Detalhes da Borgonha: Crus du Beaujolais


Segredos de um autêntico terroir

Apesar de fazer no úlitmo post um parênteses sobre os Crus du Beaujolais, achei por bem detalharmos melhor o assunto. Assim como a garrafa azul fez tão mal aos verdadeiros brancos alemães, o Beaujolais Nouveau deixou uma péssima imagem dos autênticos Beaujolais.

Situando-se entre Mâcon (a norte) e Lyon (a sul), esta apelação é discriminada mesmo dentro da Borgonha, chegando vários autores a descartá-la do mapa borgonhês. Basicamente temos dois tipos de solos: os xistosos, de base granítica, onde temos as melhores comunas de Beaujolais, incluindo os dez crus mostrados no mapa acima. Na parte sul da figura, temos predominância de solos argilo-calcários, não tão favoráveis ao bom desenvolvimento da uva Gamay, variedade única na elaboração do Beaujolais.

Dentre as dez comunas que são a elite da apelação Beaujolais, vamos detalhá-las em termos de estilo:

  • Os mais encorpados, estruturados e que apresentam condições de relativa guarda. Em média, até cinco anos. Algumas exceções podem chegar a dez anos de safra. Neste perfil podemos citar Moulin-à-Vent, Morgon e boa parte dos Chénas.
  • Os mais delicados, florais e que devem ser apreciados em sua juventude. Não esperar mais do que dois ou três anos de safra. Raramente podem suportar cinco anos. Fleurie, Saint Amour e Brouilly são os melhores exemplos.
  • Os intermediários mesclam um pouco dos dois estilos com tendência para os mais delicados. Neste bloco ficam Côte de Brouilly, Juliénas, Chiroubles, Régnié

Nos melhores rótulos, Beaujolais não é mencionado

Estes Crus costumam ser agradáveis, com personalidade e extremamente gastronômicos. Apresentam-se medianamente encorpados, com bom frescor, estrutura tânica discreta, aromas convidativos e sabores prazerosos, sem ser dominadores. Podem inclusive, acompanhar certos peixes e preparações que levem salmão ou atum, por exemplo. Aves, cogumelos e embutidos são seus parceiros clássicos.

Imediatamente abaixo dos Crus, encontramos mais 38 comunas sob a apelação Beaujolais Villages entremeadas às mais famosas e desfrutando de um terroir muito próximo em termos de composição de solo, altitudes e declives de encosta. Podem ser também ótimas opções sabendo escolher produtor e safra, principalmente.

Na base da apelação, simplemente Beaujolais, os riscos são bem maiores. As características de terroir são mais vagas, a concentração dos vinhos é mais comprometida e o envelhecimento em garrafa acaba sepultando o pouco que pode haver de bom.

O Beaujolais Nouveau dispensa comentários. É puro marketing, vinho com data marcada para ficar pronto e a partir de então com contagem regressiva para se desfazer. Seu preço, muitas vezes injusticável, deve-se sobretudo ao frete de avião para completar toda a logística de entrega em várias partes do mundo, pontualmente na terceira quinta-feira do mês de novembro.

Apenas complementando a indicação do Morgon de Dominique Piron do Club Tastevin, segue telefone e e-mail de seu representante em São Paulo (Ivanildo – fone: 9603-4034 e-mail: ivanildo@tastevin.com.br). Dominique Piron não faz outra coisa a não ser Beaujolais. Nasceu e vai morrer na região.

 

 

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