Mazzei: Chianti com muita história


Quando uma vinícola estampa em seu rótulo a data de 1435, nos damos conta de quão antigo é o vinho na Toscana. Não fosse pela desorganização italiana na época, teríamos certamente em Chianti a primeira denominação de origem no mundo do vinho. Castello di Fonterutoli é um dos pilares sólidos na origem da denominação ¨Chianti Clássico”, situado em Castellina in Chianti. Juntamente com Radda in Chianti e Gaiole in Chianti, essas três sub-regiões formam o que chamamos de zona histórica do Chianti.

Pessoalmente, costumo brincar com a expressão “3F dos Chiantis”: Fonterutoli, Fontodi, e Félsina. Produtores de primeira grandeza nas zonas de Castellina, Greve e Castelnuovo Berardenga, respectivamente, todas situadas na área do Chianti Classico.

fonterutoli vinhedos

5 áreas – 73 vinhedos- 120 parcelas

A figura acima mostra o terroir diversificado dos vinhedos Castello di Fonterutoli em Castellina in Chianti, somando 117 hectares de vinhas. Em torno da edificação principal temos a área Fonterutoli com altitudes entre 420 e 550 metros, um dos fatores importantes na expressão da Sangiovese no Chianti Classico. O solo pedregoso é rico em Alberese (pedras de origem calcária) e Galestro (uma espécie de argila laminar). Essa composição de solo aporta ao vinho uma notável mineralidade (algo esfumaçado).

A segunda área, Siepi, empresta o nome a um dos ícones da vinícola, colecionador rotineiro de tre bicchieri. Um blend de Merlot e Sangiovese de muita concentração, exibe um ótimo balanço entre a maciez da Merlot e o nervo (acidez) da Sangiovese. De Fato, este terreno em menores altitudes (250 a330 metros) aliado a um solo mais argiloso, favorece o bom desenvolvimento da Merlot.

A terceira área Le Ripe, é uma zona bastante fresca e de altitude (entre 470 e 570 metros), localizada em Radda in Chianti em solo pedregoso, fornecendo frescor e aromaticidade aos vinhos.

A quarta área Belvedere com altitudes entre 290 e 400 metros, é rica em alberese. A combinação deste solo com altitudes medianas para o Chianti Classico fornece uma boa maturação das uvas, enfatizando concentração de cor sem perder o devido frescor.

Por fim, a área de Caggio com altitudes entre 270 e 370 metros em solo argiloso rico em scheletro (alberese e/ou galestro). Novamente, a combinação de solo e altitude gera vinhos mais densos, estruturados, ricos em taninos.

É dessa combinação de diferentes áreas, totalizando 120 parcelas com solos, altitudes e exposições diferentes, que nasce os vinhos Fonterutoli. Além disso, há um trabalho intenso de seleção clonal desenvolvido ao longo da história da vinícola, proporcionando vários clones diferentes de Sangiovese.

fonterutoli numero 10

fugindo do habitual

O rótulo acima mescla 90% Merlot e 10% Sangiovese, fugindo da denominação Chianti. Portanto, trata-se de um Toscana IGT. Vinho de bom corpo, maciez notável e taninos bem moldados. A presença da Sangiovese entrega um certo frescor ao conjunto. Seus 12 meses em carvalho aporta notas de baunilha, defumados e um leve toque animal. lembrando couro. O preço é mais um atrativo para conhece-lo.

fonterutoli chianti classico

o cartão de visitas da Casa

O tinto acima personifica a tipicidade de um grande Chianti Classico. Proveniente de 50 parcelas diferentes dos vinhedos acima citados, procura mesclar todas as características importantes deste complexo terroir. Passa 12 meses em carvalho francês, sendo apenas 40% de barricas novas. Bom corpo, frescor muito agradável, taninos bem trabalhados, e todos os toques típicos como violeta, cerejas, ervas e temperos, além de uma notável ponta mineral. É atualmente uma das melhores pedidas no mercado, sobretudo quando se pensa em preço nesta categoria de vinho.

fonterutoli gran selezione

expressão máxima deste terroir

Neste vinho acima, é selecionado o que há de melhor em seleção parcelar. Quase todo composto de Sangiovese (92%) com pequenas proporções de Malvasia Nera e Colorino, é um tinto de grande intensidade de cor. Seus 20 meses em barricas francesas, sendo 60% novas, fornecem um balanço incrível entre fruta, madeira e a devida micro-oxigenação. Sua estrutura e carga tânica de alta qualidade remetem a pensarmos em belos Brunellos. Complexo, persistente e moldado para bons anos em adega. A expressão Gran Selezione é relativamente nova e está hierarquicamente acima da denominação DOCG.

fonterutoli belguardo serrata

um tinto de Maremma

Saindo um pouco da região do Chianti Classico, vamos para a zona litorânea da Toscana, Maremma. Neste terroir de solo mais arenoso e altitudes mais baixas (entre 70 e 130 metros), nasce o tinto acima Belguardo Serrata, composto por Sangiovese (80%) e Alicante (20%). De corpo mediano, mais leve que o Chianti Classico, mantem o frescor da Sangiovese com taninos bem brandos. Os dez meses de madeira em seu amadurecimento apenas confere alguns toques defumados ao conjunto. Se comparado aos Chiantis, sua estrutura aproxima-se de um Chianti Colline Pisane, ou seja, um Chianti delicado. Ótima opção para pizzas e massas com molhos leves.

Em resumo, a família Mazzei tanto no tradicional Chianti Classico, como na inovadora Maremma, produz vinhos bem moldados, respeitando a tradição e terroir locais. Ainda existe uma terceira vinícola da família na Sicília, região sul da Itália, chamada Zisola.

Todos esses vinhos degustados e mais alguns outros presentes no portfolio da vinícola, são trazidos exclusivamente pela importadora Grand Cru com preços promocionais por algum tempo. http://www.grandcru.com.br

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