Bordeaux: Parte I


O mapa acima mostra a aparente complexidade dos vinhos de Bordeaux, a maior região vinícola francesa  perfeitamente delimitada em 57 apelações de origem. Os números de Bordeaux (dados de 2007) impressionam em vários quesitos:

  • 120 mil hectares de vinhas
  • Produção anual: 760 milhões de garrafas
  • 3,4 bilhões de euros, sendo 1,4 em exportações
  • 32% da exportação de vinhos traquilos franceses

A fama dos Bordeaux é toda voltada para os tintos que são a maciça maioria da produção. Contudo, os brancos são injustamente esquecidos e não devem ser desprezados, sobretudo os da região de Graves.

Quanto aos doces, o grande Yquem se encarrega de valorizá-los, colocando a região de Sauternes no podium. Châteaux classificados e bem administrados são as melhores pedidas da região. Rieussec, Suduiraut, Fargues e Guiraud são exemplos  clássicos.

 

A foto acima mostra a junção dos dois grandes rios da região (Dordogne e Garonne) formando o Gironde que desaguará no Atlântico 80 km adiante. Paradoxialmente, é uma região com muita água, a princípio, imprópria à cultura da vinha. Na verdade, toda esta massa de água funciona como um verdadeiro ar condicionado, resfriando as vinhas no verão e amenizando os invernos mais rigorosos.

As classificações de vinhos em Bordeaux é uma verdadeira torre de Babel. Sem dúvida, a mais famosa é a de 1855, onde foram avaliados os melhores vinhos do Médoc e os melhores doces da região de Sauternes. Eram os vinhos mais prestigiados da época. Esta classificação torna-se cada vez mais polêmica porque é imutável. Sendo assim, esses châteaux sofreram mudanças ao longo do tempo e não podem eternamente viver das glórias do passado. Felizmente, a grande maioria faz jus à classificação, sabendo renovar-se  de acordo com sua época.

A segunda grande classificação ocorreu com os vinhos de Graves (tintos e brancos). Iniciou-se em 1953 e foi completamente definida em 1959 com dezesseis châteaux.

A terceira grande classificação são dos vinhos de Saint-Emilion iniciada em 1958, prevendo revisões de 10 em 10 anos. Seguiram-se então as de 1969, 1986, 1996 e 2006. Esta última com grande polêmica.

A tradicional classificação de Crus Bourgeois está anulada até o momento, desde sua última revisão em 2003. Existe também uma classificação pouco conhecida e também irrelevante chamada Crus Artisans, relacionada à tradicional aristocracia do Médoc.

Apesar do tinto mais famoso e caro de Bordeaux (Château Petrus), Pomerol ainda não possui classificação oficial de seus vinhos, embora não falte um grupo extremamente seleto para sua inauguração.

De todo modo, é bom  que fique bem claro que todas essas classificações são independentes entre si e absolutamente restritas às suas respectivas subregiões.

Neste primeiro apanhado geral sobre Bordeaux devemos sempre ter em mente que a fama, reputação e alta qualidade de seus vinhos estão restritas a menos de 2% de seus mais de 10.000 châteaux. Mesmo assim, estamos falando em mais de 200 châteaux de alta qualidade, batendo de longe qualquer comparação com outras grandes regiões vinícolas do planeta.

Detalhando a região, no próximo artigo abordaremos especificamente o terroir do Médoc.

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