Archive for Novembro, 2010

Espumantes: Crémants de France

28 de Novembro de 2010

O termo crémant na região de Champagne embora em desuso, significa um champagne com menor pressão  (duas a três atmosferas) que o usual (cinco a seis atmosferas).

No caso deste post, estamos nos referindo ao termo crémant como elaboração de espumantes na França pelo método champenoise, ou método tradicional, ou ainda método clássico, obrigatoriamente. Existem sete apelações para crémants na França, conforme descrição abaixo:

  • Crémant d´Alsace

Elaborado com as uvas Pinot Blanc, Pinot Gris, Pinot Noir, Riesling, Auxerrois e Chardonnay. Existe a versão rosé, elaborada com Pinot Noir. O vinho permanece pelo menos nove meses sur lies antes do dégorgement (expulsão dos sedimentos e colocação da rolha definitiva).

  • Crémant de Loire

Apelação do Loire, principalmente nas comunas de Anjou, Saumur e Touraine com as uvas Chenin Blanc, Chardonnay, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e outras uvas locais. Permanece pelo menos doze meses sur lies (em contato com as leveduras). Existe também a versão rosé.

  • Crémant de Bourgogne

 Apelação da Borgonha com as uvas Pinot Noir e Chardonnay, podendo ter eventualmente as uvas Gamay e Aligoté. Permanece pelo menos nove meses sur lies. Côte Chalonnaise é uma sub-região de muita tradição neste tipo de vinho.

  • Crémant de Die

Apelação tradicional do vale do Rhône com as uvas Clairette Blanche (55% mínimo), Muscat Blanc à Petits Grains e Aligoté. Permanece pelo menos doze meses sur lies. A presença da moscatel fornece aromas florais ao conjunto.

  • Crémant de Bordeaux

Apelação bordalesa com as uvas Sémillon e Sauvignon Blanc. Para os rosés, são utilizadas as uvas Cabernets e Merlot. Permanece pelo menos nove meses sur lies.

  • Crémant du Jura

Elaborado na região dos famosos  “Vins Jaunes” com as uvas Poulsard, Pinot Noir, Trousseau, Chardonnay e Savagnin. Permanece pelo menos nove meses sur lies.

  • Crémant de Limoux

Elaborado na região do Languedoc, perto de Carcassonne, é considerado o mais antigo dos espumantes na apelação Blanquette de Limoux. As uvas para o Crémant são: Chardonnay e Chenin Blanc, as principais, complementadas por Mauzac e Pinot Noir. Permanece pelo menos quinze meses sur lies.

Além dos crémants franceses, exite o famoso Crémant du Luxemburg, elaborado no país homônimo com uvas locais (Auxerrois, Pinot Blanc, Riesling, Chardonnay e Pinot Noir).

 

Os Crémants são belas alternativas neste final de ano com preços razoavéis, na maioria das vezes. Exceto os champagnes, estes espumantes são um dos  mais confiáveis no mercado, principalmente os da Alsace, Loire e Borgonha.

O rótulo acima é de um dos melhores produtores de Clos Vougeot, Chateau de La Tour. Ambos da importadora Decanter (www.decanter.com.br).

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Sommelier a domicílio

24 de Novembro de 2010

Jantar ou almoço entre casais, amigos, ou um momento especial, merecem atenção redobrada nos detalhes. Os vinhos, sem dúvida nenhuma são alguns destes detalhes. Para aqueles que não querem se preocupar com o serviço do vinho, dispensando atenção total aos convidados, um sommelier pode cuidar com competência, abrilhantando o evento.

Vinho Sem Segredo dispõe deste profissional, fornecendo todo o suporte necessário, desde a indicação dos vinhos, harmonizações prato a prato, escolha das taças, acessórios apropriados para o devido serviço e toda a coordenação na sequência dos vinhos.

A presença do vinho enobrece a mesa

Harmonizações com vinhos do Velho Mundo, podendo ser temáticas ou generalizadas. Do mesmo modo, para vinhos do Novo Mundo.

Quantidade de garrafas, taças adequadas, preparação e temperatura de serviço dos vinhos, sequência correta dos mesmos, e breve explanação sobre as harmonizações propostas, são alguns dos itens incluídos neste pacote.

Os vinhos podem ser da própria adega do anfitrião, ou devidamente sugeridos, de acordo com o orçamento e requinte pessoais.

A partir de um menu pré-estabelecido, os vinhos são harmonizados, dando mais liberdade ao anfitrião na elaboração dos pratos ou na contratação de um serviço terceirizado. Evidentemente, há casos específicos que precisamos aparar as arestas para um devida harmonização.

Horários para qualquer dia da semana, entre almoços e jantares, previamente agendados. Contatos: Nelson Luiz Pereira – email: nelsonlp@uol.com.br

Champagne: A arte do Assemblage

20 de Novembro de 2010

Com o final do ano se aproximando, a procura e o interesse pelos espumantes aumentam, especialmente o champagne. O mais sofisticado entre os espumantes vem de uma região demarcada a nordeste de Paris, com clima e solo únicos, além de um preciso método de elaboração. Um dos mais importantes itens em todo este processo é sem dúvida nenhuma o assemblage (mistura dos vários vinhos-bases), para criar uma cuvée que será espumatizada.

Nariz de perfumista buscando a perfeição

O assemblage na região de Champagne talvez seja o mais complexo no mundo dos vinhos. Os vinhedos são muito fragmentados (mais de 240.000 parcelas para 19.000 proprietários, entre alguns grandes e muitos pequenos).

Cada parcela em champagne é vinificada separadamente, dando origem a vários vinhos-bases de diferentes uvas, idade de vinhas, terroirs diversos (313 villages), a cada safra. Portanto, uma determinada Maison terá a seguinte tarefa pela frente a cada ano:

  • vinhos-bases varietais com Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier de acordo com o número de parcelas da Maison (vinhedos próprios e vinhedos terceirizados).
  • vinhos de reserva que foram guardados de outros anos, obedecendo o mesmo critério acima  a cada safra. Em Champagne é necessário guardar vinhos nas grandes safras para compensar os anos não tão bons. A média dos grandes anos é de dois ou três a cada década.

 Em média, uma Maison trabalha com 40 a 60 amostras de vinhos-bases a cada ano para montar a cuvée brut da casa, que deve obedecer o  gosto e o estilo da mesma. Começamos então a entender, a complexidade e o tamanho do problema.

Os profissionais desta nobre arte podem não saber degustar outros vinhos, mas com certeza champagne eles degustam como ninguém, procurando defeitos e pequenos detalhes que só um perfumista detectaria.

Várias simulações são propostas, sendo todas cuidadosamente anotadas, medidas proporcionalmente em provetas e devidamente, analisadas e degustadas.

Baseados no estoque de vins de réserve da cada Maison, na quantidade e qualidade da safra do ano em questão, eles precisam proporcionar os vários vinhos-bases separados por uvas, vinhedos e safras, que são normalmente muito desagradáveis. Lembrem-se que para um bom espumante é preciso de um vinho-base muito ácido e pouco alcoólico.

O pulo do gato é a sensibilidade da equipe de degustadores em encontrar a  mistura adequada deste vinhos brutos que depois de espumatizados, depois de passarem um tempo relativamente longo sur lies (a autólise das leveduras proporciona novos aromas ao champagne), ao serem abertos e degustados pelos consumidores, eles possam dizer: este é um Krug, este é um Bollinger, este é um Pol Roger, e assim por diante.

Portanto, na hora de comprar seu champagne, pense nisso. Apesar do preço, e no Brasil é realmente abusivo, existem terroir, sofisticação e arte nesta garrafa, como em nenhum outro tipo de vinho. Champagne é indiscutivelmente, o rei dos espumantes!

Rosés da Provence

16 de Novembro de 2010

Provence é a capital mundial do vinho rosé. Para aqueles que desejam conhecer mais a fundo esta especialidade, consultem o site do Centro de Pesquisa dos Vinhos Rosés (Centre du Rosé) – www.centredurose.fr .

Além da profusão de cores sensacionais, os rosés provençais combinam magnificamente com a comida local, à base de azeite, alho, tomate, ervas, legumes, enfim, uma bela dieta mediterrânea. Evidentemente, peixes e frutos do mar estão incluídos neste contexto.

Transferindo este conceito para pratos das grandes cidades brasileiras, as pizzas ficam muito agradáveis com rosé, principalmente no verão, sobretudo aquelas calcadas em legumes, alici e calabresa. Restaurantes que oferecem uma farta mesa de frios, saladas, queijos (especialmente os frescos), legumes em conserva, carpaccios, tomate seco, pães recheados, entre outros petiscos, ficam extremamente agradáveis na companhia de um bom rosé da Provence. Peixadas com molho de tomate condimentado com ervas e especiarias são belas pedidas com um rosé de mais corpo, podendo ser até um Tavel, rosé do sul do Rhône, que comentaremos num post futuro.

Estas são apenas algumas possibilidades enogastronômicas. No verão que está chegando, recepcionar um jantar com rosé, à beira da piscina, à beira mar, é sempre convidativo e principalmente, criativo, com custos relativamente baixos.

 Para dicas de vinhos rosés no Brasil, favor consultar lista bastante diversificada e atualizada  no endereço www.vinsdeprovence.com/brasil ou o especialista francês Raphael Allemand, coordenador do Provence Club Brasil (fone: 11-3032-8290). O site www.vinhosdeprovence.com.br é o mais recente e totalmente em português.

Um pouco do espírito da Provence

Os rosés da Provence podem utilizar os dois métodos de elaboração descritos no último post, embora a predominância da pressurage direct seja imperativa. As uvas utilizadas são bastante diversas, destacando-se: Grenache, Cinsault e Syrah. A uva local Tibouren gera rosés com particularidades e caráter distintos. Mourvèdre, Carignan e Cabernet Sauvignon podem eventualmente aparecer em pequenas porcentagens, sendo mais utilizadas para os tintos.

Alguns números da Provence

88% dos vinhos da Provence são rosés. Destes, 75% são classificados como AOC (appellation de origine controlée).

Os rosés representam 8% da produção mundial de vinhos, dos quais, 75% estão na Europa. A França é o primeiro produtor mundial de rosés com 6 milhões de hectolitros (29% da produção mundial), seguida da Itália e Espanha.

A Provence é a primeira região francesa em vinhos rosés AOC com 145 milhões de garrafas (dados de 2008), representando 40% da produção nacional.

Pequena amostra: nuances de cor na Provence

Os rosés não são apenas vinhos do cotidiano, facéis de tomar, sem grandes cerimônias, embora seja este o espírito. Existem rosés diferenciados, para momentos especiais, acompanhando a alta gastronomia. Neste contexto, podemos citar  três châteaux de grande tradição: Château Simone, Château Pibarnon e Domaines Ott, das apelações Palette, Bandol e Côtes de Provence, respectivamente.

As apelações provençais mais destacadas na produção de rosé são: Côtes de Provence, Coteaux d´Aix-en-Provence e Coteaux Varois.

Bouillabaisse: Harmonização clássica

Rosé provençal: um vinho delicado, exótico, autêntico e extremamente gastronômico. Bon appétit!

Rosés: Sedução além da cor

12 de Novembro de 2010

Infelizmente, o consumo de vinhos em nosso país é ditado pelos tintos, a despeito dos pratos escolhidos ou da época do ano. Os brancos ficam à margem do consumo e os rosés, nem se fala. Para piorar a situação, rotularam estes vinhos como vinhos de segunda categoria, que não têm personalidade, e vai por aí afora.

Se você não tem preconceitos, posso afirmar que está perdendo uma bela oportunidade para ampliar seus horizontes enogastronômicos. Primeiramente, vamos elucidar abaixo os processos de elaboração dos verdadeiros rosés, que estão muito longe de simplesmente misturar vinho branco com vinho tinto:

Pressurage

Termo francês que designa uma prensagem suave de uvas tintas antes da fermentação alcoólica, com controle de temperatura. As uvas são prensadas por um breve espaço de tempo (normalmente de 12 a 24 horas) dentro de um tanque, extraindo cor das cascas de maneira bem delicada. Após esta maceração, as cascas são separadas do mosto e dá-se a fermentação, a exemplo de um vinho branco. A cor deste tipo de rosé lembra o salmão, e é muito característica dos vinhos da Provence (região francesa mundialmente reputada pelos seus rosés). São os rosés mais delicados, com ótimo frescor e muito gastronômicos.

Dois belos rosés de estilos distintos

Saignée

Termo francês que designa sangria, ou seja, o mosto de uvas tintas com as cascas começa a fermentar, com uma crescente extração de cor. Passado algum tempo (normalmente de 24 a 48 horas), o mosto é drenado pelo fundo da cuba de fermentação e transferido para outro tanque, onde dá-se a fementação com controle de temperatura, agora sem o contato das cascas. Este tipo de rosé apresenta cor mais acentuada, lembrando cerejas. É mais encorpado, frutado e intenso (tanto aromática, como gustativamente).

No restaurante Cucina Piemontese em Alphaville, tenho os dois rosés exemplificados na foto acima. O rótulo à esquerda, Domaine Sorin Terra Amata, é um típico provençal, de corpo médio, aromas delicados lembrando flores, frutas cítiricas, ervas e especiarias. Já o rótulo à direita, Julián Chivite Gran Feudo, é um dos melhores rosés de Navarra (região espanhola vizinha à Rioja), com boa intensidade de fruta, mais encorpado, mais macio porém, sem perder o frescor.

Domaine Sorin  (Decanter) – www.decanter.com.br

Julián Chivite (Mistral) –  www.mistral.com.br

Cucina Piemontese – www.lacucinapiemontese.com.br

Próximo post: Rosés da Provence

 

Terroir: Sauvignon Blanc

9 de Novembro de 2010

O chamado Loire do Centro ou Alto Loire  é o berço espiritual da Sauvignon Blanc sob as apelações Pouilly-Fumé e Sancerre. O clima frio aliado às características predominantemente continentais, além de solos específicos, garantem um Sauvignon autêntico e de singular tipicidade. Os principais solos encontrados na região são com predominância de sílex ou solos do tipo Kimeridgiano, conforme fotos abaixo, respectivamente.

Sílex: rocha sedimentar composta de quartzo e argila

Solo kimeridgiano: fósseis marinhos calcinados em marga

Esses tipos de solo, segundo os terroiristas, transmitem a peculiar mineralidade destes vinhos, sempre acompanhada de uma notável acidez. No segundo tipo de solo (kimeridgiano), percebemos nitidamente conchas de ostras (fósseis marinhos) que foram solidificadas em outras eras geológicas. Afinal, o local já foi mar um dia. Este mesmo tipo de solo é famoso em Chablis, principalmente na faixa nobre dos sete Grands Crus (Blanchot, Grenouilles, Valmur, Les Clos, Vaudesir, Preuses e Bougros).

Portanto, o Sauvignon do Loire apresenta um estilo incisivo com aromas discretos, além da mineralidade acentuar-se ao longo do envelhecimento em garrafa. Sua acidez marcante é muito apropriada para entradas e pratos leves, notadamente da cozinha japonesa (peixes in natura).

 

Um das referências em Pouilly-Fumé

Além do sofisticado Baron de L acima, a domaine Ladoucette elabora outros exemplares dignos da apelação, que são importados pela Vinci (www.vinci.com.br). Chateau de Tracy e Michel Redde também são opções seguras das importadoras Decanter (www.decanter.com.br) e Club Taste Vin (www.tastevin.com.br), respectivamente.

 

Nova Zelândia

Rótulo histórico para o Novo Mundo

O exemplar acima colocou definitivamente a Nova Zelândia no mapa do vinho, mostrando ao mundo uma nova dimensão de Sauvignon Blanc, com uma tropicalidade ímpar.

O terroir chama-se Marlborough (porção nordeste da Ilha Sul neozelandesa). O terreno apesar de plano, tem excelente drenagem, graças ao solo de gravilha (espécie de pedrisco), que escoa a água rapidamente. A região é protegida ao norte e a oeste por uma cadeia de montanhas (ver foto abaixo retratada no rótulo do Cloudy Bay) dos ventos frios e úmidos, impiedosos nesta ilha. A insolação é uma das maiores no mundo vitícola, propiciando amadurecimento perfeito das uvas. Para completar, as noites são frias, provocando a tão benvinda amplitude térmica para manter ótimos níveis de acidez.

Richmond Ranges: barreira natural contra os ventos

Nestas condições temos um Sauvignon de bom corpo, extremamente frutado com incríveis toques tropicais (notadamente o maracujá), complementado por ervas, flores e em alguns casos, um fundo mineral discreto. O grande trunfo destes vinhos é sua bela acidez, frescor, valorizando e equilibrando sua exuberância frutada. Um dos melhores exemplares da atualidade é o Sauvignon Blanc Jackson Estate, importado pela competente e especializada importadora de vinhos neozelandeses Premium, www.premiumwines.com.br

Portanto, dois estilos incríveis de Sauvignon, respeitando seus respectivos terroirs, esperando o momento adequado para serem apreciados. Para um salmão defumado, como entrada, vá de Sauvignon do Loire. Já uma posta de salmão cozido no vapor ou em papillote, com ervas, especiarias, e gaurnições delicadas, vá de Sauvignon da Nova Zelândia. Bon Appétit!

Peculiaridades do Chianti Classico

5 de Novembro de 2010

A região do Chianti Classico, delimitada entre Firenze e Siena, além de muita história, guarda diferenças marcantes entre as principais comunas dentro de seu território.

O cultivo da Sangiovese nesta área é norteado sobretudo por dois fatores: altitude e tipo de solo. Este território apresenta altitudes sensivelmente maiores em relação ao restante da denominação Chianti (entre 300 e 600 metros). Já os solos, de natureza argilo-cálcaria, mostram em determinadas sub-regiões, predomínio de albarese (fragmentos de rocha de origem cálcaria), galestro (espécie de argila laminar) ou tufa (fragmentos de rocha porosa de origem calcária ou vulcânica).

Portanto, calibrar a altitude de acordo com o tipo de solo e a exposição do terreno com relação à insolação, é vital para a diferenciação qualitativa das uvas.

No mapa abaixo, detalharemos as comunas mais importantes de Greve, Castellina, Radda, Gaiole e Castelnuovo Berardenga.

A sub-região de Greve in Chianti é a mais setentrional e próxima a Firenze. As atitudes em torno de 400 metros aliadas a um solo com predomínio de Galestro, proporcionam os vinhos mais encorpados da região do Chianti Classico. Para citar apenas um produtor, fique com Fontodi e toda sua bela linha de vinhos. O estupendo Flaccianello (100% Sangiovese) é um caso à parte. Importadora Vinci (www.vinci.com.br).

As tradicionalíssimas sub-regiões de Castellina, Radda e Gaiole in Chianti de um modo geral, apresentam maiores altitudes e solos com marcante presença de albarese. Estes fatores resultam em vinhos menos encorpados que os de Greve in Chianti. Contudo, são vinhos elegantes e de acidez mais marcante (belo frescor). Nomes como Fonterutoli, Castello di Ama e Ricasoli, são sempre lembrados. As importadoras são Expand, Mistral e World Wine, respectivamente.

Por fim, a sub-região de Castelnuovo Berardenga com altitudes mais baixas (abaixo de 350 metros), apresenta um solo mais arenoso e com boa presença de tufa, gerando vinhos de corpo médio, elegantes e com um característico toque mineral (nuance defumada). Um produtor destaca-se entre os demais: Fattoria Fèlsina, importado pela Mistral (www.mistral.com.br). Massas com molho de funghi porcini são belas harmonizações com este tipo de Chianti.

As várias denominações Chianti

1 de Novembro de 2010

Embora Chianti seja um vinho bastante conhecido entre os enófilos, é preciso estabelecer as devidas diferenciações. Existem nove denominações de Chianti, conforme figura abaixo:

A região rajada em azul tem origem milenar

Se a Itália fosse unificada há mais tempo como é atualmente, a denominação Chianti seria sem dúvida, a primeira do mundo, muito antes do glorioso vinho do Porto. As cidades de Castellina, Radda e Gaiole são antiquissimas e trazem o DNA do que conhecemos como Chianti, sempre com a  uva Sangiovese protagonizando o corte.

Primeiramente, é preciso diferenciar Chianti de Chianti Classico. O termo Classico na legislação italiana significa a área de origem da denominação, ou seja, onde realmente surgiu o Chianti e teoricamente, deva existir maior tipicidade. Portanto, Chianti Classico é a denominação para os Chiantis mais estruturados, com mais corpo, geralmente, com maior amadurecimento em madeira, tendo inclusive nos chamados riservas, seu ápice, podendo eventualmente ser comparados com alguns Brunellos.

Já o Chianti, em sua versão mais simples, são os vinhos indicados para os pratos de cantina, à base de molho de tomate, por exemplo. São vinhos de boa acidez, corpo médio e devem ser consumidos relativamente jovens.

Dentro da ampla e genérica denominação Chianti, ao longo do tempo, algumas áreas específicas ganharam sub-denominações próprias, dando origem a um conglomerado de nomes. Nos arredores de Firenze e de Siena, temos respectivamente, os Chiantis Colli Fiorentini e Colli Senesi. Em Arezzo, temos o Chianti Colli Aretini. O termo Colli quer dizer colinas. A última denominação criada foi o Chianti Montespertoli em 1996.

Dentre essas denominações faz-se necessário duas observações. Primeiramente, o Chianti Rufina, no extremo nordeste do mapa acima. É uma denominação antiga e extremamente reputada. Não confundir com a marca Ruffino (Chianti Classico). São vinhos elegantes porém, sem o mesmo corpo e estrutura do Chianti Clássico.

A segunda observação diz respeito ao Chianti Colline Pisane, numa região próxima a Pisa, com importante influência marítima. Além disso, o solo mais arenoso, propicia um Chianti relativamente mais leve, com baixa tanicidade, sendo um bom acompanhamento para peixes cozidos com molho de tomate, para aqueles que não abrem mão de um vinho tinto.

Portanto, da próxima vez que pedir seu Chianti, lembre-se das nove denominações em vigor, adequando corpo e estrutura, aos pratos a serem harmonizados.

Próximo post: os detalhes do Chianti Classico.


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