Archive for Dezembro, 2015

Corton-Charlemagne: A montanha mágica

30 de Dezembro de 2015

Em minhas aulas sobre Terroir, a montanha de Corton é um exemplo inconteste que este conceito existe e é palpável. A composição de solo neste caso, determina criteriosamente o plantio de Chardonnay e de Pinot Noir em porções bem definidas. Hugh Johnson em seu livro diz que há uma espécie de Alice no País das Maravilhas permeando esta montanha, capaz de mudar repentinamente o cenário e nossas percepções.

A parte mais alta da montanha, rodeando seu cume, é rica em fragmentos de calcário, fazendo um terroir perfeito para a Chardonnay. Abaixo desta zona, no meio da montanha, a argila ganha força na composição do marga (mistura judiciosa de argila e calcário), tornando o solo mais frio e propicio ao cultivo da Pinot Noir. Deste raciocínio saem dois vinhos mágicos, ambos Grand Cru, o branco Corton-Charlemagne e o tinto simplesmente Corton, o único Grand Cru em Pinot Noir da Côte de Beaune. Especialmente neste artigo, falaremos do branco Corton-Charlemagne de um produtor de destaque, referência para a apelação.

Bosque de Corton ao fundo

A primeira vez que provei um Bonneau du Martray, o vinho estava num período de latência, sem grande expressão, mas ao mesmo tempo, dava para perceber o grande potencial de guarda do mesmo. A safra era de 1985, grande ano na Borgonha, como de modo geral em toda a Europa. Este branco Corton-Charlemagne, é um dos Grands Crus da Côte Beaune com características totalmente distintas.

Se Chassagne-Montrachet, Puligny-Montrachet e Meursault, são vinhos que falam entre si, o branco de Corton tem personalidade diferente, mais próxima aos Grands Crus de Chablis. Seus aromas lembram a mineralidade do Chablis, mas a textura tem um Q de Beaune, sem perder a semelhança com um Les Clos, o mais vigoroso entre os Grands Crus de Yonne.

bonneau du martray

veja a luminosidade desta cor no decanter

No exemplar acima com onze anos de idade, a cor se destaca pela jovialidade e o brilho dos grandes vinhos. Os aromas têm sempre algum mistério, mas notas sutilmente cítricas, florais e um fino boisé, são claramente percebidos. Em boca, impressiona como um autêntico Grand Cru. Percebe-se de início aquela tensão e mineralidade do Chablis, mas ao mesmo tempo uma maciez, uma densidade, com aquele Q de Beaune. O frescor, a vibração, a persistência e o equilíbrio, são notáveis. Pelo seu vigor, podemos vislumbrar pelo menos mais dez anos de guarda.

Alguns dados sobre Bonneau du Martray Corton-Charlemagne: vinhas de 45 anos divididas em 16 parcelas. Fermentação com leveduras naturais. Utilização de carvalho na fermentação e amadurecimento por 12 meses, sendo somente 30% novo. Trabalho judicioso de bâtonnage (contato sur lies revolvendo as borras).

Os grandes brancos da Borgonha

  • Bâtard-Montrachet – textura semelhante a Meursault com mais complexidade
  • Chevalier-Montrachet – elegância de um Puligny-Montrachet beirando a perfeição
  • Montrachet – (Bâtard + Chevalier)²
  • Corton-Charlemagne – Chablis Les Clos com textura de Beaune
  • Chablis Grand Cru – mineralidade e intensidade

Foie Gras: Variações

27 de Dezembro de 2015

Falar que foie gras combina com Sauternes é chover no molhado. Além de muitas pessoas não gostarem desta combinação clássica, outros vinhos podem ser surpreendentes. Não há nada de errado tecnicamente na harmonização consagrada, mas a riqueza de textura tanto do vinho como do prato, acaba saturando um pouco o paladar, sobretudo na hipótese provável de seguir uma sequencia de pratos. Pessoalmente, nesta linha de raciocínio, prefiro a combinação com Tokaji 5 puttonyos ou um Pinot Gris Vendange Tardive da Álsacia, saindo um pouco da mesmice. Lembrando que tanto na Hungria como na Alsácia, temos excelentes foie gras.

Para surpreender, que tal um champagne safrado, maduro, de uma cuvée especial com bons anos em adega. Pode ser um Dom Pérignon, um Krug, um Bollinger RD. Os aromas de evolução destes champagnes combina perfeitamente com o sabor do foie gras. Contudo, a textura em boca é que surpreende. A maciez efervescente do champagne aliada a sua habitual acidez, rechaça de modo muito agradável a gordura do foie gras, deixando um final limpo e fresco.

No caso de um patê de foie gras, pode ser servido um belo Jerez Oloroso. A riqueza de sabor de ambos (prato e vinho) se completam perfeitamente. O lado macio do vinho rico em álcool sintoniza bem com a textura do patê. Aliás, vários patês, sobretudo de caça, vão muito bem com Jerez Oloroso. Vale a pena provar.

Outra combinação que pode surpreender com foie gras é um Porto Tawny 20 anos, um Colheita com bons anos em casco, ou um Madeira Malmsey. Aqui trocamos um pouco o álcool pelo açúcar, ou seja, nos vinhos fortificados não há tanta doçura como nos Sauternes. Essa falta de “doçura” é compensada pelo teor alcoólico. A combinação não perde nada em riqueza de texturas, porém não há um açúcar residual tão evidente. Quanto aos aromas, esses vinhos fortificados vão muito bem com o sabor do prato. No foie gras grelhado incluindo frutas como a maçã, os sabores destes fortificados combinam perfeitamente.

Por fim, para um Filetto alla Rossini com trufas laminadas, os Riojas Gran Reserva são ótimos, preferencialmente os de estilo tradicional. Pode ser um Rioja Alta 904 ou se o bolso permitir, um 890. Os aromas balsâmicos, empireumáticos (café, cevada), de especiarias e frutas em compota, são sensacionais com o sabor do prato. A acidez do vinho corta magistralmente a gordura do prato, revigorando o paladar a cada garfada.

O importante nas tentativas de combinação é observar certos requisitos. O vinho não pode ser simples, pela tipologia de um prato requintado. É preciso ter acidez e textura na escolha do vinho, combatendo a gordura e equilibrando a sensação de untuosidade. Aromas de certa evolução no vinho são bem-vindos com os sabores do prato.

MasterChef: Harmonizações

25 de Dezembro de 2015

Nesta época do ano todo mundo fica ligado num menu especial para o Natal e Réveillon. Aproveitando o sucesso do programa MasterChef, resolvi harmonizar alguns vinhos com os pratos testados e mostrados nesta edição. Havia na verdade dois menus, mas achei melhor mesclar alguns pratos de ambos, priorizando a facilidade tanto na execução dos mesmos, como nos preços e dificuldade de encontrar alguns ingredientes. Portanto, segue menu abaixo com duas entradas, dois pratos e uma sobremesa.

  • Cuscus Marroquino
  • Salada de Bacalhau com Grão de Bico
  • Ravioli de Lagostim e Damasco
  • Pernil de Cordeiro com Figos Glaceados
  • Bolo de Nozes

Vamos imaginar para este menu uma mesa com oito pessoas onde cada um pode escolher a dedo seus convidados. Neste contexto, podemos pensar em quatro garrafas de vinhos com uma média de meia garrafa por pessoa. Acho prudente esta medida, equilibrando bem a quantidade de comida e bebida.

sempre consistente

  • Cuscus Marroquino
  • Cava Brut Reserva

Este espumante espanhol pode perfeitamente ser servido na recepção dos convidados, com alguns canapés, e passar à mesa com a primeira entrada. Para isso, ele tem o frescor e leveza fora da mesa e ao mesmo tempo, faz um belo par com o cuscus e uma série de frutas secas e temperos que dão crocância ao prato.

Cava Raventós ou Gramona. Respectivamente, importadora Decanter e Casa Flora.

http://www.decanter.com.br e http://www.casaflora.com.br

  • Salada de Bacalhau com Grão de Bico
  • Alvarinho Palacio da Brejoeira

Os sabores do bacalhau e a textura do grão de bico casam perfeitamente com as características deste branco. Casta nobre da região do Minho, norte de Portugal, seus aromas são frescos e cítricos. Em boca, sua textura delicada e sua bela acidez combatem bem a gordura do peixe e o lado cremoso do prato, além de manter o paladar aguçado para os pratos subsequentes.

Alvarinho da importadora Vinci. http://www.vinci.com.br

Rosé de referência

  • Ravioli de Lagostim e Damasco
  • Chateau de Pibarnon Rosé

Um rosé provençal da apelação Bandol com as uvas Mourvèdre (2/3)  e Cinsault (1/3).  O método de elaboração de rosé para a Cinsault é de pressurage direct, mais delicado, enquanto para a Mourvèdre temos o método Saignée, com mais extração. As uvas são vinificadas  juntas e mantidas em cubas por seis meses após a vinificação. O resultado é um rosé gastronômico com toda a estrutura da Mourvèdre, mas mantendo o frescor e poder de fruta da Cinsault. Os sabores cítricos, minerais e de especiarias do vinho formam um conjunto harmonioso com o prato. Outro ponto importante é o crescimento escalonado de estrutura e textura dos vinhos para chegar enfim ao último prato principal.

Rosé da importadora Zahil. http://www.zahil.com.br

  • Pernil de Cordeiro com Figos Glaceados
  • Rioja Luis Cañas Reserva Seleccion de la Familia

Tinto baseado na Tempranillo com vinhas de pelo menos 45 anos. Passa dezoito meses em barricas novas de carvalho francês e americano. Taninos polidos, frutas maduras, toques defumados e de especiarias. Elementos importantes para harmonização com um bom assado. Tem maciez e poder de fruta para os legumes e figos glaceados de acompanhamento. Neste tinto temos a elegância do terroir de Rioja Alavesa.

Tinto da importadora Decanter

  • Bolo de Nozes
  • Porto Tawny Quinta da Romaneira 10 Year Old

Casa do Porto distinta com Tawnies bem elaborados. Muito equilibrado e elegante, tem estrutura e sabores compatíveis com a sobremesa. Seus aromas a frutas secas, especiarias e toques balsâmicos são típicos e envolventes. Assim como o espumante de entrada, ele pode perfeitamente sair da mesa e acompanhar belos Puros com uma boa conversa. Boas Festas!

Quinta da Romaneira é importado pela Casa Santa Luzia. http://www.santaluzia.com.br

Espumante Brut, Carne de Porco, Arroz de Pato

23 de Dezembro de 2015

O título deste artigo em si pode não ter muito sentido, mas foram os três itens mais pesquisados ultimamente em Vinho Sem Segredo. Evidentemente, estes assuntos já foram convenientemente abordados. Contudo, vale a pena num só artigo ressaltar os principais pontos, esclarecendo dúvidas.

Espumante Brut

Brut quer dizer o nível de açúcar residual  do espumante que neste caso é seco. Muito cuidado com a nomenclatura extremamente confusa na área de espumantes. Em grau de doçura crescente temos: Extra-Brut, Brut, Extra-Dry, Sec ou Dry, Demi-Sec ou Rich.

Importadora Decanter

Quanto ao método de espumatização, temos o método Charmat ou Tanque, e o método Tradicional ou Clássico, com segunda fermentação na própria garrafa. Normalmente, os espumantes Charmat são mais simples e de preços mais modestos. Já os de método Clássico, que são os casos dos Cavas e Champagnes, são espumantes mais complexos e de preço mais elevado.

De modo geral, espumantes do método Charmat vão melhor fora da mesa, como aperitivo, pequenas entradas e recepções. Já os elaborados pelo método Clássico são mais gastronômicos, sobretudo os mais complexos.

Carne de Porco

A harmonização desta carne depende muito do corte e da receita executada. De todo modo, podemos falar de leitoa ou leitãozinho, carne macia, delicada e rica em gordura. Neste caso, os vinhos brancos caem melhor. Sua acidez e frescor combatem bem o lado gorduroso do prato. Aqui também cabe bons espumantes, inclusive os rosés.

O clássico pernil assado

Já no caso do pernil, temos uma carne mais fibrosa e sabores marcantes. Aí sim, os tintos são mais convidativos. Portugueses do Dão e do Alentejo vão bem, além de espanhóis  de Rioja. Do lado italiano, tintos da Toscana e alguns Valpolicellas pelo método Ripasso são opções interessantes. Do lado francês, tintos do sul do Rhône, Provence e Languedoc, enfrentam bem o prato.

Nos cortes defumados como Kassler e os embutidos, vinhos alemães com a uva Riesling são a pedida certa. Conforme o corpo e estrutura do prato, os alsacianos são muito bons também.

Arroz de Pato

Item muito procurado neste blog,  o arroz de pato têm sabores marcantes. Vinhos de personalidade, com taninos domados, e de certa idade, vão melhor na harmonização. Tintos do Douro, Ribera del Duero e Brunellos, todos com certa evolução, podem casar muito bem com a iguaria.

Suculência e sabores intensos

Os tintos ibéricos são sempre as primeiras opções, mas italianos da Toscana ou Piemonte com alguns anos de envelhecimento são boas alternativas. Do lado francês, pessoalmente acho que Bordeaux e Borgonha são muito sofisticados para o prato. Os tintos do Rhône Norte como Crozes-Hermitage, Cornas e alguns Saint-Joseph, são boas escolhas desde que com alguns anos de garrafa.

É importante salientar esta certa evolução dos vinhos com seus aromas terciários. A carne de pato transmite um gosto marcante ao arroz e além disso tem o gosto defumado da linguiça que faz parte da receita. Este tipo de sabor no conjunto final faz um belo casamento com as características citadas acima dos vinhos em questão.

Tanto a carne de porco com suas inúmeras receitas, como o arroz de pato, são ótimas opções para as festas de fim de ano. Boas Festas!

Harmonizações: Borgonha à mesa

21 de Dezembro de 2015

Pessoalmente, uma das maiores diversões é testar, confirmar, uma boa ou má harmonização nas inúmeras situações que nos envolvemos. Às vezes, premeditadamente, outras, verdadeiras surpresas que o dia a dia nos pregam. Desta feita, um almoço entre amigos, nos deparamos com dois embates abaixo descritos.

camarões molho de baunilhaCamarões ao molho de baunilha

Pela foto acima, percebemos um prato delicado. Trata-se de um leito de carpaccio  pupunha regado ao azeite de oliva com camarões grelhados ao molho de baunilha e creme de leite. São texturas delicadas que pedem um vinho com a mesma similaridade, mantendo a harmonia. Os sabores delicados do camarão e do creme de leite aromatizado com baunilha não podem ser ofuscados por um vinho potente. Evidentemente, estamos falando de vinho branco. E branco da Borgonha. Nas famosas comunas da Côte de Beaune, Puligny-Montrachet tem esta linguagem. Textura e aromas delicados, além dos toques de barricas extremamente sutis em sintonia com os aromas de baunilha do prato.

puligny boillotLes Combettes: divisa com Meursault

No vinho acima, o Premier Cru Les Combettes faz divisa com a apelação Meursault. Isso se reflete no terroir onde os aromas do vinho têm a delicadeza de Puligny, mas a textura em boca lembra um Meursault. Os brancos de Jean-Marc Boillot são elaborados classicamente com fermentação em barricas, passam pelo processo de bâtonnage e amadurecem cerca de dez meses em carvalho, sendo somente 30% novo. Este exemplar com seus nove anos, esbanja vivacidade com toques florais, cítricos delicados como limão siciliano, e finas especiarias. Textura macia e equilíbrio dos grandes vinhos.

escaolpe e ratatouilleEscalopes de entrecôte e ratatouille

Normalmente, quando falamos em borgonhas, pensamos em aves como elemento de harmonização. Neste caso, trata-se de escalopes de entrecôte. A carne em si, contrafilé, tem uma trama um tanto fibrosa, porém o corte em bifes fininhos ajuda a quebrar um pouco esta rigidez. O molho com cogumelos, um demi-glacê elaborado pela Chef Roberta Sudbrack, tem a delicadeza e o refinamento que o vinho exige. No caso, um Richebourg, Grand Cru vizinho ao mítico Romnaée-Conti. Por fim, a ratatouille com seus legumes finamente grelhados enriquece o acompanhamento. Os cogumelos são elementos que vão muito bem com vinhos envelhecidos e toques minerais, especialmente aquelas notas terrosas.

richebourg af grosA tradição da família Gros

Anne Françoise Gros é um dos ramos desta tradicional família, sobretudo na comuna de Vosne-Romanée. Sua parcela na nobre apelação Richebourg é de apenas 60 ares (0,6 ha), cerca de seis mil metros quadrados, um terço da área do Romanée-Conti, ou seja, uma produção anual baixíssima de 2400 a 3000 garrafas. No caso dos Grands Crus como este, o vinho amadurece 100% em barricas novas. Neste exemplar de 2003, as notas de especiarias, ervas, temperos exóticos, são marcantes, remetendo ao gengibre, noz moscada, alcaçuz, entre outros. A madeira não se percebe. Está totalmente integrada ao conjunto.

Nestes dois exemplos, percebemos que o tema central é a delicadeza dos pratos e dos vinhos. Isso é fundamental, sobretudo quando se trata de vinhos da Borgonha. Esta região exige uma cozinha refinada, de temperos e molhos sutis. E quanto mais subimos na escala de classificação (comunal, premier cru e grand cru), maior a preocupação em não errar, não exagerar, sob pena de ofuscar sutilezas de certos tesouros que não podemos desfrutar com tanta frequência. 

Restaurante Attimo: Menu Degustação

16 de Dezembro de 2015

Localizado em Vila Nova Conceição, o restaurante Attimo preserva a cozinha italiana com alguns toques de modernidade. Este é um dos projetos de Marcelo Fernandes, restaurateur também do Kinoshita, Clos, e Mercearia do Francês. O menu e a carta de vinhos mostram propostas interessantes, tanto para os clientes mais conservadores, como para os de certa ousadia. Abaixo, segue uma sugestão de menu com entrada, uma massa, carne e sobremesa.

Salada-de-hortalicas-Credito-GulaMia

  • Salada de hortaliças, legumes tostados, azeitonas pretas, avelãs e mel
  • Harmonização: De Martino Chardonnay Quebrada Seca Single Vineyard 2011

Este Chardonnay, apesar de passar por barricas, mostra um frescor incrível, aliando vivacidade com maciez. Medianamente encorpado, não afronta esta entrada de textura delicada. As hortaliças e azeitonas ficam bem equilibradas pela acidez do vinho, enquanto os legumes tostados e avelãs vão de encontro aos sabores do mesmo. O leve toque de mel é compensado pela maciez do vinho e sua fruta tropical. Este novo terroir de Limari, bem ao norte do Chile e junto ao oceano Pacífico, apresenta grande amplitude térmica, equilibrando acidez com maturidade do fruto.

Ravioli-de-camarao-Creditos-GulaMia

  • Raviolini de camarão com molho de limão siciliano, favas frescas e rúcula
  • Domaine Sorin Terra Amata Côtes de Provence 2012

Massa delicada tanto no recheio, como no molho de limão. Uma boa pedida é este rosé da Provence com seus aromas únicos e muito gastronômico. A acidez do vinho segura o molho de limão, sua textura combina bem com as favas e por último, seu frutado maduro equilibra bem o leve amargor da rúcula.

bela apresentação

  • Língua de boi, purê de batata e marsala
  • Falesco Montiano 2010

Este é um prato clássico que poucos restaurantes tentam ousar em seu cardápio. Carne delicada, de textura macia, inclusive no seu acompanhamento, purê de batatas. Experimente este Merlot italiano em pureza da quase desconhecida região de Lazio. Falesco é uma vinícola de muito prestigio e este é seu vinho ícone. Tinto de presença, mas sempre muito delicado, e elegantemente amadeirado por barricas francesas.

surpresa de maçã

  • Surpresa de Maçã
  • Terrazas Single Vineyard Petit Manseng 2010

Esta sobremesa resume-se num bolo de pão-de-ló, maçã verde, maracujá, sorvete de baunilha e crocante de coco. Para esta harmonização, um vinho argentino singular. Trata-se de um colheita tardia da bodega Terrazas elaborado com a uva Petit Manseng. Originária do sudoeste francês, mais especificamente da apelação Jurançon, aclimatou-se muito bem neste vinhedo argentino a mil metros de altitude com grande amplitude térmica. Há um perfeito balanço entre doçura e acidez e aromas muito delicados. A textura do bolo combina perfeitamente com o vinho. A maçã verde e o maracujá equilibram a acidez, enquanto a baunilha e o crocante de coco casam-se bem com os toques delicados de barricas francesas, nas quais o vinho é amadurecido. Belo fecho de refeição.

http://www.restauranteattimo.com.br

Rua Diogo Jácome, 341 – Vila Nova Conceição – SP

Festas: sugestões de vinhos

10 de Dezembro de 2015

Nesta época do ano é normal as pessoas procurarem dicas, conselhos, informações sobre vinhos. Seja para consumo próprio ou presentear, as opções são inúmeras. Infelizmente, os preços não ajudam. Com a alta do dólar e também de impostos, a equação está cada vez mais difícil de ser resolvida. Portanto, vinhos que realmente valem a pena indicar estão na faixa entre R$ 100,00 e 200,00 reais.  E olha que não estou falando em sofisticação, pois nesta área o céu é o limite.

Segue abaixo uma relação para vários tipos da bebida, desde entrada até sobremesas, cafés, charutos, etc …

Cave Geisse: bela surpresa

Espumantes e champagnes

  • Cave Geisse (espumante nacional entre os melhores, se não for o melhor). veja site abaixo, na própria vinícola, ou na Ville du Vin.
  • Chandon Brasil (sempre consistente, fácil de encontrar e preços razoáveis). Várias lojas de bebidas em São Paulo.
  • Cava (tradicional espumante espanhol). Raventós da Decanter e Gramona da Casa Flora, sempre confiáveis.
  • Champagnes (é uma questão de gosto e estilo. Louis Roederer, Gosset, Deutz e Larmandier têm preços honestos. Evidentemente, acima da faixa de preço no início do artigo). Importadoras Franco-Suissa, Grand Cru, Casa Flora e Cellar, respectivamente.

Um dos grandes alemães da Decanter

Vinhos brancos

  • Rieslings alemães (importadora Decanter tem boas opções).
  • Chablis William Fèvre (importadora Grand Cru).
  • Sauvignon Blanc (Terrunyo da Concha Y Toro, vinícola Pericó de Santa Catarina e Jackson Estate da Nova Zelândia, importadora Premium). A linha Concha Y Toro é encontrada na Ville du Vin.
  • Chateau Reynon e Clos Floridene (dois bordeaux da Casa Flora)
  • Chardonnay (Catena Alta da Mistral  e De Martino Quebrada Seca da Decanter)

Bierzo e a uva Méncia

Vinhos tintos

  • Rioja de vários tipos (Crianza, Reserva e Gran Reserva). Rioja Alta da importadora Zahil, CVNE da Vinci e Luis Cañas da Decanter).
  • Tintos de Bierzo (região espanhola pouco conhecida. Boas opções na Decanter e Grand Cru).
  • Chianti Classico (Castello di Ama da Mistral, Fontodi da Vinci, e Felsina Berardenga da Mistral).
  • Tintos do Douro (Quinta do Crasto, Quinta do Noval, Niepport).
  • Malbecs da Argentina (Catena da Mistral, Viña Cobos da Grand Cru, Noemia da Vinci e Achaval Ferrer da Inovini).
  • Merlots nacionais (Miolo Terroir, Pizzato DNA 99 e Desejo da Salton). Encontrados em boas lojas de bebidas.
  • Chateau Giscours 2009 Margaux – Grand Cru Classe – importadora Cellar
  • Chateau Sociando-Mallet 2009 – Haut-Médoc – importadora Cellar
  • Vinícola Rippon (grande Pinot Noir da Nova Zelândia). Importadora Premium.

Tawnies e Charutos

Portos, fortificados e colheita tardia

  • Porto Fonseca Bin 27 (Mistral ou Casa Santa Luzia)
  • Burmester Tawny Jockey Club (Adega Alentejana)
  • Quinta do Noval LBV Unfiltered (Grand Cru)
  • Jerez: Emilio Lustau da Ravin e Hidalgo da Mistral
  • Morandé Late Harvest da Grand Cru
  • Chateau Haut-Bergeron Sauternes da Cellar

Se você pensar em vinhos franceses ou italianos, a escolha natural é a importadora Cellar. A seleção é ótima e os preços não são abusivos. Responsável: Amauri de Faria.

Porto Fonseca e champagne Louis Roederer são encontrados na Casa Santa Luzia. Os nacionais acima mencionados, também.

Importadoras

Pinot Noir: Harmonização

7 de Dezembro de 2015

Vez em quando, é bom testar a temperamental Pinot Noir  à mesa. Seus vinhos, muitas vezes delicados, sobretudo na região da Borgonha, apresentam sutilezas e dificuldades no convívio com a comida. Normalmente as aves, saem-se bem neste casamento.

barnaut rose

Rosé pelo método saignée

Desta feita, o primeiro desafio foi harmonizar um champagne rosé à mesa. De fato, certos rosés não são champagnes para bebericar isoladamente. Possuem corpo, estrutura, e portanto, pedem algo para ser confrontado. No caso deste rosé, trata-se do Barnaut Rosé Authetique, um rosé saignée, ou seja, o vinho-base é vinificado em rosé, naturalmente Pinot Noir, e são adicionados 15% de Chardonnay. Aí sim, passa-se à segunda fermentação para tomada de espuma. Um rosé estruturado, mas ao mesmo tempo delicado, principalmente nos aromas. Combinou muito bem com a entrada abaixo:

vieiras e arroz negro

Vieiras, shitakes e arroz negro

O sabor da vieira e do shitake casaram bem com a mineralidade e os aromas de leveduras do champagne. Seu lado frutado valorizou o alho-poró, as ervas e demais temperos. Sua acidez combateu bem a gordura e o leve picante do prato (molho de pimenta dedo de moça bem delicado). Por fim, a textura tanto da vieira como do arroz negro foram muito bem com a cremosidade do champagne. Uma parceria bem agradável, limpando e preparando o paladar para o próximo prato.

domaine des perdrix

Nuits-St-Georges: um lado viril da Pinot Noir

O tinto acima, ficou para o prato principal. Seu vinhedo, Aux Perdrix, é um Premier Cru localizado mais ao sul da apelação Nuits-Saint-Georges. São 3,45 hectares com predominância de argila no solo. A vinificação com longa maceração, é feita em cubas de madeira, e posterior amadurecimento por cerca de quinze meses. Normalmente, há 60% de madeira nova. A safra 2008 é uma safra de guarda com taninos ainda a se resolver. Não se percebe a madeira com notas de frutas e toques minerais. Deve evoluir por pelo menos mais cinco anos.

mignon e cuscuz marroquino

Rosbife com cuscuz marroquino

O rosbife Wagyn, raça de gado japonês, estava no ponto, textura macia e carne rosada . Grelhado com pó de shitake e pimenta sichuan (origem chinesa), seus sabores foram muito bem com o sabor do vinho. A textura da carne foi o ponto alta na combinação. Os evidentes taninos deste tinto foram combatidos perfeitamente pela suculência e leve fibrosidade da carne.

Nesta experiência podemos concluir que certos champagnes vão muito bem à mesa, contrariando a ideia de muitas pessoas que encaram este vinho apenas como aperitivo. No lado borgonhês, apelações como Nuits-Saint-Georges e Pommard, são vistas como produtoras de vinhos um tanto rústicos para a delicada Pinot Noir. Contudo, à mesa, surpreendem por sua versatilidade e melhoram muito com a comida. Para aqueles que gostam de carnes e molhos mais consistentes, estas apelações são boas alternativas para quem não abre mão da Pinot Noir.

Os pratos são da Chef Vivi, restaurante minúsculo na Vila Madalena. O menu muda periodicamente com várias opções de entradas e pratos principais. Peixes, aves, carnes e opções vegetarianas estão sempre presentes. (www.chefvivi.com.br).

Champagnes: Sugestões de festas

3 de Dezembro de 2015

Todo final de ano é assim, tem que ter champagne. Sempre é bom falar mais uma vez que champagne não se toma só no final de ano ou em comemorações. Durante todo o ano, este vinho encaixa-se em várias situações. Na recepção de qualquer evento ou jantar e durante a refeição acompanhando inúmeros pratos. Seus vários estilos e categorias faz desta bebida um verdadeiro coringa na mesa e fora dela.

Voltando ao assunto, vamos analisar alguns champagnes degustados e que valem como dicas para as festas que se aproximam.

pierre gimonnet

Pierre Gimonnet Cuis 1º Cru Brut Blanc de Blancs

Pequena Maison elaborando 260.000 garrafas por ano na região da Côte de Blanc. São 28 hectares só de Chardonnay. Portanto, estamos falando de um  Blanc de Blancs. Cuis refere-se a uma das comunas da Côte de Blancs onde localiza-se a Maison.

Como se trata de champagne não safrado, a cuvée 151 apresenta a seguinte composição: 77% da safra 2011, 6% de 2010, 12% de 2009, 4% de 2007 e 1% de 2006. Os vinhos de reserva são conservados sur lies em garrafas. Este procedimento mantem integralmente o frescor. Esses vinhos entram em proporções entre 20 e 50% no assemblage final.

Após a segunda fermentação, o champagne é mantido entre 18 a 30 meses sur lies, antes do dégorgement. Não é um tempo tão prolongado, visto que a ideia é manter todo o frescor e vivacidade de um champagne delicado. O açúcar residual é de 6,5 gramas por litro, bem abaixo da legislação para a categoria Brut.

Na degustação, mostrou-se muito bem. Cor palha-claro com reflexos verdeais e perlage consistente. Aromas elegantes de frutas secas, toques minerais e cítricos, nuances de pâtisserie. Corpo leve, acidez refrescante e mousse envolvente. Muito bem acabado, com equilíbrio e frescor. Um autêntico Blanc de Blancs. Importadora Premium (www.premiumwines.com.br).

billecart salmon

Billercar-Salmon Brut Réserve

Maison tradicionalíssima localizada em Mareuil-sur-Aÿ, Vallée de la Marne, produz anualmente cerca de um milhão e oitocentas mil garrafas. Tem estilo delicado e seus rosés são muito prestigiados. La Revue du Vin de France (RVF) classifica esta Maison com duas estrelas.

A vinificação engloba as três uvas: Chardonnay, Pinot Meunier e Pinot Noir. O vinho-base e vinhos de rerserva são conservados em Inox. As uvas provêm principalmente do Vale do Marne.

Aqui temos um champagne elegante, marca da casa. Os aromas passeiam entre o floral, aniz, gengibre e nuances de casca de pão. Corpo médio, boa acidez, certa maciez e mousse agradável. Final longo e equilíbrio perfeito. Nada sobra. Importadora World Wine (www.worldwine.com.br).

barnaut noirs

Barnaut Blanc de Noirs Grand Cru Brut

Maison localizada na Montagne de Reims, comuna de Bouzy, elabora cerca de 120.000 garrafas anuais, ou seja, uma produção artesanal. Nesta cuvée 100% Pinot Noir, as uvas provêm de vinhedos Grand Cru nas comunas de Bouzy, Ambonnay e Louvois.

A vinificação prevê boa proporção de vinhos de reserva. O contato sur lies e dégorgement leva cerca de quatro anos. O açúcar residual é de apenas seis gramas por litro.

Aqui temos o antagonismo de um Blanc de Blancs. Este 100% Pinot Noir mostra frutas secas escuras como figo, ameixas, toques de levedura e outras frutas secas como amêndoas. Belo corpo, macio e ótima mousse. Não é um champagne para bebericar e sim, para levar à mesa. Aves nobres com molhos refinados e presença de cogumelos vão muito bem no acompanhamento. Importadora Decanter (www.decanter.com.br).

jacquesson

Jacquesson Cuvée 738 Extra-Brut

Maison localizada no Vallée de la Marne, em Dizy, próximo a Aÿ, produzindo cerva de 275.000 garrafas anuais. O estilo da Maison são champagnes mais encorpados, mais gastronômicos e estruturados. A RVF fornece a cotação máxima, três estrelas.

A cuvée 700, assim chamada, está atualmente no número 738. Em resumo, esta cuvée provem de dois vinhedos Grand Cru e três vinhedos Premier Cru. O vinho-base é elaborado em madeira, naturalmente inerte , para não passar aromas ao vinho.

Nesta cuvée 738, o vinho-base é da safra 2010 (dois terços), complementado por vinhos de reseva (um terço). A composição de uvas é de 61% Chardonnay, 18% Pinot Noir e 21% Pinot Meunier. O dégorgement é tardio, prevendo um contato sur lies de quatro a quatro anos e meio. Já a Cuvée 700 D.T. (dégorgement tardio) prevê o dobro de tempo, nove anos.

A apoteose ficou para este último exemplar. Que champagne! Este Extra-Brut com menos de seis gramas por litro de açúcar residual, mostra-se extremamente seco, acentuando sua bela acidez. Apesar do predomínio da Chardonnay no corte, apresenta-se com bom corpo e uma maciez notável, fruto de um longo trabalho sur lies, tanto no vinho-base, como no envelhecimento em cave. Extremamente complexo, seus aromas terciários permeiam entre o brioche, cogumelos, frutas secas e bela mineralidade. A boca é perfeita, envolvente, com todos os componentes em harmonia. Persistência longa e final muito agradável. Champagne para mesas requintadas. Importadora Franco-Suissa (www.francosuissa.com.br).


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