e em safras específicas. Costumam ter concentração de açúcar perto de 300 gramas por litro, frente a uma acidez tartárica de mais de 10 gramas por litro, equivalente a vinhos-bases de Champagne.

o paraíso é doce!

Neste exemplar degustado, apresentou-se com uma cor marron escura, própria de vinhos envelhecidos neste estilo. Afinal, são mais de 40 anos de vida. Os aromas denotavam frutas secas escuras como ameixas, figos e tâmaras, um toque de ruibarbo, e a nota de acetona, próprio de vinhos botrytisados. O equilíbrio entre doçura e acidez era notável, além de longa persistência final. Assemelhou-se muito a Tokaji antigos acima de 6 puttonyos, ou seja, Tokaji Eszencia. Um final arrebatador!

raul cutait lembranças

lembranças …

Outro botrytisado notável presente no almoço foi o grande Yquem 1990 com 99 pontos. Vinho decantado em prosa e verso, dispensando comentários e apresentações. Evidentemente, à altura do time bordalês apresentado acima.

Em sala reservada, Behikes à disposição da turma da fumaça. Um pouco mais prosa, cafés e Armagnac. Houve espaço para alguns Single Malts, mas isso já é uma outra história. Abraço a todos, especialmente ao casal anfitrião, proporcionando mais um encontro inesquecível. Que El Masih sempre os abençoem!

Proibido para menores de 50 anos

24 de Junho de 2017

Nosso querido confrade Ivan entende bem deste tema. Brincadeiras à parte, vamos falar de vinhos envelhecidos e execrarmos mais uma vez aquela velha máxima: “quanto mais velho, melhor”. Pouco vinhos no mundo têm esta capacidade de envelhecer e melhorar com o tempo durante anos a fio. E aqui, estou falando de décadas. Certamente, os grandes Bordeaux costumam entram em cena. E se existem frases verdadeiras sobres vinhos antigos, a mais importante é seguramente esta: “não existem grandes safras, e sim grandes garrafas”.

dois monumentos da Borgonha

Antes de continuarmos o tema, é preciso fazer um parêntese imenso sobre os vinhos brancos de entrada no jantar. Duas feras acima de qualquer suspeita. Vinhos de grande exclusividade e prestígio. Estamos falando de Montrachet DRC e Domaine d´Auvenay da impecável Madame Leroy, conforme foto acima.

A julgar simplesmente pela bela safra de 2009 na Borgonha, não seria motivo suficiente para enfatizar a excelência deste Domaine d´Auvenay Puligny-Montrachet Les Folatières Premier Cru. Apenas 900 garrafas elaboradas nesta safra (vide foto da direita). Isso sim é exclusividade!. O vinho estava tão maravilhoso, a ponto de deixar meio sem jeito o Montrachet DRC safra 2011, o que não é pouca coisa. Peitar um vinho deste quilate e pô-lo no bolso, não é para qualquer um. Os aromas e sua textura em boca são inacreditáveis. Sua leve opacidade na taça, nos permite supor a quase inexistente manipulação em seu engarrafamento. Realmente, uma preciosidade. Obrigado Super Mário!

chef rouge la mission 1953

vinho e prato em perfeita sintonia

Voltando aos velhinhos, o La Mission 1953 estava fantástico, sobretudo nos aromas. Como diria o grande sommelier italiano Enrico Bernardo, campeão mundial com apenas 27 anos, esse vinho lembrava a atmosfera de adegas úmidas escavadas na rocha. Seus aromas terciários plenamente desenvolvidos, mostram até onde esses bordaleses podem chegar. Sua elegância e sutileza o aproximou muito de seu rival Haut-Brion. A combinação com a polenta trufada e foie gras foi um escândalo. Maravilhoso!

chef rouge la mission 59 e 55

Duas Magnum: duzentos pontos em jogo

Outro grande destaque foi o La Mission 1959, um dos nota 100 de Parker, em grande forma. Em boca, perfeito, taninos abundantes e muito finos. Já está delicioso com seus aromas de tabaco e chocolate, mas ainda em quinta marcha, buscando novos horizontes. É mais um 1959 histórico. A combinação com o Confit de Pato e Maça Assada com Especiarias foi incrível, mostrando sintonia na riqueza de sabores de ambos.

chef rouge confit pato maça assada

confit de pato para taninos possantes

Já o La Mission 55, o grande vinho desta safra em Bordeaux, também um nota 100 inconteste, não estava numa noite feliz. Foi aberta inicialmente uma Magnum, e depois uma standard (750 ml). Em nenhuma delas mostrou verdadeiramente seu potencial. A Magnum, um vinho um pouco cansado, sem o brilho habitual. A standard melhor, mas ainda assim não totalmente perfeita. O histórico dessas garrafas é sempre um mistério …

chef rouge costeletas vitelo e cepes

costeletas de vitela e cèpes

Outro ponto alto do encontro, foram os pratos de acompanhamento desses velhinhos no restaurante Chef Rouge. Além de bem executados, seus sabores estavam sintonizados com as sutilezas desses caldos etéreos. Senão, vejamos: polenta com trufas e foie gras, costeletas de vitela com cogumelos frescos e confit de pato com maçã delicadamente assada. A foto acima mostra esses cogumelos gigantes e frescos, equivalentes aos funghi porcini. Com a maioria de nossos “velhinhos” fico muito interessante.

chef rouge pontet canet 1929

A cor deste 1929 impressiona na taça

A partir da foto acima, começam os vinhos mais polêmicos e problemáticos. Além do histórico incerto dessas garrafas muito antigas, temos o problema da falsificação. Para complicar a questão, o gosto pessoal de cada um entra em jogo, conflitando opiniões. Para alguns, determinado vinho pode estar maravilhoso, enquanto que para outros, o mesmo vinho pode estar em decadência. A linha tênue entre evolução plena de um vinho e sua fase decadente e oxidativa produz inexoravelmente opiniões contraditórias.

O vinho acima por exemplo, Pontet Canet 1929 em Magnum, impressiona pela cor. De fato, o vinho ainda tem vida, estrutura, mas sem muita complexidade aromática. Levando-se em conta a idade, foi pessoalmente uma experiência incrível. 90 pontos Parker.

chef rouge latour 26 beychevelle 45

dupla de muita História

Só o fato de provar safras que transmitem tempos que não voltam mais, já é um privilégio por si só. O Beychevelle 1945 talvez seja o vinho mais polêmico com notas muito discrepantes. Parker chega a dar 95 pontos, enquanto Wine Spectator não passa de 82 pontos. Aqui, a felicidade de encontrar uma grande garrafa é fundamental. Pessoalmente, na garrafa degustada, percebemos a potência e concentração do glorioso ano da vitória, mas senti que este vinho já teve melhores dias.

Latour 1926, Parker fornece 93 pontos com a ressalva de se deparar com uma boa garrafa. Novamente, opinião pessoal, por se tratar de um Latour, o senhor do Médoc, esperava um pouco mais de vigor, um pouco mais de imponência. Nesses velhinhos, é impressionante como os aromas terciários de tabaco, chocolate e minerais se evidenciam. O problema maior realmente é a boca. Muitas vezes eles perdem um pouco o equilíbrio, evidenciando ora uma acidez mais aguda, ora um tanino mais rugoso.

chef rouge latour 26 e margaux 1900

o imortal Margaux 1900

Já tive a felicidade de prova-lo em plena forma, reiterando a imortalidade deste grandioso Margaux. Infelizmente, não foi o caso da garrafa acima. Partindo de uma falsificação grosseira de rolha, o vinho estava irreconhecível. Melhor nem perdermos tempo com um líquido mentiroso como este.

chef rouge yquem 90 e queijos

a combinação clássica

Nada como adoçar a boca com um belo Yquem 1990, ainda com o vigor de seus vinte e poucos anos. 99 pontos Parker, será com certeza um velhinho muito saudável. A combinação com queijos como Comté, Reblochon, Port Salut, entre outros, dispensa comentários, fechando “comme il faut” uma refeição à francesa.

chef rouge bordeaux envelhecidos

a turma toda com alguns direto para a UTI

Fechando o semestre em alto estilo, mais uma vez o agradecimento pela companhia de todos nesta experiência maravilhosa através do tempo. Só mesmo os grandes vinhos são capazes de registrar tempos sem internet, tempos de mais gentilezas, tempos de guerras estúpidas, e o próprio vinho que essencialmente em sua simplicidade é motivo de prazer e comunhão, sem especulações, distorções, e valores que atualmente o afasta da pessoas. Boas férias a todos!

Pauillac x Pessac-Léognan

5 de Junho de 2017

Neste artigo de número 700, vamos falar de um assunto extremamente prazeroso no meu ponto de vista, vinhos de Bordeaux. O título acima já diz tudo, um embate entre essas duas comunas clássicas de margem esquerda, de estilos bem diferentes. Para isso, nada melhor que colocar duas taças lado a lado, de vinhos de mesmo quilate, de mesmo padrão de qualidade, e principalmente, de safras qualitativamente equivalentes.

lynch bages 1995

76% Cabernet Sauvignon, 15% Merlot, 7% Cabernet Franc, 2% Petit Verdot

15 meses em barricas francesas (60% novas)

Pauillac

Chateau Lynch-Bages 1995, também chamado covardemente como “Mouton dos pobres”. Na hierarquia desta badalada comuna que tem nada menos que três dos cinco primeiros de Bordeaux, segundo a classificação de 1855 (Lafite, Mouton e Latour), Lynch-Bages ocupa lugar de destaque num segundo ou terceiro escalão. Safras como 1989, praticamente perfeita, tem pontuações altíssimas e ainda com muito vigor para ser desfrutada.

Nesta safra especificamente de 95, o vinho obteve 89 pontos Parker. Tinto de corpo médio a bom, estrutura tânica relativamente discreta para um padrão Lynch-Bages, embora com taninos presentes e de alta qualidade. Os aromas de cassis, cedro, e um toque de grafite (mineral), são marcantes e bastante típicos. Muito bem equilibrado e de persistência aromática relativamente boa porém, sem grandes emoções. Concordo plenamente com Parker quanto à pontuação, a despeito de muitos marinheiros de primeira viagem poderem se emocionar e pontuá-lo indevidamente.

domaine chevalier 2004

53% Cabernet Sauvignon, 35% Merlot, 6% Cabernet Franc, 6% Petit Verdot

16 a 18 meses em barricas francesas (um terço novas)

Pessac-Léognan

Comuna nos subúrbios da cidade de Bordeaux, tem como tesouros os magníficos Chateaux Haut-Brion e La Mission. Num patamar inferior e de equivalência relativa à sua respectiva comuna se comparado ao vinho anterior, Domaine de Chevalier prima muito mais pelos seus ótimos brancos, partindo de uma opinião bem pessoal. Contudo, a safra 2004 com seus 13 anos, encontra-se num bom momento para ser desfrutada, salientando que ainda tem um bom platô de evolução.

Comparando as taças lado a lado, notamos de cara a comprovação das cores, levando em conta a diferença de tempo nas safras e as características de cada comuna. Enquanto o Pessac-Léognan apresenta uma cor de intensidade média com conotações de borda tendendo a um leve atijolado, o Pauillac mostra uma cor um pouco mais acentuada e menos evoluída. A diferença de idade entre ambos são de nove anos. Isso mostra claramente que os Pauillacs são vinhos mais longevos, demoram mais em sua evolução, e apresentam uma estrutura tânica bem mais firme. 

Aromaticamente, as diferenças e as respectivas tipicidades continuam a confirmar a teoria. Pessac-Léognan muito mais aberto, mais abordável, mostrando seus toques elegantes de notas animais (couro, estrabaria), e de ervas finas, além de um frutado vigoroso. Já o Pauillac, mais sisudo, mais austero, mostrando toda a aristocracia da comuna. Parker confere 90 pontos para este 2004, Domaine de Chevalier.

Reforçando as diferenças de terroir entre as comunas, observamos que a porcentagem de Cabernet Sauvignon no corte de Pauillac é sensivelmente mais alta, ressaltando a tão propalada austeridade. Em contrapartida, a maior participação da Merlot no corte de Pessac-Léognan, reforça o caráter de precocidade do vinho. A maior proporção de argila e areia nestes solos de Graves, favorece o plantio e amadurecimento da Merlot.

O polêmico Parker pode ter todas as ressalvas quando julga por exemplo, vinhos da Borgonha, do sul da França, da Espanha, e outras regiões que não são propriamente sua praia. Agora, uma pessoa que provou exaustivamente todos os grandes chateaux de Bordeaux nas principais safras do século XX, tem competência de sobra para pontua-los sem bairrismos. Suas notas são extremamente seguras e consistentes.

Taninos, os vilões à mesa

Análises e comparações à parte dos vinhos acima degustados sem interferência da comida, vamos agora à mesa para observarmos o desempenho de ambos. O prato era uma carne de panela num caldo de longo cozimento acompanhado de batatas ao forno com azeite e alecrim. Domaine de Chevalier saiu na frente, mostrando corpo adequado ao prato, acidez na medida certa, taninos brandos e razoavelmente resolvidos. Enfim, um vinho mais afável aos sabores e simplicidade do prato. Já o Pauillac, não desceu de seu pedestal. Um tinto aristocrático,  cerimonial, e principalmente com uma carga tânica dissonante com o prato.

queijo saint paulin

Em seguida, tivemos um queijo Saint-Paulin bem fresco, macio, e de aromas bem delicados. É um dos queijos clássicos no acompanhamento de Bordeaux jovens e frutados. Novamente, Domaine de Chevalier tomou conta da cena. Seus taninos brandos aliados a uma boa acidez, deram o frescor e suavidade exigidas pelo queijo. Muitas vezes em enogastronomia, vinhos mais simples adequam-se melhor em várias situações, são mais ecléticos.

rondelli de salmão defumado

A entrada

Antes dos bordaleses, tivemos uma entrada de salmão levemente defumado, cream cheese, e espinafre picadinho, tudo enroladinho numa espécie de rondelli, conforme foto acima. É um prato de textura densa e ao mesmo tempo, de sabor relativamente delicado.

gerovassiliou sauvignon blanc 2005

A harmonização ficou por conta do Domaine Gerovassiliou Sauvignon Blanc grego estilo fumé, foto acima. O vinho foi fermentado e amadurecido em barricas de carvalho francês. Sua textura mais rica e seu lado fumé foram os pontos relevantes na harmonização. Epanomi, é uma microrregião bem ao norte da Grécia. Importadora Mistral (www.mistral.com.br).

Emiliano: Gastronomia sem badalação

18 de Maio de 2017

Se você procura um lugar discreto, sem correrias, e de gastronomia afinada, não deixe de conhecer o restaurante Emiliano (www.emiliano.com.br), no coração dos Jardins. Em recente visita, entradas e pratos bem executados e de estilos bem ecléticos.

sabores e texturas contrastantes

Tanto a salada de polvo defumado, como o tartar de atum levemente apimentado, apresentam elementos de frescor como o limão no polvo e as azeitonas e alcaparras no atum. A textura do polvo é mais delicada, mas seu sabor mostra-se marcante pela leve defumação. Já o tartar tem uma textura mais opulenta e sabores delicados.

emiliano haut brion branco

Haut-Brion em fases distintas

Quando se fala em ícone na apelação Pessac-Léognan, falamos em Haut-Brion. Neste caso, nos melhores brancos da região. O de safra 2011, muito novo, muito fresco, acompanha bem o lado de mais acidez dos pratos. Já o 2009 com seus mais sete anos de evolução, tem um lado mais propício ao defumado do polvo, embora sua textura mais gordurosa vá bem com o tartar. Esta combinação bordalesa envolvendo Sauvignon Blanc e Sémillon fermentada em barrica deve ser mais testada e consumida na gastronomia. São vinhos que fogem do comum e também são distintos do mar de Sauvignons e Chardonnays que inundam o mercado. Os melhores chateaux fazem vinhos elegantes e bem integrados com a madeira.

carnes e técnicas diferentes

Os pratos acima acompanharam o Barolo abaixo do mito Aldo Conterno. O prato da esquerda, um delicado ossobuco de vitelo em molho do cozimento e cogumelos, apresentou textura macia, inclusive na polenta. O toque de ligação com o vinho foi o sabor do molho de cogumelos, realçando seus aromas terciários de terra e alcatrão. Já a textura mais fibrosa do cordeiro foi de encontro aos massivos taninos deste Barolo de raça, embora já tivesse passado seus dez anos de idade. O creme de batatas e vagens, bem como o molho do assado, são tão delicados quanto os sutis sabores deste Barolo.

emiliano romirasco 2004

Romirasco: a alma do Granbussia

A safra 2004 é belíssima para os Barolos. Neste caso, estamos falando de Romirasco, um dos Crus de Aldo Conterno, que perfaz 70% do corte do tinto supremo, Granbussia. A montanha de taninos que tem esse vinho impressiona, e mais ainda, a qualidade de seus taninos. Um tinto que ainda vai longe, por pelo menos mais dez anos. Os taninos e sua incrível acidez equilibram de forma perfeita seus 14,5° de álcool. Mesmo neste tinto musculoso, Aldo Conterno consegue imprimir uma elegância impar por trás desta força imensa. Antônio Galloni dá 95 pontos para esta safra. Não tem muito como discordar …  

Haut-Brion, onde começa a história

14 de Maio de 2017

Numa terra de tantas estrelas, de tanta tradição, e de tantas histórias, tudo tem um começo. E em Bordeaux, a primeira estrela no firmamento chama-se Haut-Brion. Lá se vão quase 500 anos, quando o vinho despontou em 1525, embora com as primeiras vinhas plantadas em 1423. Este tinto ganhou status quando foi reverenciado nas cortes inglesas da época e a partir dele, os ingleses aprenderam a amar esses caldos bordaleses, promovendo-os pelos quatro quantos do mundo.

Haut-Brion tem uma localização muito particular, nos subúrbios da cidade de Bordeaux. O terreno localiza-se a 27 acima do nível do mar com croupes (camadas profundas de cascalho) importantes e bem posicionadas. Areia e argila predominam no solo, favorecendo o bom desenvolvimento da Merlot, cepa de grande importância no corte, pareando a composição com a robusta Cabernet Sauvignon. Pequenas parcelas de Cabernet Franc e Petit Verdot completam a sinfonia. Esse corte favorece tanto a maciez e sensualidade de aromas, como a precocidade do vinho, sem aquela austeridade típica dos tintos do Médoc, sobretudo quando novos. Aliás, falando em Médoc, Haut-Brion é o único tinto fora da região incluído na famosa classificação de 1855 com todas as honras, fazendo parte do seleto grupo dos cinco primeiros da lista. Evidentemente, é peça importante e principal na tradicional classificação de Graves de 1959, juntamente com seu concorrente direto e vizinho ilustre, o destacado La Mission.

Outra particularidade importante é sua versão homônima em branco. Praticamente uma unanimidade, é o melhor branco seco entre todos os Bordeaux, balanceando de forma magistral as uvas Sémillon e Sauvignon Blanc, fermentadas em barrica. O vinho permanece nas barricas (50% novas) entre 9 e 12 meses. É bom lembrar que as vinhas para esses vinhos brancos somam menos de três hectares (2,87 ha), contra 48 hectares para os tintos. Sem mais delongas, vamos aos vinhos.

tangara haut brion branco

brancos: a cada dez anos, uma história

O mais novo exemplar, safra 2011, estava em plena forma, com seus toques de frutas cítricas e tropicais (suave aroma de manga) e madeira muito sutil. A acidez, o frescor, dominam o conjunto, tendo por trás a maciez e um lindo final de boca. Já o 2009 foi o que menos emocionou. Embora sem defeitos, tinha um traço mais evoluído com uma pontinha de butterscotch, deixando em xeque sua possível evolução em garrafa. De fato, esses brancos atuais, incluindo os grandes borgonhas, têm apresentado esta evolução prematura, muitas vezes decepcionante, que desmotiva o colecionador a adegar tais brancos. Fica sempre a pergunta: será que a safra está mal avaliada? será que a vinificação não está sendo bem conduzida? quem sabe?. Por fim, o maravilhoso 1999 com seus quase 20 anos estava sublime. Evolução perfeita, aromas totalmente integrados com a barrica, e uma textura gordurosa, advinda do belo trabalho de bâtonnage em barrica. Foi o que melhor combinou com o falso sushi de salmão (pão grelhado com azeite e ervas, fazendo a vez do arroz).

tangara sushi pao grelhado

casamento perfeito de texturas com o branco 99

Antes de comentar os flights dos tintos, é bom ressaltar o nível de qualidade deste Chateau independente da safra. Dependendo do ano, pode não ser uma grande safra, pode não estar pronto, totalmente integrado, mas sempre percebemos o DNA de seu terroir e sua incrível qualidade de ser hedonista, amigável com quem o desfruta.

tangara haut brion 96 e 2000

estágios de evolução bem diferentes

Talvez este primeiro flight seja o mais díspar de todos, não só pela composição do blend, como também pela diferença de potência das safras. A safra 1996 tem 50% de Merlot no corte, o que torna o vinho muito mais acessível e prazeroso quando jovem. Delicioso e com toda a tipicidade de um grande Haut-Brion. No caso do 2000, sua potência impressiona para o estilo da casa. Tem algo de Latour em sua estrutura. Taninos massivos, um conjunto grandioso que beira a perfeição. Vai evoluir com certeza por décadas. 99+ pontos de Parker.

tangara haut brion 89 e 90

beirando os 200 pontos

Que flight belíssimo! quase perfeito! Falar do Haut-Brion 89 é ficar sem palavras para descreve-lo. Que equilíbrio! que concentração! que potência aliada à finesse! uma das grandes safras deste histórico tinto. A maciez, algo glicerinado no palato, é próprio somente dos grandes vinhos. Arrisco a dizer que a safra 89 será ao longo do tempo a grande substituta de anos míticos como 45, 59 e 61.

De todo modo, foi um duelo de muito equilíbrio, pois o 1990 estava também de grande nível, com uma bela evolução em garrafa. A maior diferença pessoalmente, foi não ter a textura suntuosa do 89, mas seus taninos e frescor estavam marcantes e notáveis. As opiniões ficaram divididas, mostrando mais uma vez que trata-se  de vinhos de grande quilate, onde as preferências são definidas em pequenos detalhes.

tangara entrecote com legumes

entrecôte: maciez em destaque

Dos pratos do almoço, o destaque fica para o macio entrecôte (contrafilé) com legumes. Para a maioria dos tintos, a discreta fibrosidade da carne casou melhor com a maioria dos taninos, quase sempre de textura fina e bem polida. Uma fraldinha, ou vazio para os gaúchos, é outra carne apropriada para este tinto elegante.

tangara haut brion 82 e 83

garrafa Magnum na disputa

Não fosse pela pouca evolução do 82 em Magnum aliada ao belo estágio de evolução do 83 em garrafa standard (750 ml), o embate poderia ser muito desigual. Este 82 ainda longe de seu esplendor, não mostrou toda a exuberância que normalmente apresenta. Com certeza, quando atingir o auge, um Magnum 82 será ainda mais sublime do que costuma ser em formato normal. A conservação primorosa confirma a evolução lenta em garrafas maiores. Em compensação esta garrafa de 83 estava num momento sublime, provando que os tintos Haut-Brion apresentam um padrão de qualidade altíssimo, proporcionando comparações e disputas acirradas, mesmo entre safras de expressão tão diferentes. Mais uma justiça feita com a bela safra 83, sempre ofuscada pela mítica de 1982.

tangara hatu brion 45 e 66

velhinhos em plena forma

Começando por 1966, um estilo de Haut-Brion delicado, mostrou-se muito integro para o momento, embora já com seus mais de 50 anos. Muito equilibrado, elegante, um leve aroma canforado, mesclando cacau e algo lácteo. Um tinto que fica muito bem com um pouco de cogumelos salteados na manteiga e ervas, sem arranhar sua suavidade e delicadeza. Conservação impecável desta garrafa. Obrigado, grande Mário!

O final apoteótico ficou por conta do 1945, safra histórica, sem falsos louvores e aquelas declarações patéticas de falsas grandes safras. Realmente, com tudo de ruim que possa ter acontecido neste período negro de nossa história, as vinhas e os vinhos foram abençoados neste ano com néctares perfeitos e imortais. Haut-Brion não foi diferente. Apesar de mais de meio século de vida, sua pujança, sua força, sua concentração, continuam maravilhosamente preservadas. Uma safra imortal com uma cor impressionante em termos de concentração. Mais uma vez, obra do grande Mário!

tangara partagas D4

Partagas D4: um coringa no tabuleiro Havana

Finalizando o encontro, nosso amigo Raul fez surgir como por magia uma caixa de  Partagas D4, esticando a conversa e os comentários. Aliás esse Raul, entende prá c… de Haut-Brion. Ainda bem que não discordei muito de suas opiniões. Estou no caminho certo. Abraço a todos! pelos momentos e generosidade.

O Mezzogiorno repaginado

11 de Maio de 2017

Na chegada do inverno, procuramos sempre por tintos mais robustos, mais intensos, mais quentes, bem de acordo com a culinária de sabores e molhos marcantes. Neste contexto, os vinhos do sul da Itália devem ser lembrandos, fugindo um pouco dos encorpados Cabernets. Tannats e Malbecs do Mercosul. Além de originais, autênticos, como todo os italianos, são muito gastronômicos.

Há décadas passadas, esses tintos foram sempre desprezados, e extremamente discriminados pelos próprios italianos, sobretudo a turma do norte, onde Barolos e Barbarescos sempre foram os vinhos mais nobres e elegantes. Contudo, os tempos mudaram. O sul da Itália abriu mão da quantidade, reavaliando suas vinhas, seus altos rendimentos, e sua vinificação arcaica. Atualmente, a turma do norte tem mais volume no cômputo geral dos vinhos, algo impensável em outras épocas. O mar de Proseccos, Lambruscos e Soaves atualmente, depõem negativamente à tão promulgada superioridade qualitativas desta região setentrional mais abastada.

Campania

Antes de falar dos tintos, vamos enfatizar os brancos desta região. Sem dúvida, tanto Greco di Tufo, como Fiano di Avellino, são brancos que dignificam o sul da Itália. Sempre muito frescos, originais, e gastronômicos, muitos deles são agraciados com tre bicchieri, pontuação máxima do mais tradicional guia de vinhos italiano. As uvas são Greco e Fiano, respectivamente.

Os tintos baseados na potente uva Aglianico, podem envelhecer com dignidade. A nobre denominação Taurasi é seu terroir mais clássico. Entretanto, outras denominações menos restritivas moldam tintos modernos, indo de encontro ao gosto internacional dos consumidores. Enfim, escolhendo bem os produtores, tem tintos muito bons para o inverno, de todos os gostos e bolsos.

ABS irpinia aglianico

equilíbrio e tipicidade

O tinto acima vem de uma denominação mais genérica em torno da DOCG Taurasi chamada Irpinia. Apresenta boa fruta, álcool relativamente discreto para os padrões da região e pouco invasivo no sentido gastronômico. Safra 2010 já com seus seta anos, pronto para consumo.

Puglia

Já foi um máquina de fazer vinhos, embora tenha ainda uma produção considerável. Faz cerca de 15% de todo vinho italiano. De relevo praticamente plano, lembrando uma mesa, a proximidade do Adriático e do mar Jônico, refresca um pouco o sol implacável no tempo de maturação das uvas. Seus tintos baseados nas uvas Primitivo e Negroamaro principalmente, moldam vinhos densos, cheios de fruta, chegando até a uma sensação de doçura. Os preços geralmente apontam para os vinhos mais profundos e concentrados. A denominação Primitivo di Manduria é a mais badalada no momento.

ABS primitivo cinquanta

as famosas vinhas velhas

Para aqueles amantes de tintos densos, encorpados, cheios de fruta, chegando até parecerem doces, este é o tinto a ser procurado. Um vinho musculoso, macio, lembrando a densidade de um Porto. A concentração se explica pelo emprego de parreiras com mais de 50 anos, rendendo apenas um quilo por planta. Carnes ensopadas com molhos vigorosos e sabores agridoces são grandes parceiras, sobretudo nesses dias de inverno mais intensos.

Sicilia

Se tem uma região no Mezzogiorno onde a renovação chegou pra valer, esta região é a Sicília, a maior ilha do Mediterrâneo. Outrora baseada no vinho fortificado Marsala, a Sicília hoje é premiada por seus tintos robustos, modernos e cheios de personalidade, baseados sobretudo nas uvas Nero d´Avola e Nerello Mascalese. Enquanto a primeira é um pouco mais eclética, indo desde de vinhos frutados e de consumo imediato, até alguns tintos de guarda como por exemplo, Don Antônio, importado pela Ravin (www.ravin.com.br), a Nerello Mascalese tem estrutura para vinhos mais complexos e de guarda, transmitindo toda a mineralidade dos solos vulcânicos nas cercanias do Etna.

ABS sicilia due lune

duas grandes uvas sicilianas

No tinto acima, uma fusão interessante de concentração, potência, e estrutura para bons anos de guarda. Enquanto a Nero d´Avola entra com muita fruta e maciez, a Nerello Mascalese, passificada no pé (ainda na vinha), mostra toda sua força, sobretudo nos taninos presentes e bem moldados. Um tinto que dignifica as raízes da ilha sem abrir mão da modernidade dos vinhos atuais.

Basilicata e Calabria

Nessas duas regiões acima, a modernidade não foi tão impactante como nas acima já citadas. O tradicionalismo  e as raízes destes locais estão ainda muito presentes. A Calabria é comandada em termos de qualidade pelo respeitado produtor Librandi. O potencial da região é certamente muito mais vasto do que seu tradicional e tosco tinto Cirò baseado na uva Gaglioppo.

Já a Basilicata, prende-se à denominação Agliancio del Vulture, a mesma uva da vizinha Campania. A altitude gera a devida amplitude térmica para equilibrar uvas perfeitamente maduras. Aqui, a mão do produtor pode trilhar por caminhos mais tradicionais ou alternativas mais modernas.

Sardegna

A famosa ilha de veraneio de alguns bilionários teve na história uma importante influência espanhola, trazendo para essas terras uvas como Garnacha (localmente chamada de Cannonau) e Cariñena (Carignano para os italianos). Essas duas tintas parrudas encontraram na ilha sol suficiente para uma perfeita maturação. Seus vinhos são densos, encorpados, e com uma agradável rusticidade, bem de acordo com pratos de sabores rústicos e selvagens. Não podemos esquecer de um grande branco da ilha agradabilíssimo, o DOCG Vermentino di Gallura. Fresco, vibrante, e intenso, acompanha bem pratos de peixes e crustáceos, grelhados ou in natura. Outro branco curioso é a Vernaccia di Oristano, uma espécie de Jerez da ilha que combina muito bem com massas aromatizadas com botarga (ovas secas de tainha).

ABS argiolas sardegna

tradição com competência

O vinho acima, retrata fielmente um clássico Cannonau di Sardegna. Aquela fruta exuberante típica da Garnacha, seus toques balsâmicos e cheios de especiarias. Um tinto agradavelmente quente, moldado em tonéis de madeira apenas para a devida micro-oxigenação. Um cabrito assado com ervas e batatas ao forno é um grande parceiro para este representante sardo.

Nos últimos tempos o tinto Carignano ganhou status, deixando para trás o tradicional Cannonau di Sardegna, elaborado em toda a ilha. A denominação Carignano del Sulcis atingiu seu ápice no grande tinto Terre Brune da vinícola Santadi. Investimentos do poderoso grupo envolvendo Tenuta San Guido (Sassicaia) e Cantina Santadi também faz sucesso com seu tinto Barrua, sofisticando o padrão da ilha.

Enfim, mais uma opção para tintos de inverno e principalmente, para estarem à mesa acompanhando os pratos mais calorosos. Aí, é só acender a lareira …

Comidinhas e Vinhos

27 de Abril de 2017

Nos últimos goles e garfadas, alguns momentos interessantes na enogastronomia. Em Uberlândia, destacada cidade de Minas Gerais, o restaurante Akkar com ênfase em pratos de acento árabe, propõe esfirras originais tendendo para uma espécie de pizza. A foto abaixo, elucida melhor o fato.

a chamada esfirra / pizza

estilos e texturas diferentes

O branco da esquerda, Roero Arneis, é uma das mais tradicionais denominações do Piemonte. Arneis a uva, Roero o terroir, região a norte de Alba, do outro lado do rio Tanaro que corta as principais denominações. O detalhe deste vinho é seu produtor Bruno Giacosa, um dos pilares da viticultura piemontesa. Vinho de muito frescor, elegância, fruta exóticas e toques florais bastante harmônicos. Embora sem passagem por madeira, mostra certa textura e maciez. Bela pedida com a esfirra margherita, foto acima à esquerda. O manjericão, os tomates, dão leveza ao prato, bem de acordo com o caráter do vinho.

Já o segundo branco, é uma proposta diferente da bodega chilena Undurraga no Vale Limari, bem ao norte de Santiago, aproximadamente 400 quilômetros. A linha T.H. (Terroir Hunter) propõe vinhedos e solos específicos ligados a determinadas uvas no mais puro conceito de terroir. Neste caso, o vinhedo com destacado calcário no solo, se beneficia das brisas frias advindas do Pacifico, devido à sua proximidade. O vinho passa parcialmente por barricas, num eficiente trabalho de bâtonnage (revolvimento das borras). A fruta é bem balanceada com a madeira, apresentando textura interessante, com certa untuosidade, sem perder o frescor. Vai bem com a esfirra da direita (foto acima), onde o frango e palmito cremosos pedem mais textura no vinho. O frescor do palmito fica na medida para a acidez do vinho.

costela de chão

fogo de chão

Mudando a conversa, agora numa festança (casamente de minha filha), costela de boi assada lentamente em fogo de chão. Prato de muito sabor, textura, e gordura condizente com a carne. Os tintos mais robustos, um tanto rústicos conversam bem aqui.

Carignan em ação

O tinto da esquerdo é o segundo vinho da bodega Cims de Porrera, uma das lendas da denominação de origem Priorato, região montanhosa ao sul da Catalunha. Neste blend, temos 70% Cariñena e 30% Garnacha. Apesar de seus quase dez anos de idade, o vinho mostra-se com muito vigor, potente, taninos muito bem delineados, e grande persistência aromática. Agradavelmente quente, é um tinto típico de inverno. Seus aromas concentram fruta, toques minerais e defumados. Muito elegante para castas naturalmente rústicas. Passa cerca de 14 meses em barricas francesas de segundo uso, as quais integram-se perfeitamente na essência do vinho.

No vinho da direita, outra bela expressão de Carignan, no caso italiano, Carignano. Um vinho diferenciado da melhor vinícola da Sardenha em termos de tinto, Santadi, haja vista seu topo de gama, o aclamado Terre Brune, Carignano de parreiras muito antigas. Neste caso, as videiras não são tão antigas, mas o vinho mostra muita personalidade com a típica rusticidade italiana, envolvida num vinho de presença e muito bem balanceado. Sob a denominação Carignano del Sulcis, este tinto passa entre 10 e 12 meses em barricas francesas de segundo uso. Novamente, muito bem balanceado entre fruta e madeira, seus toques defumados, balsâmicos e de ervas secas, resultam num vinho extremamente gastronômico, moldado para pratos substanciosos como rabada, carnes de longo cozimento com molhos bem temperados.

corrientes carmenere e rioja

tintos para churrasco

Para finalizar, dois belos tintos para acompanhar carnes bem grelhadas, evento na casa de carnes Corrientes 348. O Carmenère Winemaker´s Lot é um dos belos Carmenères elaborados pela gigante chilena Concha Y Toro. Seu frescor e taninos potentes são muito bem rechaçados pela suculência de um bife de chorizo devidamente grelhado ao ponto. A fibrosidade deste tipo de carne é um dos melhores contrapontos aos taninos mais presentes. Em contrapartida, o elegante Rioja da direita, Luis Cañas, baseado na casta Tempranillo, apresenta a acidez e frescor necessários para driblar a gordura entremeada de um belo ojo de bife (parte nobre do bife ancho). A delicadeza da carne casa muito bem com os Riojas da sub-região Alavesa, destacada pela elegância de seus Tempranillos. A madeira no caso dos dois vinhos acima é bem proporcionada com a estrutura de seus respectivos vinhos.

Vegetarianos ou ainda mais complicado, veganos, fica para uma próxima. Abraços,

Sutilezas da cozinha italiana

20 de Abril de 2017

Normalmente, quando se pensa em Itália, pensamos em muita fartura, molhos densos, temperos marcantes, e assim por diante. É uma comida que afaga a alma. Entretanto, há exceções como a Osteria del Pettirosso, comandada pelo chefe romano Marco Renzetti. Não que não seja saborosa, pelo contrário, seus sabores são bem definidos, mas de uma delicadeza e precisão pouco usuais. Você termina a refeição de maneira leve, satisfeito, pronto para continuar um trabalho, se for o caso. Vamos então a alguns pratos.

pettirosso carne cruda

entrada instigante

Na foto acima, temos carne cruda com morangos marinados no aceto e tempero de salsão, além de lascas de parmesão. A textura é delicada, o morango perfeitamente integrado no vinagre, onde um complementa o outro aparando as arestas (fruta do morango esmaecida quebrando a acidez do vinagre). O tempero com salsão levanta o sabor do prato.

É uma entrada que admite tantos brancos, como tintos. Um Dolcetto, por exemplo, bem leve, frutado, novo, seria um belo par. Do mesmo modo, um Fiano di Avellino, branco da Campania, acompanharia bem a delicadeza do prato. Um rosé da Toscana como do Castello di Ama é outra opção interessante.

massa e carne de intensidades surpreendentes

Os pratos principais com expectativas contrastantes. O maccheroncini com molho picante de linguiça toscana (foto à esquerda) tinha força para encarar um Barolo, o que é surpreendente para uma massa. Já o Saltimbocca de vitela tinha uma apresentação pra lá de original. A delicadeza do prato era tal, que poderia perfeitamente ser acompanhado por um vinho branco. Por exemplo, um Greco di Tufo (Campania), ou um Soave de bom produtor (Pieropan ou Anselmi).

pettirosso barolo vajra

um Barolo de estilo macio

Um Barolo elaborado na comuna homônima com características semelhantes a La Morra. Estilo mais denso, macio, embora com seus aportes de acidez e taninos. Bricco delle Viole é um terreno de vinhas antigas, plantadas inicialmente em 1949 com replantações em 1963, 1968 e 1985. Amadurce por três anos em botti (grandes toneis) de carvalho eslavônio. Seus aromas de cacau, alcaçuz e os típicos toques defumados permeiam a taça. Ótimo momento para ser tomado, embora possa ser adegado por mais alguns anos.

sobremesas impecáveis

Tanto a Panna Cotta, como o Tiramsu, muito bem executadas e com sabores bem definidos. A Panna Cotta de uma delicadeza incrível, inclusive o mel que a acompanha. Aqui um Belo Recioto di Soave faria um par perfeito. Já o Tiramisu, autêntico, com sabores marcantes de café, biscoito embebidos corretamente, e um mascarpone super delicado. Aqui um Maury (fortificado do sul da França, concorrente do Banyuls) de estilo rancio, mais amadeirado, de certa oxidação, seria um gran finale.

Havana e Bourbon: forças equivalentes

Gran finale mesmo foi a dupla acima. Montecristo nº 2, peça de destaque no tabernáculo dos Havanas. De estilo mais potente do que normalmente a casa entrega, este Puro mostra toda a sua força e caráter no terço final, sobretudo acompanhado pelo Bourbon Woodford. A intensidade do Whiskey e suas notas de coco e baunilha, complementam de forma magnifica a potência do charuto. Talvez, pela delicadeza da comida um Hoyo de Monterrey Double Corona fosse mais adequado. Quem sabe, duma próxima vez …


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