Archive for Setembro, 2015

Entre Amigos …

27 de Setembro de 2015

Oi pessoal! Peço desculpas por tanto tempo fora do ar, mas depois do AVC, uma dor nas costas insuportável. Tentando retomar novamente os artigos, vamos falar do último encontro entre amigos com vinhos de grande expressão.

A brincadeira foi provar às cegas seis tintos irrepreensíveis começando pelo Bordeaux abaixo. Mais uma vez, Mouton 82 esbanja potência e elegância. Taninos ultra polidos, um leque de aromas sensacional e aquela persistência aromática que deixa saudades. Felizmente, tive o prazer de tomar vários, sempre em grande forma. 

mouton 82

1982: Até o carneiro está saltitante

Após um começo triunfante, que tal um La Landonne 1988! Umas das três joias de Guigal, este Côte-Rôtie é fora de série. Deliciosos aromas terciários mesclando fruta madura, especiarias, defumados de rara elegância e até um toque floral. A boca é uma seda com perfeito equilíbrio entre álcool e acidez. Apesar da idade, sua vivacidade é incrível.

landonne 88

Um Côte-Rôtie fora da curva

O vinho abaixo é a decepção mais esperada às cegas,  o rei Petrus. Não dá nem para reclamar da safra 89, normalmente abordável, mesmo na juventude. É que Petrus é chato mesmo. Para um Merlot, é austero demais, tânico demais, fechado demais. O certo mesmo era ter uma apelação própria: appellation Petrus Controlée. Um vinho de futuro imenso, cor intensa ainda rubi. Os aromas são concentrados, a boca firme com uma estrutura tânica para poucos. Um dia ele desperta de seu longo sono para mostrar todo seu esplendor.

petrus 89

Petrus 89: grande safra e muita paciência

Continuando a saga, outro clássico de 1982 em Bordeaux, Château La Mission Haut-Brion, o grande rival do único Premier de Graves na classificação de 1855. Vinho hedonista, com aromas terciários incríveis e muito bem dosados. Em boca, uma seda com taninos abundantes e polidos. Muito equilibrado entre seus componentes, persistência longa e um final delicioso. Pratos com trufas e cogumelos são a pedida ideal.

la mission 82

Um clássico de Graves nesta safra

Finalmente, um tinto do Novo Mundo. Este californiano da bela safra de 1997 baseado em Cabernet Sauvignon é o topo de linha da vinícola Abreu, seu vinhedo mais famoso, Madrona Ranch. Praticamente um Bordeaux da California. Elegante, denso, maduro, fazendo jus à excelente safra de 97. Talvez seja o mais pronto a ser bebido, mas com um bom potencial de guarda ainda.

abreu 97

Safra 1997: 100 pontos

Para fechar a série, outro 100 pontos, Château Latour 1982. Um Pauillac de grande estrutura com muita vida pela frente. Os aromas de cassis, caixa de charutos, ervas, toques animais, confirmam a autenticidade de sua comuna. Cor intensa, vinho de bom corpo, elegante e imponente, taninos sólidos, muito equilíbrio e um final de boca que só os grandes vinhos são capazes de proporcionar.

latour 82

Um dos grandes Latours de toda a história

600 pontos

600 pontos perfilados

Após a perfeição, somente ela para dar continuidade ao evento. Acompanhando belos puros, dois Portos para beber de joelhos em seus estilos mais nobres. O Vintage abaixo se não bastasse ser um Noval da mítica safra de 1963, tinha o requinte de ser um Nacional (parreiras pré-filoxera). Um vinho imortal. Cor ainda sadia, jovial. Aromas de grande complexidade com frutas em compota, toques florais, minerais, de especiarias, defumados, enfim, difícil descreve-lo.

nacional 63

Nacional 1963: perfeição nos detalhes

Para terminar, lembram do Scion? um Porto Colheita excepcional da Casa Taylor´s?  Pois bem, a Graham´s também tem seus tesouros. Algumas barricas foram encontradas nas antigas adegas da família Symington constatando a data de 1882. Trata-se de um Colheita de grande permanência em madeira, beneficiando-se das benesses da micro oxigenação. Um equilíbrio fantástico, assim como sua persistência aromática interminável.

ne oublie

Embalagem impecável de acordo com o conteúdo

A linda embalagem acima é o resultado final do engarrafamento de somente 656 decanters numerados, cuidadosamente confeccionados em cristal, emoldurado com um belo colar em prata num estojo em legitimo couro ingles. O nome desta joia: “Ne Oublie”.

ruby e tawny

Ruby e Tawny: dois caminhos de sucesso

As taças acima mostram bem os caminhos traçados por estes dois gigantes. A taça da esquerda (Noval Nacional) parte de um Porto com pouco contato em madeira, apostando num longo envelhecimento em garrafa, ambiente redutivo (ausência de oxigênio). Já a taça da direita (Graham´s Ne Oublie), ocorre o inverso. Longo envelhecimento em pipas de madeira com longa e constante micro oxigenação.

Para não estragar o dia, resolvemos parar na perfeição. Tem horas que não vale a pena arriscar. Que outros vinhos do Olimpo possam nos deleitar. Abraço a todos os confrades!

Clássicos de Cuba

15 de Setembro de 2015

Apesar de ser um apreciador dos Puros, não sou especialista na área. Tenho para mim que o mundo dos charutos divide-se em dois: Os Puros e os demais. Para ter certeza que você está fumando um Puro, você tem três chances de confirma-lo. No primeiro terço, você diz: pode ser um Puro. No segundo terço, você diz: acho que é um Puro. No último terço, você decreta: tenho certeza que é um Puro. Em suma, no início do charuto, você pode até ter dúvidas, mas no decorrer da fumaça, os Puros são imbatíveis.

Esse artigo vai para meu amigo Thomas Ziemer, grande apreciador de Puros. Vou comentar sobre cinco clássicos que pessoalmente gosto muito e que para a maioria da crítica especializada não há conflitos. Evidentemente, o gosto pessoal está implícito, mas a gama é variada e altamente consistente ao longo do tempo. A ordem não obedece uma classificação de qualidade e sim de estilo e bitola dos charutos.

Partagás D4 Série RR

Partagás D4

Um Robusto de grande personalidade. A fábrica Partagás tem por estilo moldar charutos de grande fortaleza, charutos para fumadores experientes. Meu conselho é fumá-los após as refeições como um belo digestivo. Os primeiros terços vão bem com vinhos fortificados como Porto e Madeira, mas o terço final pede destilados de alto calibre como runs, cognacs e Malt Whisky. Fácil de encontrar e muito consistente em qualidade.

Aromas inebriantes

Montecristo n°2

Não sou um grande fã da marca, mas este número 2 é espetacular. Um figurado fascinante. Seu fluxo é intenso e avassalador. Suas notas terrosas, de chocolate e especiarias, são harmoniosas e marcantes. Deve ser apreciado após pratos consistentes e não necessariamente gourmets. Por exemplo, uma bela feijoada. Seguindo nesta pedida, caipirinha com o prato e rum añejo para o Puro. Se não houver limites, o último terço com um Malt de Islay turfado é a glória. Que tal um Lagavulin 16 anos!

Imbatível neste formato

Hoyo de Monterrey Double Corona

Este é o Borgonha dos charutos. Não é fácil encontra-lo apesar de seu preço um tanto salgado, mas vale cada centavo. Uma elegância impar. Suas notas delicadas de primeiro terço te leva às nuvens. Deguste-o sem pressa. Afinal, são pelo menos duas horas de puro deleite. Aqui um Madeira Malmsey ou Boal cai como uma luva. Um prato de peixe ou ave acompanhado por um Borgonha é o prefacio ideal.

Bolivar diferenciado

Bolivar Belicosos

Outro figurado de rara beleza. O preferido de Istvan Wessel, grande gourmet. Apesar da marca ser conhecida pelos puros de grande fortaleza, este exemplar esbanja elegância e uma certa sutileza, sobretudo no primeiro terço. Com o tempo, ele vai ganhando força, mas sempre acompanhado de suavidade. Escolha um Cognac devidamente envelhecido. Um X.O. seria perfeito. A sutileza desses Cognacs sublima a harmonização.

Elegância e Potência em sintonia

Cohiba Trinidad

Apesar de toda a fama e glamour da marca não está entre meus preferidos. Entretanto, a exceção é seu Trinidad. Puro de alta complexidade e elegância. Vai um pouco na linha do Belicosos acima. Suas notas de mel, couro e especiarias são bem dosadas, sempre com um final bem acabado e marcante. Um Porto Colheita para a harmonização seria uma boa pedida. Niepoort e Noval são belas escolhas.


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