Archive for Janeiro, 2013

Austrália: Parte II

29 de Janeiro de 2013

Se há um estado que personifica o exuberante estilo shiraz australiano, este estado é South Australia. Regiões como Barossa Valley, Adelaide Hills, Mclaren Vale e Clare Valley, demonstram esta marca com algumas variações e características próprias de cada região. O mapa abaixo ilustra estas regiões.

South Australia: concentração de grandes vinícolas

Barossa Valley

Além de grandes vinhos e grandes vinícolas, Barossa Valley entrou definitivamente no mapa-mundi dos vinhos com o mítico Grange Hermitage, hoje denominado apenas Grange, e considerado por muitos o maior tinto do hemisfério sul. Sonho que começou nos anos 50 com Max Schubert da vinícola Penfolds, um visionário que ousou fazer um grande bordeaux na região. Fã desta região e voltando de um estágio em vinícolas bordalesas, confiava no clima propício de Barossa, com muito sol e pouquíssima chuva. Um de seus pilares para elaboração de seu mítico vinho era partir de uvas perfeitamente maduras e de grande concentração. Observando antigas vinhas de Shiraz em vinhedos escolhidos a dedo, encontrou a matéria-prima ideal. Na vinificação cuidadosa a lição das barricas bordalesas entrou em ação. O vinho então amadureceu em barricas novas de carvalho americano, apostando na riqueza exuberante dos grandes shiraz da região. Seu vinho da safra de 1955 entrou para história, fazendo parte de um seleto grupo dos melhores do mundo de todos os tempos.

Vinhedo histórico em Eden Valley

Outro vinho de Barossa, mais especificamente de Eden Valley, região mais alta pertencente à Barossa Valley, é o famos Hill of Grace da vinícola Henschke. Este é um Shiraz elaborado exclusivamente de um vinhedo pré-filoxera plantado em 1860. É bom esclarecer que este conceito de vinhedo único, bastante ortodoxo no Velho Mundo, é exceção na Austrália. O próprio Grange mencionado acima, parte de vinhedos não só em Barossa Valley, mas também Mclaren Vale e Adelaide Hills. Para finalizar os grandes tintos de Barossa Valley, não poderíamos deixar de mencionar o grande Command Shiraz da vinícola Elderton. Um blockbuster com toda a riqueza, autenticidade e exuberância de um belo shiraz australiano.

De um modo geral, Barossa Valley é uma região bastante quente e árida, necessitando de irrigação. Eden Valley, mencionado acima, é um pouco mais fresco, inclusive com cultivo de uva riesling em locais propícios. Seus vinhos são o ápice da exuberância, notadamente seu típico Shiraz. Misturas com Cabernet Sauvignon são comuns, algo bem particular de South Australia.

Do lado dos brancos, a Chardonnay reina absoluta, quer como varietal, quer em misturas com a Sémillon. A Sémillon como varietal não é comum. Este estilo é mais presente em Hunter Valley, que veremos mais adiante, sendo praticamente um clássico desta região. Um pouco de Sauvignon Blanc é cultivada e geralmente participando de cortes com a Sémillon. Os vinhos costumam ser bem aromáticos, cativantes, porém carecendo geralmente de certo frescor.

Austrália: Parte I

25 de Janeiro de 2013

Austrália, um dos maiores países exportadores de vinho, mais precisamente, o quarto no ranking mundial, com pouco mais de sete milhões de hectolitros exportados e aproximadamente cento e setenta mil hectares de vinhas cultivadas. Símbolo de vinho moderno, macio, aromas exuberantes, pronto para beber, direto e sem delongas.

A partir deste artigo, mostraremos as principais regiões vinícolas australianas, baseadas nos sites: www.wineaustralia.com e www.winecompanion.com.au. A uva Shiraz, grafia australiana, é a grande estrela entre as tintas com exemplares notáveis nas regiões de Barossa Valley, Mclaren Vale e Clare Valley, principalmente. Os brancos baseados na Chardonnay e também na pouco explorada Sémillon, sobretudo como varietal, são os grandes destaques.

Vinhas concentradas na porção sul do país

Conforme mapa acima, as três regiões meridionais, South Australia, Victoria e New South Wales, concentram a grande maioria das vinhas deste país de dimensões continentais. Western Australia, Queensland e a ilha da Tasmania, completam o cenário. O fator fundamental desta concentração é o clima extremamente seco e bastanta quente fora das regiões mencionadas. Aliás, boa parte do vinhedo australiano precisa obrigatoriamente de irrigação, sem a qual, as vinhas não sobrevivem satisfatoriamente. Outra característica singular, é a ausência da filoxera em boa parte das vinhas australianas. A região de Victoria que será abordada oportunamente, é a que mais sofre com a presença desta praga. Só para esclarecer, filoxera é um pulgão que infectou e devastou grande parte do vinhedo europeu no final do século XIX, propagando-se para outras partes do mundo. Como sua ação nociva era a destruição das raízes da videira, a solução foi plantar videiras americanas nos vinhedos infectados (contato com o solo), enxertando as videiras européias sobre as americanas, ou seja, sem o contato direto com o solo.

A implantação da cultura da vinha na Austrália dá-se coincidentemente pouco antes desta época com importante participação de imigrantes alemães. Deste fato, resulta a grande tradição da uva Riesling em Barossa Valley, notadamente Eden Valley, região contígua à Barossa, e principalmente em Clare Valley, região de altitude a norte de Barossa.

A vitivinicultura australiana contemporânea está calcada em poderosos grupos vinícolas capazes de vinificar com qualidade e eficiência grandes massas de mostos provenientes de várias regiões, muitas vezes, distantes entre si, modificando drasticamente o tradicional conceito de terroir. A tecnologia e conceitos de vinificação são avançados, respeitados e muitas vezes adotados mundo afora. Um dos trunfos da agradabilidade dos vinhos australianos, sobretudo os tintos, está no fato de vinificarem os mostos sem grandes macerações a temperaturas um pouco mais baixas que as habituais. Eles preferem os taninos mais dóceis das barricas de carvalho, de mais fácil polimerização, aos taninos propriamente das uvas que normalmente necessitam mais tempo para serem amaciados. Além disso, os aromas e temperos (baunilha, especiarias, toques empireumáticos, …) da madeira potencializam o apelo e apreciação dos vinhos, mesmo em tenra idade.

Outros detalhes, veremos a seguir no próximo post, focando cada uma das principais regiões mostrada no mapa acima.

Tintos para o Verão: Parte II

17 de Janeiro de 2013

Neste artigo, vamos explorar alguns tintos do continente europeu, exceto França, já abordada na primeira parte. Começando pela Itália, temos a região de Valpolicella no Veneto. Aqui o próprio Valpolicella em versões mais simples, enquadra-se bem ao nosso propósito. Fuja dos Valpolicellas pelo método “Ripasso” que apresentam características de maior densidade e estrutura. O leve Bardolino, elaborado com vinhas próximas ao lago de Garda, tem todas as características de um tinto de verão. Na região do Piemonte, as uvas Grignolino e Freisa ganham destaque neste contexto com vinhos leves e muitas vezes frizantes. Os Dolcettos mais simples também cumprem bem este papel. Falando em frizantes, os renegados Lambruscos da região de Emilia-Romagna são vinhos emblemáticos. Prefira as versões secas das denominações Grasparossa di Castelvetro e da denominação Sorbara. São mais autênticos e equilibrados. Descendo um pouquinho pela Toscana, os genéricos Chianti são boas fontes de vinhos leves. São relativamente baratos e não trazem nenhuma denominação específica. Como já vimos em artigos anteriores neste mesmo blog, há nove denominações de Chianti. Para uma das denominações específicas, fique com a denominação Chianti Colline Pisane, sempre em estilo leve, podendo acompanhar até alguns pratos à base de peixe. Pendendo agora para o mar Adriático, temos alguns vinhos em Abruzzo sob a denominação Montepulciano d´Abruzzo com a uva Montepulciano. Geralmente os mais simples apresentam este estilo mais leve. Na região vizinha de Marche, a denominação Rosso Conero mesclando as uvas Sangiovese e Montepulciano, também moldam tintos de certa leveza. As regiões sulinas italianas pelo próprio clima, costumam elaborar tintos mais estruturados e alcoólicos, fugindo um pouco das características do que buscamos. Entretanto, há sempre casos pontuais que devem ser considerados. Por exemplo, alguns Nero d´Avola da Sicilia apresentam características de frescor, sendo muitas vezes o vinho tinto de entrada para uma refeição.

Ricasoli: Chianti leve de um produtor confiável

www.inovini.com.br

Partindo agora para Portugal, vamos abordar algumas regiões não tão famosas e que inclusive, sofreram modificações em suas respectivas nomenclaturas, conforme mapa abaixo. A antiga Estremadura, agora é Lisboa. O antigo Ribatejo, é simplemente Tejo e por fim, Terras do Sado, agora é Península de Setúbal. Nestas regiões é comum o cultivo da uva Castelão que gera vinhos de boa acidez e fruta vibrante, além das chamadas castas internacionais. Sobretudo na região de Lisboa, a influência marítima do Atlântico proporciona um clima ameno, preservando a acidez das uvas. Na Península de Setúbal, serras como Arrábida causam o mesmo efeito, gerando vinhos mais frescos. Quem quiser porvar um ótimo tinto elaborado com a uva Castelão, a dica é o produtor Antônio Saramago trazido pela Vinissimo (www.vinissimo.com.br). Agora falando de uma região mais clássica, o Dão pode proporcionar vinhos relativamente simples e frescos baseados na casta Jaen. Dificilmente, encontraremos um varietal, mas quando sua proporção é importante, teremos presente este frescor mesmo que o corte acompanhe um pouco de Alfrocheiro e/ou Touriga Nacional.

Em terras espanholas, vamos priorizar regiões vinícolas mais ao norte do país. Como sabemos, o clima seco e solo árido permeiam muitas regiões no centro e sul da Espanha. A uva Tempranillo em Rioja, dependendo da sub-região, pode proporcionar vinhos frescos e agradáveis, sobretudo na versão “sin crianza” ou simplesmente ” cosecha”. Em Ribera del Duero, a nomenclatura sugere a palavra “jóven”. De todo modo, são vinhos frescos, sem nenhum contato com madeira ou se houver, apenas alguns meses. Vizinha à Rioja, temos a região de Navarra, não tão badalada como sua rival. Na mesma linha de raciocínio temos os vinhos mais frescos que não passam por barrica. O produtor Chivite importado pela Mistral é sempre uma referência segura (www.mistral.com.br). Um pouco mais ao norte, próxima aos Pirineus, temos a moderna região de Somontano com uvas locais e internacionais. As versões mais simples com a menção “jóven” vêm de encontro ao nosso objetivo. No extremo nordeste espanhol, temos a região da Catalunha, terra do Cava. É uma região banhada pelo Mediterrâneo onde o calor e o sol são arrefecidos pela altitude mais interiorana. Denominações como Penedès e Costers del Segre são as mais indicadas na busca por vinhos mais frescos e leves, embora haja versões mais encorpadas e estruturadas. Como regra, fuja das versões crianza, reserva e gran reserva, se a opção for vinhos para o verão. Nas duas denominações existem uvas locais e as chamadas internacionais.

Tintos para o Verão: Parte I

14 de Janeiro de 2013

Quando pensamos em tintos para o verão, pensamos em vinhos relativamente leves, que podem ser refrescados e com aromas que lembram frescor e delicadeza. Neste contexto, os vinhos elaborados com a uva Pinot Noir são emblemáticos e com boa disponibilidade no mercado. Porém, alguns cuidados devem ser tomados para não comprarmos gato por lebre. A primeira grande divisão é separamos tintos da Borgonha do restante não só da França, como principalmente dos países do chamado Novo Mundo. Mesmo dentro da Borgonha, esta leveza, este descomprometimento em acompanhar pratos leves do verão, inclusive lanches frios, nos leva a vinhos mais simples e consequentemente com preços menos assustadores. Os vinhos de apelações mais genéricas encaixam-se bem neste perfil. O ideal é optarmos pelos comunais ou Villages onde o nome da comuna mais restritiva, garante de certo modo, a preservação da tipicidade ligada ao terroir, conceito este tão respeitado e procurado pelos amantes da região. Procurem deixar as categorias Premier Cru e Grand Cru para ocasiões especiais, para pratos mais sofisticados e sérios, muitas vezes mais apropriados para uma estação mais amena, inclusive inverno. Não que estas categorias apresentem vinhos pesados ou encorpados, pelo contrário, mas são vinhos de maior profundidade, com carga tânica muitos vezes dissonantes com o propósito deste artigo. Resumindo, não tem sentido acompanhar um lanche frio de verão com um Chambertin (um dos belos Grands Crus da Côte de Nuits).

Belo produtor numa grande safra (2009)

Anne-Françoise Gros é importado pela Cellar (www.cellar-af.com.br). Uma apelação genérica, mas altamente abalizada pela qualidade do produtor, culminando numa safra perfeita. Ótima pedida para o propósito do artigo.

Continuando na França, a grande região a ser explorada para estes tipos de tintos é o Vale do Loire. Aqui, uvas como Gamay, Pinot Noir e Cabernet Franc, são fontes de tintos originais e com todas as características que procuramos. A apelação Sancerre para tintos molda vinhos à base de Pinot Noir perfeitos para acompanhar pratos de verão. São leves e podem ser servidos agradavelmente refrescados. As apelações Bourgueil e Chinon por exemplo, desde que não sejam topos de gama de suas respectivas vinícolas, são vinhos baseados em Cabernet Franc de clima frio. Também são muitos aromáticos e refrescantes. A uva Gamay dificilmente aparece sozinha nas apelações. Em Anjou e Saumur por exemplo, ela normalmente é mesclada com a Cabernet Franc, gerando vinhos leves e delicados. Aliás, Gamay é a uva do Beaujolais, vinho também emblemático para o verão. Exceto alguns Crus como Morgon e Moulin à Vent, toda a gama de Beaujolais é bem-vinda para o verão. Portanto, use e abuse desta apelação. Só para esclarecer, Beaujolais não faz parte do Loire, e sim da Borgonha, embora alguns autores a excluam desta região.

Pinot Noir Reserve Expresión 2009

Produtor francês radicado no Chile

O rótulo acima é uma boa pedida do Novo Mundo que falaremos a seguir. Importado pela Decanter (www.decanter.com.br), este produtor procura preservar a delicadeza da cepa em seu rótulo mais simples.

Saindo da França, voltamos à Pinot Noir agora focando o Novo Mundo. Praticamente, todos os países deste bloco cultivam em maior ou menor escala esta temperamental cepa. O problema crônico do Novo Mundo é que estes vinhos costumam ser mais encorpados que deveriam, mais extraídos e mais amadeirados. Portanto, um tanto pesados para as características da uva. No Chile, regiões frias como Casablanca e Leyda, moldam alguns exemplares adequados ao nosso tema. Os mais simples, menos amadeirados, e portanto mais em conta, são os mais indicados para nosso propósito. Nova Zelândia, é outro país a ser explorado. Regiões como Martinborough e Central Otago são as mais promissoras para esta irriquieta casta. Talvez seja mesmo o país com maior potencial para Pinot Noir de caráter diferenciado, mas ainda é uma promessa. Falando agora de Argentina, a fria região da Patagônia é a mais entusiasmante. Um produtor em particular, destaca-se sobre os demais, Bodega Chacra. Falamos com mais profundidade deste produtor biodinâmico em artigo específico neste blog (verificar – Chacra e Noemía: Bodegas de Terroir). Demais países como África do Sul, Austrália, Brasil, Uruguai e Estados Unidos, as escolhas são pontuais e pessoais. A dica é procurar as regiões mais frias nos respectivos países. Um parênteses deve ser feito aos Estados Unidos. Existem vinhos de altíssimo nível, sobretudo na região de Russian River, que muitas vezes rivalizam com grandes exemplares da Borgonha. Contudo, são vinhos mais complexos e diferenciados, caindo na mesma consideração dos Premiers e Grands Crus da Borgonha exposta no início do artigo.

Tesouros da Côte de Nuits

11 de Janeiro de 2013

Domaine de La Romanée-Conti, Clos de Tart, Méo-Camuzet e Armand Rousseau, por exemplo, são nomes conhecidos, reverenciados e dignos de todos os elogios, beirando a perfeição. Ocorre que a magia deste santo pedaço de terra esconde tesouros não tão óbvios como os acima citados. O primeiro comentado neste blog foi uma série sobre Henri Jayer numa degustação comparativa com o todo poderoso Romanée-Conti. Desta feita, por sugestão do amigo João Camargo, falaremos de algumas preciosidades do Domaine Prieuré Roch (www.domaine-prieure-roch.com). Abaixo, a marca registrada de seus rótulos.

Vinhas, Energia e Frutos

Henry-Frédéric Roch, neto do lendário Henry Leroy que fez história no Domaine de la Romanée-Conti, possui onze hectares muito bem posicionados em várias comunas da Côte de Nuits, impecavelmente cultivados de maneira orgânica, em completa harmonia com a natureza. A perfeita maturação da uvas, a vinificação com cachos inteiros, a utilização de leveduras naturais, a longa maceração para extração de cor e taninos e o amadurecimento em barricas novas de carvalho por dezoito meses, sobretudo nos vinhedos Grands Crus, são procedimentos coerentes com os grandes vinhos da Côte de Nuits.

Aubert de Villaine (esquerda) e Henry-Frédéric Roch (direita)

Os homens acima assinam o rótulo abaixo

Dentre seus vinhedos, temos dois Grands Crus: em Chambertin, Clos de Bèze; em Vougeot, Clos de Vougeot. Outras preciosidades vêm de vinhedos exclusivos, aqui chamados “Monopole”. O primeiro da comuna de Nuits-Saint-Georges, denominado Clos des Corvées, é uma propriedade de 5,2 hectares de vinhas antigas com qualidade excepcional. O segundo, a razão de ser de nosso artigo, é o monopole “Le Clos Goillotte”, localizado a apenas cinquenta metros abaixo do mítico vinhedo La Tâche, outro monopólio do famoso Domaine de La Romanée-Conti. Demarcado desde os tempos do príncipe Conti, estas vinhas antigas escondidas no intrincado mosaico bourguignon, produz apenas duas mil garrafas por safra numa área de míseros 0,55 hectare. Suas exclusividade e sutileza são tão marcantes, que a localização do terreno não é precisa em qualquer mapa dos vinhedos de Vosne-Romanée. Muitas vezes, passa despercebido.

Segundo a Ficofi, entidade promotora de grandes eventos envolvendo os principais Grands Crus da França, Le Clos Goillotte é a grande sensação da atualidade. O rendimento desta vinhas de mais de quarenta anos não foge muito dos quinze hectolitros por hectare. Seu caráter é de estilo feminino com perfumes florais bem particulares, lembrando mais um Henri Jayer do que o introspectivo Romanée-Conti. O termo “baroque”, barroco em português, é o adjetivo mais preciso para definí-lo, ou seja, explendor exuberante. Seu consumo desde os tempos do príncipe Conti sempre foi privado para um público local. Após a aquisição pelo Domaine Prieuré Roch, sua comercialização tornou-o mais democrático, embora obviamente seletivo.

No Brasil, quem estiver disposto a experimentar algumas destas maravilhas, os vinhos do domaine são importados pela World Wine com preços evidentemente em quatro dígitos (www.worldwine.com.br).

Verão, Praia e Vinhos: Parte III

8 de Janeiro de 2013

Nesta terceira parte, gostaria de lembrá-los dos esquecidos e injustiçados vinhos rosés. A cor é linda, o preço é convidativo e a versatilidade à mesa é garantida. Evidentemente, quando falamos em rosé, falamos de Provence, a terra dos rosés. E realmente, se há um rosé diferente neste universo, é o rosé provençal. A cor é diferenciada e multifacetada, desde lindos toques salmonados, passando por todas as paletas do rosa e terminando nos vários tons de cereja. A fruta é presente e vibrante. O corpo e equilíbrio são balanceados e estimulantes. Além de todas as comidinhas de praia, o rosé enfrenta bem molho de tomate, alho e ervas dos mais variados tipos. Os mais estruturados e encorpados, como veremos a seguir, escoltam bem pratos como Paella, Caldeiradas de sabor mais apurado e Moqueca Capixaba.

Contudo, o arsenal francês vai muito além da Provence. As regiões do Rhône e Loire são fontes de belos exemplares. Normalmente, os rosés do Loire nas regiões de Anjou e Touraine sobretudo, são mais leves e apropriados para os antepastos e início da refeição. Já os rosés do Rhône possuem textura mais espessa, se acomodando melhor com os pratos principais propriamente ditos. Um rosé do Rhône em especial, o grande Tavel, é um rosé fundamentalmente gastronômico. Apresenta corpo e estrutura para pratos de peixes e frutos do mar com sabores e molhos mais intensos. Decididamente, não funciona bem como aperitivo.

Paella e rosé

Saindo da França, a região espanhola da Navarra apresenta belos rosés. O produtor Chivite importado pela Mistral é uma referência (www.mistral.com.br). O preço é bastante convidativo. A Itália também apresenta opções. A expressão Chiaretto no norte da Bota indica a versão rosé de certas denominações como por exemplo, o Bardolino, uma espécie de Valpolicella mais leve, elaborado próximo ao lago de Garda, separando o Veneto da Lombardia. Já caminhando para o sul, temos a expressão Cerasuolo, sendo a versão rosé por exemplo, da denominação Montepulciano d´Abruzzo, com a uva Montepulciano. Mas atenção, Cerasuolo di Vittoria é uma denominação da Sicilia para um vinho tinto específico. Não confundí-lo com rosé.

Se a idéia é ficar nos espumantes, as opções são inúmeras. Começando com os nacionais, o Chandon Rosé do Brasil é consistente e bastante versátil. Os Cavas nesta versão também são bastante convidativos. Os Crémants (espumante francês elaborado pelo método tradicional) das várias apelações francesas são ótimos, tanto da Alsace, Loire e Bourgogne, principalmente.

Quanto aos champagnes, se preço não for o problema, você está no paraíso. Os mais delicados e estimulantes podem ser um Billecart-Salmon ou um Taittinger. Já um Gosset ou um Krug merecem aquela receita especial com lagosta, por exemplo.

O importante é não deixar o rosé de lado, como um vinho de segunda categoria. Ele pertence a uma categoria especial e muito pouco explorada. Não tenha medo. Dentro de seu orçamento e expectativa, sempre haverá um rosé à altura. Um brinde colorido a todos!

Verão, Praia e Vinhos: Parte II

5 de Janeiro de 2013

Dando prosseguimento ao nosso artigo de verão, vamos falar hoje especificamente para aqueles que gostam de tudo que vem do mar, absolutamente fresco, salino e com poucas preparações e interferências para ser apreciado, ou seja, o alimento totalmente ou praticamente “in natura”. É o caso clássico das ostras frescas, bastando apenas umas gotinhas de limão, ou nem isso, para serem degustadas.

carpaccio de peixeCarpaccio de peixe

Nestes casos, se a idéia é não perder nada deste frescor, nada desta salinidade e pureza, escolha brancos leves, neutros, minerais, bastante vivazes (os mais novos possíveis de safra, se for o caso) e adequadamente refrigerados. A gama é vasta e estimulante: um bom Muscadet (francês do vale do Loire), um Sancerre ou Pouilly-Fumé (também do Loire), um Vinho Verde (incluindo o Alvarinho), um Albariño (versão espanhola do Alvarinho), um Verdicchio (italiano do mar Adriático), um Chablis (francês do norte da Borgonha), dentre tantos outros.

Se no momento, houver dificuldade em encontrar alguns dos exemplos citados, a velha alternativa do bom espumante nacional brut cumpre os requisitos básicos. Outra alternativa geralmente sempre à mão é um bom e honesto Sauvignon Blanc. Pode não ter a mineralidade necessária, pode ter um lado frutado um pouco invasivo, mas mantém um bom frescor e os característicos toques herbáceos.

Dentre os espumantes, além dos nacionais, os Cavas (espumante espanhol elaborado pelo método tradicional) são ótimas opções. Não são tão caros, principalmente os mais simples, e são exatamente estes,  que nos fornecem um toque mineral característico tão bem-vindo. Agora, se a idéia é sofisticação, vá de champagne Blanc de Blancs (champagne exclusivamente elaborado com Chardonnay). São perfeitos, leves, minerais e enriquecedores nestas harmonizações.

Voltando aos nossos pratos frescos de mar, além das ostras citadas como exemplo, entram nesta relação, a clássica comida japonesa (sushi e sashimi, sobretudo), ceviche (preparação com limão e cebola, principalmente), salada de frutos do mar (são levemente cozidos e marinados), e outros preparações que envolvam ervas frescas e aromáticas, temperos picantes e com componentes de acidez.

Os números de 2012

3 de Janeiro de 2013

Caros leitores e amigos,

Mais um ano em que os números de Vinho Sem Segredo superam todas minhas expectativas. Sinal de caminho certo, consistente e principalmente independente. Os artigos continuarão a serem publicados duas vezes por semana, vislumbrando em alguns anos chegarmos ao número mil. Espero com este objetivo, varrer didaticamente todas as principais regiões vinícolas do planeta, além de artigos intercalados com notícias de momento e também, sempre privilegiando o universo da enogastronomia.

Só tenho a agradecer mais uma vez todos vocês que interagem, comentam e sugerem temas. Este sinceramente, é meu maior combustível para a ampliação e enriquecimento deste blog. Cliquem abaixo no resumo 2012.

Feliz 2013! Sigamos juntos mais um ano no fascinante mundo da enogastronomia.

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um excerto:

19,000 people fit into the new Barclays Center to see Jay-Z perform. This blog was viewed about 98.000 times in 2012. If it were a concert at the Barclays Center, it would take about 5 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo


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