Archive for Dezembro, 2012

Verão, Praia e Vinhos: Parte I

30 de Dezembro de 2012

Janeiro, férias e praia. Uma trilogia quase inevitável. É hora de descansar, relaxar, enfim, recompor-se para o ano que está começando. À mesa, refeições mais leves, mais frugais, sem hora para começar ou terminar. O vinho, muitos vezes substituído pela cerveja, pode ficar em segundo plano. Contudo, vez por outra, em condições mais adequadas, podemos desfrutar desta agradável companhia.

Maresia, leveza e frescor

Nesta série de verão na praia, vamos propor algumas harmonizações simples, agradáveis e bastante informais. Seja na casa de praia ou hospedado em hotéis, ou fazendo as refeições em restaurantes, os vinhos podem estar à disposição, mesmo que as opções sejam restritas. Principalmente em restaurantes, por uma questão de preço, é sempre bom olhar os espumantes nacionais tipo Brut (não esqueça deste detalhe). Normalmente, são versáteis, seguros e não tão caros. Podem abrir uma refeição com charme e descontração, começando pelos petiscos, couvert, casquinha de siri, anéis de lula, mariscos ou polvo ao vinagrete, iscas de peixe empanadas e tantas outras atrações do litoral. A acidez, a leveza, e a textura da mousse, deixa a harmonização agradável e estimulante. Como dica, a Chandon do Brasil é sempre um porto seguro. Entretanto, se aparecer na carta de vinhos Cave Geisse, não tenha medo. É um dos melhores nacionais na atualidade.

Numa segunda estapa, com os pratos principais escolhidos, pode haver necessidade de mudar o vinho. Se então for necessário, parta para um branco de maior densidade. Neste caso, o Chardonnay fermentado em barrica é o vinho emblemático. Procure escolher um levemente amadeirado. Ele vai combinar com peixes assados de carne mais firme e saborosa, molhos mais densos, ensopados mais vigorosos, e assim por diante. Na mesma linha do Chardonnay, alguns Sémillons (sobretudo África do Sul) e alguns Viognier (algumas opções uruguaias) costumam apresentar densidade e textura semelhantes.

Até agora não falamos de tintos porque de fato, neste cenário, eles são absolutamente desnecessários. Aproveitem o verão com a temperatura refrescante dos brancos e espumantes, a leveza, o frescor, os aromas estimulantes que só eles podem nos porporcionar. Não tenham preconceito de cor. Isso vale até para os vinhos.

Continuamos com mais brancos para o verão no próximo artigo. Até lá!

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Harmonização: Bolo de Erva-Doce e Tâmaras

23 de Dezembro de 2012

Para aqueles que gostam de sobremesas delicadas, aromáticas e com açúcar comedido, este bolo de erva-doce é uma bela opção do chef Laurent Suaudeau.

Bolo de Erva-Doce: receita milenar

As tâmaras apesar de decorativas, fazem parte da receita e influenciam na harmonização. Evidentemente, a erva-doce é o ingrediente principal, seguido pelo mel, ovos, farinha, manteiga, uma pitada de sal e bicarbonato de sódio. A receita não leva açúcar. Dê um zoom na foto, e veja a receita.

A primeira observação na harmonização é que o vinho não precisa ser tão doce, basta que  ele iguale ou supere um pouquinho a doçura do bolo. O perfume dado pela erva-doce vai de encontro com vinhos de sobremesa baseados nas uvas Gewürztraminer ou Moscatel. Um Vendange Tardive da Alsácia é uma ótima opção. Dependendo da doçura, um alemão Spätlese ou Auslese, não necessariamente da uva Riesling, também soluciona o problema.

Colocando as tâmaras em jogo, seus sabores cairão muito bem com os belos Madeiras. Basta calibrarmos o açúcar. Um Boal, é a alternativa mais certeira, mas um Verdelho não está descartado. Neste mesmo blog, há um artigo específico sobre o vinho Madeira em cinco partes.

Voltando aos moscatéis, é importante pensarmos nos mais delicados. Não é o caso do Moscatel de Setúbal, um dos grandes fortificados da Terrinha, mas francamente dominante na harmonização. Uma boa fonte, seria os belos moscatéis de colheita tardia da África do Sul, culminando no histórico Vin de Constance, revitalizado pela vinícola Klein Constantia. Os moscatéis do Languedoc, abordados recentemente neste mesmo blog, como Frontignan e Lunel, são bastante adequados e delicados, embora sejam elaborados pelo método de fortificação. Encerrando os moscatéis, uma alternativa cômoda, segura e bastante sugestiva para a ocasião, é o Asti Spumante (DOCG do Piemonte) ou suas ótimas versões brasileiras de diversas vinícolas da serra gaúcha. Apesar da doçura, sua delicadeza e leveza vão de encontro à harmonização.

Embora sejam mais raros, alguns vinhos de colheita tardia com a aromática Viognier, são alternativas interessantes e originais. Chile, Argentina e Uruguai, apresentam algumas opções em nosso mercado. Austrália e Estados Unidos também são fontes seguras, mas com poucas opções ao alcance.

Enfim, uma receita de bons presságios, delicada, tendo como lembrança, os caroços  das tâmaras para o ano vindouro. Feliz 2013 a todos!

Sugestão para as Festas: Harmonização

17 de Dezembro de 2012

Nesta época do ano os pratos  de Natal e Ano Novo começam a ser pensados. Fugindo um pouco da mesmice, a sugestão abaixo encaixa-se como uma entrada ou até mesmo, como prato principal.

Bolinhos de peixe

Bolinhos de peixe com molho de salsinha

Para o molho serão necessários caldo de peixe (frango ou legumes, opcional), vinho branco, um pouco de vermute (preferencialmente, Noilly Prat), cebola em cubos, creme de leite fresco, salsinha picada, sal e pimenta do reino. Com a devida redução e incorporação da salsinha, o molho fica com o aspecto da foto acima.

O peixe pode ser bem delicado como linguado ou pescada branca, em proporções iguais de salmão fresco. Corte-os em cubinhos de um centímetro, fazendo uma liga com salsinha, cebolinha verde e um pouco do molho acima. Cozinhe algumas batatas descascadas, deixando-as ainda firmes para poder ralá-las grosseiramente. Faça então, bolinhos de peixe envolvidos nas batatas raladas, achatando-os posteriormente até tomarem forma da foto acima. Frite-os em seguida, no óleo, azeite ou manteiga. 

Para a montagem do prato, disponha o molho de salsinha, uma cama de verduras cozidas (brócolis, acelga, espinafre, ou alguma outra de sua preferência), e finalmente, os bolinhos fritos e devidamente secados. Após a receita, vamos à harmonização.

Primeiramente, o prato é bem adequado para uma noite de verão, onde muitas vezes a temperatura é elevada. Aqui estamos lidando com gordura (tanto do molho, como da fritura), um eventual amargor da verdura, dependendo da escolha de cada um, um marcante toque herbáceo (salsinha do molho e cebolinha dos bolinhos) e uma textura de molho relativamente delicada.

A opção pelos vinhos brancos é quase obrigatória, já que estamos falando de peixes. O toque de maresia não combina bem com tintos. Se não tiver outro jeito, um tinto bem delicado. Voltando ao mundo dos brancos, os espumantes e champagnes são o centro das atenções. Escolha um Brut elaborado pelo método Clássico (Tradicional ou Champenoise) com permanência sur lies (contato com as leveduras) não muito prolongada (doze a vinte e quatro meses). Este tempo confere a maciez necessária, quebrando um pouco a acidez natural do espumante ou champagne, sem o impacto marcante  dos aromas de redução de espumantes envelhecidos. Esta quebra de acidez é importante para atenuar um eventual amargor da verdura porém ainda suficiente, para combater a gordura do prato. Neste caso, a textura do espumante ou champagne, adéqua-se também ao prato. Como sugestão, o nacional Casa Valduga 12 meses sur lies, ou os champagnes Taittinger Brut Réserve (importadora Expand – http://www.expand.com.br) e Billecart-Salmon Brut Réserve (importadora World Wine – http://www.worldwine.com.br). 

No caso de brancos tranquilos, o toque herbáceo do prato nos leva naturalmente a um bom Sauvignon Blanc. Contudo, ele precisa um pouco de textura, com acidez não tão marcante, pelos mesmos motivos do amargor da verdura. Um Sauvignon Blanc com tropicalidade da Nova Zelândia, África do Sul ou dos vales frios do Chile (Casablanca ou Leyda, por exemplo), são boas opções. Um Verdelho da região espanhola de Rueda, ou um Alvarinho de certa textura como um Palácio da Brejoeira (importadora Vinci – http://www.vinci.com.br), são belas alternativas.

No mais, é curtir o momento e o Ano Novo que se aproxima. Boas Festas a todos! Feliz 2013!

Harmonização: Salada de Caranguejo

13 de Dezembro de 2012

Voltando a antigas receitas da revista Gula, pincei esta delicada entrada do grande chef “novaiorquino” Daniel Boulud, Salada de Caranguejo com Geléia de Maçã.

Entrada leve e original

A carne de caranguejo se houver dificuldade, pode ser substituída por carne de siri. Conforme receita na própria foto, a geleia não leva açúcar e a carne de caranguejo não é cozida, apenas temperada com limão, sal e pimenta, como se fosse um ceviche. A bela decoração com mini-folhas e uma fatia finíssima de maça, finaliza o prato.

Nesta harmonização temos como pontos importantes, a acidez do limão e os sabores delicados do caranguejo e das maçãs com uma sugestão de doçura. Trata-se de um prato leve e estimulante.

Um Manzanilla, Jerez fino de Sanlúcar de Barrameda, com seus toques salinos e notas de maçãs (manzana siginifica maçã em espanhol), apresenta ótima afinidade e corpo na medida certa, pois trata-se do mais leve Fino na região de Jerez. Além disso, sua acidez equilibra bem o lado cítrico do limão.

Outra opção interessante seria um Coteaux du Layon, apelação clássica do Vale do Loire com a uva Chenin Blanc. Uma ponta de doçura e a bela acidez deste vinho são fatores decisivos para uma boa harmonização, além de sua delicadeza natural. Um Riesling alemão halbtrocken, por que não? Uma bela acidez, leveza, elegância e um toque de doçura para enriquecer a harmonização.

A importadora Mistral (www.mistral.com.br) tem produtores de destaque para as sugestões acima citadas: Hidalgo para o Manzanilla, Baumard para o Coteaux du Layon e, Robert Weil para o Riesling Halbtrocken.

Uma bela sugestão para dias e noites quentes de verão.

Espumantes para as Festas

10 de Dezembro de 2012

Não tem jeito, todos os anos na época das festas em dezembro, os espumantes são lembrados, procurados e da mesma forma, praticamente esquecidos no restante do ano.

Já falamos diversas vezes neste blog que espumantes e champagnes podem e devem ser consumidos ao longo de todo ano. Não são vinhos apenas para celebrar. São vinhos versáteis, gastronômicos e extremamente receptivos aos mais variados públicos. Mas um fato deve ser observado, espumantes e champagnes não são todos iguais, e este é um ponto importante, independente do preço e da procedência. Uma coisa é tomá-los como aperitivos, vinhos de recepção, praticamente sem comida. Outra coisa, é levá-los à mesa para escoltar pratos dos mais variados estilos. Na prática, esta confusão é mais do que normal e pior ainda, praticamente despercebida da maioria das pessoas. Portanto,  seguem abaixo algumas orientações neste sentido. 

Case Bianche: Belo Prosecco da importadora Decanter

Aperitivos

Recepção de uma refeição, lançamento de produtos em eventos, vernissages, entradas leves, canapés, enfim, situações onde a comida e a harmonização não sejam preponderantes. O espumante emblemático para estes casos é o Prosecco, denominação de origem do Veneto. O ideal é o autêntico Conegliano-Valdobbiadene. É um espumante leve, delicado, elaborado pelo método Charmat, e deve ser consumido o mais jovem possível. 

Muitos espumantes à base de Chardonnay, inclusive nacionais, sobretudo elaborados pelo método Charmat (espumatização em tanques), enquadram-se nesta categoria dos aperitivos. Espumantes alemães (conhecidos como Sekt), alguns portugueses baseados na casta Arinto, e franceses com a expressão “mousseux” no rótulo, fazem parte deste time. 

Os espumantes elaborados pelo método Champenoise, Tradicional ou Clássico, evidentemente incluindo os champagnes, podem entrar nesta categoria, desde que sejam leves e com contato sur lies (com as leveduras) relativamente curto. Neste contexto, podemos incluir a maioria dos Crémants franceses (Loire, Alsace e Bourgogne), muitos Cavas (o grande espumante espanhol), e champagnes leves, notadamente os chamados “Blanc de Blancs”.

Voltando aos nacionais, o clássico espumante da Chandon na serra gaúcha é extremamente confiável e adequado para estas situações. Tomem o cuidado de não servirem o Excellence, top da vinícola, de entrada. Este é um espumante estruturado, gastronômico e portanto, cansativo para ficar bebericando sem comida. É bom frisar que a Chandon do Brasil só trabalha com o método Charmat em todos seus espumantes.

Gosset: Champagne de corpo e estrutura

Refeições

Quando o espumante chega à mesa, os cuidados com a harmonização devem ser redobrados. Aquele espumante que foi tão bem como aperitivo, pode se tornar sem graça e insípido diante de um prato. Portanto, a composição das uvas e todo o processo de elaboração do espumante vão influenciar sobremaneira na escolha mais adequada.

Espumantes e Champagnes baseados na uva Pinot Noir costumam ter mais corpo e estrutura, ou seja, é importante observarmos a porcentagem de Pinot no corte, se for o caso. Vinhos-base fermentados ou amadurecidos em barrica, bem como, contato sur lies (sobre as leveduras) prolongado (vários anos) durante a espumatização, também são fatores que conferem corpo, maciez e complexidade ao conjunto.

Em resumo, a calibragem dos fatores acima expostos darão a devida harmonia aos pratos que serão escoltados. Cavas extremamente envelhecidas, muitas vezes com a expressão “Gran Reserva”, enquadram-se neste contexto de corpo e complexidade. Champagnes como Bollinger, Krug e Gosset cumprem muito bem os requisitos acima citados. O grande problema é que pedem pratos sofisticados. Não basta serem só encorpados.

Na linha dos nacionais, a tradicional Casa Valduga apresenta uma série de espumantes elaborados pelo método Tradicional, com idade crescente nos seus diversos rótulos, mostrando em meses o contato sur lies (o máximo vai até sessenta meses). 

Estes espumantes e champagnes mais encorpados são capazes de escoltar com sucesso os mais variados pratos incluindo aves desde frango, peru, chester, galinha d´angola, perdiz, codorna, faisão, entre outras, até carne de porco (pernil ou lombo assado), coelho, bacalhau e vitela. Guarnições ou acompanhamentos com cogumelos dos mais variados gêneros são muito bem-vindos principalmente, quando temos espumantes com contato prolongado sobre as leveduras.

Termos como Charmat, Champenoise, sur lies, Cava, Crémant, são esmiuçados neste mesmo blog em artigos específicos sobre espumantes e champagnes. Favor consultar.

Wine Spectator 2012: Destaques

6 de Dezembro de 2012

A despeito de todas as polêmicas que envolvem a revista americana Wine Spectator, a lista dos cem melhores vinhos do ano (top 100) é sempre esperada, comentada e divulgada. Neste ano de 2012 que já vai dando adeus, pincei alguns vinhos interessantes, muitos deles já comentados neste mesmo blog, e que valem a pena serem provados pelo menos uma vez.

Château Guiraud Sauternes 2009 – 96 pontos – 5º lugar

Este Sauternes pertence à famosa classificação de 1855 dos grandes vinhos de Bordeaux. Basicamente, o que o diferencia dos demais é alta proporção de Sauvignon Blanc no corte. Normalmente, os grandes Sauternes trabalham com 80% de Sémillon e 20% de Sauvignon Blanc. Às vezes, uma pitada de Muscadelle, a terceira uva branca da região. No caso de Guiraud, a proporção de Sauvignon Blanc em torno de 35% confere mais leveza, menos untuosidade e maior frescor ao conjunto. Estrategicamente ao longo de uma refeição, pode-se tornar menos dominante e mais amigável na sequência dos vinhos.

Achaval-Ferrer Malbec Mendoza Finca Bella Vista 2010 – 95 pontos – 10º lugar

Este é um produtor irretocável quando falamos em vinhos argentinos na região de Mendoza. Seus focos principais são a concentração e a pureza da fruta. Neste caso, Finca Bella Vista é um de seus topo de gama. Aqui precisamos de três parreiras para a elaboração de uma garrafa. Em outras palavras, estamos falando em 400 gramas de uva por parreira ou 14 hectolitros por hectare. Traduzindo, é muita concentração. Este vinhedo localiza-se em Perdriel, Luján de Cuyo, a 950 metros de altitude, de parreiras centenárias plantadas em 1910. Deve ser obrigatoriamente decantado em qualquer idade, pois não é filtrado. Quando novo, pelo menos duas horas de decantação. Ver matéria específica deste produtor neste mesmo blog sob o título ” Bodega Achaval Ferrer”.

Fontodi Colli della Toscana Centrale Flaccianello 2009 – 96 pontos – 25º lugar

Atualmente, é difícil encontrar um toscano 100% Sangiovese capaz de ombriar-se ao grande Flaccianello. Com pontuações altíssimas principalmente na última década, este exemplar da reputada vinícola Fontodi esbanja raça, terroir e personalidade. Não se incomode com a legislação italiana, é apenas um IGT. Com vinhedos localizados na sub-região de Greve in Chianti, seu solo é rico em galestro (espécie de argila laminar), conferindo corpo e estrutura para este belo Sangiovese. Capaz de envelhecer por longos anos em adega, faz frente aos nobres Brunellos, apesar de sua localização no Chianti Classico.

Hamilton Russell Chardonnay Hemel-en-Aarde Valley 2010 – 93 pontos – 32º lugar

Tradicional e antigo produtor sul-africano, Hamilton Russell sempre foi um apaixonado pela Borgonha. No frio terroir de Walker Bay, litoral bem ao sul deste país, com toda a influência da gélida corrente marítima de Benguela, plantou cepas Chardonnay e Pinot Noir, tentando reproduzir sua “Borgonha local”. Utilizando clones bem selecionados e todo savoir-faire borgonhês, seus vinhos são sempre diferenciados e de muita personalidade. Ver artigos específicos neste mesmo blog em cinco partes sob o título “África do Sul”, publicados recentemente.

Descendientes de J. Palacios Bierzo Pétalos 2010 – 91 pontos – 57º lugar

Pessoalmente, Bierzo é a região vinícola espanhola mais excitante na atualidade. Localizada na porção noroeste da Espanha, é uma região montanhosa com um solo particular denominado de “pizarras”, semelhante ao xisto. Assim como o Priorato, Bierzo é um patrimônio inestimável de vinhas antigas da cepa local “Mencia”. Com vinhedos revitalizados, seus vinhos costumam ter concentração, equilíbrio e muita estrutura. A madeira costuma lapidar estes tesouros com vinhos vibrantes, minerais e taninos bem moldados. Vale a pena prová-los por preços ainda bastante razoáveis.

Emilio Lustau Amontillado Jerez Dry Los Arcos Solera Reserva NV – 90 pontos – 82º lugar

Os esquecidos e injustiçados vinhos de Jerez serão sempre imortalizados por produtores como Emilio Lustau. Suas soleras são muito famosas e fazem jus a belos vinhos como este exemplar. Amontillado é uma das nobres categorias de Jerez elaborado com a uva Palomino onde em seu processo de elaboração e criação teve certo contato com a chamada “flor”. Para entender melhor este processo, veja artigos em seis partes sobre Jerez neste mesmo blog. Esta cuvée Los Arcos mescla toques frutados (maçãs), de maresia (salinidade) e de leve oxidação, num conjunto raro e harmonioso. Excelente pedida para entradas picantes e de personalidade com alice, azeitonas e marinadas mais fortes.

África do Sul: Parte V

3 de Dezembro de 2012

Neste último post, abordaremos mais alguns distritos e regiões importantes, principalmente no que diz respeito à produção, desenvolvimento e expansão dos vinhedos sul-africanos. Olifants River e Klein Karoo são regiões em desenvolvimento, respectivamente, a noroeste e a leste do mapa abaixo. Olifants River é fonte de brancos à base de Chenin Blanc e Colombard. Em certos locais de altitude seus vinhedos podem surpreender com bons exemplares, inclusive com a internacional Sauvignon Blanc. Já Klein Karoo é uma região bem mais árida, especializada na produção de vinhos fortificados, uma modalidade sul-africana.  Uvas como Tinta Barroca e Touriga Nacional, típicas da região portuguesa do Douro, são base para bons exemplares dos falsos Portos no bom sentido da palavra. Os moscatéis também cultivados e elaborados na região apresentam certo destaque.

Coastal Region: A grande região sul-africana

Por último, mais alguns distritos importantes e ainda não mencionados da região de Coastal Region. Swartland, Darling, Tulbagh e Tygerberg são distritos que nos últimos tempos vêm ganhando certo destaque, localizados a norte e a oeste dos famosos distritos de Stellenbosch e Paarl. São terroirs de bom potencial que lentamente mostram vinhos cada vez mais bem elaborados. Em Swartland por exemplo, temos a vinícola Spice Route como símbolo de modernidade, pesquisa e procura por terroirs diferenciados. Seus vinhos são trazidos pela importadora Ravin (www.ravin.com.br).

Como último esclarecimento, os distritos de Wellington e Franschhoek Valley abordados neste série de artigos, foram comentados como fazendo parte do distrito de Paarl. Oficialmente, eles têm vida própria embora na prática, estejam integrados ao belo terroir de Paarl.

Ao longo desta série de posts, usamos muito a nomenclatura oficial da região, procurando diferenciar os nomes: regiões, distritos e wards. Regiões são áreas maiores englobando alguns distritos. Estes por sua vez, podem eventualmente englobar algumas wards, sendo estas as menores porções diferenciadas dentro do nobre conceito de terroir.

Selo oficial dos vinhos sul-africanos

Toda garrafa de vinho sul-africano deve ser etiquetada com o selo oficial acima (Wine & Spirit Board). Os números expressos nestes selos são codificados, mostrando relação com a região de origem, tipo de uva e blend se for o caso, safra e o número de garrafas produzidas. Há também um outro selo de sustentabilidade, por hora alternativo, certificando a preocupação da vinícola com o meio ambiente e por conseguinte, a utilização de métodos e procedimentos compatíveis com relação ao cultivo e à vinificação.

Voltaremos a este belo país vinícola oportunamente com mais vinhos.


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