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Pato, Canard, Anatra: Harmonização

30 de Maio de 2019

Sejam receitas abrasileiradas, francesas, ou italianas, a carne de pato merece atenção na hora de harmonizar o vinho. Com a maioria das aves como nosso frango, galinha caipira, codorna, perdiz, faisão, nosso peru de natal, vinhos tintos de leve a médio corpo como aqueles elaborados com Pinot Noir, geralmente caem bem. Mesmo alguns brancos mais encorpado, dependendo da receita, também são interessantes. Contudo, quando falamos de pato, apesar de ser uma ave, a ideia de harmonização deve ser repensada. 

A carne de pato tem sabor mais pronunciado, é mais fibrosa, tem maior irrigação sanguínea. Portanto, devemos pensar em tintos mais robustos e de certa personalidade. Neste artigo, vamos dar três exemplos de harmonização, já pensando no inverno que se aproxima, haja vista o arzinho mais frio de outono que já bate em nossa porta.

confit de canard e champignosConfit de Canard

Prato clássico do sudoeste francês, o confit de canard é uma criação antiga num tempo que ainda não havia refrigeração, traduzindo, geladeira. As carnes eram preparadas na própria gordura com sal, processo que prolonga sua conservação. O confit propriamente dito, é a coxa e sobrecoxa do pato confitada na gordura.

É uma carne muita saborosa,  daquelas carnes escuras perto do osso. Além disso, tem uma certa fibrosidade e evidentemente gordura. O acompanhamento pode ser champignons como da foto acima, batatas ao forno, feijão branco, ou um belo risoto. Os tintos da região do sudoeste francês são perfeitos. Tanto o Cahors (um Malbec bem diferente do argentino) ou o Madiran (um Tannat um pouco diferente do uruguaio), são vinhos robustos, de boa acidez e destacada tanicidade. Qualidades mais que suficientes para enfrentar este prato invernal. Os champignons ajudam quando temos tintos de certa evolução com aromas terciários.

Bordeaux de margem esquerda relativamente jovens também podem acompanhar bem. Contudo, os tintos do sudoeste tem aquela rusticidade natural de acordo com o prato. Outras regiões como Ribera del Duero, tintos do Douro, ou Supertoscanos, podem ser boas opções. O importante é o vinho ser robusto, ter boa acidez para a gordura e taninos de certa potência.

magret de canard sauce griottesMagret de Canard

Outro clássico francês, num peito de pato fatiado com aquela capa de gordura, nossa picanha de penas. O ponto correto é mal passado com bastante suculência. Portanto, um cenário perfeito para vinhos com tanicidade destacada e boa acidez para a gordura. O grande problema deste prato normalmente é o molho que tende a ser agridoce. È muito comum incluir frutas vermelhas ou escuras na receita. Portanto, precisamos de vinhos um tanto jovens, de fruta mais evidente, e taninos mais vigorosos. Pensando nos Bordeaux, aqueles da margem direita, calcados na uva Merlot, parecem ser as melhores opções. Um belo Syrah do Rhone Norte é outra pedida interessante. Pode ser um Côte-Rôtie ou um Hermitage de certa idade, não tão potente.

Do lado italiano, um Valpolicella Ripasso de bom produtor como  Masi, por exemplo, é uma bela opção. A glória seria um Valpolicella do Dal Forno Romano, vinho de grande concentração e muita fruta. Um Rioja jovem de estilo moderno é outra alternativa.

img_6043-1Arroz de Pato

Por fim, vamos ao clássico português, Arroz de Pato. Iguaria essa que os durienses reivindicam a paternidade. Sem entrar em polêmica, vamos aos fatos. O prato tem textura macia, mas muito sabor. As azeitonas verdes levantam o sabor do prato, enquanto as linguiças ou o chouriço dão um toque defumado. Evidentemente que os tintos da região dão conta do recado. Preferencialmente, um tinto de certo envelhecimento e taninos mais domados. Neste sentido, os tintos do Dão tem mais elegância, mantendo um bela acidez. Outra boa pedida.

Voltando à Itália, um belo Barbaresco de certo envelhecimento tem acidez para o prato, aromas defumados e taninos mais amansados. Um Rioja Crianza de escola tradicional também é uma boa parceria.

Quanto a vinhos do Novo Mundo, sempre devemos estar atentos a vinhos muito potentes, alcoólicos, e carente em acidez. Do lado argentino, tintos do Valle do Uco costuma ter mais frescor. Do lado chileno, o Alto Maipo, Aconcágua, e Conchagua, também buscam este frescor. Já no Uruguai, os Tannats e seus cortes são bem elaborados, se forem de produtores conceituados como Bouza, Familia Deicas, ou Pizzorno. Substitui a contendo os Madirans do suodeste francês. 

Uma observação importante para estes tintos mais robustos mencionados acima, é a decantação prévia. Seja por apresentar sedimentos, seja principalmente para sua aeração. Os aromas se desprendem melhor e a textura em boca fica mais harmoniosa. O tempo pode variar entre uma e duas horas. Às vezes mais, dependendo do calibre do tinto.

De resto, é curtir este inverno que já está chegando, estação propícia aos grandes vinhos tintos, os tipos preferidos dos brasileiros, mesmo em dias mais quentes. De acordo com a receita, os pratos, cada qual sabe escolher suas preferências adequadas ao bolso de cada um. Bon Appétit!

 

Bordeaux 82, o Paraíso existe!

12 de Maio de 2019

O ano de 1982 só não foi perfeito porque nossa seleção do saudoso Telê Santana lamentavelmente não levou o título mundial. Em compensação, Bordeaux teve sua safra gloriosa, generosa, em ambas as margens com uma das colheitas mais fartas de todo o século XX. Podemos pensar em safras como 53, 55, 59 (minha safra), 90, 95, 96, e as minúsculas mas espetaculares safras 45 e 61. Entretanto, os prazeres de provar um 82 são notáveis com vinhos no auge de seu apogeu, sendo que alguns ainda chegando em seu momento perfeito.

As perspectivas desta safra na época não eram muito animadoras pela crítica especializada, dizendo ser uma safra de acidez discreta, não apta a longo envelhecimento. Eis que surge a opinião de um jovem advogado americano contrariando os papas da época, afirmando ser uma safra de fruta esplendorosa, taninos abundantes, de textura sedosa, e com um extrato fabuloso para décadas de envelhecimento. Surge a partir daí, o mito Robert Parker, um americano ditando regras em meio à soberba francesa. Sua influência chegou a tal ponto, que a precificação de cada safra em Bordeaux dependia diretamente de sua avaliação e comentários.

Após este prefácio, tudo isso foi confirmado num memorável jantar no restaurante Fasano com um menu coordenado para quatro grandes flights.

as preliminares do jantar

À espera dos convivas, mesa posta e alguns drinks estimulando os sentidos como o clássico Dry Martini. Na recepção, ainda fora da mesa, uma trilogia de champagnes dando o tom do evento, foto abaixo. Salon 97 ainda uma criança. Cheio de tensão e mineralidade, suas borbulhas exibiam a delicadeza de um dos mais longevos champagnes. Como contraste, mas igualmente brilhante, um Cristal 82 maduro de uma bela safra. Champagne gastronômico, frutas maduras, cheio de brioche e pâtisserie. Borbulhas um tanto discretas, mas com uma textura inigualável. No meio do caminho, um Dom Perignon 2000, sempre elegante, delicado e estimulante. Nada melhor para esquentar os motores!

trilogia em Champagne

Sem mais delongas, vamos ao desfile bordalês com muitas surpresas e algumas decepções, fatos inerentes, sobretudo em degustações às cegas. As garrafas foram abertas e checadas pelo competente sommelier Fábio Lima, sob a batuta do mestre Beato. O maître Almir, patrimônio da Casa, coordenou a sequência de pratos à mesa.

img_6068-1vizinhos num desempenho brilhante

Neste primeiro flight, a primeira baixa. Montrose estava prejudicado com um “elegante ” bouchonné. Já os dois vizinhos brilharam, pois estão lado a lado na divisa de comunas entre St Estèphe e Pauillac. Lafite 82 talvez em sua melhor garrafa na noite, pois tivemos quatro delas, manteve a hierarquia num vinho elegante e aristocrático. Cos d´Estournel ratificou sua nobreza numa das melhores safras de toda sua história. Vinho de uma riqueza impressionante, bem estruturado, e longe de qualquer sinal de decadência. A primeira grande surpresa do jantar.

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o carneiro saltitante brilhou!

Neste segundo flight, mais uma baixa. O La Mission, um dos notas 100 de 82 estava um tanto estranho. Na verdade, seus aromas estavam muito redutivo, necessitando intensa oxigenação. Depois de um bom tempo na taça, mostrou sua elegância. Já o Mouton 82 quando a garrafa é perfeita, é um vinho quase imbatível. Exuberante, rico em aromas e uma textura extremamente sedosa. Outro grande que brilhou foi o Gruaud Larose que só não levou o flight, porque o Mouton estava perfeito. No entanto, este St Julien nesta safra especificamente, é um dos grandes destaques com uma consistência impressionante.

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aqui a hierarquia não foi respeitada

Embora os dois Premiers, Lafite e Mouton, sejam magníficos, estas duas garrafas não estavam em sua melhor forma, provando que em vinhos antigos, a garrafa é que manda e não a safra. Neste contexto, o Pichon nadou de braçadas numa garrafa magnífica. Realmente Pichon Lalande 82 é seguramente um dos cinco melhores  chateaux desta safra com uma elegância, equilíbrio e distinção, notáveis. É de fato, um super Deuxième. 

dois pratos de um menu em quatro atos

Num menu para vinhos desta estirpe, a delicadeza, sutileza e sintonia de sabores, devem andar em sincronismo. Para o primeiro prato, foi pensado algo que aguçasse os sabores terciários dos vinhos com uma Textura de Cogumelo. No segundo flight, para estimular e reavivar as papilas, um tartar de atum entrou em cena com vinhos mais frutados e de taninos mais dóceis. O terceiro prato, foto acima, era um risoto de pato com foie gras, valorizando os bordeaux de textura mais rica. Por fim, cordeiro em crosta de ervas e pistache, foto acima, dando suculência aos vinhos de taninos mais firmes e estruturados.

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St Estèphe brilhou novamente

Novamente uma baixa da degustação. Lafite 82 em sua terceira garrafa, com toques de oxidação e evolução estranha de aromas, algo resinoso. Leoville Las Cases 82, sempre um dos vinhos mais austero da safra, mas de muita sofisticação e sobriedade. Por fim, a segunda garrafa do Cos d´Estournel, magnífica. Levou o flight e se revelou de longe, a maior pechincha da noite. Um vinho que se encontra no seu esplendor com amplo platô de estabilização. Deve ainda dar muitas alegrias. 

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flight arrebatador 

Neste último flight, no apagar das luzes, eis que surge o único 86 da brincadeira. O grande Le Pin numa garrafa esplêndida. Só de peitar o grande Pichon, novamente numa garrafa perfeita, percebe-se a distinção deste grande Pomerol. O único margem direita e o único não 82, levou o prêmio da noite como melhor vinho, na opinião de muitos presentes. O Lafite também foi bem, embora de uma garrafa ainda meio tímida, frente ao desempenho perfeito de seus concorrentes de páreo. Pichon despediu-se glorioso nesta segunda garrafa, já deixando saudades de uma noite de sonhos.

A conversa continuou um pouco mais à mesa em meio a cafés, petits-fours, champagne, e grappas. Agradecimentos a todos os confrades, em especial ao Camarguinho, que com muita classe e fidalguia, proporcionou um encontro descontraído e bastante animado. Que o entusiasmo, generosidade, e cumplicidade, continuem reinando nesta confraria!

Brancos e Tintos de mesmo Esplendor

6 de Maio de 2019

Entre brancos e tintos, o destaque vai para os grandes vinhos, independentes de cor, tipo, ou estilo. Os brancos primam pela destacada acidez e os tintos por seus finos taninos. Isso mais uma vez ficou provado num delicioso almoço no restaurante Bela Sintra, Jardins, São Paulo.

Riesling seco e mineral

O almoço começou arrebatador com um Riesling seco, extremamente mineral, e de grande elegância aromática. Seco sem ser austero, seus aromas minerais, florais e de frutas brancas delicadas permeavam a taça. Boca imponente, de bom corpo, e de uma acidez refrescante, marcante, na medida certa para estimular um gole a mais. Persistente, fino e expansivo em seu final de boca.

Estamos falando de uma propriedade histórica, Schlloss Johannisberg localizada no Rheingau, região vinícola alemã das mais nobres e eterna rival dos vinhos do Mosel. Este terroir é extremamente bem definido, começando com uma abrupta mudança de direção do rio Reno quando caminha para o norte. Num determinado ponto, faz uma curva marcante para oeste, onde a face norte do rio encontra um grande talude perfeitamente orientado a sul, protegido pela cadeia de montanha Taunus. Esta propriedade monástica, de fundação milenar, é uma espécie de Clos de Vougeot alemão por sua importância histórica. É de grande destaque seus Rieslings nos mais variados estilos, sendo creditado a origem da uva nesta propriedade. Seus solos são complexos numa mistura de argila, quartzo, e loess, este último originário  de solos a partir da ação dos ventos. A propriedade é muito bem localizada na parte central do Rheingau com aproximadamente 30 hectares de vinhas.

rheingau schloss johannisbergSchloss Johannisberg no centro do mapa

Explorando um pouco mais o rótulo alemão, percebemos que a uva é Riesling e que o vinho é seco (trocken). O mais importante é a sigla GG (Grosses Gewächs) que equivale ao termo Grand Cru na Borgonha, a classificação máxima de um vinhedo.

classificação alemã VDPpirâmide de classificação VDP

Conforme mapa acima, VDP é a mais rígida classificação alemã para vinhos de qualidade que significa Associação alemã de produtores de qualidade com predicados (procurar pelo símbolo da águia com cacho de uvas na cápsula da garrafa). Na pirâmide acima, GG significa que estamos no topo com vinhos secos de alta qualidade.

Para completar a explicação, Erste Lage significa vinhedos Premier Cru, também muito bem localizados. Descendo a pirâmide, Ortswein significa vinhedos comunais, um pouco mais genéricos, e finalmente, Gutswein, vinhedos genéricos sem maiores especificações, mas ainda de qualidade comprovada, de acordo com sua classificação. Numa comparação com a Borgonha, se pensássemos no produtor Armand Rousseau, seu Chambertin seria um GG, seu Clos St Jacques seria um Erste Lage, e seu Gevrey-Chambertin comunal seria um Ortswein. Portanto, bebemos um Grand Cru. Ufa! vinho alemão é duro de explicar!

img_6044dois gigantes em magnum  

Fazer frente a um Chateau Latour 1990 em magnum, é tarefa para poucos, mesmo que essa outra garrafa também seja magnum. Foi o que aconteceu no embate acima com o excepcional Harlan 2001, 100 pontos Parker. Mais um 100 pontos para esta vinícola espetacular, colecionadora de notas máximas. O corte bordalês é típico de margem esquerda com predominância de Cabernet Sauvignon, sobre as demais uvas, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot, semelhante ao grande Latour. 

Falando primeiro do Latour 90, um vinho sempre com uma consistência impressionante e seu aroma de couro fino, pelica nobre, quase inconfundível. Não está na galeria dos Latours históricos como 82, 61, 70, 95, 96, ou 59, mas mesmo assim, é um baita vinho com 95+ pontos Parker, merecidamente. Seu corpo não é tão denso como costuma ser, mas tem boa evolução em garrafa com aromas terciários se formando de forma brilhante. Seu equilíbrio é perfeito com final elegante e de grande distinção. Comparado ao 82, mais uma vez constatamos que a safra 90 é muito boa, mas não chega e nem vai chegar ao esplendor de 82, talvez a melhor safra do século XX, tal a quantidade de Chateaux que elaboraram vinhos históricos. Safra pródiga em quantidade e qualidade.

Passando agora para o Harlan, um monstrinho engarrafado. Um vinho com uma força extraordinária, nivelado sempre por cima. Encorpado, glicerinado, textura de taninos extremamente fina, a despeito da quantidade impressionante. Aromas poderosos de frutas escuras, chocolate, e notas de tabaco. Um nariz bordalês que impressiona, mostrando que é o Latour das Américas por sua imponência notável. Um vinho longo em boca, expansivo, vislumbrando décadas de guarda.

pratos marcantes do Bela Sintra

O bacalhau à lagareira com o Riesling, e o arroz de pato com os tintos, ficaram muito interessantes. O Riesling tinha força e textura para o prato, além da acidez do vinho enfrentar a gordura da iguaria de forma admirável. Já o arroz de pato com seus sabores marcantes tinham perfeita sintonia com os sabores do vinho. Pratos tradicional do sempre consistente restaurante Bela Sintra.

img_6045um bebê de futuro brilhante

Mais um Yquem de 100 pontos nasce, confirmando a glória de um dos mais espetaculares vinhos doces do mundo. Um joia liquida com quase 150 gramas de açúcar residual, perfeitamente equilibrados por uma acidez refrescante. Vinte meses de barricas novas foram suficientes para lhe dar equiibrio e complexidade. Percebe-se a Botrytis por seu perfil glicenirado e textura macia. Longo em boca, seu poder de fruta é imenso e de grande harmonia. Deve evoluir bem por décadas, ganhando complexidade e harmonia perfeitas. Este vinho não está nem no site do próprio Yquem, mas nas palavras de Pierre Lurton é uma das safras mais espetaculares elaboradas por ele. Foi trazido debaixo do braço por um nobre confrade.

Enfim, vinhos de grande estirpe, elaborados de maneira diferente, uvas diferentes, e terroirs diferentes, mostrando mais uma vez a diversidade desta bebida milenar. Agradecimentos aos confrades pela companhia, boa conversa, e imensa generosidade. Que Bacco nos proteja! 

 

Entre Chambertins e Musignys

3 de Março de 2019

Num agradável almoço pré-carnaval, algumas taças da fina flor da Borgonha desfilaram entre pratos do restaurante Bela Sintra. Produtores e vinhedos consagrados mostraram o lado mágico que os tintos da Borgonha são capazes de proporcionar.

polvo, lulas, e pasteizinhos para acompanhar …

Para iniciar os trabalhos, um Premier Cru de Meursault do ótimo produtor Comtes Lafon, foto acima. Meursault-Charmes 2010 com 95 pontos, mostra o lado mais delicado de Lafon, comparado ao vigoroso Perrières-Meursault. Finamente trabalhado na barrica, seus aromas de patisserie já encantam nas primeiras impressões olfativas. Muito equilibrado em boca, mostra um leveza singular, embora não fuja do terroir de Meursault, sempre com uma textura mais vigorosa. Alguns da mesa o acharam levemente oxidado. Particularmente o achei delicioso, a despeito de não guarda-lo por muito tempo em adega. De todo modo, um belo abre-alas do almoço.

img_5760joias da Madame Leroy

Na comissão de frente, este primeiro trio acima, mostrou indubitavelmente o alto nível dos vinhos Leroy. Nenhum deles são de Domaine. O do centro, é o único Grand Cru, Mazis-Chambertin, elaborado pelo Hospices de Beaune e devidamente educado nas adegas Leroy. Os dois que o ladeiam são lieux-dits com nível de Premier Cru, vizinhos de parede com o reputado Clos St-Jacques, conforme mapa abaixo. O vinhedo Grand Cru Mazis-Chambertin está localizado na parte baixa à esquerda do mapa, delimitado por linhas vermelhas e pretas. A distância de Mazis-Chambertin a Clos St-Jacques não chega a mil metros.

clos st jacques lavaut estournellesmosaico bourguignon

Lavaut-St-Jacques, um vinhedo de 9,53 hectares, com destacada proporção de calcário no solo, prima pela delicadeza e elegância. Mostrou isso na taça, com lindos terciários de sous-bois, taninos polimerizados, e o mais pronto deste trio.

Mazis-Chambertin, o preferido da maioria, tem uma acidez pronunciada, fator que lhe confere longevidade. A despeito do belo equilíbrio e finesse, já tomei garrafas melhores deste mesmo vinho. A safra 85, ponto comum deste flight, é histórica na Borgonha.

Finalmente, Estournelles St-Jacques, um vinhedo de apenas 2.04 hectares, tem um solo com presença de Ostrea Acuminata, fosseis marinhos também presentes no vinhedo Clos St-Jacques. Foi o vinho que mais impressionou pela cor e densidade. Com taninos presentes, mostrou-se o menos evoluído do painel com um caráter mais masculino.

Taças Zalto e Arroz de pato

Na foto acima com taças Zalto, percebemos pela cor que a amostra número três, à direita da foto, é a de maior concentração de cor. O arroz de pato, um dos pratos emblemáticos da Casa, acompanhou bem o Estournelles St-Jacques, pelo vigor do vinho.

img_5762todos com nível de Grand Cru

Neste flight temos dois Premier Cru classicamente com nível de Grand Cru. Historicamente são vinhedos de grande reputação, os quais talvez numa nova classificação, fossem nomeados como Grand Cru. O Les Amoureses, sobretudo de Mugnier, é o mais delicado dos Borgonhas, caminhando numa linha tênue entre a elegância e a mediocridade. Explicando melhor, é um vinho muito delicado, onde só mesmo a força de seu terroir permite um diferencial de distinção e elegância. Qualquer outra tentativa na Borgonha, pareceria um vinho diluído e sem atrativos. Um vinho extremamente preciso em sua elaboração. A discussão acadêmica em torno de seu envelhecimento, sempre provoca a eterna dúvida: toma-lo jovem, aproveitando sua graciosidade de frutas e flores, ou envelhece-lo com os inevitáveis toques terciários?

Partindo agora para o grande Musigny, este um autêntico Grand Cru, é um vinhedo  colado ao Les Amoureses, num setor mais alto e de solo menos pedregoso. Este exemplar 2012 tem notas variando entre 95 e 98 pontos. Completamente diferente do Les Amoureses, o vinho tem densidade sedosa, sem perder a elegância. Numa comparação com o Médoc, seria o Chateau Margaux da Borgonha. Um vinho de extrema elegância e profundidade, onde os aromas de violeta, frutas escuras, e um toque carnoso, se completam perfeitamente. Gostaria de prova-lo lado a lado com um La Tache de mesma safra, outro vinho de predicados semelhantes.

clos st jacques

Rosseau: a maior parcela

No último vinho do flight, o vinhedo Clos St-Jacques, foto acima, é dividido em cinco parcelas, cuja a maior porção pertence a Armand Rousseau com 2,2 hectares. No exemplar acima da safra 2015, é um vinho de grande concentração com um poder de fruta extraordinário. Ainda muito jovem, tem aromas basicamente primários com taninos de fina textura. Uma grande promessa para as próximas décadas. Seu apogeu está prevista para 2050. Por hora, perder para o Musigny, num embate de gigantes.

Enfim, uma prova exemplar de grandes produtores das comunas de Chambolle-Musigny e Gevrey-Chambertin em seus mais afamados terroirs. Além disso, a constatação que o nome Leroy,  seja como Négociant, seja como Domaine, transita com competência e regularidade por todos os atalhos do intrincado mosaico bourguignon. 

Agradecimentos eternos a nosso Presidente pela imensa generosidade e competência nas escolhas das mais sofisticadas ampolas. Saúde a todos, e que Bacco nos proteja!

Masterchef Profissionais 2018

13 de Dezembro de 2018

Como de costume, sempre na final Masterchef, Vinho Sem Segredo dá seus palpites de harmonização para os menus dos finalistas. Embora bastante polêmico, é um programa de grande audiência, nos dando a oportunidade de comentar sobre harmonizações.

Nesta última edição, Rafael Gomes sagrou-se campeão com uma cozinha e um menu mais clássico, utilizando alguns ingredientes brasileiros nas receitas. Já Willian Peters, partiu para uma cozinha extremamente ousada, cujo resultado é sempre de alto risco. A escolha do vencedor invariavelmente tem  um lado de subjetividade e gosto pessoal.

Para ser democrático e ao mesmo tempo não estender todas as harmonização para um número de pratos exagerados, vamos nos ater a uma entrada, um prato principal, e uma sobremesa, de cada um dos finalistas. Assim teremos a mescla do classicismo e ousadia.

 

Entradas

masterchef 2018 carpaccio vieirasCarpaccio de Vieiras com Rabanete Melancia e Creme de Caviar

Aqui temos o lado da maresia das vieiras e sabor marcante de caviar. O creme de leite e o mel tentam contrabalançar a acidez do limão. O rabanete e a quinoa dão certa crocância ao prato.

O vinho escolhido é um Champagne Barnault Blanc de Noirs Brut Grand Cru. Ele tem força para os sabores do caviar, textura cremosa e mineralidade para as vieiras, além de fruta para o lado agridoce do molho. Champange encontrado na importadora Decanter. http://www.decanter.com.br

masterchef 2018 tom yum e leite de cocoTom Yum Laksa servido no coco com Foie Gras de Avocato

Aqui uma entrada bastante exótica com ingredientes e sabores instigantes. O sabor do coco está presente na água de coco, no leite de coco, e no polpa do próprio coco servido. Os sabores de maresia estão nos camarões e no ouriço. O toque tailandês está no molho quente servido dentro do coco que tem notas picantes e agridoces bem balanceados, advindos da pasta de tom yum.

Para um prato tão exótico, um vinho de certo exotismo também. Um Pinot Gris alsaciano do excelente produtor Zind-Humbrecht. Ele tem estrutura e presença para o prato com toques de frutas exóticas e certo off-dry no final de boca. Sua mineralidade e frescor equilibram os demais sabores do prato, inclusive o toque de coco. Este produtor é importado pela Clarets, embora não especificamente este vinho no momento. http://www.clarets.com.br

 

Pratos Principais

masterchef 2018 pato laqueado e pure de cenoura.jpgPato Laqueado com Melho de Cenoura e Cevadinha

Um prato clássico com o toque do creme de cenoura e mascarpone. O sabor de mel é bem sutil, balanceado pela pimenta e especiarias. O ponto do pato deve ser perfeito com muita suculência. Esse tipo de carne pede vinhos com boa estrutura tânica, mas ao mesmo tempo, com muita elegância e aromas delicados. Um Côte-Rôtie já de certa evolução seria perfeito. Um dos La, La, Las, de Guigal, a glória. O ótimo produtor Rostaing também tem belos exemplares. Esses vinhos são importados pela Belle Cave. http://www.bellecave.com.br

masterchef 2018 polvo ao romesco.jpgPolvo ao Romesco de Tinta de Lula com Purê de Batata-Doce e Crocante

O polvo deve estar cozido no ponto e bem macio. O molho romesco tem origem na Catalunha para acompanhar peixes. É um molho que envolve amêndoas, avelãs, alho assado, tomates, pimentas, e pão seco. Todos esses ingredientes são processados e emulsionados em azeite e vinagre ou vinho branco. Além do sabor do polvo, o prato mistura sabores agridoces e apimentados.

Com um certo toque espanhol de ousadia, este prato merece um Tondonia Reserva Blanco. Um Rioja tradicional elaborado com a casta Viura, majoritariamente. Tem uma passagem prolongada na vinícola, tanto em madeira, como em garrafa. Um branco com alma de tinto, capaz de envolver todos os sabores do prato. Tem frutas exóticas no aroma, toques elegantes de madeira, e um belo frescor. Importado pela Vinci com estoques limitados. http://www.vinci.com.br

 

Sobremesas

masterchef 2018 tangerina e espuma de mel.jpgTangerina e Espuma de Mel de Cacau com Bolo de Castanha do Pará

A sobremesa campeã com ingredientes como mel, açafrão, castanha do pará, tangerina, e textura cremosa, merece um grande Sauternes. Somente atenção para que não seja um Sauternes muito evoluído. O lado da fruta mais vibrante faz a ponte com os toques cítricos da tangerina. Para aqueles que Yquem é apenas um sonho, uma bela pedida é o Chateau Haut-Bergeron da importadora Cellar, sempre confiável e de preços atraentes. http://www.cellar-af.com.br 

masterchef 2018 kimchi, morangos e ruibarbo.jpgKimchi com Morangos e Ruibarbo com Creme de Chocolate Branco

Talvez o mais exótico dos pratos de Willian Peters nesta final, esta sobremesa é realmente desafiadora. O kimchi é um tempero coreano a base de hortaliças que se deixa fermentar. Tem sabores picantes e agridoces bastante exóticos. Os morangos e ruibarbo são marinados no kimchi. É feito um creme inglês adicionado ao kimchi e chocolate branco com mais alguns temperos. A sobremesa é relativamente leve e com pouca doçura, mas uma diversidade de sabores intensa onde a acidez e picância são relevantes. 

Para esse cenário, vamos de icewine (canadense) ou eiswein (a versão original alemã). É um vinho raro de extrema acidez e açúcar comedido. Seus aromas delicados e de grande personalidade vão bem com os morangos e ruibarbo, além de equilibrar bem o molho e o creme. Esses vinhos são menos difíceis de serem encontrados no exterior. Por aqui, quando se acha, custa um fortuna. Em todo caso, a importadora Vindame, tem uma boa e diversificada seleção de vinhos alemães. http://www.vindame.com.br

Já quase encerrando o ano, além das harmonizações, fica mais algumas sugestões de vinhos para as festas, inclusive para presentear.

Champagnes para 2018

7 de Dezembro de 2018

Nesta época do ano precisamos falar algumas palavras sobre Champagnes, o vinho das Festas e Comemorações. Disparadamente, o melhor espumante do planeta, Champagne também tem uma das maiores produções e estoques mundiais. Estamos falando em mais de 300 milhões de garrafas por ano e estoques em torno de 1,5 bilhão de garrafas. Metade deste negócio é exportado todos os anos. A outra metade faz a festa dos franceses.

Sempre é bom lembrar os desavisados sobre a nomenclatura confusa dos espumantes quando o assunto é açúcar residual, ou seja, o grau de doçura dos espumantes. Segue abaixo a nomenclatura em Champagne, geralmente copiada para outras regiões de espumantes mundo afora. Esses termos, não as dosagens, vêm escritos nos rótulos.

  • 0 a 3 gramas por litro = Pas Dosé, Dosage Zéro, ou Brut Nature
  • 0 a 6 gramas por litro = Extra-Brut
  • 0 a 12 gramas por litro = Brut
  • 12 a 17 gramas por litro = Extra Dry ou Extra Sec
  • 17 a 32 gramas por litro = Sec ou Dry
  • 32 a 50 gramas por litro = Demi-Sec
  • mais de 50 gramas por litro = Doux

Nas três primeiras categorias, o champagne é seco. Cuidado com os Extra-Brut e Pas Dosé. Apesar de estarem na moda, são extremamente secos. Não é todo mundo que gosta. Alguns chegam a ter uma certa adstringência em boca.

Os Extra-Dry  e Sec têm doçuras perceptíveis e podem combinar muito bem com pratos agridoces ou com algumas sobremesas delicadas com muito pouco açúcar. O famoso bolo de casamento, se inclui nestas categorias. Já o termo Doux está quase em desuso, além de ser extremamente doce.

Feitas as devidas considerações, vamos a algumas sugestões levando em conta originalidade, tipos e estilos diferentes, e lógico, a qualidade em si dos champagnes. Não são bebidas baratas, mas para quem está disposto a adquiri-las, são preços comparativamente interessantes. Encontrados no mercado brasileiro.

champagne deutz brutChampagne Deutz Brut Classic

Se você procura por um champagne de bom preço sem abrir mão da qualidade, esta é uma boa pedida. Embora seja importada pela Casa Flora, a Maison Deutz pode ser encontrada em várias lojas de bebidas finas por preços até abaixo de 300 reais, evidentemente esta cuvée básica sugerida. Casa de origem alemã, tem uma precisão incrível na elaboração de champagnes. Nesta cuvée, mescla com harmonia as três uvas (Chardonnay, Pinot Noir, e Pinot Meunier). Champagne elegante, bem balanceado em açúcar, ou seja, é agradavelmente seco. Desde os brindes até à mesa, tem competência para fazer a festa dos convivas.

champagne pierre peters

Champagne Pierre Péters Cuvée Extra Brut

Se você procura um champagne diferente, artesanal, a Maison Pierre Péters pode ser a solução. Sua produção não chega a 200 mil garrafas por ano com menos de 20 hectares na região da Côte des Blancs. Portanto, estamos falando exclusivamente de Chardonnay de vinhas antigas. Esta cuvée é composta só de vinhedos Grand Cru nos melhores anos. Sua dosagem de 2g/l de açúcar residual aguça sua mineralidade, revelando notável elegância. Champagne delicado para conhecedores. Importado pela Vinci com estoques reduzidos. http://www.vinci.com.br

champagne pierre gimonnet special club

Champagne Pierre Gimonnet Special Club 2005

Outro champagne artesanal e outro Blanc de Blancs. As vinhas são antigas e provenientes de vinhedos Grand Cru. 57% Cramant Grand Cru, 30% Chouilly Grand Cru e 13% Cuits Premier Cru. Algumas dessas vinhas foram plantadas em 1911. O vinho passa pelo menos cinco anos sur lies, antes do dégorgement. A dosagem final é de 6g/l de açúcar residual. Foram elaboradas apenas 25 mil garrafas desta cuvée. Além de ser um champagne safrado, é possível perceber o poder de envelhecimento destes champagnes especiais com mais de dez anos de evolução. Importadora Premium. http://www.premiumwines.com

champagne louis roederer rose

Champagne Louis Roederer Rosé Brut 2010

Para quem não abre mão dos rosés, eis um rosé confiável da excelente Maison Louis Roederer, famosa por sua cuvée de luxo, Cristal. Esta é a safra disponível no mercado, mas pode ser outras, pois sua consistência é notável. Este é um Rosé que trabalha com dois terços de Pinot noir e um terço Chardonnay. Um terço do vinho-base é vinificado em madeira inerte e não há fermentação malolática, preservando máximo frescor. A vinho passa quatro anos sur lies, antes do dégorgement e sua dosagem final é de 9 g/l de açúcar residual. A obtenção deste rosé é feita de uma maneira especial chamada “infusão”, ou seja, o Chardonnay é vinificado com uma maceração de Pinot Noir com as cascas para uma perfeita integração de cor e sabores. Não há uma importação exclusiva. Portanto, é encontrado nas boas casas de bebidas finas.

champagne drappier charles de gaulle

Champagne Drappier Charles de Gaulle

Para quem quer experimentar uma cuvée de luxo sem pagar uma fortuna, este é um champagne clássico, gastronômico, com alta porcentagem de Pinot Noir (80%) e Chardonnay (20%). O vinho passa pelo menos três anos sur lies antes do dégorgement e tem açúcar residual baixo de 7,5 g/l. Não é um champagne para bebericar e sim para ir à mesa, acompanhando aves assadas com molho de champignons, por exemplo. Importadora Zahil. http://www.zahil.com.br 

Com essas sugestões, não deve faltar champagne nas festa de final de ano para todos os gostos e bolsos. No mais, é aproveitar esses momentos de alegria e comemorações onde essas borbulhas mágicas nos fazem sonhar com dias melhores. 

 

 

Semana da Riesling

29 de Outubro de 2018

Muitos partilham da ideia que a Riesling é a grande uva entre as brancas, embora este universo seja bem mais amplo. De todo modo, sua versatilidade dentro de seu melhor terroir, a Alemanha, é algo admirável, desde um estilo seco e cortante como o aço na região do Saar, até aos mais esplendorosos doces sob a designação TBA (Trockenbeerenauslese). Sua grande desvantagem é não se expressar bem fora da Alemanha com mais promessas do que realizações. Apenas na região francesa da Alsácia, vamos encontrar belos exemplares fazendo sombra aos vizinhos alemães.

Dentro deste contexto, seguem abaixo algumas impressões do que melhor se apresentou numa degustação  um tanto confusa, mas que valeu pela confraternização entre amigos do vinho com 50 Rieslings de grande prestígio, promovida pela importadora Vindame, uma das raras importadoras especializadas no assunto. (www.vindame.com.br).

img_5243ótima relação qualidade/preço

O vinho mais barato da degustação, por volta de 100 reais, com ótima relação qualidade/preço. Baron K do Rheingau do produtor Baron Kynphausen. Aromas francos muito bem delineados e um ótimo equilíbrio em boca. Kabinett clássico com um off-dry delicioso. Belo combinação com comida chinesa e pratos agridoces. 

 

o Mosel bem representado

O produtor Reichsgraf von Kesselstatt é dos mais conceituados dentro da rigorosa classificação VDP (associação do melhores produtores de qualidade). A menção Grosse Lage refere-se ao topo da pirâmide, equivalente a um Grand Cru da Borgonha. Os dois exemplares acima com diferença de dez anos provou mais uma vez que a Riesling pode envelhecer muito bem. Os dois muito equilibrados e com a elegância peculiar do Mosel. Mesmo o 2005, mostrou um belo frescor com perfeito equilíbrio. O terroir do Mosel é caracterizado pelos terrenos de ardósia que confere grande mineralidade e longevidade ao vinho.

img_5247elegância soberba

Na foto acima, as menções Grosse Lage (Grand Cru) e GG (vinhos trocken dentro do Grosse Lage), indica um vinho de alta distinção. Neste caso, Nies´Chen vem de uma parcela exclusiva do Ruwer, um dos tributários do Mosel. Solo de ardósia azul e alta inclinação do terreno, entre 60 e 70° de declividade, proporcionando ótima insolação. Um vinho muito elegante, equilibrado, e com o açúcar residual no limite para um Trocken, ratificando a ótima maturação das uvas. Bela opção para as festas de fim de ano, especialmente para o clássico peru de Natal.

 

Rieslings de maior textura

O primeiro vinho à esquerda, voltamos ao Rheingau de um vinhedo especial Steinmorgen, classificação Erste Lage (equivalente a um Premier Cru da Borgonha). Solo erodido de argila pedregosa de origem eólica. Riesling de maior textura em boca, perfeitamente equilibrado. Vai bem com frutos do mar e aves com molhos cremosos.

Pfalz – Mittelhaardt

Para falar do segundo vinho, vamos fazer um parêntese na região do Pfalz, na sub-região de Mittelhaardt, e sua classificação própria de vinhedos datada de 1828. Não menos importante, é falar do produtor Dr. Bürkilin-Wolf, que juntamente com os produtores Von Bassermann-Jordan e Von Buhl, formam os famosos “três Bs” da região.

Explicando melhor o segundo rótulo à direita, temos o vinhedo Gaisböhl e o termo G.C., pois bem, trata-se de um vinhedo excepcional dentro da sub-região de Mittelhaardt, uma espécie de Côte d´Or da região de Pfalz. Este vinhedo pertence à comuna Ruppertsberg, a qual juntamente com as comunas de Forst e Deidesheim, são as únicas com permissão para a expressão G.C., literalmente Grand Cru na rigorosa classificação local. O mapa abaixo elucida o fato.

Voltando ao vinho em si, este vinhedo GC Gaisböhl trata-se de um monopólio da vinícola Dr. Bürklin-Wolf com solos pedregosos e argilosos. A maturação das uvas acontece sem dificuldade, pois a região de  Pfalz está muito próxima da Alsace (França) como uma das regiões mais ensolaradas da Alemanha. O vinho tem uma textura notável, normalmente mais encorpados que os vinhos do Rheingau. Muito equilibrado e aroma extremamente elegante. É o topo de gama desta vinícola notável e referência da região. Belo acompanhamento para o Schnitzel, espécie de um escalope de carne empanado. Com umas gotinhas de limão fica perfeito.

img_5250o retângulo corresponde a Mittelhaardt

Além da expressão GC (Grand Cru), a classificação de Mittelhaardt contempla as classifação PC (Premier Cru), Village Riesling e Estate Riesling, por ordem de importância e hierarquia.

Além da língua, a classificação de vinhos alemães é complicada e muito detalhada. Faz parte do perfeccionismo do povo alemão.

img_5249a sublimação da Riesling

Agora para tudo, porque vamos falar de um vinho que beira a perfeição. É lógico que tinha que ser um TBA (Trockenbeerenauslese), a sublimação da Riesling. São vinhos extremamente raros, elaborados só nas melhores safras e colheitas como este 2010 acima. Michelmark é um vinhedo Premier Cru do Rheingau Oriental perto do vilarejo de Erbach. As utilizadas num TBA são uvas botrytisadas, gerando vinhos doces extremamente intensos e equilibrados. Os dados técnicos deste vinho impressionam: açúcar residual 247 g/l, acidez 15,80 g/l, e álcool 8,5%. Esse índice de acidez é uma loucura e garante definitivamente que o vinho não seja enjoativo. Ao contrário, transmite um frescor extraordinário frente a essa montanha de açúcar residual. Embora tenha apenas 8,5% de álcool, os níveis altos de glicerol gerados pela Botrytis conferem uma untuosidade sedutora em boca. A única nota para este vinho dada por Parker é de 96 pontos para a safra 1992. Este 2010 não deve fugir muito disso. Depois dele, não se bebe mais nada!

Só nos resta agradecer a importadora Vindame através do simpático Michael Schütte, pela rara oportunidade de poder desfrutar de grandes Rieslings alemães dos mais variados estilos e regiões, aguardando ansiosamente novos convites. Abraços a todos!

 

 

Chateau Margaux e seus requintes

29 de Julho de 2018

Falar dos vinhos do Chateau Margaux é sempre um tema de grande prazer, mas ao mesmo tempo de certa incapacidade em descreve-los “comme il faut”. Falar então de pratos que pode acompanha-los, chega a ser insolente. Lembro-me bem  de uma grande garrafa de Margaux 1900, uma safra histórica para o Chateau, absolutamente perfeita e inesquecível. No entanto, no belo livro Chateau Margaux do jornalista Nicholas Faith, três grandes sommeliers descrevem propostas ousadas para determinadas safras do Grand Vin, expostas abaixo.

img_4901Paul Pontallier in memorian

Par Georges  Lepré

Apaixonado pelo Chateau Margaux 1961, Georges Lepré foi sommelier da Velha Guarda em grandes restaurantes, entre os quais L´Espadon do hotel Ritz, além de pertencer à Academia du vin à Paris.

Para um vinho desta magnitude, os pratos devem ser relativamente simples, sem ofuscar o astro maior, segundo suas palavras. De fato, a safra 61 para os grandes Bordeaux possui sólida estrutura e enorme longevidade, gerando riquíssimos aromas terciários.

Nas várias sugestões de pratos, Lepré fala em carré de cordeiro, contrafilé com osso, guarnecidos por sauce bordelaise (molho à base de vinho tinto) com trufas ou cogumelos. Fala também das caças de pena como codornas, perdizes e faisão, sempre com molhos que não agridam o vinho.

Por fim, ele menciona uma receita inusitada com L´Ortolan, um pássaro relativamente pequeno que hoje é protegido por lei na Europa. Muito apreciado em outras épocas na Aquitânia, ele sugere um receita rápida no forno ou em panela com poucos temperos servida com batatas soufflées.

Para os queijos, os franceses gruyère ou Comté, e os holandeses Gouda ou Mimolette. Na verdade, Mimolette é do norte da França, imitando o estilo holandês.

img_4902Sala de jantar em estilo Império

Par Markus Del Monego

Reconhecido como um dos melhores sommeliers da Alemanha em 1986, o suíço Markus del Monego sagrou-se campeão mundial em 1998. Com uma visão bastante eclética, Markus propõe harmonizações inusitadas da entrada à sobremesa.

Começando com peixes, um Margaux 85 com seus taninos macios e delicados pode perfeitamente acompanhar um turbot (peixe semelhante ao linguado) grelhado com molho de vitela. Nesta mesma linha, uma lamproie (lampreia ou enguia) à la bordelaise pescada no Gironde, acompanhará um Margaux 94 de maior riqueza aromática e estrutura. Lembrando que neste último exemplo, o peixe é de rio e o molho à base de vinho tinto.

Partindo para as aves grelhadas, um molho rôti caminha para o Margaux 89. Já um Margaux 99 com mais vigor, dez anos mais jovem, irá melhor com molho de frutas escuras, como o cassis.

Para as caças como coelho, veado, ou lebre, vinhos de grande estrutura e toques de evolução como Margaux 90. Se o molho exigir mais vigor com presença de azeitonas ou cacau, a safra 93 é uma boa pedida.

No caso de um suflê de queijo Gruyère, um vinho elegante e aromático como um Margaux 78, plenamente evoluído. Em uma tábua de queijos, o Margaux 85, vigoroso e macio, pode caminhar bem entre eles.

Encerrando com a sobremesa, um velho hábito bordalês é marinar morangos frescos em vinho tinto, de preferência vinhos de Margaux, e acompanha-los com um Margaux plenamente evoluído como a safra de 1982.

img_4903 perfeitamente decantado

Par Shinya Tasaki

Formado pela Academie du Vin à Paris, Shinya Tasaki brilhou na sommellerie de Tóquio, sagrando-se campeão mundial em 1995. Há muitos anos, tem importante papel na direitora da ASI (Association de la Sommellerie Internationale).

Em 1975, provou seu primeiro Margaux 1966 com Steak au Poivre, uma combinação um tanto arriscada. Mais tarde, já em atividade, provou várias safras históricas, dentre as quais o Margaux 1900, comentado neste artigo. Realmente um vinho imortal.

Suas escolhas tem a ver com a cozinha japonesa e tintos mais evoluídos. Começando pelo Margaux 1900, um vinho que eu não ousaria combinar por não estar á altura do mesmo, Tasaki propõe uma harmonização extremamente pontual. Trata-se de um estufado de pombo chamado Palombe (um pombo grande), acompanhado de trufas negras e cogumelos Matsutake, o qual apresenta um aroma de resina. Pois bem, o lado animal da ave combinado com o resinoso do cogumelo, segundo Tasaki, faz o par perfeito com os sabores e aromas do vinho. Bem, só nos resta confiar no campeão …

Um outro Margaux de sua predileção é o 1958, ano de seu aniversário. Ele propõe combina-lo com uma espécie de sushi, construído da seguinte maneira: um pedaço de foie gras com lâminas de trufas, um toque de vinagre balsâmico envelhecido e de caldo de carne. Tudo isso embrulhado em alumínio e três minutos de forno. Diz que a fusão de sabores com o vinho  é sensacional!

Por fim, a proposta é com atum, melhor o Toro, sua parte mais nobre. A receita consiste num molho reduzido à base de soja e um pouco do vinho de Margaux com as borras ou lias. Esse atum ligeiramente grelhado com o molho descrito e bolinhos de arroz, resultam em sabores interessantes  para a harmonização com o Margaux 83, uma das melhores safras já elaboradas e um destaque entre os grandes Bordeaux deste ano.

Resumindo, opções de experiências gastronômicas não faltam. Mesmo com a dificuldade das receitas, talvez fique mais fácil executa-las, do que conseguir nos preços atuais algumas destas maravilhas de safras excepcionais. De todo modo, a experiência de provar um Margaux é sempre inesquecível. Como dizia Engels, filósofo alemão: um momento de felicidade!

Bourgogne à Mesa

23 de Julho de 2018

Sempre que falamos de vinhos da Borgonha, nos deparamos com três fatores essenciais: produtor, vinhedo e safra. Sabemos que neste terroir, as referências de cada comuna são fundamentais. Neste jantar, testamos e degustamos várias destas referências, analisando e confrontando pratos da enogastronomia.

De início, a referência absoluta no terroir Pouilly-Fuissé, Domaine Ferret. Seus vinhos tanto jovens, como envelhecidos, são de uma pureza e finesse extraordinárias. Não confundir com Pouilly-Fumé, uma apelação do Loire para a uva Sauvignon Blanc.

img_4882cuvée intermediária

Nesta cuvée “Autour de la Roche, temos vinhas com idades de 10 a 40 anos numa vinificação em cuba sem nenhum resquício de madeira nova. O vinho aporta um frescor e mineralidade notáveis. Seus delicados aromas vão no sentido de frutas brancas delicadas como pêssegos e um toque sutil de amêndoas. Muito equilibrado com final extremamente agradável .

img_4885bacalhau e siri

Na foto acima, temos uma casquinha de siri e um folhado de brandade de bacalhau. Embora a carne de siri seja delicada, os temperos da casquinha sobrepujaram o sabor do vinho. Em compensação, o delicado folhado teve intensidade de sabor exato para a personalidade do vinho, fazendo um casamento perfeito.

img_4883o melhor em Chevalier-Montrachet

O branco acima dispensa comentários. A delicadeza de vinificação de Domaine Leflaive combina à perfeição com o terroir de Chevalier-Montrachet. Este Grand Cru, imediatamente acima do grande Le Montrachet, disfruta de um solo pedregoso com toda a elegância  do calcário. Neste exemplar, percebemos toda a complexidade de um Montrachet com uma delicadeza indescritível. A madeira que faz parte da vinificação e amadurecimento do vinho é de uma integração total em perfeita harmonia. Algumas gotas de limão sobre a casquinha de siri deram a liga exata para os sutis toques cítricos do vinho. Uma harmonização de sabores marcantes, mas de extrema delicadeza.

img_4886uma força impressionante

Para completar o jantar, um tinto de Morey-St-Denis num momento difícil. Explico melhor, o vinho estava no período de latência. Domaine Dujac é uma das grandes referências na apelação Clos de La Roche, um dos mais austeros Grands Crus da Côte de Nuits. Não era de se esperar esta condição num tinto de onze anos de garrafa numa safra teoricamente precoce. No entanto, alguns vinhos pregam estas surpresas. A cor era espantosamente pouco evoluída com nítidos reflexos violáceos. Os aromas não tinham defeitos, mas estavam bastante discretos, sem sinais de toques terciários evidentes. A boca estava perfeita em equilíbrio com taninos extremamente polidos. Contudo, uma expansão discreta. Garrafa muito bem conservada. Nesta fase, o vinho se fecha para formar complexos aromas terciários. Foi somente um momento infeliz. Talvez mais uns cinco anos, e o vinho certamente iniciará um lindo apogeu.

img_4888galeto com farofa de frutas secas

De todo modo, o galeto da foto acima foi bem tanto com o tinto, como o Chevalier-Montrachet. A textura da carne de aves vai muito bem com os Borgonhas. Os aromas e sabores da farofa de frutas secas e cogumelos Portobello assados forneceram a elegância necessária aos vinhos.

img_4889vale a experiência

Como sobremesa, uma mousse de chocolate amargo contrastando com um autêntico Irish Whiskey. O uísque irlandês costuma ser triplamente destilado, proporcionando delicadeza e maciez notáveis. Os aromas de mel e cevada maltada deste Jameson equilibram perfeitamente os sabores de cacau num final de grande intensidade e prazer. A despeito da bela combinação com os Portos, essa é uma experiência surpreendente.

img_4890combinação perfeita

O Gran finale não poderia ser melhor, Puros e Cognac, os Espíritos mais nobres. A expressão “Grande Champagne” no rótulo da bebida indica o mais exclusivo terroir de Cognac onde o solo de greda faz toda a diferença para a extrema finesse da bebida. X.O., Extra Old, indica o maior envelhecimento em madeira pelas leis atuais. 

Quanto aos Puros, Bolivar Belicosos já comentado em outros artigos, é um clássico da marca que prima pela elegância, a despeito da fortaleza da marca. Em seu modulo e tamanho, uma referência dos melhores Havanas. Do outro lado, uma edição especial da marca Montecristo com um blend ligeiramente mais forte que a média da Casa.

Na harmonização, um belo expresso dá início às primeiras baforadas. Entretanto, no segundo e terceiro terço sobretudo, a complexidade e força de ambos, Cognac e Charuto, propiciam a sublimação de sabores. Uma noite memorável!

Curnonsky e seus brancos

19 de Junho de 2018

Falando um pouco de menus clássicos e históricos, não podemos deixar de mencionar Maurice Edmond Sailland, prince des gastronomes, escritor célebre do final do século XIX e metade do século XX (1872 a 1956), conhecido mais como Curnonsky, precursor do guia Michelin. Autor de 65 livros com inúmeros exemplares sobre gastronomia.

No que diz respeito a vinhos, decretou os cinco maiores brancos da França, mencionando Chateau d´Yquem, Montrachet, Chateau-Chalon, Chateau-Grillet, e Coulée de Serrant. Nada mau!

Baseado nesses memoráveis vinhos, o restaurante Taillevent elaborou um menu impecável acompanhando essas maravilhas a 1200 euros por pessoa, intitulado “Les cinq de Curnonsky”. Para esta seleção, começou com Lagosta gratinada com trufas para um Chateau-Grillet 2005, seguido por Saint-Pierre com molho de vinho branco e algas, acompanhado por Coulée de Serrant 2004. Continuando, uma Poularde de Bresse desossada com trufas acompanhando Montrachet Marquis de Laguiche 2002. Para finalizar, um Vieux Comté com Chateau-Chalon 2005, e uma Omelete de frutas exóticas flambada com Chateau d´Yquem 2003.

Falando um pouco dos vinhos, seguem fotos abaixo com detalhes de cada um e suas peculiaridades. A despeito dos critérios seleção, são vinhos absolutamente distintos, fiéis a seus respectivos terroirs, e verdadeiros patrimônios franceses.

fb7be498-2c0e-4395-ac48-cd35d0e55adb1um clássico acompanhamento para as trufas

Uma das menores apelações francesas com apenas 3,5 hectares de vinhas antigas, Chateau-Grillet é uma apelação própria dentro do território de Condrieu com uvas 100% Viogner. O vinho amadurece cerca de 18 meses em barricas francesas, sendo 20% novas conforme a safra.

O vinho costuma envelhecer muito bem desabrochando notas florais, de pêssegos, damascos, e um fundo amendoado. Textura macio em boca, acompanhando muito bem pratos com trufas, sobretudo quando devidamente envelhecido.

img_4513o epítome da Chardonnay

Montrachet dispensa comentários, sendo a perfeição nos territórios de Chassagne e Puligny-Montrachet. Vinificação clássica com fermentação em barricas novas com sucessivas bâtonnages. O vinho se funde com perfeição em contato com a madeira, envelhecendo maravilhosamente.

52064f24-4c80-4976-9255-f9e1312a3d37a perfeição do Vin Jaune

Na terra de Louis Pasteur, a uva Savagnin amadurece  com perfeição. O chamado Vin Jaune é considerado o Jerez francês, embora não haja fortificação. O vinho amadurece em barricas de carvalho por cerca de seis anos, desenvolvendo uma levedura na superfície semelhante aos melhores Jerezes. Após esse período é engarrafado, adquirindo notas oxidativas, lembrando nozes e especiarias exóticas. Além do queijo Comté, seu acompanhamente clássico, aves com molho à base de curry são harmonizações sublimes.

gero yquem 76

a sublimação da Botrytis

Assim como o Montrachet, Chateau d´Yquem é unanimidade na nobre região de Sauternes. A ação da Botrytis Cinerea é perfeita no vinhedo, além de uma colheita seletiva e paciente, procurando somente as uvas perfeitamente infectadas. A vinificação é precisa, extraindo todos os componentes fundamentais para um vinho equilibrado e profundamente estruturado. A passagem longa em barricas novas francesas só enriquece o conjunto, permitindo um envelhecimento em garrafas por décadas. Lembrando sempre que as uvas são Sémillon majoritariamente, e Sauvignon Blanc.

Serrant decantacaoChenin Blanc em pureza

Atualmente com vinhos biodinâmicos tão em voga, o exemplar acima sintetiza a perfeição nesta filosofia viticultural. Nicolas Joly, proprietário e mentor do estupendo Coulée de Serrant, eleva a casta Chenin Blanc ás alturas, tendo apelação própria dentro da apelação Savennières, o mais célebre terroir para Chenin Blanc no estilo absolutamente seco.

Sua vinificação extremamente natural, trabalha com leveduras nativas. O uso das barricas de dimensões de acordo com a filosofia biodinâmica, visa imprimir uma micro-oxigenação precisa, expressando de forma autêntica aromas e sabores únicos. O vinho tem uma extraordinária capacidade de envelhecimento, sendo obrigatória um ampla decantação de horas, antes do consumo.

Além da harmonização citada no menu acima, truta ao forno com molho de vinho branco, ervas e amêndoas tostadas é pedida certa para um casamento perfeito.


Menu alternativo

Tartar de atum com gergelim 

Coulée de Serrant decantado por horas

Omelete de queijo gruyère e ervas com trufas laminadas

Chateau-Grillet com uma dezena de anos

Camarões grelhados ao molho de ervas e limão com risoto de açafrão

Montrachet Ramonet 2014

Queijo do Serro curado com nozes e damascos

Chateau-Chalon ou Vin Jaune

Malabi com calda de damascos

Chateau d´Yquem jovem (menos de 10 anos)


img_4781Serro bem curado

Neste menu alternativo, eu começaria pelo Coulée de Serrant aproveitando toda sua acidez e frescor com tartar de atum. Um prato de personalidade com o gergelim dando um toque a mais de integração com o vinho. É importante decantar este branco com horas de antecedência.

Em seguida, os sabores e textura da omelete deixam o Chateau-Grillet reinar elegante. O toque de trufa para um branco como este envelhecido é fundamental.

A vibração de um Ramonet jovem é sensacional com seus toques cítricos precisos. Toda a força de um Montrachet entremeando a sutileza de um risoto de açafrão. Uma harmonização para levantar sabores.

Antes da sobremesa, uma taça de Chateau-Chalon ou um bom Vin Jaune. O Club Tastevin traz um bom exemplar (www.tastevin.com.br). Homenageando os queijos brasileiros, um velho queijo do serro com aromas mais potentes, complementado por nozes e damascos, finalizam a refeição sem pressa.

A força de um Yquem jovem, menos de dez anos, complementam bem o delicado manjar árabe onde o damasco e a flor de laranjeira fazem eco ao vinho. A textura untuosa do vinho cai como um manto após uma colherada da sobremesa.

Enfim, mais um exercício de enogastronomia com uma pequena amostra do arsenal francês. Para quem não resiste a um belo champagne, não seria nada mau começar ou terminar o menu com ele. Os brancos da Alsace são outra bela lembrança.

 


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