Napa Valley: Parte II


Dando sequência ao terroir Napa Valley, falaremos especificamente das AVAs (Área Viticultural Americana) mais famosas como Santa Helena, Rutherford, Oakville e Stag´s Leap.

Começando com St. Helena, é a AVA mais quente das quatro citadas e relativamente menos prestigiada que as demais, embora tenha vinícolas de peso como Beringer, Spottswoode e Joseph Phelps com seu fabuloso Insignia. De um modo geral, seus vinhos costumam ser muito potentes, faltando de certo modo alguma elegância encontrada com mais facilidade nas comunas imediatamente a sul.

O vale afunila na direção sul-norte

Contígua à St. Helena, a comuna seguinte é a venerada Rutherford, chamada por muitos com certo exagero, a Pauillac de Napa.  Seus mais característicos vinhos são capazes de traduzir na taça um toque mineral terroso, conhecido como “dust rutherford”, ou seja, poeira de rutherford. Os lendários tintos de Inglenook, com vinhedos revitalizados pelo cineasta Francis Coppola através da vinícola Rubicon exprimem bem este caráter. Outra tradição local é a vinícola Beaulieu Vineyard com seu Georges de Latour Private Reserve , um clássico local.

O clima aqui parece ser ideal para a Cabernet Sauvignon. Quente o suficiente para sua maturação ideal, frio o suficiente para alongar seu ciclo, proporcionando notável estrutura tânica. Os solos a oeste são mais pedregosos, misturando areia e argila, enquanto a parte leste predominam solos vulcânicos. Os aromas minerais com toques terrosos e a característica fruta escura dos clássicos Cabernets estão aqui presentes. Vinícolas como Frog´s Leap e Caymus são destaques desta comuna.

Como exceção, a AVA Calistoga a norte de St Helena, e portanto mais quente ainda, tem como destaque a vinícola Araujo Estate Wines. Seu espetacular vinhedo Eisele, de solo predominantemente vulcânico, molda um dos mais emblemáticos Cabernets do Napa, que pode envelhecer por décadas. Outra vinícola de destaque é o Chateau Montelena, principalmente pelo seu Chardonnay que desbancou grandes nomes na mítica degustação de Paris em 1976. Seu estilo clássico e elegante, lembra um bom exemplar da Borgonha. O diferencial destes dois exemplos é que são vinhedos de altitude, aproveitando com inteligência a bela amplitude térmica local.

Próximo post, as AVAs de Oakville e Stag´s Leap.

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