Montrachet e Le Montrachet


Este é o melhor vinho branco seco da Terra! É a frase mais dita sobre o grande Montrachet. Respeito esta opinião, mas outras preferências bem escolhidas também são válidas. Enfim, não há dúvida que trata-se de um grandíssimo vinho. No mapa abaixo, podemos ver detalhes de seus diversos produtores que trabalham com parcelas reduzidas, dando seu toque pessoal na lapidação desta joia. No site, abaixo da figura, podemos ter uma visualização melhor.

Map credit: Fernando Beteta, MS

A Chardonnay em seu esplendor

http://www.tenzingws.com/blog/2016/1/12/interactive-map-of-le-montrachet-vineyard

Para entender este terroir é preciso entender seus vizinhos ilustres: Bâtard-Montrachet e Chevalier-Montrachet, sem contar com os diminutos em área plantada, Criots-Bâtard-Montrachet e Bienvenues-Bâtard-Montrachet. A altitude do vinhedo Montrachet parece-me o ponto chave da questão. Fala-se muito da perfeita insolação no vinhedo ( o sol no verão vai até às 21:00 hs), fruto da também perfeita declividade do terreno. De fato, Montrachet fica no meio dos outros dois Grands Crus (Bâtard a sul, e Chevalier a norte). A seguir, seguem algumas descrições sobre esses fabulosos vinhos de caráter fundamentalmente pessoal, embora embasadas em relatos e livros de fonte confiável.

Bâtard-Montrachet é um Grand Cru por volta de doze hectares de vinhas. Em seu solo a presença de argila é mais destacada do que nos demais Grands Crus, embora haja uma certa proporção de calcário. Este fator aliado a uma altitude mais baixa, gera vinhos mais encorpados, mais intensos e de destacada maciez. É como se fosse um Meursault com mais finesse. É esta finesse a mais que falta para um Meursault tornar-se Grand Cru.

Chevalier-Montrachet é pura elegância, mas uma elegância com profundidade. É exatamente esta profundidade que falta aos grandes Puligny-Montrachet para tornarem-se Grands Crus. Como aqui você tem uma altitude mais elevada, um solo pedregoso, rico em calcário, esta elegância, esta sutileza, são perfeitamente justificadas. E quando você pega um produtor como Domaine Leflaive neste terroir! Sua filosofia de trabalho priorizando  a delicadeza dos vinhos é absolutamente compatível com os terroirs de Chevalier-Montrachet e Puligny-Montrachet. Pessoalmente, não vejo concorrentes à altura. Resta saber, se a morte recente de Anne-Claude Leflaive não abalará esta precisa filosofia.

montrachet leflaive

estilo elegante

Agora sim, vamos ao grande Montrachet! Este é um vinho capaz de unir os dois Grands Crus acima descritos. Ao mesmo tempo que ele é forte, denso, encorpado, há um lado delicado, sutil e misterioso. Capaz de envelhecer por décadas, sua estrutura é monumental. A brincadeira maior em torno dele é comparar o estilo, a personalidade dos vários produtores desta obra-prima. Assim como Bâtard-Montrachet, o vinhedo Montrachet é partilhado exatamente em áreas iguais entre as duas comunas famosas: Chassagne-Montrachet e Puligny-Montrachet. Neste contexto, chegamos ao título do artigo. Os vinhedos pertencentes a Chassagne costumam ser chamados de “Le Montrachet”  e os vinhedos de Puligny, simplesmente “Montrachet”, embora este detalhe não seja grafado e respeitado em vários rótulos.

montrachet drc

Taça Riedel para Montrachet

Nas sutilezas que este Grand Cru nos mostra, temos uma tendência em enfatizar um perfil mais encorpado, mais denso, nos Montrachets elaborados no lado de Chassagne. De fato, os vinhos do Domaine de La Romanée-Conti são Montrachets mais densos, mais musculosos. Os Montrachets do Domaine Lafon, da mesma forma. A exceção fica por conta do Domaine Leflaive, onde a imposição de sua filosofia é mais forte do que as características do terreno. Neste mesmo raciocínio, os Montrachets do produtor Ramonet costumam ser mais elegantes, de acordo com o terreno da porção de Puligny-Montrachet, embora seja um grande produtor de Bâtard-Montrachet, um vinho mais denso.

Novamente, falando do lado pessoal, Baron de Thénard é o menos interessante dos Montrachets. Falta um pouco de personalidade em seus vinhos. Já Marquis de Laguiche, propriedade de Joseph Drouhin, Montrachet de maior área plantada (dois hectares), é um Grand Cru confiável, consistente, e um bom começo no desbravamento deste fantástico Grand Cru.

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