Laguiole: Cutelaria Afiada


Laguiole, diz-se lai-ó-le, é uma modesta comuna francesa no departamento de Aveyron, na região do Midi-Pyrénées. Localiza-se de forma equidistante no triângulo formado pelas cidades de Toulouse, Montpellier, e Clermont-Ferrand, sul da França.

O que torna esta comuna famosa é sua cutelaria de mesmo nome na elaboração de facas, canivetes, acessórios e os famosos saca-rolhas. Nas grandes mesas três estrelas, os mais reputados sommeliers do mundo têm em mãos um autêntico Laguiole. O preço varia entre 150 e 200 euros, mas pode custar muito mais, dependendo da loja e da exclusividade de algumas peças sob encomenda.

Na rotina de nossos sommeliers de salão aqui no Brasil, os saca-rolhas utilizados são geralmente brindes de importadoras ou lojas de vinho na versão dois estágios. Não deixa de ser um objeto de boa eficiência, mas com baixa durabilidade. Normalmente, são peças de pouco capricho onde nas várias articulações começa haver “jogo” em pouco tempo de uso.  Para uso caseiro com pouca utilização, pode ser uma boa solução, via de regra sem custos.

Muita gente pode pensar que um Laguiole é apenas um objeto de charme, desejo, e não passa de uma grife. Evidentemente, temos esse lado, mas assim como uma Ferrari, Laguiole tem essência, artesanato e eficiência. É uma peça robusta, de peso literalmente, e muito bem pensada em todos os detalhes. Suas articulações são precisas e justas. Sua helicoidal é longa, muito bem acabada e de diâmetro um pouco maior que os concorrentes, distribuindo a força de tração com eficiência na retirada de rolhas longas, inerentes aos mais finos vinhos do mundo.

laguiole rolhas

Helicoidal bem construída

Para aqueles que não tem acesso a um Laguiole, no mercado brasileiro temos o saca-rolhas de dois estágios da marca Screwpull a preços honestos (menos de cem reais). É eficiente, bem construído e de boa durabilidade. Para os sommeliers, sobretudo os de salão, saca-rolhas é um objeto pessoal, intransferível e como diria nosso saudoso Vicente Matheus, “imprestável”.

Numa série de vídeos a seguir, vamos comparar a eficiência desses dois abridores. O primeiro e segundo vídeos mostram claramente o ângulo de saída da rolha no momento de tração. O primeiro estágio no primeiro  vídeo vai no limite de extração até entrar o segundo estágio. Já o Laguiole mantem a verticalidade em todo o processo de tração da rolha.

O vídeo abaixo mostra a diferença de tamanho, passo (espaçamento entre os elos da helicoidal) e diâmetro das duas helicoidais. Contudo, em ambos os casos, temos uma boa eficiência nos dois abridores que partem de mecanismos diferentes.

saca-rohas um estagiolaguiole preparação

 início da operação diz tudo

Na foto acima, fica claro a diferença de um mau abridor de um estágio para o Laguiole. Dá para perceber que a tração da foto à esquerda tem um mau apoio e principalmente, uma obliquidade em relação ao eixo da garrafa. Já na foto à direita, mostra o bom apoio da alavanca no gargalo e a subida totalmente vertical da rolha. A relação do tamanho da alavanca com o tamanho da helicoidal é perfeita no Laguiole. Os detalhes fazem a diferença.

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